Azul Asiático

2 Visitando o Japão com os amigos


Notas iniciais
Desculpem a demora :D

Uma hora depois os seis (os Take e os amigos) se encontravam em uma sala ampla com apenas duas janelas e uma porta. Tinha também um tapete esticado no chão que lembrava muito as marcações de onde os Kontorōrasutaffu treinavam. Pedro e Gabriel estavam admirados com aqueles desenhos no tapete – não tinha simples marcações desenhadas ali, aquele tapete em si era uma obra de arte.

Os irmãos Take não tinham se falado desde que encontraram seus amigos. E até tinha um motivo: Gabriel e Pedro nunca se deram muito bem, se encontrarem sob o mesmo teto era algo quase impossível – a não ser que tivessem com Yue e Hoshi.

Enquanto andavam pela estreita rua que parecia não ter fim ao norte, os seis conversavam em duplas. Acho que não preciso especificar as duplas né?

– Chibi Hoshi ande mais devagar, vamos todos juntos.

(Legenda: Chibi Hoshi significa algo como estrelinha fofa)

Hoshi ficou vermelha no mesmo momento em que sua mãe disse aquilo. Não porque ela não gostasse de ser chamada assim, mas ficou envergonhada porque Pedro estava ali e ela não queria que ele a apelidasse dessa forma.

Ah sim... Uma coisa importante a ser dita: Hoshi sempre fora apaixonada por Pedro, só que o relacionamento amigável deles já era confuso e cheio de discussões, a garota não queria que, caso um dia namorassem, o namoro fosse assim também. Mas apesar de amigos, eles se beijavam às vezes.

– Não fica assim Ho, eu nem sei o que significa isso...

Pedro e Hoshi estavam, estranhamente, em paz (sem discussões) a mais de uma semana. Talvez fosse pela atmosfera do início de junho, quando no Brasil se comemora o dia dos namorados. Ou talvez seja só uma fase estranha acontecendo. Eu voto pela primeira opção, mas não sei né...

– Ainda bem que não sabe...

A menina sussurrou, mas de forma que ele escutasse. E Pedro, fingindo não ter ouvido, apenas abraçou-a pela cintura e ficou esperando que os outros se aproximassem.

– Pra onde vamos?

Ouviu-se Gabriel perguntar um pouco mais alto, enquanto conversava animadamente com Yue. Os dois ficam juntos (grudados) o tempo todo e dividem o quarto... Há rumores na Korkovado de que, à noite, os dois se trancam no quarto para fazerem sabe-se lá o que. Na verdade, os rumores dizem que os dois são um casal e que ficam se agarrando no quarto. Mas eles brigam feito cão e rato, mesmo não conseguindo ficar brigados por muito tempo.

Aproveitando a pergunta de Gabriel, sobre onde estavam indo, ao virarem em uma esquina os seis chegaram a frente à casa dos avós de Yue e Hoshi. Os pais do Sr. Take e a mãe da Sra. Take moravam naquela casa (a mãe de Yue não tinha mais o pai havia um tempo). Os avós eram amigos e Hoshi era filha da falecida irmã do Sr. Take. E o pai biológico da menina, meses depois do falecimento da mulher, se suicidou.

– Crianças! Quanto tempo! *

O avô saudou-os ao entrarem na casa. Chamou também as mulheres da casa falando da visita que chegara.

– Vô! Saudade!

Hoshi foi a primeira a sair correndo para abraçar o avô.

Depois as mulheres chegaram e todos se cumprimentaram, os homens começaram a conversar animadamente enquanto as mulheres e Pedro foram para cozinha prepararem chá. Os meninos – Pedro e Gabriel – ficaram um pouco confusos no inicio por não conhecer o idioma, mas foram se acostumando e ficou a cargo de Yue e Hoshi traduzir o que conversavam.

Aquele momento de família zen estava sendo ótimo, mas como tudo o que é bom dura pouco, a noite ouvia-se discussões pela casa. No jardim, Hoshi e Pedro brigavam por algo que ele fizera. Na área de Kontorōra, Yue e Gabriel também brigavam e o motivo era que Yue não estava dando atenção ao amigo há algum tempo. No quarto dos avós Take, estes brigavam por algum motivo que ninguém quisera saber (porque eles estavam falando baixo e é falta de educação ouvir a conversa dos mais velhos). Os outros adultos estavam conversando na sala e de nada sabiam sobre os adolescentes.

No jardim, a briga ainda estava rolando...

– Você acha que pode agir daquele jeito comigo? Eu não sou qualquer uma que você joga fora quando bem entende!

– Eu só falei que não era pra você fazer aquilo... Nunca disse que você é qualquer uma!

– Você pode não ter dito, mas deu a entender!

Esses dois sempre brigam por motivos bobos. Pelo jeito dessa vez não seria diferente.

– Sabe por que você não é qualquer uma?

A menina calou-se esperando a resposta do amigo.

– Porque você é minha vida! Eu te amo Hoshi Take!

Essa declaração foi algo inesperado. Era a primeira vez que a menina confirmava que seu amor pelo amigo era correspondido. E aconteceu tão inesperadamente, que Hoshi ficou paralisada.

– Ho! Hoshi!

Pedro a sacudia de leve enquanto a chamava. Repentinamente, a garota o beijou de uma forma doce e apaixonada. Eram raros aqueles beijos entre eles, mas aconteciam. Pedro demorou meio segundo para corresponder ao beijo da menina que tomara conta de sua vida.

* As falas destacas estão traduzidas do Japonês

Enquanto isso, no outro espaço, os meninos já tinham parado de brigar e agora era puro amor. Chegava a dar enjoo de tão doce e romântico estava o lugar.

Gabriel e Yue se encontravam deitados, um sob a barriga do outro, e olhando-se. Apenas. Volta e meia eles trocavam caricias e palavras doces, mas, acho eu, que por eles estarem na casa dos avós de Yue, nada rolaria de mais entre eles.

Na manhã seguinte, durante o desjejum, a avó de Yue fez uma brincadeira com os meninos.

– Vocês parecem que saíram de um mangá Yaoi.

A senhora disse rindo. A propósito, ela não gosta de ser chamada de senhora. Como disse aos amigos dos netos: "Não me chamem de senhora, me chamem apenas de Midori".

Midori é uma velhinha japonesa baixinha que tem os cabelos escuros compridos e sempre enrolados em um coque, olhos negros e pele branca. E ela gostava de brincar com os netos.

– Só tomem cuidado!

Midori é uma velhinha que gosta de coisas de jovens. E quando a família entendeu o que ela disse, também deram risadas. Pedro e Gabriel ficaram perdidos com o que ela falara, mas depois que os dois entenderam, Gabriel ficou muito vermelho e Pedro riu mais da cara do garoto do que da situação em si.

Mais tarde, as nove pessoas foram almoçar em um restaurante que tinha ali perto (na parte não bruxa da cidadezinha). Os amigos não sabiam comer de hashi e tiveram que pedir talheres ocidentais para eles, o que os desanimou um pouco (por serem os diferentes ali).

Em meio a algumas brincadeiras que os adultos faziam com os quatro adolescentes (ora em português, ora em japonês), o almoço foi tranquilo e agradável. Não teve briga entre os casais, nem meros desentendimentos. O que era bom, para o clima local.

– Não quero mais saber de você!!!

Pedro tinha acabado de tentar dar em cima de uma japonesa no caminho de volta para casa onde estavam e Hoshi tinha visto a cena. A menina não acreditava mais no que o menino falara a noite para ela.

– Eu não fiz nada!

– Não fez nada?! Você deu em cima daquela garota na minha frente!

– Não foi bem assim!

Quanto mais Pedro tentava se explicar, acabava se complicando mais. O menino fizera aquilo no momento errado. Poderia esperar até voltarem ao Brasil para retornar a sua vida de ‘arrasa corações’.

Mangá é uma espécie de historia em quadrinhos feito no Japão que é lido de trás para frente. Yaoi é um gênero que apresenta relacionamentos entre o sexo masculino.

Hoshi seguiu na frente sozinha e entrou em uma loja que parecia ser de artigos infantis. Pedro, com todo seu bom senso, achou melhor não ir atrás dela naquela hora. À noite, pensou, procuro por ela para nos acertarmos.

Dentro da loja, a garota fora para onde tinha alguns doces em prateleiras. Pegou os doces que gostava e deu voltas pela loja enquanto deixava sua raiva se esvair. Ficou mais de uma hora lá dentro. Pagou pelos doces e voltou para casa dos avós. Ninguém estava na sala em que entrara então seguiu direto para o jardim. Ao chegar lá, encontrou Pedro sentado com as pernas cruzadas (como ficavam nas aulas de ética da magia).

– Eu sabia que você viria...

Pedro falou enquanto abria os olhos e a observava se aproximar. Um sorriso estava em seus lábios. Ele sabia que ela o encontraria em qualquer lugar que fosse.

– Quem disse que eu viria até você?

Hoshi ajoelhou-se de frente para ele, aproximando suas faces.

– Eu disse. Você não resiste a essa sensualidade toda que emana de mim!

Hoshi riu e afastou os rostos um pouco.

– Então quer dizer que você tá me manipulando, Silvestre?!

Pedro tinha certa facilidade em manipular mentes sem precisar usar feitiço algum, mas tinha que se concentrar muito para tal. Por isso ele estava em posição de meditação quando Hoshi o encontrou, estava se concentrando em chama-la para si.

– Tecnicamente você veio com suas pernas...

Pedro respondeu rindo e aproximando novamente suas faces.

Pedro ia beijá-la e Hoshi ia rebater, mas nada disso aconteceu porque a Sra. Take apareceu no jardim chamando-os:

– Pedro! Hoshi! Estamos indo embora.

Os dois se levantaram e a seguiram. Enquanto isso acontecia no jardim, na área dos Kontorōrasutaffu, Yue e Gabriel estavam conversando e jogando Superukādo.

– Yue, posso te perguntar uma coisa?

– O que é? Joga!

Gabriel tinha parado de jogar e as cartas estavam quase berrando para que continuassem. As cartas gostavam de bagunça e fazer barulho é a maior algazarra que podem fazer sozinhas.

– Eu tava reparando... Seus avós não têm olhos claros... E você e seu pai têm... E o pouco de matéria mequetrefe que conheço diz que é através da genérica, ou algo assim...

– Genética...

Yue o consertou. E já sabia onde o amigo queria chegar.

– Você quer saber por que meus olhos são claros se os da minha família não são?

– Bem... Sim...

– Tem alguma coisa haver com uma maldição que jogaram no meu avô. Meu pai não me explicou direito o motivo. Só disse que um cara mal jogou essa maldição no vovô e até meus netos terão os olhos com essa cor...

– Posso fazer outra pergunta?

– Claro que pode!

Joguem logo tão demorando demais, demais, demais...

– Essas cartas são muito chatas às vezes...

Yue falou enquanto colocava as cartas falantes viradas para baixo.

– Er... Por que as pessoas ficaram te olhando torto?

Yue riu e começou a guardar o jogo de cartas.

– Você deve ter notado que os japoneses não têm olhos claros, certo?

Gabriel confirmou com a cabeça olhando-o arrumar as cartas dentro da caixa.

– Não é muito comum por aqui... E eles acham que quem tem é uma espécie de alienígena ou algo desse tipo.

Yue riu, mas Gabriel não. O garoto ficara mal ao saber que os japoneses achavam que seu melhor amigo era um tipo de alienígena.

– Não precisa ficar assim, não me sinto mal com isso.

Yue se aproximou do garoto e beijou-lhe os lábios docemente. Quando se afastou, manteve a mão no rosto do amigo.

– Meninos! Vamos embora?

O pai de Yue chamou-os. O filho deu um beijo rápido no outro e levantou sorridente. Gabriel levantou-se também, pegou a caixa onde estavam as cartas e seguiu os outros dois.

Os avós acompanharam a família Take e seus amigos até aquela sala que ficava ao sul daquela vila mágica.

O motivo de eles irem até esse lugar é porque o governo japonês enfeitiçou aquela vila mágica para não funcionar nenhum tipo de teletransporte e somente aquela saleta não estava com esse feitiço.

Notas finais
Espero que tenham gostado :D