Açúcar?
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Notas iniciais
– Vai, Ian! Você nunca vai conseguir rebater se não segurar esse taco direito! – Gritou August no meio da rua.
Os dois meninos estavam em frente de suas casas tentando jogar beisebol, só que Ian ainda não estava muito seguro daquilo.
– Ok, vai. – O menino conferiu sua posição e viu se estava como August havia lhe ensinado. – É só uma bola, Ian. Vai lá e rebata. Por que você não insistiu em jogar quadribol? Uma hora ele ia aceit- Depulso! – Ian girou todo seu corpo no momento em que viu a bola se aproximar. Quando abriu os olhos, viu que a bola não havia o atingido. Ele havia conseguido. – August, eu conseg- Aí, droga. August!
Ian havia acertado a bola na testa de August, que acabou caindo para trás e agora estava deitado no meio do asfalto. O menino correu até o vizinho e se abaixou perto dele.
– Pode me explicar o que raios deu em você? – Perguntou Gus sentando no chão e passando os dedos na testa. – Não vai criar um galo, mas logo o galinheiro inteiro. Se não a fazenda. – Disse ele olhado para Ian. – Eu joguei uma bola e você devolveu uma pedra? Isso deve ser coisa do Harry Potter.
– Mais ou menos. – Sussurrou Ian.
– Ei, garoto. Está tudo bem? – A voz vinha de alguém atrás de Ian. Os dois olharam para cima e encontraram uma menina de cabelos cacheados e armados, pele negra e olhos verdes.
Ian ajudou August a se levantar e os dois ficaram encarando a menina montada na bicicleta.
– Sim, mas quem é você? – Perguntou August com sua sútil ignorância para pessoas intrometidas.
– Peyton Greyback. Moro no final da rua. Eu me mudei faz poucas semanas. – Disse ela com um sorriso no rosto. August se simpatizou com ela. Já Ian...
– Espera, Peyton do que? – Perguntou ele. Quando ela respondeu, ele confirmou que não havia ficado louco. – Dumbledore do céu...
– Eu sou o August Hummel e ele é o Ian Anderson. – Disse Hummel indicando a si e o amigo. Ian apenas mandou um sorriso, pois ainda estava martelando com o nome da garota.
– Estavam jogando beisebol? – Perguntou ela analisando a luva de August.
– Sim. Você sabe jogar? – Ofereceu August. Ian o fuzilou com o olhar.
– Sei. Posso participar? – Perguntou ela colocando a bicicleta no meio fio.
– Vamos ver se você é boa. Se for, continua com o taco e se não, pode assistir. – Disse August sorrindo para um desafio.
A menina foi até onde Ian havia deixado o taco e se posicionou. Os dois já estavam preparados. August preparou seu melhor arremesso, piscou para Ian, que sorriu para ele, e arremessou. Peyton rebateu a bola, que voltou direto para mão de August.
– Então, como fazemos agora? Eu arremesso e você tenta rebater ou continuamos assim? – Disse a menina fingindo uma prepotência. August sorriu. Finalmente havia encontrado alguém com quem poderia competir de verdade.
[...]
As três crianças estavam indo para uma lanchonete que ficava na sexta rua. Eles estavam levando suas bicicletas, mas ninguém estava pedalando, apenas conversando. Na verdade, August e Peyton estavam conversando, Ian estava sendo ignorado.
– Então, Peyton, de onde você vem? – Perguntou August enquanto empurrava sua bicicleta.
– Sou da Califórnia, mas meus pais acabaram se cansando da vida agitada que tinham e acabamos vindo para cá, onde tudo é calmo. – Explicou ela. – Calmo até demais. – Brincou ela. – E você, August, também é daqui?
Ian rolou os olhos. A menina parecia estar o ignorando sua presença e August nem ao menos havia notado o desprezo dela para com ele. Ele também não fazia ideia porque ainda estava ali. Era melhor ter ficado em casa e assistir mais um filme do Harry Potter.
– Eu sou de Washington. Me mudei depois de uma tragédia na família. – A menina olhou para ele como se perguntasse o que havia acontecido. – Meu pai faleceu há quase um ano. – A menina ficou surpresa. – Tudo na minha antiga casa lembrava ele, então meu pai decidiu que era melhor nos mudarmos, então, Tallahassee...
– Espera, achei que você tinha me dito que seu pai havia falecido, como ele decidiu mudar de cidade por ter lembranças dele mesmo? – A menina tentava achar um sentido na frase do garoto.
– Sou filho de um casal gay. Meu pai Sebastian morreu e hoje moro apenas com meu pai Kurt. – Explicou ele.
– Oh... – A menina pareceu muito chocada. Ian a analisou para tentar achar algum vestígio de preconceito. Por sorte dela, ela pareceu neutra. – Mas você não é...
– Oh, não. Não é porque Ian e eu somos filhos de casais homossexuais, que seremos também. Não é algo que se aprenda. Não é olhar e boom, você começa a gostar do mesmo sexo. – Disse ele. – Certo, Ian? – Ele se virou para o amigo.
– Cert-
– Entendi. – Ela cortara Ian. Novamente. O castanho estava quase a socando para que ele pudesse terminar uma sentença sem ser interrompido. – Acho que chegamos. – Disse ela parando em frente a uma lanchonete e indo para um poste.
– Não precisa prender, Peyton. Você vai lá pedir os lanches e Ian e eu ficamos aqui para olhar as bicicletas, afinal, ele não trouxe a corrente dele. – Avisou August, recebendo um aceno de concordância de Ian.
– Mas como assim? Precisamos entrar. Não vai ter graça comer aqui fora. – Falou ela parecendo desapontada.
– Mas é que-
– Ah, o Liam pode deixar a bicicleta encostada, ninguém vai perceber que ela está solta, sem contar que vamos ficar vendo pela janela e a cidade é bem tranquila.
– Eu preciso de bons motivos para não socar a cara dessa garota agora. Olha só, não tenho motivos para não. Então eu vou é dar é agora-
– Se quer tanto entrar, eu prendo a minha e a dele. Pode ser, Ian? – Ian concordou enquanto observava as manchas na calçada.
– Tudo bem... – Respondeu Peyton. Ian sorriu ao perceber que aquilo incomodou a menina.
Os três prenderam as bicicletas e entraram na lanchonete. Eles pegaram uma mesa no fundo da loja. Ian sentou na janela, com August ao seu lado e Peyton na frente dele. Como já sabia que iria ser ignorado, Ian ficou olhando para a rua e o movimento dos carros.
– Peyton, o que você gosta? Quero dizer em questão de filmes, música, séries e afins. – Perguntou Gus enquanto observava o cardápio.
– Eu amo Crepúsculo. – Disse ela. Ian a encarou na hora.
– Ela só pode estar brincando com a minha cara. – Pensava ele ainda olhando para ela.
– Tipo, é a melhor saga que já foi escrita. O amor da Bella e do Edward consegue mexer comigo mais do que o Harry Potter e... Hermione, né? – Perguntou ela confusa.
Gus congelou no sofá. Ele sem mexer a cabeça tentou encontrar o olhar de Ian. Já o Anderson, estava com duas opções da cabeça, a primeira era voar no pescoço de Peyton e a outra era bater sua testa na mesa até que a região onde as memórias ficam armazenadas, ficasse prejudicada e ele esquecesse aquilo, ou até ele morrer.
– Gus, você por favor, poderia me dar licença? Preciso ir no banheiro. – Pediu Ian nem ao menos querendo olhar na cara de Peyton.
– Claro, mas não vai se afogar no vaso, hein. – Brincou August com um sorriso forçado. Ele tinha medo que Ian quebrasse a pia e cortasse os pulsos.
– Não, só me bateu um enjoou muito forte agora. – Disse ele saindo do sofá depois de August dar espaço. – Quer me ignorar? Tudo bem. Quer errar meu nome? Nada tão bem, mas tudo bem. Agora virar pra mim e falar que- urg. Alguém me prende em Azkaban. Ou essa trouxa! E olha que eu estou dizendo no sentido popular da palavra.
[...]
Depois de passar uma tarde inteira ouvindo as besteiras de Peyton, os meninos foram para casa. Quando ficaram sozinhos, Ian insistiu em dizer para August que Peyton estava o ignorando e o detestava. O Hummel tentava explicar que era impressão errada e que a negra era de fato muito legal, além disso, Gus dizia que aquilo era porque Peyton havia falado mal de Harry Potter o tempo todo.
Apesar do pequeno debate, tudo estava bem entre eles. Os meninos foram para suas casas e passariam o Domingo juntos e sem Peyton. O que não aconteceu. Assim que August colocou os pés para fora de casa, Peyton apareceu com sua bicicleta rosa na frente da casa do garoto. Ele estava ferrado.
Os três passaram o dia inteiro juntos. Eles brincavam de várias coisas, mas sempre paravam, pois Peyton sempre machucava Ian. Ou ela derrubava o menino ou acertava uma coisa nele. No final do dia, o estoque de curativos de Kurt já estava na metade.
Agora os três estavam no meio fio, conversando tranquilamente. Por alguns instantes, a conversa ficou só entre Ian e August, os meninos falavam sobre os novos machucados do Anderson e que eles poderiam dizer na escola que aquilo era porque Ian havia se metido em uma briga de rua.
Peyton percebeu que os meninos estavam próximos demais e August não parava de tocar Ian. E isso estava irritando ela.
– Ei, o que podemos fazer agora? – Perguntou ela com as mãos sobre os joelhos de August e tomando a atenção para ela. Ian notou a necessidade da menina por atenção e rolou os olhos.
– Acho que podemos ir na casa da árvore do Ian. – Disse ele sorrindo.
– Podemos? – Perguntou Ian sem acreditar que August realmente havia feito aquilo.
– Não estamos fazendo nada mesmo. – Falou August. Ele analisou a cara de Ian não muito certo daquilo. – Vamos! Podemos pensar em algo para fazer lá.
Ian não conseguia negar as coisas para August. Além disso, ele poderia jogar Peyton de cima da árvore caso ela fizesse mais alguma pirraça. Ele também aproveitaria para já enterra-la em seu jardim.
– Está bem. – Disse ele se levantando. Como de costume, ele deu a mão para ajudar August a levantar-se.
Peyton esticou sua mão para Ian, que não respondeu e passou reto, deixando a menina com a mão erguida. Por sorte dela, August pegou a mão da menina e a ajudou.
Eles entraram pela porta da cerca e foram direto para a escada da árvore. Desde a época em que Blaine havia mandado construir aquela casa, os meninos haviam decorada ela inteira. Eles colocaram luzes de Natal por volta das janelas e da porta, haviam pintado o teto da casa de azul marinho e feito estrelas com tinta branca e posto alguns moveis, jogos de tabuleiros e posters.
– Wow. Isso daqui é demais. – Disse Peyton encantada com o lugar.
– Obrig-
– O que faremos agora? – Perguntou ela se sentando em uma das poltronas.
– Te jogar daqui quem sabe? – Pensava Ian por ser cortado novamente.
– Que tal jogarmos Twister? – Perguntou August indo pegar o jogo no canto da casa de madeira.
– Pode ser. – Disse Ian, finalmente conseguindo terminar uma sentença sem ser interrompido.
Eles deixaram todo o espaço montado e colocaram o tapete no chão.
– Todos sabem as regras, né? – Perguntou August. Os outros dois concordaram.
O jogo começou tranquilamente, mas quando quase todas as mãos estavam sobre o tapete, as coisas começaram a ficar mais complexas. Ian e August estavam lado a lado, Peyton na frente de August e o Anderson era quem girava a roleta.
– Peyton, mão esquerda no amarelo. – Informou August. Agora August estava com a testa colocada na de Peyton.
– Oi. – Disse ela sorrindo para o castanho, que só respondeu com um sorriso.
– Mão direita no azul, Gus. – Falou o menino. Quando o Hummel fez isso, ele e Peyton acabaram ficando mais próximos
– Isso está ficando interessante. – Brincou ela.
Assim que Peyton fechou a boca. Ian passou o braço entre os dois e colocando a mão esquerda no verde. Agora a menina estava encarando o ombro direito de Ian, enquanto o Hummel estava agora de frente para August.
– Surpresa! – Disse o garoto para ao vizinho, que gargalhou como resposta.
– É sério isso? – Perguntou Peyton para Ian.
– Algum problema? – Perguntou August olhando para ela.
– Nada, só esse garoto que roubou o jogo para poder nos separar. Se contente, Gu não gosta de meninos. – Disse ela parando de brincar.
– Peyton, o Ian-
– Não. Ele tem que ouvir isso, Gu. Se não ele nunca vai parar. – Disse ela olhando com desprezo para Ian. Os três ficaram em um silencio mortal.
– Some da minha casa. – Disse Ian. O garoto já não estava com a voz totalmente normal. Ele tinha os olhos marejados e os punhos fechados. – Sai da minha casa! – Gritou Ian, com intuito que a menina se apressasse.
O garoto tremia de ódio. August nunca tinha o visto daquele jeito.
– Sabe o que vo-
– Eu mandei você sumir daqui! – Ian foi para cima da menina, mas August o segurou. – Some daqui! Eu nunca mais quero olhar na sua cara!
– Ian, se calma. Peyton, vai embora. – Pediu August.
– Mas você não vê? Ele-
– Peyton, saí logo daqui. – Falou August. A menina sem graça, saiu e deixou os dois meninos na casa. August depois de algum tempo soltou Ian, que logo começou a chorar. Ian tremia muito. – Ian, se acalme. – Disse August colocando a mão no ombro do amigo.
– E-eu não sei do que eu sou capaz se...
– Ian, por favor. – Pedia August. O Anderson estava tremia de raiva.
– Você viu o que ela fez comigo? Gus, e-eu não tive a intenção disso. Eu não roubaria para fazer isso com você. Nós dois sabemos o que somos e tudo, e-eu não...
– Ian, está tudo bem. Ela talvez só tenha se expressado mal.
– Expressado mal? August! Ela é louca por você e só está com ciúmes. – Ian queria chamar August de idiota, mas não adiantaria muito.
– Talvez ela esteja certa e-
– Espera, o que? – Ian parou de chorar e se virou para August.
– Calma, você não me entendeu. Talvez ela esteja certa no fato de estar com ciúmes de mim e se ela-
– August, vocês se conhecem há um dia e olha o que você está dizendo! – Gus havia irritado Ian, provavelmente mais do que Peyton.
– Ian eu estou dizendo no fato de sermos amigos e ela-
– Cala boca, August! – Disse Ian com lágrimas nos olhos e dando as costas para August, deixando ele sozinho na casa da árvore.
August bufou e passou as mãos sobre os olhos. Ian havia o entendido mal. Ele queria dizer que Peyton talvez estivesse com ciúmes por eles serem amigos e muito próximos, mas não que ele apoiava esse ódio dela ou a atitude dela.
– Droga!
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