Aye Captain
4 Seaborn
Notas iniciais
- O Vingança! — exclamou Caterina. — Será que Barbossa arrumou novos tesouros que eu posso roubar?
- Não pegue nada ou ele vai reclamar por mais quatro anos. — Olivia disse. — Vai ser pior do que quando ele teve cupins.
Chegaram à costa e Jack continuava escoltado por Caterina e Angelica; mas quando chegaram perto do Vingança (que estava preso entre rochas negras e pontiagudas), Galloway ficou de babá.
As luzes do convés estavam acesas, e as vozes de lá dentro podiam ser ouvidas da praia. Caterina se escondeu atrás de Olivia.
- É menos provável que ele me mate se você for à frente.
Olivia rolou os olhos. Chegou ao lado do navio e alguém jogou uma corda até eles para que subissem. Barbossa estava ao volante, sentado, quando viu eles aterrissando no deque. Ergueu-se, indignado.
- Sparrow?
- Aye! — disseram Jack e Caterina ao mesmo tempo.
- Vim aqui recuperar um objeto que esqueci. — Caterina o informou e sem cerimônias se moveu na direção das escadas. Barbossa, com mais dificuldade, foi atrás dela.
- George! — Caterina tornou lá de baixo. — Uma ajudinha, por favor?
- Olivia, controle sua tripulação. — o homem disse antes de descer.
O porão do Vingança, antes os alojamentos de marinheiros, estava entulhado de outro, joias, baús e o que interessava os jovens: mapas. Era sobre um desses que Barbossa e Caterina brigavam.
- Você nem vai usar essa droga!
- Nenhum Sparrow tocará no meu mapa!
Caterina logo perdeu a paciência e puxou sua espada. Barbossa, por ser consideravelmente mais velho que a Capitã, demorou em se defender. Isso deu a George a oportunidade de apanhar o mapa das mãos dele e tirar sua própria arma.
- Foi bom te ver novamente, titio. — Caterina sorriu antes de correr para fora. Sorrateiramente, pegou alguns objetos ao sair, muitos deles o tipo de relíquia que Barbossa sentiria falta.
- Corram! — George gritou.
Jack não precisou ouvir duas vezes. Pulou para a areia fofa junto com Galloway. Caterina e Angelica também foram, enquanto George precisou lutar por uma brecha na multidão. Olivia o empurrou para fora e consequentemente caiu também.
- Volte! — Caterina a disse. — Rápido!
- Não. — ela grunhiu. — Cansei dessa vida.
George e Caterina se entreolharam. Antes de formarem uma decisão, Barbossa chegou à borda do deque.
- Olivia! Onde pensa que vai?
Todos saíram em debandada ao som de tiros. Caterina apertava o rolo de papel ao peito como se sua vida dependesse dele. Subiram aos botes rapidamente. Foi só no breu do meio do caminho em que eles ficaram cara a cara com o verdadeiro perigo da ilha.
Um par de olhos do tamanho de um mastro se ergueu da água. Fixaram-se nos humanos surpresos e piscaram, tornando-se completamente negros.
- Ok — disse Jack. — Temos um problema.
O réptil se endireitou, pondo sua cabeça inteira acima da água. Seus dentes eram longos e afiados como espadas, e suas escamas grandes feito escudos. Como se soubesse quem era o capitão, a serpente deu o bote em Caterina; ela mergulhou para não ser engolida.
Angelica imediatamente atirou na criatura, porém a bala não fez efeito. Jack, tomado por instinto, virou o barco para proteger Angelica e Caterina.
- Caterina! — chamou George. A mulher não voltou à superfície, e gritar só trouxe o foco da serpente para si.
Olivia e Galloway pularam do bote; George e o outro marinheiro se viram alvos fáceis. Não estavam perto o suficiente do Pérola para fugirem, nem perto da costa para tomarem refúgio.
Ao invés de se jogar também, George desviou de um ataque do monstro e se pendurou num dos chifres em seu dorso. A serpente sacudiu violentamente numa tentativa de fazê-lo cair, mas mesmo assim George conseguiu pegar uma faca presa às suas roupas.
O Pérola finalmente começou a se mover na direção deles. Angelica se escondia atrás do barco virado e Jack emergiu com Caterina ao seu lado. Olivia berrava alguma coisa para Galloway.
Gillian logo apareceu e mirou canhões na direção da serpente. George conseguiu chegar até a cabeça do bicho, escalando as suas escamas. Teve tempo somente para cravar a faca em seu olho esquerdo antes de ser jogado abruptamente ao mar.
- NÃO!
Os canhões dispararam. O monstro se viu atingido e gravemente ferido, mas continuou a atacar o grupo de piratas. O barco onde Angelica se escondia foi reduzido a pedacinhos e ela teve que nadar até o Pérola.
Jogaram uma escada para eles e Jack logo tratou de subi-la, tirando Angelica da água consigo. Foi a vez então de Olivia e Galloway.
Caterina conseguiu se segurar à corda, mas procurou fervorosamente um sinal de George. Ele emergiu dois metros à sua direita; ela o estendeu a mão. Ficou brevemente surpreso, mas a serpente se preparava para outro ataque e ele se deixou ser salvo.
- Levantem!
No momento que eles pisaram no Pérola, o monstro submergiu. Caterina e George deitaram no chão, ofegantes e pingando.
- Devíamos ter ido à Porto Real. — disse Caterina.
Angelica conseguiu não chorar de alívio e levantou sua filha, abraçando-a com força. — Mi niña.
Caterina se deixou ser abraçada por alguns minutos antes de virar para George com seus olhos faiscando. — ¿Estás loco? ¿Cuál era este salto, en el cuello de la serpiente?
George já sabia o que fazer quando Caterina começava a gritar com ele em espanhol. Saiu correndo.
- TURNER! DESGRACIADO! VIEN AQUI O TE ARRANCO LA CABEZA!
Jack assistiu Caterina perseguir George e abrir a porta da cabine na marra. — Déjà-vu. — se virou para Gillian, que ria por trás de sua mão. — Sua vez de falar espanhol.
- Hola. Nachos.
- É hoje que George apanha. — Olivia disse sorrindo.
–x-
- Como foi que conheceram Barbossa? — Gibbs perguntou. Era cair da noite e eles tomavam o rumo de Porto Real. Os marinheiros andavam esparsos pelo navio, a maioria dormindo.
- Nossa, tinha quase esquecido que você existe. — Gillian disse. — Ele estava recrutando quando conheci Caterina. Em Tortuga. Faz uns dois anos. Barbossa não queria deixar Caterina entrar no navio porque é uma Sparrow, mas Olivia conseguiu fazê-lo mudar de ideia.
- Já conhecia Olivia, porque nós éramos conhecidas como as “filhas de piratas” por lá. — Caterina se esticou no chão. — Filhas ilegítimas, claro, mas era um bom título em Tortuga. De qualquer jeito, eu sempre quis ser pirata e me alistei quando tinha quinze anos. Minha mãe ficou uma fera.
- Ela não era uma novata em navios — Olivia tornou. — E meu pai, depois de ter me aceitado como filha e herdeira, teve problemas com negar alguma coisa para mim. No final, éramos nós três a bordo do Vingança.
Jack fez uma careta para sua garrafa vazia. — Mas como vocês saíram?
- Causei um motim. — Caterina disse, sorrindo. — Não deu muito certo.
- Nos fez sermos expulsas numa ilha. — Gilliam resmungou. — Sem rum. Não foi legal.
- Aí conhecemos George, que tinha sido despachado por outros piratas. Voltamos para Tortuga e ficamos na casa antiga de Caterina até outro pirata começar a recrutar...
- E Caterina fez o favor de causar outro motim — George emendou. — E no final, eu perdi meu título em tempo recorde e o navio afundou. Ah, e ela me deu um soco.
- A culpa não é minha que você resolveu dar uma de mocinho no meio da briga.
- Foi sim!
- Não!
- Sim!
- Você se parece com um mocinho, pelo menos.
- E você se veste como seu pai!
- Ei!
- Crianças — Angelica brotou do nada e cruzou os braços. — Está tarde.
- Isso — Gibbs falou. — Vai dormir, Capitã.
- Ninguém manda na Caterina. — Gillian retrucou, se levantando. — Só eu. Vai dormir.
Caterina deu de ombros. Saiu do banquinho em um pulo e andou daquele jeito estranho até o segundo andar. George foi com Gillian pouco tempo depois, e logo só estavam Angelica e Jack no convés.
- Pelo menos dessa vez você não está apontando nada na minha direção. — Angelica preencheu o silêncio. Não havia mudado; talvez por efeito da fonte da juventude, talvez por mérito próprio.
Jack a estudou. Parecia, pela primeira vez, sem palavras. — Porque não me contou?
- Contei. — ela respondeu. — Você tomou como mentira.
- Mentiu para mim usando a verdade? De novo?
- Você sempre cai.
Jack andou até ela e levou uma mão ao seu rosto.
- Não queria que a conhecesse, Jack, porque sei que um dia você partiria. Por mais que você me ame, você sempre amará o mar mais. Era melhor que Caterina nunca te conhecesse; não dá para sentir falta do que nunca se teve.
Jack não tentou negar nem retrucar, só olhou nos olhos de Angelica e a beijou.
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