Bíblia dos Contos Proibidos.
2 O tabuleiro das almas.
Um sussurro metálico na floresta densa chamou a atenção de Elias. Recluso e obcecado por antiguidades, ele encontrou uma peça de metal escuro e pesado, que vibrava com uma energia estranha. Levou-a para sua oficina, onde passou dias esculpindo um tabuleiro de jogo para cinco jogadores, com um labirinto intrincado. Ao final, notou um brilho avermelhado no centro da peça, que atribuiu à ferrugem. Mas o brilho se intensificou, e o som de sussurros encheu sua mente.
Os sussurros se transformaram em pesadelos, e nos sonhos, o demônio se manifestou. "Alimente o tabuleiro, Elias, e a vitória será sua", sibilou a voz. Elias, com sua mente já frágil, começou a confundir realidade com pesadelos. A obsessão pelo tabuleiro crescia, e o demônio, apenas em sua cabeça, o convenceu de que o tabuleiro precisava de sacrifícios para ser ativado..
Cinco crianças desapareceram na cidade, uma a cada semana. O detetive cético, encarregado do caso, notou algo estranho nas últimas cenas dos crimes: uma poeira de metal escura, como a que Elias tinha em sua oficina. Após cinco semanas, o detetive encontrou a oficina de Elias. Elias estava sentado em frente ao tabuleiro, que brilhava intensamente. No centro, cinco marcas de sangue criavam um padrão sinistro. Elias, com a aparência de um louco, murmurava que o jogo estava "quase completo".
Preso e encaminhado ao hospício, a loucura de Elias se intensificou. Ele clamava que as crianças que ele matou não morreram, mas que se tornaram peças no tabuleiro. Seus gritos, assombrando os outros internos, eram ouvidos por toda a ala. O detetive, atormentado pela fala de Elias, começou a desenvolver uma obsessão pelo jogo.
Anos depois, Elias morreu no hospício, e o tabuleiro nunca foi encontrado. A obsessão do detetive se aprofundou, e ele começou a ter pesadelos semelhantes aos de Elias. A voz do demônio o assombrava, e ele começou a ter a necessidade de jogar um jogo, em que apenas uma pessoa vence. Um novo tabuleiro de metal é encontrado no hospital psiquiátrico, em uma sala abandonada.
A história termina com a revelação de que Elias não estava louco. Na verdade, o tabuleiro tinha um demônio, mas não o que ele pensava. O demônio do tabuleiro, por meio de seu jogo, o levou à loucura, e o forçou a matar as crianças. A cada sacrifício, o demônio ganhava mais poder. Elias não era o único que foi levado à loucura pelo demônio do tabuleiro. O detetive, e todos os que se aproximaram da história, acabaram sendo levados à loucura. A revelação final é que o tabuleiro não foi criado por Elias, mas por outro louco, que o escondeu na floresta. Elias apenas o encontrou, se tornando a próxima vítima de um ciclo de loucura que nunca termina.
Fale com o autor