Notas iniciais
Juro solenemente que não prentendo fazer nada de bom. Cheguei com uma fic nova. Só espero que foquem mais nessa história do que aconteceu em American Boy e In The Line. Obrigado, de nada. É o primeiro capítulo, então espero que gostem e acompanhem.Se é a primeira fic minha que você lê, há mais fics terminadas no meu perfil. Boa leitura. Lumos!

— Gus, vamos! Se não vamos nos atrasar, filho! – Kurt buzinava da entrada de sua antiga casa, enquanto esperava o filho sair do local.

O menino saiu correndo da casa com uma grande mochila azul nas costas e uma gaiola com um passarinho amarelo. Pavarotti II. August Hummel entrou correndo na parte traseira do carro, jogando a mochila e colocando a gaiola ao seu lado. O pai do menino olhou para ele e mandou um aceno com a cabeça. O menino sorriu abertamente para o pai como resposta.

Kurt ligou o rádio, deu partida no carro e saiu logo atrás do carro da mudança. De Washington para Flórida, seriam longas horas de viagem. August deu uma última olhada para o jardim. Era quase que possível ver Sebastian de pé no gramado com uma das mãos no bolso e acenando para August com a outra, enquanto o menino ia para escola.

August Hummel-Smythe era filho Kurt Hummel e Sebastian Smythe. O menino tinha dez anos e estava prestes a fazer aniversário. Seria o primeiro ano em que o menino não teria um dos pais com ele. Sebastian havia morrido em um trágico acidente de carro há alguns meses. Justamente no dia em que ele e Kurt completavam cinco anos de casados; com isso a dor da perda para Kurt havia assumido um grau muito maior. Em uma decisão conjunta de pai e filho, os dois concordaram que deveriam sair de Washington e ir para outro estado americano, assim não ficariam presos com memórias devastadoras. Eles iriam amar eternamente Sebastian, mas ficar naquela casa só iria recorda-los do passado e não os deixariam seguir em frente.

A decisão havia sido tomada assim que Gus havia entrado de férias da escola. No meio das férias, os dois iriam para a nova casa. Assim daria tempo para eles se despedirem de todos e se acostumarem com a nova casa e vizinhança na Flórida.

[...]

— Corre, Ian! – Dizia Blaine enquanto corria pelo o aeroporto.

— Pai, estamos no caminho errado. É plataforma 9 ¾, não portão cinco. – O menino não aguentava mais suas próprias pernas de tanto que corria atrás do pai. E Blaine não era dos mais altos para correr em uma distância tão longa assim.

— Ian, quantas vezes vou precisar te dizer que não estamos no mundo encantado de J.K. Rowling e que não viajaremos de trem?! – O homem olhou novamente em seu relógio, faltavam dez minutos para o seu voo.

Os dois continuaram correndo por mais alguns portões, até que finalmente encontraram o portão certo. Os dois entraram em uma fila que tinha no mínimo umas sete pessoas.

— Pai, você acha mesmo que o avião é um meio de transporte aéreo seguro? Porque eu acho melhor irmos de vassoura... – Blaine encarou o filho por alguns instantes. O suficiente para o garoto abaixar a cabeça e ficar em silêncio. – Por que ele me olha desse jeito? Foi ele quem me deu os livros e me levou para assistir os filmes! – Pensava Ian enquanto brincava com o chaveiro de coruja pendurado em sua mochila. – Pai, eu estou com fome. – Disse o menino puxando levemente a calça social de Blaine.

— Comemos no avião, tudo bem? – Pediu Blaine abafando o microfone do celular, onde provavelmente havia um dos clientes de Blaine.

Ian Collins-Anderson era filho de Scott Collins e Blaine Anderson. O menino tinha dez anos. Ian e Blaine estavam saindo Maine para Flórida por problemas familiares, todos causados por Scott. Scott havia sido pego na cama com outro por Blaine, apesar do moreno garantir ao filho que o motivo da separação era porque o amor que ele tinha por Scott havia se esvaído, o que de fato não é uma total mentira. Quando o moreno descobriu sobre o caso de Scott, o rapaz afirmou que aquilo era culpa de Blaine, já que o moreno era tão focado em ser um ótimo advogado, que se esquecia dos próprios problemas e até mesmo da família. Na hora de escolher com quem queria ficar, Ian escolheu Blaine, pela razão de que apesar de toda a falta que Blaine fazia em casa, o moreno ainda era o que mais se importava com Ian e a pessoa que o garoto mais amava e admirava.

Ian tinha uma paixão. Um paixão que havia sido seu refúgio por todas as vezes que se via ou sentia sozinho: os livros. Ler era a coisa que Ian mais gostava de fazer, principalmente uma de suas histórias favoritas: Harry Potter. O garoto até se considerava um Potterhead e um bruxo. Ele a todo momento ficava se recordando que no próximo ano começaria ir para Hogwarts.

— Passagens, por favor. – Pediu a mulher do balcão. Blaine mostra os papeis e logo os recebe de volta. O moreno pega o menino no colo. – Como espera que seja esse seu ano na Flórida, Ian? – Pergunta o pai removendo os cabelos sobre os olhos do menino.

— Espero que seja tranquilo e que o correio de lá seja muito bom. – De imediato Blaine não imaginou porquê o filho estava interessado no correio, mas acabou dando de ombros e ignorando aquilo. Nem sempre Ian dizia coisas certas. Principalmente sendo tão cedo.

[...]

Depois de longas dez horas de estrada, Kurt e Gus finalmente chegaram à nova casa por volta das dez da manhã. O carro de mudança havia parado logo antes. Os dois estavam de frente para a grande casa azul, com as mãos na cintura.

— Caramba, é bem maior do que na foto. – Disse Gus. – Será que é essa mesmo? – Perguntou o menino para o pai.

Kurt foi até o carro e pegou o mapa da cidade, junto com o endereço que o corretor havia dado.

— Parece que sim. Tallahassee, oitava rua, número 206. – Confirmou Kurt. – Mas também me parece maior. Devemos levar em conta que só vimos fotos e podemos ter nos equivocado.

— O que você acha de irmos perguntar para os vizinhos? – August se referia à casa amarela ao lado.

As duas casas eram idênticas em questão de estrutura, mas tinham cores, estampas e alguns materiais diferentes. As dos Hummel era azul e a outra era amarela. Eles até poderiam considera-las como gêmeas.

— Não é de uma má idéia-

— Má ideia não vai ser, mas também não vai nos ajudar em muita coisa. – Disse o menino.

— Mas por que? – Perguntou Kurt. Ele viu que o garoto parecia muito focado em algo atrás dele, então ele olhou para o que prendia a atenção do filho. Os residentes da casa ao lado também eram novos moradores e haviam acabado de chegar.

— Ian, não precisamos de um feitiço para isso, podemos fazer por conta própria. – Anunciava Blaine saindo do carro com uma enorme caixa de papelão.

— Mas pai, vai ser mais fácil. – Ian saiu do carro com uma mochila e uma mala de mão. No momento que viu um menino que provavelmente tinha a mesma idade que ele, Gus ergueu as sobrancelhas.

— Eu ouvi direito ou eles disseram “feitiço”? – Perguntou Kurt olhando para o filho. – E sinceramente, precisamos avisar para aquele cara que usar um terno como aquele numa mudança não é a mais confortável das escolhas.

Kurt se virou para trás no mesmo instante que viu Blaine cair sobre a caixa que carregava, logo após de finalmente conseguir abrir a porta da entrada. Gus e Kurt seguraram um pequeno riso, mas que foi escutado por Ian. O garoto olhou direto para Gus, que ainda tentava esconder a risada sem sucesso.

— Trouxas... – Resmungou Ian em um sussurro. O castanho rolou os olhos e foi ajudar o pai que tentava se levantar do chão.

[...]

— O que você está achando da Flórida? – Kurt se sentou em frente a Gus e colocou uma garrafa de refrigerante sobre a mesa.

— De primeira impressão? Pouca coisa. O ar me parece mais limpo e pelo o que eu vi pelas janelas do carro, Tallahassee tem vistas maravilhosas. – O menino deu uma mordida na sua pizza. – E sinceramente, aquela vista do seu quarto é totalmente incrível. Vou querer vê-la novamente agora a noite. – Kurt entendeu um guardanapo para o menino, que entendeu que não poderia falar de boca cheia. Minutos se passaram e August voltou a falar. – Pai, o que você acha dos nossos vizinhos? Sempre achei que no dia em que nos mudaríamos, ganharíamos aquelas tortas dos vizinhos, como nos filmes.

Kurt não pôde evitar de sorrir.

— Eles parecem ser legais. O garotinho por exemplo, ele deve ser da sua idade. Quem sabe vocês estudem na mesma escola, com sorte nas mesmas aulas.

— Não sei se devo ficar animado com isso... – Confessou o menino.

— Por que diz isso, Gus? – Kurt ficou interessado com aquela revelação do filho e cruzou as mãos abaixo do queixo.

— Aquela coisa de feitiço ainda me intriga muito. Ele parece que vive em outra dimensão. Não sei se conseguiria me enturmar com uma pessoa assim...

— Gus, já te disse que não podemos ficar julgando as pessoas. Principalmente quem não conhecemos. Devemos ter escutado errado, talvez o pai dele nem tenha dito aquilo. Prometa que não vai repetir mais esse tipo de coisa, tudo bem? – O menino concordou com a cabeça para o pai.

Ao mesmo tempo que o pai do menino mordeu um novo pedaço de pizza, bateram na porta da casa.

— Quem será? – Disse August se levantando. – Será o vovô? – O menino já abriu um enorme sorriso em esperança que fosse Burt. Os dois caminharam no corredor da casa em direção à porta da entrada.

— Talvez seja sua torta. – Disse Kurt com um sorriso brincalhão, o menino rolou os olhos em resposta com um sorriso no rosto. Assim que o homem abriu a porta, encontrou Blaine e Ian na porta com enormes sorrisos. – Ou não. – Sussurrou o castanho. – Boa noite.

— Boa noite. – Respondeu Blaine. – Desculpa vir lhe incomodar essa hora...

— Kurt. Kurt Hummel e August Hummel. – Disse o homem introduzindo a si e ao filho. O garoto apenas levantou uma das mãos e mostrou o mesmo sorriso que Sebastian tinha. Ian não parava de encara-lo, parecia até que estava lançando um encanto nele.

— Eu sou Blaine Anderson e esse é meu filho Ian Anderson. – Blaine tinha as mãos em cima dos ombros de Ian. O “bruxinho” não tirou os olhos de Gus, coisa que estava assustando o garoto. – Sabe o que é? Nós nos mudamos hoje e eu acabei esquecendo de comprar algumas coisas no mercado, uma delas foi açúcar.

Açúcar? Achei que isso só acontecia em apartamentos... Tudo bem, eu vou buscar uma xícara para você. Um minuto. – Kurt deu as costas e correu para cozinha. Blaine não pôde evitar o olhar sobre o corpo do castanho.

— Então, August, né? – Perguntou Blaine enquanto passava o tempo. O menino concordou com a cabeça. – Qual a sua idade?

— Dez e meio. – Respondeu o garoto tirando os olhos de Ian e olhando para Blaine.

— Olha, você e Ian tem a mesma idade. Não é mesmo, Ian? – Agora o pai direcionava a conversa para o castanho. Ian ainda não tirava os olhos de Gus. – I-Ian? – Blaine mandou um sorriso amarelo para August, que apenas levantou uma das sobrancelhas como um bom Hummel que era. Blaine deu uma leve sacudida em Ian.

— É. – Respondeu o garoto ao mesmo tempo que parou de encarar Gus e olhou para Kurt.

— Se a senhora Anderson precisar de mais, podem vir buscar. – Disse Kurt entregando a xícara para Blaine. O moreno por algum motivo esquisito, antes de pegar a xícara, sem querer alisou as mãos de Kurt e finalmente pegou o objeto de porcelana. O castanho podia jurar que sentiu um leve arrepio na espinha, mas resolveu ignorar.

— Ahn... No meu caso seria senhor Collins-Anderson, porém por alguns motivos que não veem ao caso, somos apenas Ian e eu agora. – Disse Blaine com um sorriso torto. – Obrigado pelo açúcar e boa noite. – Blaine e Ian deram as costas e começaram a descer as escadas da varanda.

Kurt fechou a porta atrás de si e olhou para o filho, que tinha os braços cruzados e as sobrancelhas juntas.

— Você concorda comigo que duas famílias de homens gays com apenas um filho e sem maridos, é meio esquisito, certo? Porque para mim é mais do que esquisito, é sobrenatural. – Falou Gus. – E olha que eu cresci em uma família tendo dois pais.

Kurt apenas rolou os olhos e empurrou o menino de volta para cozinha.

Notas finais
Ficou bom? Gostaram? Deixem nos comentários. Até terça que vem. Nox!