Azul é o novo Preto
1 Entre Piltover e Zaun
Piltover sempre foi um lugar estranho para Vi, mesmo depois que ela se tornou uma Pacificadora. Como parte do Departamento de Polícia de Piltover, ela esperava melhorar as condições de vida dos moradores de Zaun. Nem todos os Zaunitas eram criminosos, ela sabia disso, Caitlyn sabia disso, mas os moradores da Cidade Alta se recusavam a acreditar que havia pessoas boas na cidade baixa. E, infelizmente, esse preconceito ficou ainda mais evidente depois que sua irmãzinha explodiu os membros do conselho naquela noite terrível. Ela mesma era uma criminosa. Como poderia fazer parte da polícia de Piltover? Em sua mente, ela podia ouvir a voz de sua irmãzinha zombando: "Olhe para você! Agora você é uma deles. Papai ficaria orgulhoso!"
Vander ficaria orgulhoso dela? Claro que não. Ele odiava os Pacificadores. Para seu pai, a polícia de Piltover não passava de uma ferramenta de opressão, movida pela riqueza e poder da Cidade Alta. Então... Por que ela havia concordado em se juntar a eles? Por redenção? Porque pensava que poderia extirpar a corrupção de dentro? Não... Vi sabia a resposta. A resposta tinha um nome, uma cor de cabelo e uma personalidade forte. E, bom, tinha um cheiro extremamente doce e agradável.
— Seu uniforme está pronto — disse Caitlyn, entrando no quarto silenciosamente.
Vi estava hospedada na casa dos Kiramman após ser libertada da prisão. Mais especificamente, ela estava no quarto de Caitlyn. No início, Vi relutou em aceitar a oferta, pois preferia dormir na rua. Mas o quarto da oficial era incrivelmente confortável. Era difícil recusar.
— Acho melhor eu ir pegá-lo, então. Temos trabalho a fazer — respondeu a Zaunita, sem se incomodar com a aparição repentina de sua anfitriã. Caitlyn nem parecia se importar com o fato de Vi estar praticamente nua na cama.
— Na verdade — Caitlyn continuou, fechando a porta atrás de si —, tomei a liberdade de trazer seu uniforme. É um momento importante. Eu gostaria de ser a primeira a vê-la vestida nele.
— Oh... — Vi sorriu levemente. — Pensei que você gostaria de me ver sem ele, mas posso realizar seu desejo, Cupcake.
Caitlyn se sentiu estranha. Ela andava mais sensível ultimamente. Mostrava rigidez e autoridade na frente dos outros policiais, mas suas bochechas coravam quando estava sozinha com Vi. Era fofo.
— Espera... — ela pigarreou. — Ah... Você dormiu na minha cama sem roupa?
— Juro que tomei banho. Jamais sujaria seus lençóis de seda.
— Você quer dizer que estava nua ao meu lado a noite toda?
— Minhas roupas estão na lavanderia. Eu não tenho um guarda-roupa tão cheio quanto o seu.
Caitlyn não parecia se importar com os comentários sarcásticos de Vi sobre sua coleção de roupas caras. Ela parecia estar com a mente em outro lugar.
— Você poderia ter vestido minhas roupas — Caitlyn retomou a conversa, franzindo a testa.
Vi levantou uma sobrancelha.
— Honestamente, Cupcake, suas roupas ficam melhores em você, e por mais lindas que sejam, eu não reclamaria se você não as estivesse usando. Eu até preferiria.
— Eu geralmente não durmo vestida, mas estava cansada demais para pensar em me despir na noite passada — respondeu Caitlyn, claramente perturbada.
— Perdeu a chance de me pedir ajuda, então.
— Senti falta da sua doçura.
As duas ficaram em silêncio por alguns segundos, aproveitando a serenidade do momento. Vi sabia que Caitlyn estava devastada. Ela havia perdido a mãe em um trágico acidente e agora tinha que assumir as responsabilidades de sua família. Ela ficou feliz em saber que ela havia dormido bem na noite anterior.
Caitlyn se aproximou da cama timidamente. Ser tímida não era o seu feitio, mas o acidente do conselho havia derrubado parte do muro que ela usava como proteção. Ela estava vulnerável. Ela precisava de alguém ao seu lado, e Vi não era diferente. Elas precisavam uma da outra.
Ela pegou uma caixa preta com um laço azul nas costas e a entregou a Vi. A Zaunita escorregou para fora dos cobertores e se aproximou dela. Ela estava usando apenas uma camisola bege, e seus mamilos estavam visíveis. Estava frio naquela manhã, então Caitlyn pensou que era por isso. Ela tentou não prestar muita atenção ao corpo de Vi. As tatuagens e cicatrizes eram perturbadoras, mas incrivelmente atraentes.
— Talvez eu precise de ajuda com o zíper ou algo assim — Vi brincou. Ela obviamente não precisava de ajuda, mas Caitlyn acenou distraidamente. Quando Vi percebeu que ela estava desconfortável, pegou a caixa e começou a desatar o laço.
O uniforme era quase idêntico ao de Caitlyn. Vi o segurou firmemente em suas mãos, dividida entre a decisão que havia tomado e as memórias de sua vida em Zaun. Ela mal notou o calor da mão da policial na sua, ou que estava lacrimejando.
Antes que pudesse perceber o que estava acontecendo, Caitlyn se moveu em sua direção, delicada e hesitante, e lambeu a lágrima que escapava de seu olho. Vi ficou paralisada por alguns instantes, e as duas se encararam, com os rostos a menos de 10 centímetros de distância.
— Se você quiser me beijar, agora é a hora — Caitlyn sussurrou, a voz carregada de vulnerabilidade.
— Beijar você é apenas uma das muitas coisas que quero fazer, Cupcake — Vi respondeu, a voz rouca, antes de puxá-la para mais perto.
Então, elas se beijaram. Mas não foi um beijo comum. Foi um beijo carregado de tristeza, arrependimento, esperança e paixão. Como alguém poderia descrever um beijo assim? Nenhuma delas poderia. Seus lábios estavam quentes, suas línguas macias. O toque era tímido, mais firme. Caitlyn inclinou-se sobre Vi e percebeu que o frio definitivamente não era o responsável pelo arrepio que percorria os seios da Zaunita. Ela ficou um pouco feliz com isso, mas nada disse, apenas aproveitou o momento. Se não fosse pelo tecido justo de seu uniforme, Vi teria notado que os dela estavam igualmente arrepiados.
— Por mais sexy que seu uniforme seja — Vi disse, quebrando o beijo para recuperar o fôlego —, acho que vamos ter que nos livrar dele.
— Pensei que eu ia ajudá-la a vestir o seu — respondeu Caitlyn, ofegante.
— Vestir é a última coisa que quero fazer agora — Vi assumiu o controle da situação, usando o próprio corpo para se colocar sobre Caitlyn, que caiu de costas na cama, surpresa. Aquela camisola definitivamente não combinava com o corpo de Vi. Seu corpo era musculoso, mas não de uma forma ruim. Dava para perceber que ela costumava arranjar muitos problemas e que não fugia de uma briga facilmente. Ela era uma pessoa forte. — Por mais tentador que seja dormir com a policial má... — Caitlyn mal prestou atenção ao que ela disse.
Elas se beijaram novamente, desta vez com uma intensidade voraz. Vi desabotoou a camisa da policial, apreciando cada segundo daquele momento. Ela não queria dizer a Caitlyn que a desejava desde o momento em que a viu pela primeira vez. Em vez de falar, ela mostraria.
— Belo sutiã — Vi provocou depois de atirar a camisa da outra para o ar. A renda definitivamente não conseguia esconder a excitação de Caitlyn, enquanto um meio sorriso escapava dos lábios da Zaunita.
Vi deslizou os dedos sob o sutiã, arrancando alguns suspiros de Caitlyn. Segundos depois, ele também voou pelo ar.
A pele da Piltoviana estava quente e salgada. Seus seios eram rosados e sensíveis. A essa altura, as duas estavam nuas e completamente rendidas uma à outra.
O toque de Vi era terno, mas dava para perceber que ela estava se contendo, talvez com medo do que Caitlyn pudesse pensar, ou porque não queria que o momento acabasse tão rapidamente.
Não havia tempo para vergonha. Os dedos de Vi estavam molhados demais para isso, e o suor delas se misturava, criando um cheiro doce no ar. A Zaunita não permitiu que Caitlyn retribuísse suas carícias; ela era teimosa demais. Não que isso fosse ruim, pensou a policial. Quando sentiu o orgasmo chegando, agarrou-se a Vi com força e gritou com a boca contra o ombro dela. As duas caíram na cama, exaustas.
Vi limpou os dedos pegajosos na boca, e Caitlyn teve que se virar, envergonhada demais para dizer qualquer coisa.
Então ela sentiu o calor do corpo da Zaunita atrás dela.
— Por favor, tire a tarde de folga hoje — Vi implorou, sonolenta.
— Eu não posso... — Caitlyn respondeu suavemente. — As pessoas estão culpando Jayce pelo acidente. Elas acham que a cidade ficou vulnerável por causa das decisões dele.
— Nós duas sabemos que isso é mentira.
Caitlyn não respondeu. Talvez ela soubesse, mas não admitiria isso para Vi. Não agora. Ela encarou as paredes do quarto e espiou a camisola que a Zaunita estava usando com o canto do olho.
— Essa camisola é minha? — Vi perguntou.
— Talvez.
— Você tem razão. Ficaria melhor em mim.
— Quer dizer que você vai usá-la na próxima vez?
Caitlyn riu. Ela não ria desde o funeral de sua mãe. Como era bom estar com Vi naquele momento.
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