Aún Hay Algo
4 CAPÍTULO 4 – HAY VIEJOS SENTIMIENTOS
Notas iniciais
“Entre a gente há velhos sentimentos, pensei que eles não voltariam nunca. Sei que você e eu temos uma história que nos deixou no meio da solidão” – Aún Hay Algo, RBD.
POV TANYA
Decidimos que iriamos com calma, que não queríamos confundir as coisas, era 7 anos longe um do outro, então tínhamos que nos conhecer, não éramos mais os mesmos e muita coisa mudou na gente.
Voltei para faculdade e Rose me colocou como estagiária de RH na clínica, o que a ajudava muito, pois a senhora que cuidava da área estava para se aposentar. Então eu estava responsável pelas entrevistas para o cargo de recepcionista, acabou que quem foi escolhido foi a Victoria Howard, uma ruiva muito simpática e falante.
Mas o que me incomodava era que eu a conhecia de algum lugar.
— Bom, Victoria, é a função é bem simples — Ela não parava de sorrir – Vai atender o telefone, para agendar as consultas e atender os clientes que aparecem pessoalmente.
— Eu só quero agradecer a oportunidade, Sr. Denali.
— Não, por favor... – Ri – Só Tanya, espero não ter idade para ser chamada de senhora.
— Desculpa – Corou — Espero que meu trabalho a agrade, voltei recentemente para Forks e essa está sendo a minha primeira oportunidade de emprego.
— Seja bem vinda de volta – A abracei — Não se preocupe, Rose e Alice são uns amores de pessoa e eu sou só a estagiária.
E com o passar do dia eu não conseguia tirar aquela sensação incomoda de que eu conhecia Victoria de algum lugar, o nome e sobrenome não me eram estranhos, o rosto dela era familiar, odeio olhar para uma pessoa ter essa sensação, aquilo me irritava demais.
— Victoria – A chamei, ela estava guardando as coisas para ir embora – O que você acha de tomarmos alguma coisa?
— Claro!
A levei para um bar que tinha na esquina, pedimos uma cerveja para cada e Victoria, falante que só ela, começou a contar sobre sua vida, o que nos identificamos na hora, pois ela havia passado por relacionamento conturbado e saído da cidade e voltou recentemente porque se sentia ‘curada’.
— Eu escrevi toda a minha trajetória em blog e de forma independente eu publiquei um livro, então agora organizo rodas de conversa e vendo o livro a preço de custo.
— Eu estou realmente impressionada, você transformou sua história em eu só sei chorar pelos cantos – Disse irônica.
— Isso é normal, quando esse meu ex-namorado foi embora para ficar com outra eu só sabia me culpar, não percebi que na verdade ele ia destruir a vida de outra garota – Suspirou — Se eu pudesse voltar no tempo eu iria atrás daquela garota para alertá–la da onde ela estava se metendo.
— Você meio que está fazendo – Sorri – Não é ela propriamente, mas outras garotas – Segurei a mão dela — Aos finais de semana eu vou para o grupo de ajuda, você pode levar o seu livro e vender lá – Ela sorriu.
Era bom ter mais alguém para chamar de amiga, então por um tempo eu ignorei aquela sensação de conhecê-la.
(...)
Sai da clínica com as meninas, Victoria e Alice, que eram as mais falantes do grupo, se juntaram em uma amizade fortíssima e sempre falavam alguma coisa que fazia todas rirem. Então aviste Edward, encostado em seu Volvo prata, lindo como sempre, sentia as borboletas no estomago rodopiarem... “Tanya, você já tem 23 anos, borboletas? Que ridículo!”.
Ele se aproximou me abraçando e me dando um selinho, esse era o segundo nível do a gente tinha, não nos importávamos mais em demostrar afeto na frente das pessoas, porém não saber como denominar isso que rolava entre nós, incomodava um pouca, mas era melhor assim, era “um lance só nosso”.
— Esse é o seu namorado, Tanya? – Disse Victoria dando pulinhos, “ela é o clone ruivo da Alice”.
Edward sorriu meio sem graça e cumprimentou Victoria, ali que incomodava, para todo mundo que nos via éramos namorados, mas entre a gente não... Aquilo era confuso demais, não dava para responder as pessoas com “temos um lance só nosso”. Fizemos o caminho até o cinema em silêncio.
— Ir ao cinema com você, me faz sentir ter 16 anos de novo – Tentei quebrar o gelo.
— É! Pelo menos naquela época a gente namorava – Respondeu mal humorado. “Hoje à noite vai ser difícil” – Tanya, não sei você, mas para mim aqueles velhos sentimentos estão de volta, nunca pensem que voltariam, mas ainda estão aqui – Respirou fundo – Nós não somos mais adolescentes pra ficar trocando beijos por ai, quero ter um relacionamento sério com você.
— Eu tenho medo – Confessei em fio de voz.
— Eu não sou o James e também sei que não sou lá grandes coisas, mas o que eu posso garantir é que eu vou te respeitar muito – Segurou minhas mãos – Se for preciso te provar isso todos os dias eu faço, escalo o Everest se for preciso – Rimos.
— Você sabe que quem tinha que prometer algo aqui sou, fui eu que te magoei primeiro – Ele suspirou.
— Tanya, eu já te perdoei, mas você precisa se perdoar, ou nada vai dar certo.
(...)
Victoria acabou fazendo uma palestra para as meninas do grupo, que amam ela e todos compraram o livro, ela acabou por me dá um exemplar autografado. Folhei algumas páginas e percebi que para identificar o tal ex-namorado ela usava as iniciais J.W, aquilo fez um sinal de alertar piscar na minha mente.
— J.W? — Me vi perguntando.
— Não posso usar o nome dele verdade, então uso as iniciais -Deu de ombros.
— E qual o nome dele? – “Dá onde veio essa curiosidade?”.
— Isso é importante? — Sorri sem graça.
— Não – Mas aquelas iniciais eram muito familiares para mim e suspeitas acabaram sendo criadas.
— A questão dona Tanya é que eu quero o número do seu terapeuta – A olhei confusa.
— Pensei que já tivesse um – Foi a vez dela sorri sem graça.
— Sim, eu já tenho uma terapeuta, mas eu não quero, mas eu não quero marcar consulta com ele, eu quero sair com ele – Corou.
— Eita — Fiquei sem reação e ela arregalou os olhos.
— Vai dizer que ele é casado – Disse preocupada.
— Não – Ele suspirou aliviada – É que eu tenho medo de está quebrando alguma regra ética dos psicólogos – Ela sorriu.
— Deixa que eu e Jasper descobrimos isso – Disse de forma maliciosa.
Então pegamos os nossos celulares e passei o número de Jasper para ela, que começou a mandar mensagem para ele e falar o quanta estava animada, mas tudo ficou preto de repente, alguns pontos foram ligados na minha cabeça.
Durante a palestra Victoria dizia que o ex dela a chamava de louca, mas até aí nada de específico, todo cara babaca chama a ex de louca, mas James dizia que a ex louca dela era ruiva, que achava o sobrenome dela de solteira dela horrível e quando eu olhei os papeis do divórcio dele o sobrenome Howard estava lá e que o ex dela era loiro com a beleza de um galã de novela, o que fez ficar fascinada e era do mesmo jeito que eu definia James.
— James Weber? – Deixei escapar e ela me olhou confusa – J.W no seu livro, são as iniciais de James Weber, não é?
Nos encaramos, ficamos nos olhando por vários minutos e esses olhares diziam coisas que só nos duas entendiam, era uma espécie de “sim, eu sei o que você passou”, mas era mais significativo que os olhares das outras meninas, que também passaram pelo mesmo... Nós duas passamos pelas mesmas coisas e com a mesma pessoa.
— Atrapalho? – Perguntou Edward que nos olhava sem entender nada – Vamos, Tanya? Minha mãe vai nos matar se chegarmos atrasados – Sorriu sem graça.
Fiquei olhando entre Edward e Victoria, sem saber o que fazer, mas Victoria se adiantou.
— Depois a gente conversa – Disse entendendo a minha confusão – Se tudo der certo, quem vai estar almoçando na casa da sogra futuramente sou eu — Tentou quebrar o gelo.
(...)
Eu já estava confortável com a ideia de ‘namorada do Edward’, mesmo não havendo um pedido oficial e pelo jeito Edward também, pois ele ficou com os olhinhos brilhando quando Esme fez um mega discurso de como era bom voltar a ser minha sogra de novo.
Passamos o resto da tarde largados no sofá da casa da mãe dele, onde ele insistiu que queria assistir sei lá que episódio de sei lá qual temporada de Naruto e eu simplesmente não entendi nada... Até porque eu não estava prestando muita atenção mesmo.
Descobri que Victoria era a ex-mulher de James, ainda me deixava em choque. Ele sempre a chamava de louca, desiquilibrada, que ela tinha estragado tudo, que ela o tratava mal, que o relacionamento não durou, por que ela não sabia ser tão madura quanto eu... E aquilo para uma garota de 16 anos era música, então acabei construindo a imagem de psicótica para a ex do James.
Mas Victoria não era nada disso e eu também não podia acreditar mais naquilo, todas aquelas desculpas de ex louca são respostas típicas de babacas e James era o rei dos babacas.
Era impressionante o fato dela está bem e eu... Não sei se estou tão bem assim.
Edward me acordou dos meus devaneios com um beijo. E beijar ele era o paraíso, tudo parecia se encaixar, duas peças de quebra cabeça se completando, ficar nos braços dele me dá segurança, mas eu não conseguia me desprender das antigas amarras, na minha cabeça, ao confiar totalmente em Edward ele iria se tornar igual James. “Eu sou completamente louca”.
— Você está muito pensativa, o que foi? – Me puxou para o seu colo.
Eu podia confiar nele de corpo e alma, Edward nunca foi, não é e nunca seria igual à James. Mas parecia que tinha algum vírus na minha cabeça que sempre fazia eu ficar com o pé atrás com ele, por isso eu me sentia confortável com denominação de namorada, mas não conseguia ser a namorada.
— Nada, só pensando mesmo – Dei de ombros.
Ele suspirou.
— Sinto que você não confia em mim e, de verdade, não entendo o motivo – Foi a minha vez de suspirar.
— Eu descobri uma coisa – Comecei meio incerta.
— O que?
— Que Victoria é a ex-mulher do James – O rosto dele ficou sem expressão.
— Acho engraçado como mesmo longo ele dá um jeito de aparecer na sua vida – Disse com a voz meio irritada.
E bateu o medo... As lembranças de James com voz irritada e vindo para cima de mim, e eu travei e o olhei assustada, e ele entendeu tudo, suspirou pesadamente.
— Tanya, eu não estou irritado com você e nunca na minha vida eu vou te machucar – Meus olhos encheram de lágrimas — Olha, não se estou fazendo certo pedindo isso, mas eu preciso que confie em mim – Baixei a cabeça — Por que ficar me comparando com James, realmente me magoa.
O abracei forte.
(...)
Combinei de encontra Victoria no mesmo bar que saímos pela primeira vez, peguei a mesa mais distante e afastada, ela chegou toda relutante, mas depois de algumas cervejas e falar sobre qualquer coisa nos deixou mais calmas.
Mas nenhuma de nós sabia como começar o assunto.
— Tá bom, chega de ladainha – Disse de repente – Nenhuma de nós sabe como começar, mas temos que começar de algum lugar, não acha? – Em um gole só terminou resto da cerveja que tinha no copo — Primeiro de tudo, eu realmente não acredito que você está na minha frente, eu passei muito tempo pensando no falar quando te encontrasse e agora não faço a mínima ideia do que dizer.
— Se você não sabe o que fala, imagine eu... – Suspirei.
— Eu só quero não te falar as mesmas coisas que todos falam – Deu de ombros.
— E o que seriam? Talvez seja um bom começo – Sorri.
— Que a culpa não é sua – Alguma expressão no meu rosto, que eu não sabia identificar qual era, fez ela me olhar estranho — Você sabe disso, não é Tanya?
Me calei. Na verdade, eu não sabia de nada.
— Olha Victoria...
— Meu Deus! – Ela me interrompeu – Ele fez o trabalho direitinho – Sorriu irônica — Fodeu a cabeça de uma garota de 16 anos que agora é uma mulher atormentada – Disse mais para ela do que para mim — Do que tem medo, Tanya?
— De ter outro James em minha vida – Não sei de onde tirei coragem para falar aquilo.
— Tudo bem, isso eu realmente entendo.
— Eu não consigo confiar nele, tenho medo de baixar a guarda ele se transformar no que James era.
— Você não confia nele, ou não confia em si mesma? — Me calei novamente – Olha, pelo pouco que eu sei sobre a sua história, você se culpa por ter feito escolhas erradas, não é? — Terminei minha cerveja em um gole só e pedi mais duas — Não se culpe, Tanya — Assim que o garçom saiu ela segurou minhas mãos — Você tinha 16 anos e ele te prometeu o mundo, isso quando se é ingênua é maravilhoso, você só acreditou nele esse deixou levar... Eu só não entendo onde Edward entra nisso.
— Na época, eu terminei com Edward de forma bem cruel, para ficar com James – Ela ficou surpresa — É por isso que eu digo que só faço escolhas erradas.
— Mas se ele está com você, quer dizer que ele te perdoou, não é? – Afirmei com a cabeça – Então por que você se martiriza tanto?!
— Eu não sei! – Disse com lágrimas nos olhos.
— Tay – Sorrimos – Todo mundo vê como Edward olha para você é uma devoção inexplicável, se ele pudesse ser o chão que você, ele seria — Ela fez um carinho na minha bochecha – Você precisa se perdoar, ou as coisas vão ser realmente difíceis e eu não falo só em questão do seu relacionamento, mas em tudo da sua vida – Com nossas mãos ainda entrelaçadas ela deu um beijo na minha – A questão não é que você não confia em Edward, você o ama está escrito na sua testa – Rimos – Mas sim que você não confia em si mesma e você precisa confiar em si mesma, antes de tudo.
E eu desabei a chorar.
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