Azul
3 3 - Resistência.
Notas iniciais
Espero que gostem de mais esse capitulo :D
Quando todos nos reencontramos, falei com todos, menos com ele.
Provavelmente não seja culpa dele ou minha, mas foi algo que foi por si só.
O tanto que senti a falta dele era o suficiente para eu o arrastar para qualquer lugar onde eu pudesse fazer o que imaginei fazer com ele por esses dois anos.
Claro que não, apenas me contentei em fazer uma ceninha na frente dos outros e discutir com ele. Nada mais.
O pior é que eu tenho que estar no mesmo quarto que ele.
Sentir ele próximo e não poder fazer nada. Próximo o suficiente para conseguir ver seu peito subir e descer enquanto dorme.
Mas ele parece tão distante ao mesmo tempo.
Minha mente está funcionando muito essa hora. Na verdade nem sei que horas são, mas na verdade estar perto dele me faz ficar louco.
“Eu não posso estar perdendo o sono por isso, não, eu não posso.”
Provavelmente amanha eu esteja completamente podre.
Mas eu não sei o que fazer.
Mesmo que eu pense até o sol finalmente aparecer eu não sei o que resolver.
É como andar em círculos. Não tem como não voltar ao ponto de partida e nem voltar a ser o que éramos.
É impossível para eu tentar voltar naquele ponto em que tudo era banal entre nós dois. Provavelmente nunca volte.
Solto um longo suspiro e me viro de costas. Maldita hora em que eu fui escolher dormir em cima, e do lado dele. Tenho vontade de voltar ao passado e dar um belo soco na minha própria cabeça e me chamar de burro.
“E agora não posso parar meus passos. Me dê algumas horas e eu terei isso tudo resolvido, se minha mente ao menos parasse de correr.”
Não sei que milagre que aconteceu que eu consegui dormir. Ao abrir meus olhos eu vejo um Luffy manhoso conversando com Sanji.
— Sanji, comida! Você demorou muito para acordar hoje! – Ele estava parado olhando com uma cara chorosa para Sanji.
— Cala a boca! Eu não pude dormir, pois não estava mais acostumado com seus roncos idiotas, seu idiota! – Disse ele descendo da cama e dando um soco na cabeça de Luffy. – Você é muito barulhento.
— Você é muito cruel... – Luffy olhou para mim. – Zoro! – E gritou.
— Qual é o problema de vocês dois? – Grunhi e enfiei minha cabeça em baixo do travesseiro.
— Mas só vocês dois ficaram dormindo aqui! Que folgados. – Disse Luffy.
Foi automático.
Peguei meu travesseiro e joguei na cabeça do capitão idiota.
Luffy ficou gritando feito um louco. Mas pelo menos agora eu sei que não fui o único a não dormir bem noite passada.
O dia correu normal, já que novamente estávamos presos no incrível azul que eu poderia me perder facilmente.
Começo a rir com esse pensamento, se eu tivesse dito isso ao Sanji, ele provavelmente diria que eu me perderia em uma linha reta.
Segurei o riso, mas como estava na hora da janta, Robin me olhou com aqueles olhos de sabe-tudo. Não sei qual é o problema dessa mulher.
E novamente a noite caiu, e novamente eu estava de olhos bem abertos depois de horas que todo mundo havia se deitado.
Claro que estou pensando na atenção exagerada dele para a Nami hoje. Na verdade ele deu atenção as duas, mas ele e Robin também estavam meio que se evitando. Por isso a Nami foi alvo da atenção dele. Isso me deixa Puto.
Não só a Nami, mas como qualquer mulher. Ele sempre tem uma hemorragia nasal quando vê uma e isso me deixa duas vezes mais puto do que o normal. Não sei o que aconteceu com ele nesses dois anos, mas me irrita.
E novamente minha cabeça não para. E isso me resulta a uma péssima noite de sono.
Abro meus olhos e vejo Sanji virado a minha frente, olhando para mim.
Eu o vi se assustar quando nossos olhares se cruzaram e ele corou.
Eu senti vontade de puxar ele para minha cama e fazer de tudo. Mas sei que não daria para fazer isso nem em sonhos.
Contentei-me em estender meu braço até a cama dele e segurei a ponta de sua franja.
O vi estremecer e segurar minha mão com suas duas mãos.
Fiquei a beira da cama, tanto que podia ver o nariz do Usopp na cama de baixo.
Sanji fez à mesma coisa e conseguimos ficar próximos.
O medo de alguém nos ver me deixava mais necessitado em ficar próximo dele o mais rápido possível.
Ele me olhava com aquele olhar tímido que só eu conheço. E acariciei o queixo e senti sua barba áspera. Está bem mais do que da ultima vez em que acariciei seu queixo. Mas como anos se passaram, eu também estava bem diferente.
O vendo desse jeito, eu nunca admitiria para alguém, mas ele realmente é muito lindo.
Eu não esperava nada mais do que essa aproximação física nossa. Mas ele puxou meu braço e me fez quase cair da cama. Ele sorriu e disse bem baixo “bingo!” Isso meio que me surpreendeu.
Ele apoiou seu cotovelo na cama e se aproximou mais de mim, e em um gesto rápido, senti seus quentes lábios encostarem-se aos meus.
Ele me olhou com um olhar triste e novamente se deitou. Virando de costas para mim. Eu poderia ver seus ombros tremerem;
Eu até entendo, mas não entra na minha cabeça. Tudo poderia ser mais simples.
Voltei a minha cama e também me virei de costas para ele. Isso não é suficiente, mas já é mais do que esperávamos. É mais do que devia de ser.
Fechei meu olho e tentei dormir novamente. Em vão, minha cabeça não parava de pensar nele. Meu corpo também reagiu com surpresa por culpa desse beijo.
Droga, que complicado. Eu nunca deveria ter demonstrado que gostava dele. Nem deveria ter admitido a mim mesmo. Isso é o que me dá mais raiva. Sempre consegui esconder tudo, nunca demonstrei o que sentia e depois de um tempo juntos, ele parece que quebrou minhas defesas e me fez falhar comigo mesmo. É injusto.
Preciso dormir e esfriar a cabeça.
“Porque eu não posso ficar parado, não posso ser este pouco resistente. Isso não pode estar acontecendo!”
No dia seguinte foi o mesmo inferno com a gritaria do Luffy. O olhar de sabe-tudo irritante de Robin. Sanji fazer de tudo pela Nami e ela aproveitar-se dele. Realmente, nada mudou.
Eu realmente estou com sono, vou aproveitar que todo mundo calou a boca e vou dormir um pouco. Apoiei minha cabeça com meus dois braços, me encostei melhor na parede de fora da cozinha e fechei meu olho. Suspirei e escutei Sanji reclamando na cozinha. Provavelmente o capitão idiota deve ter roubado comida.
Mas eu ouvia uma voz suave, era Robin.
Ela sabia sobre nós. Estava estampado na cara dela aquele dia.
E eu nunca ouvi Sanji reclamar para uma mulher. Mesmo não ouvindo claramente, eu poderia ouvir seu lamurio. Aposto que devem estar falando sobre mim, sobre toda essa bagunça.
Eu não posso fazer mais nada.
“Está acima de minha cabeça, mas abaixo de meus pés. Porque amanhã de manhã eu terei superado isso e tudo voltará a ser do jeito que era antes...”.
Quando eu acordei, eu vi que estava sozinho e já estava noite. E estava frio, provavelmente estávamos próximos a uma ilha.
Eu via o Usopp na vigia enrolado a um cobertor. Provavelmente esteja bem tarde.
Levantei-me e fui até o quarto, e realmente estava bem tarde. Todo mundo já estava dormindo. Entrei no banheiro e tomei um banho quente e rápido antes de deitar e ver um Sanji capotado.
Eu já estou exausausto e também não fiquei pensando muito, apenas me concentrei em dormir mais.
“Gostaria que fosse assim tão fácil...”.
E novamente o dia seguinte foi à mesma coisa do que ontem. Eu parecia estar condenado à morte e esperando pacientemente o dia chegar. Isso está me matando lentamente, mas está me matando mais rápido. É uma tortura!
“Porque estou esperando por esta noite. Em seguida, esperando por amanhã.”
Eu estou começando a ficar exausto em ficar preso o navio. Todos os dias sendo iguais. Quando estou acordado eu estou pensando nele e quando estou dormindo eu sonho com ele. E isso é muita tortura.
Estar perto dele é pedir para alguém ir me envenenando dia após dia, lentamente. É doloroso. Já passei por varias experiências dolorosas, mas dessa vez isso dói mais do que uma ferida no corpo.
Se estou acordado estou pensando nele, se estou dormindo continuo focado nele. Depois daquele dia, há dois anos, eu tenho sido um prisioneiro da minha própria mente. Sigo pensando e apenas querendo ele.
Eu realmente queria que aquele dia não tivesse acontecido.
Seria menos doloroso para ambos.
Eu poderia seguir minha vida...
“E eu estou em algum lugar entre o que é real e apenas um sonho...”.
Queria que aquele dia não tivesse acontecido. Isso ficou se repetindo em minha mente.
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