Açúcar?
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Notas iniciais
Blaine se encarava no espelho. Ele havia tido a melhor noite de sua vida e não havia como negar isso. Depois de tanto tempo poder ter e sentir Kurt por completo era uma sensação que ele não conseguia sequer distinguir. Tudo ficava melhor ainda quando ele abriu os olhos naquela manhã e sentiu a cabeça do castanho em seu peito, a respiração tranquila e a mão sobre o seu coração. Amor.
A felicidade finalmente havia chegado para ele. Mas como todas as outras vezes, a felicidade tinha seu preço e Blaine sabia que dessa vez era muito alto. Ele mal conseguia encarar seus próprios olhos. Ele se sentia desajeitado, como um traidor, sujo, mentiroso, mas ao mesmo tempo essa não era a total verdade. O moreno passou as mãos pelos cabelos, tentando se livrar de todos aqueles pensamentos de culpa.
Só quando ergueu a cabeça, o moreno viu a figura de Kurt caminhando até ele e o abraçando as costas. A paz e a tranquilidade era o que castanho o trazia. Blaine circulando seus próprios braços na frente dos de Kurt, soltou um profundo suspiro. O castanho depositou um beijo na cabeça do Anderson.
– Bom dia. – Cumprimentou Kurt. Sua voz estava mais grossa do que o normal.
– Um ótimo dia e uma maravilhosa noite. – Blaine se virou e segurou Kurt pela cintura. O castanho moveu seus braços para o pescoço do moreno. Kurt ficou um pouco corado. – Como passou a noite?
– Muito bem. – Garantiu Kurt com um sorriso. – E você? – Kurt se aproximou e deu um pequeno beijo na bochecha de Blaine. O moreno colocou as mãos dentro do moletom de Kurt e circulou os polegares nas costas do namorado.
– Melhor impossível. – Os dois ficaram em silencio por um tempo, enquanto deixavam as cabeças encostadas e sentiam o calor e cheiro um do outro. Blaine se afastou um pouco. – Acho melhor nós irmos preparar o café da manhã para as crianças.
Kurt concordou com a cabeça. Os dois lavaram os rostos e escovaram os dentes. Enquanto o castanho colocava a mesma roupa da noite passada, Blaine ajeitava um pouco o quarto e a cama. Quando todo o cômodo estava definidamente organizado, os dois desceram as escadas de mãos dadas e foram diretamente para cozinha preparar o café da manhã das crianças.
O tempo todo, os dois ficaram alimentando um ao outro, brincando entre si e se beijando. Os dois só pararam quando a porta da frente se abriu e passos vieram em direção a cozinha. August e Ian entraram na cozinha com olheiras gigantes e se sentaram nas cadeiras livres.
– Bom dia, meninos. Como foi a festa? – Perguntou Kurt, colocando panquecas em um prato. — E onde estão o resto?
– Foram embora hoje cedo. – Respondeu Ian, indo até o pai e pedindo um pouco de leite.
– Falando nesse assunto, pai, você deve ter vindo bem cedo, né? Porque estamos acordados desde as oito e não vimos você descer para vir aqui. – August mordeu um biscoito. Aquilo era mais um teste do que uma pergunta curiosa.
Quando o Hummel mais velho se virou para August, o menino ainda não havia tirado os olhos questionadores de cima dele. Kurt precisava pensar em alguma coisa muito rápido.
– Na verdade, eu dormi aqui. – Blaine se engasgou com a panqueca e os meninos tinham olhos duas vezes maiores em cima de Kurt. – Porque um de vocês fechou a porta da entrada e a dos fundos, me deixando para o lado do de fora. – Os meninos agora estavam encolhidos em seus lugares. Ian fingia que estava pegando alguma coisa dentro do armário.
– Então isso explica a roupa de ontem e esse roxo no seu pescoço. – Disse August. Blaine mal havia se recuperado da primeira vez, quando uma nova sessão de tosse surgiu.
– E-exatamente. Estou com inúmeros machucados devido a cerca que tive que pular. – Kurt não sabia exatamente como iria explicar a marca em um lugar tão estranho, mas como os meninos ficaram em silencio, não tentou explicar.
– Vamos... vamos tomar café, por favor? – Disse Blaine. A frase soou mais uma súplica do que uma oferta.
Todos se sentaram e começaram a se servir. Enquanto os meninos estavam mais focados em encher suas barrigas, Kurt e Blaine não paravam de trocar olhares e esconderem sorrisos atrás das canecas de café. O Anderson sentia aquele momento como seu primeiro momento em família. O primeiro momento Hummel-Anderson.
Mas tudo foi desmanchado quando ele olhou para um grupo de envelopes brancos no balcão da cozinha. Um envelope que parecia um Berrador, porém não era os gritos que o incomodava, mas o silencio cortador e as palavras que preocupavam Blaine há meses.
[...]
O mês de outubro passou voando e a festa de August havia sido um sucesso, chegando até ser matéria de um pequeno jornal da cidade e virando assunto principal na escola durante toda a semana.
Para Kurt e Blaine as coisas estavam tão intensas, que os dois mal podiam acreditar que já faziam dois meses que eles estavam namorando. Como o Anderson sempre suspeitara, Kurt estava se dedicando de corpo e alma para a união dos dois. O castanho fazia questão de refeições juntos, de compartilhar pequenos detalhes e até estava gostando da ideia de saber mais sobre o emprego do namorado.
Como um casal de adolescentes com os hormônios à flor da pele, Kurt escapava de casa quase todas as noites para se encontrar com Blaine. Além das horas que os dois tinham para aproveitar enquanto os garotos passavam a manhã na escola. O moreno ficava surpreso cada vez que ia novamente para cama com Kurt, porque tudo sempre era diferente e sempre havia uma novidade.
O casal estava bem, Kurt se sentia feliz e Blaine também, mas o sentimento de culpa ainda o dominava. Por muitas vezes ele se viu quase contando para Kurt o que estava acontecendo, mas sentia que a verdade só pioraria tudo. Como última decisão, ele resolveu manter a notícia que recebera na carta e deixou as coisas fluírem com o namorado.
Quando o mês completara sua segunda semana, Blaine informou Kurt que estava indo fazer uma viagem junto com Ian e que isso seria de mega importância. Apesar do castanho querer ir com eles ou até pedir para Blaine esperar as férias de final de ano, o moreno negou. O Hummel ficou mais preocupado quando Blaine disse que era algo relacionado a uma doença rara de um primo, pois sabia que aquilo era mentira. Kurt só esperava que não fosse com o moreno. Poderia ser com ele mesmo, mas não com Blaine.
– Você jura que está tudo bem com você? – Perguntou Kurt, enquanto se despedia do moreno no aeroporto.
– Sim. – Mentiu, mesmo sabendo que Kurt poderia desconfiar. Apesar da vontade descomunal de dizer que voltaria logo, ele não podia, ele não tinha certeza. Mentir para Kurt já era ruim, iludir dessa forma era ainda pior. – Eu te amo. Adeus. – Blaine sussurrou no ouvido de Kurt e o deu pequeno beijo na bochecha. Eles já haviam tido tempo o suficiente para se despedirem da forma adequada em casa.
– Repete mais uma vez. – Pediu August.
– Uma caneta de cada hotel que eu passar, um copo de cada restaurante que eu for e uma foto de cada banheiro que eu entrar. – Repetiu o menino, depois rolou os olhos. – Isso é patético, você sabe, né? – Blaine já chamava o menino.
– Não seria eu se não fosse. – August deu um sorriso largo e acenou para o menino. – Até logo. – Gritou ele.
– Até logo. – Ian respondeu o aceno e o sorriso.
Enquanto Blaine e Ian seguiam para o portão de embarque, Kurt e August observaram os dois se distanciarem, antes de se voltarem para a saída do aeroporto. Blaine deu uma última olhada pelo ombro e viu seu namorado e enteado de mãos dadas, sumindo de vista. O Anderson só queria imaginar o que dali pra frente iria acontecer com suas vidas.
[...]
– Eu estou tão cansado. – Disse Kurt.
Depois que Blaine havia ido para Nova Iorque, os dois frequentemente tentavam se falar por Skype, algumas vezes tinham sucesso, já em outras nem tanto. Castanho e moreno estavam deitados em suas respectivas camas. Blaine admirava a bela imagem do namorado na tela, enquanto ele terminava de dizer sobre como havia sido o seu dia.
– Sinto muito por isso. Gostaria que tivesse alguma coisa que eu pudesse fazer para te ajudar. – Falou o moreno, tentando evitar falar sobre como havia sido seu dia. – Como está Gus?
– Lendo uma pilha de livros. Ele disse que como Ian não está aqui, precisa aprender mais sobre outras sagas. Ou alguma coisa assim. – Kurt riu pelo nariz. – Quem mais sofre com isso são os meus bolsos. Ele me fez comprar uns cinco conjuntos de livros diferentes.
– Você precisa de ajuda com isso? Eu posso lhe enviar o dinheiro. – O moreno pareceu preocupado com a situação do namorado.
– Não, de forma alguma. Está tudo certo. — Kurt analisou ele por alguns segundos. – Continue gastando com seu novo estilo, pois caso esteja tentando esconder de mim, sei muito bem que essa camisa é da nova coleção da Chanel, assim como a camisa de ontem era da Dior. Está acontecendo algum tipo de liquidação em Nova Iorque que não fui informado?
– Não. – Blaine riu. – Com a doença do meu primo, tenho ficado muito tempo com ele no hospital e não estou me alimentando direito, então estou perdendo alguns quilos. Aí você já sabe como são essas pessoas ligadas com moda aqui em Nova Iorque. Tudo é motivo para me comprar uma nova camisa ou sapatos. – Mentira, das mais esfarrapadas.
Kurt o analisou por alguns instantes. Blaine realmente estava mais magro e só havia saído da Flórida há duas semanas. Os olhos com olheiras e uma caneca sempre ao seu lado com algum líquido que Kurt nunca conseguira ver. O castanho limpou os pensamentos, pois tudo aquilo era coisa da sua cabeça. Blaine estava bem. Ele tinha que estar.
– Compreendo. – Kurt deu um sorriso fraco e logo o desmanchou.
Blaine deu um longo bocejo. Ainda eram oito horas. Kurt sentiu seu estomago revirar com a possibilidade de Blaine estar tomando remédios para dormir ou qualquer outro que o deixe com sono.
– Querido, eu preciso ir. – Disse o moreno, com um novo bocejo em seguida. – Tudo bem se eu for dormir agora? – Kurt negou com a cabeça. – Você está bem?
– Estou. É só que... Você está bem? Seja sincero. Você se sentindo bem? – Blaine não poderia mentir mais uma vez para aqueles olhos azuis. Aqueles olhos azuis que estavam quase se desmanchando em lágrimas.
– Não... – Kurt congelou na cama. O peito alto pela grande quantidade de ar em seus pulmões. – Eu sinto sua falta mais do que tudo. Não aguento mais um minuto longe de seus beijos e do seu toque. – Blaine observou Kurt se acalmar um pouco e mostrar um pequeno sorriso.
– Oh, Blaine. Eu também sinto sua falta. Muito. – Kurt guiou sua mão até a tela do computador para tocar o material frio ao invés do rosto quente do namorado. – Não aguento um minuto longe de você e não poder cuidar de você. – Blaine concordou com a cabeça. Como ele ansiava para que aquela mão estivesse tocando sua bochecha. – Mas ainda assim, você precisa dormir, posso ver que está cansado. – Blaine deu um novo bocejo. – Eu te amo. Boa noite, querido.
– Eu também te amo. Boa noite e sonhe com a minha volta. – Pediu Blaine, antes de fechar o computador e ver o sorriso de Kurt sumir. – Porque é só isso que eu posso te pedir agora.
Blaine estava lendo algumas papeladas do hospital, quando recebeu uma mensagem de Kurt. O moreno sem nem mesmo ver de quem era a mensagem, pois já sabia de quem era, abriu a mensagem. O moreno se surpreendeu quando viu que era de Kurt.
“Espero que esteja tudo bem. Faz alguns dias que não conversamos no Skype...”
Blaine logo escreveu uma resposta.
“Está tudo bem, mas corrido demais. Essa semana terei que ficar com meu primo no hospital na parte da noite, então ficaremos mais semana sem nos vermos, mas me certificarei de te mandar fotos.”

Blaine logo em seguida mandou uma foto de semanas atrás. Ele não poderia tirar uma agora com um cenário tão sério atrás dele.
“Lindo como sempre.”
“Eu sinto sua falta.”
“Desculpa, senhor, mas não posso ficar aceitando esse tipo de elogio. Tenho um namorado me esperando e acho que ele não gostaria nenhum pouquinho dessa sua atitude. Então, por favor, pare.”
“Eu também sinto sua falta. Muito.”
“Eu te amo.”
“Não mais do que eu. Eu te amo com todo o meu pequeno coração”
Apesar de se arrepender segundos depois de enviar a mensagem, não haveria nada que ele pudesse fazer agora para mudar. Blaine colocou o celular de volta no lugar e retornou as montanhas de papeis.
[...]
Na primeira segunda do mês de dezembro, Blaine e Ian ainda permaneciam em Nova Iorque. Por volta das duas horas da tarde, Blaine escutou a porta do apartamento bater e correu para encontrar com o filho.
Quando chegou na sala, encontrou com Ian já subindo as escadas para o segundo andar do duplex. O menino tinha uma carraca e segurava o choro.
– Ei, Ian, como foi a-
– Não ouse pronunciar. Esse foi o pior dia da minha vida e é tudo culpa sua! – O menino começou a chorar. – Eu não acredito que você está fazendo isso. Eu achei que você tinha mudado, mas parece que não dá a mínima para mim ou para as minhas opiniões-
– I-Ian-
– Fica quieto! Por favor, fica quieto! Não fala nada! – O menino voltou a descer as escadas e ficou de frente para o pai. – Você tem ideia do que é ser ridicularizado por um bando de meninos mimados que te julgam simplesmente porque você não tem o “estilo de Nova Iorque”? Você sabe o que é ser perseguido o dia inteiro pelos corredores de uma escola onde mesmo que todos te encarem, ninguém da mínima? – Blaine observava a dor nos olhos do filho. O menino jogou a mochila nos braços de Blaine, junto com um empurrão. – Volte a falar comigo quando eu tiver que voltar para o Tallahassee, caso contrário, por favor, fique na sua droga de escritório com suas mentiras e seu patrão idiota.
Blaine observou o menino subir as escadas correndo. Ele sabia que seria difícil para Ian, mas não imaginava que seria dessa forma. Quando o garoto sumiu de vista, Blaine se sentou no sofá e chorou com o rosto enterrado nas mãos, se perguntando por que ele sempre fazia as coisas dessa maneira. Ele já estava feliz, por que ele havia mudado tudo?
Depois de alguns minutos que o moreno estava chorando, ele recebeu uma mensagem de Kurt. Outra mensagem. Havia dias que eles não conversavam por Skype ou por mensagens, porque Blaine simplesmente não tinha coragem de olhar nos olhos de Kurt ou responder mais uma mentira.
Quando abriu a mensagem, viu um vídeo. O moreno se ajeitou no sofá branco, colocou os cotovelos nos joelhos e apertou o play do vídeo.
– Oi. Eu sei que você deve estar muito ocupado com o seu primo, mas... e-eu precisava te dizer uma coisa. Como eu não sabia o que escrever e não tinha certeza se faria tanto sentindo para você, eu novamente entrei no seu mundo e achei a música perfeita.
Kurt estava em um tipo de sala vazia, com apenas um piano branco. O castanho tirou a atenção de seu rosto ao soltar a câmera e deixa-la em cima do piano, a alguns centímetros de distância. Só com os acordes do piano, Blaine foi forçado a apertar os olhos e deixar as lágrimas caírem. Antes mesmo de cantar uma palavra, Blaine sabia exatamente qual música era e o que ela significava.
You’re a one-of-a-one, a one-of-a-kind
That you only find once in a lifetime
Made to fit like a fingerprint
A code that clicks open a gold mine
They say one man’s trash is another man’s treasure
When I found you it was all pitter-patter
Secretly, I hit the lottery
‘Cause you’re brighter than all of Northern Lights
You speak to me, even in my dreams
Wouldn’t let you go for even the highest price
They say one man’s trash is another boy’s treasure
So if it’s up to me, I’m gonna keep you forever
Em determinados momentos, Kurt encarava a câmera e Blaine sentia o olhar do castanho o atravessando. As palavras sendo cravadas em seu coração. O modo que ele achou de dizer que jamais esqueceria do moreno. Dizendo que queria Blaine para sempre. Isso fez Blaine derrubar mais uma nova enxurrada de lágrimas.
'Cause I understand you, we see eye-to-eye
Like a double rainbow in the sky
And wherever you go, so will I
'Cause a double rainbow is hard to find
Was a phenomenon when you came along
Yeah, our chemistry was more than Science
It was defining, loud like lightning
It was striking, you couldn’t deny it
Como Blaine desejava que Katy Perry nunca tivesse gravado essa música. Como Blaine desejava que Kurt tivesse encontrado as palavras certas para dizer-lhe algo. Porque ouvir aquelas palavras de Kurt, palavras que se encaixavam tão perfeitamente com a atual situação dos dois, era insuportável demais.
O moreno sentia como se estivesse acorrentado e que por mais que ele quisesse e tentasse chegar até Kurt, ele ainda ficaria sentando, porque ele sabe que a força da corrente que o prende é tão forte quanto seu amor. Tentar não é uma opção, quando a dor é certeza.
They say one man’s trash is another man’s treasure
The two of us together make everything glitter
'Cause I understand you, we see eye-to-eye
Like a double rainbow in the sky
And wherever you go, so will I
'Cause a double rainbow is hard to find
To the bottom of the sea I’d go to find you
Climb the highest peak to be right beside you
Every step I take I’m keeping you in mind
Agora Kurt também estava chorando em seu vídeo. O castanho havia parado de tocar e apenas sua encantadora voz reproduzia som. A dor que havia no castanho indicava que ele estava cantando aquilo tanto para ele, quando para Blaine. Era transparente como água, que ele estava dizendo a si mesmo que ele precisava manter essa relação com Blaine. Ele não poderia desistir. Não agora. Não depois de tudo. Não depois do enorme caminho. Não com o sofrimento que era certo caso Blaine não voltasse.
'Cause I understand you, we see eye-to-eye
Like a double rainbow in the sky
And wherever you go, so will I
'Cause a double rainbow is hard to find
It’s hard to find
Oh, it’s hard to find
Once in a lifetime
Once in a lifetime
– Oh, Kurt. – Blaine se viu passando sua mão por um aparelho na chance de sentir a pele de porcelana do namorado. Apenas frio, apenas ele.
– É assim que eu me sinto. Obrigado por ser meu namorado. Obrigado por me tornar o homem mais sortudo do mundo, porque nas palavras de Katy Perry, um arco-íris duplo é difícil de se encontrar; depois de ver um se esvaindo e passar por uma terrível tempestade, os céus se abriram novamente e você foi o meu novo arco-íris duplo. Obrigado por me fazer sentir amado todos os dias. – Kurt limpou a garganta. – Por favor, volte logo para casa.
Blaine se questionava novamente porquê ele não voltava para casa. Kurt o queria lá, Ian queria voltar para lá, ele queria voltar, mas porquê ele não voltava?
O telefone do moreno começou a tocar. Ele achou que fosse Kurt, mas na verdade era seu patrão. O real motivo para qual Blaine estava em Nova Iorque. O motivo pelo qual Blaine estava comprando roupas novas, emagrecendo e com um duplex.
Quando Blaine havia ido na casa de Cooper ano passado, o ator havia dito que um de seus amigos atribulados estava precisando de ajuda com um advogado, pois ele estava passando por um momento difícil e certas coisas sobre ele não poderiam vazar na mídia.
Blaine havia aceitado o emprego quando achou que Barry era Sebastian. Tudo havia sido por impulso, mas depois ele acabou se arrependendo. Agora não tinha como voltar atrás, pois ele mesmo havia feito o contrato. Assim que descobriu a verdade, Blaine disse que cuidaria dos processos do amigo do irmão no Tallahassee, mas as coisas começaram a ficar mais graves e Blaine não teve outra escolha a não ser se mudar para Nova Iorque.
O contrato duraria até o ator parar de aprontar e conseguir se virar com apenas um advogado, mas Blaine não sabia quando o rapaz criaria juízo, até lá, ficaria preso em Nova Iorque. Com Kurt sofrendo na Flórida e um filho o odiando.
Ele se sentia sozinho, pois não poderia contar a verdade para Kurt, não agora com a bola de neve que tudo havia virado. Ele não poderia contar com ninguém agora.
Ele só queria poder voltar no tempo e desfazer o maldito contrato. Ele só queria Kurt. Ele só queria sua vida de volta.
– Alô? – Blaine atendeu o telefone com má vontade.
– Eu preciso que você venha para cá agora! Samuel acabou de ser preso. – Era Osmar, o empresário de Samuel Norma.
Ele só queria sua felicidade de volta.
[...]
Kurt estava cantarolando a música da Katy Perry pela milésima vez, quando August entrou em casa.
– Papai?! – O menino correu até a cozinha. Kurt largou a bacia com massa de biscoitos e foi até o menino, vendo o completamente ofegante e com lágrimas nos olhos. – O que está acontecendo? Onde está Ian? Onde está o Blaine? Cadê eles?! – O menino estava nervoso e com a respiração descontrolada.
– Ainda em Nova Iorque. Por que o desespero, meu filho? – Kurt passava a mão no rosto do filho e limpava as lágrimas que caiam de seus olhos.
– Vai lá fora. – O menino não esperou o pai fazer alguma coisa, ele puxou Kurt.
Depois de atravessarem o corredor e chegarem na varanda. A primeira coisa que Kurt viu foi um enorme caminhão de mudança. Depois olhou para a casa do lado. Homens e mais homens tiravam várias coisas de dentro da casa de Blaine. Depois do choque, Kurt obrigou suas pernas a se movimentarem e chegarem perto do gramado do vizinho.
Um homem loiro e barrigudo batia com uma estaca a grama.
– O que está acontecendo? – Perguntou Kurt, olhando a cama de Blaine sendo retirada da casa.
– Seu vizinho está se mudando. A casa vai ser colocada à venda novamente. – E assim, o homem deu a última martelada na placa, cravando-a na terra.
– Ian não está matriculado na escola. A diretora confirmou. – Disse August olhando para o pai e o abraçando.
Kurt queria gritar com todo o ar dos pulmões naquele momento. Ele queria gritar tão alto que até Blaine pudesse ouvir e saber que aquilo era por culpa dele. Mas August ainda estava do seu lado e ele fora de casa, fora do quarto.
Traído. Era como Kurt se sentia. Ele passou um mês se preocupando com Blaine achando que ele talvez pudesse estar prestes a morrer, desejando até que ele mesmo estivesse doente, para não ter que sentir a sensação de abandono novamente. Mas de nada adiantou, pois Blaine havia o abandonado e arrancado com as próprias mãos e sem piedade o coração de Kurt.
O Hummel não sabia o que fazer. Ele não sabia como se sentir e o que fazer com Blaine. O Anderson havia mentido para ele, não oficializou o fim do namoro, o iludiu. A cabeça de Kurt era uma total confusão. Tudo o que ele fez foi afirmar inúmeras vezes para Blaine que eles só poderiam ficar juntos quando Kurt tivesse certeza que Blaine o amava. Apesar de ainda acreditar no amor de Blaine por ele, não era isso que estava acontecendo.
Blaine havia ido embora. Para sempre? Ele não sabia. Mas agora não fazia diferença. Na verdade, nada fazia diferença agora. Kurt só queria subir até seu quarto e ficar lá. Ficar lá até ele acordar desse pesadelo. Ou depressão o possuir por completo.
– Blaine também se foi. – Pensou antes de tudo começar a ficar escuro e ouvir o grito de August, enquanto caia no gramado.
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