Azul
5 5 - Realidade
Não entendo o porque do meu corpo tremer e arder tanto quando estou perto dele.
Me sinto em estado febril.
Minha cabeça gira e minhas razoes se perdem.
Talvez eu o ame mais do que imagino...
Mesmo que eu tenha me distanciado, o cheiro do Zoro é intoxicante e me deixa...
... Sem conseguir pensar direito.
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“Eu era jovem, mas não era ingênuo. Eu assisti sem poder fazer nada enquanto ele se virava pra ir embora. E eu ainda tenho a dor que devo carregar, um passado tão profundo que nem você não poderia enterrar se tentasse.”
– Sabe, eu passei esses dois anos me arrependendo de ter te tratado daquele jeito. — Disse Sanji me olhando fixamente.
– Me arrependo de ter sido tão cruel, me desculpe seu idiota...
Ele realmente não conseguia jogar seu orgulho pela janela e agir como se fossemos mais do que rivais, mais do que companheiros e mais do que somos agora.
Suspirei e toquei a bochecha quente e avermelhada dele.
– Eu ainda não tive a oportunidade de falar que me apaixonei por você mais uma vez quando te vi depois daqueles dois anos. — Foi um pouco complicado de falar, mas saiu sem eu perceber.
– Sabe Zoro, você fala como se estivesse passado, sei lá, uns dez anos. — Ele sorriu e fechou forte os olhos, como ele costuma fazer quando ri.
Isso me faz querer agarra-lo e mata-lo sufocado.
Eu amo muito esse maldito cozinheiro pervertido.
E agora posso admitir olhando para ele.
– Eu amo muito você Sanji, e isso estava me deixando louco nesses dois anos, nesses dias em que voltamos a nos ver. Sei que temos nossos passados que foram cruéis, sei que temos sonhos e que esses sonhos podemos alcançar mesmo juntos. Sei que você não confia em mim para guardar um segredo e também sei que você quer me beijar agora o tanto que quero beijar você. — Claro que a vergonha me consumiu depois que eu disse todas as palavras que estavam presas.
– Zoro, eu ainda não...
Não pense, seu idiota!
Você me beijou antes, qual é o problema agora? Que ódio disso.
Tentei alcançar seus lábios, mas ele tampou minha boca com sua mão direita.
– Zoro, só um minuto. Eu sei o que um beijo pode levar, e eu ainda não estou... certo de tudo. — Ele tinha dificuldade em respirar ao pronunciar as palavras,e seu rosto estava vermelho.
E o olhar dele estava vago em outros lugares, menos em mim.
– Está falando de sexo? — Minha voz saia abafada pela mão dele.
Claro que falei antes e pensei depois.
Ele parecia mais sem jeito.
Foi então que pensar em provocar ele me excitava mais.
– Zoro, você fala muitas coisas desnecessárias... O que você...
Lambi a palma de sua mão e a suguei suavemente. Eu não seria tão estupido em fazer alguma coisa com ele na situação em que estamos.
“ Depois de todo este tempo eu nunca pensei que estaríamos aqui, nunca pensei que estaríamos aqui. Quando meu amor por você era cego, mas eu não consegui fazer você ver...”
– Zoro, isso é cruel...
Eu sentia a mão dele caindo de minha boca. Uma chance!
Segurei seu pulso e tirei sua mão de minha boca. Aproveitei a chance e o puxei mais para perto até que nenhum ar pudesse passar entre nós dois e então o beijei como se dois anos de vontade disso estivesse querendo se saciar.
Sentir a temperatura do seu corpo, a respiração quente, o cheiro que exala dele e aqueles labios que sempre quis beijar novamente em um beijo desse.
– Zoro... eu não respiro! — Ele tentava parar o beijo.
– Quem liga pra respirar? — voltei a beija-lo.
– Você é idiota? Quer me matar? — Ele me empurrou e me encarou seriamente com aquele rosto avermelhado.
– E se eu disser que sim? — Sorri enquanto o provocava.
– Não se eu te matar antes! — Ele fez uma cara emburrada e subiu sua perna direita até apoiar seu joelho em meu quadril e me beijou.
Passei meu braço atrás do joelho dele e puxei sua perna mais para cima, o que o fez ficar mais próximo. Agarrei a coxa dele e o beijava como se ambos quiséssemos ver quem morria primeiro sem ar.
Ou quem estava mais desesperado.
Mas, alguem bateu na porta e ambos demos um pulo para cada lado da cama e ficamos em pé em questão de segundos.
Claro que seria difícil esconder “certas coisas” que estavam obvias.
Maldito sortudo, eu sinto que ele está aliviado. E isso me desanima e me faz pensar que mesmo estando aqui comigo, não quer dizer que as coisas se resolveram, estamos juntos, vamos ser felizes para sempre e andar de mãos dadas pelas ruas. Eu sei que não é fácil.
E eu sei que é difícil manter uma conversa enquanto eu quero viola-lo.
Precisamos conversar, e não começar com toda essa excitação e acabar como acabamos agora pouco.
Mas não sei como faze-lo entender o quanto eu amo ele.
“ Não conseguia fazer você ver que eu te amei mais do que você jamais vai saber. Uma parte de mim morreu quando eu deixei você ir.”
Trouxeram comida e sake. Enquanto comíamos não trocamos olhares.
Eu sentia seu olhar, mas quando eu olhava para ele, ele já não estava me encarando.
Estou com medo de acontecer a mesma coisa que aconteceu há dois anos atrás, quando ele disse para acabarmos com tudo isso.
Não consigo ler mentes.
Bem que eu queria...
Não houve mais conversa pelo resto da noite. Depois de tomar banho eu me sentia muito cansado. Sei que eu acordei não fazia nem três horas, mas minha mente e meu corpo continuam cansados.
Ele não olhou para mim, não falou comigo e o inferno começou novamente.
Eu queria saber o que passa na cabeça oca dele.
Medo?
Vergonha?
Ou vergonha de admitir que me ama, como fez há dois anos?
Mas também pode ser que ele não queria que ninguém saiba do nosso relacionamento.
Bem, nós não estamos em um relacionamento um com o outro.
Talvez ele ache que eu só quero ele por causa do sexo...
Eu sei que não é isso!
Pronto! Só foi eu deitar na cama e comecei a pensar até no dia da minha morte enquanto rolava pra um lado para o outro. E eu sei quem vai me levar a morte.
Um cara de sobrancelha esquisita deitado do lado de minha cama.
Em uma cama distante...
Tá, eu estou começando a forçar as coisas e a ficar paranóico.
Que ódio, porque tudo não pode se resolver tão facilmente? Ele poderia parar de ter esses medos bestas e ficar comigo...
Ah, eu sou um estupido! Não sou?
“ Eu dormiria apenas na esperança de sonhar que tudo seria como era antes. Mas noites como essas parecem estar passando lentamente. Elas desaparecem conforme a realidade vem a tona.”
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