Ações previstas e uma criança
6 Petiscos e intimidade
Notas iniciais
Os dois saíram da loja e ficaram andando pelo centro da cidade por um bom tempo. A inimizade entre os homens mais perigosos de Ikebukuro pareceu nunca existir. Os dois chamavam a atenção das pessoas, já que estavam andando juntos com uma criança.
— Tô com fome! — Gritou Louwae de repente.
— Não grite, garoto — Puniu Izaya.
— O que você quer comer? — Perguntou Shizuo olhando para o menino que logo fez uma expressão pensativa.
— Chocolate!
— Tem uma loja de doces aqui perto — Informou o moreno.
— Já é tarde, vamos comer algo mais decente.
— Tipo arroz e feijão? — Palpitou a criança — Não quero, é ruim.
— Não, não... vamos a um bar que eu trabalhava a alguns anos atrás, lá tem petiscos muito bons.
— Tá bom — O garoto sorriu concordando com a cabeça.
Os três se dirigiram para o local sugerido pelo loiro. Chegando, sentaram em uma mesa perto ao balcão de bebidas e pedidos.
— Gosto daqui — Disse o pequeno pegando um canudo para brincar.
— Eu também — Inteirou o moreno.
— Que bom, é simples, mas é muito bom.
— Combina com você esse tipo de lugar.
— Como assim? — Shizuo franziu o cenho curioso.
— Aqui é tão calmo, aconchegante, porém, por ser um bar, fica agitado as vezes.
— O que você quis dizer com isso?
— Nada, eu só... sei lá, pensei que esse tipo de lugar se parece com o tipo de lugar que você frequenta, e por isso trabalhava aqui... ah, deixa pra lá.
O loiro riu com atrapalho do menor e acenou para um dos garçons que estavam próximos.
— Sim senhor, o que deseja? — Perguntou o garçom com um bloquinho na mão pronto para anotar os pedidos.
— Eu quero coca e batatinha frita!
— Está bem — Disse Izaya — E você, Shizu-chan?
— Quero peixes fritos e uma cerveja, e o que você quer?
— Ah, eu não estou com muita fome, sabe... eu estou bem.
— Não vai querer nem um martini ou algo do tipo?
— Pode ser — O menor deu de ombros.
— De maçã? É o melhor.
O moreno fez que sim com a cabeça, o garçom anotou o pedido e rapidamente foi para trás do balcão preparar a comida.
— Vocês se conhecem a muito tempo? — Indagou Louwae fitando os adultos.
— Sim, desde o colégio — Respondeu Izaya.
— São amigos?
— Muito pelo contrário.
— Não parece, mais parece que são... — O menino foi interrompido pelo informante que bateu a mão na mesa.
— Não começa com isso, seu peste — Repreendeu, prevendo o assunto que a criança tocaria.
— Izaya, tudo bem, é uma criança — Pacificou Shizuo.
— Mas...
— Mas nada, aproveite a noite, tá bem? — Exigiu.
— Tá — O moreno se afundou na cadeira desconfortável com a tranquilidade e certa intimidade que seu inimigo estava lhe proporcionando.
Alguns minutos se passaram e o copeiro trouxe as bebidas e os petiscos colocando-os sobre a mesa. Louwae bateu palmas comemorando a chegada da tão esperada Coca-Cola com batatas fritas.
— Experiente — Disse o loiro enfiando um pedaço de peixe frito na boca — É bom.
— Acho que não, obrigada — Dispensou fazendo o gesto com a mão.
— Você vai gostar, sério, experimenta — Insistiu pegando um pedaço do peixe tentando enfiar na boca do menor.
— Tá bem, tá bem — Izaya cedeu e revirou os olhos — Eu como Shizu-chan — Mordeu um pedaço do petisco da mão do ex-barman.
Shizuo comeu o que sobrou e olhou para Izaya que mastiga vagarosamente — Então, o que achou?
— Muito bom, posso pegar mais?
— Claro — O loiro assentiu.
Era uma noite anormal e estranha tanto para os dois quanto para os que olhavam para eles. Podiam estar incômodos, mas não significava que não estavam gostando, muito pelo o contrário. Não queriam admitir, porém, nem mais se tratavam mal. Os inimigos que em pouco tempo pareciam se odiar, agora, tinha algo para confessar.
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