Notas iniciais
Universo Amálgama, ou seja, DC e Marvel juntinhas se amando. IronBat = relacionamento romântico entre Tony Stark e Bruce Wayne. Tony Stark segue a cronologia e aparência do MCU, mas há divergência no canon, vocês vão entender porquê. Bruce Wayne segue a aparência e cronologia dos quadrinhos, entretanto, eu misturei tudo aqui e criei uma linha do tempo minha então não se apeguem muito, ok? Essa história contem: embriagues, referencia a relações sexuais, referencia a uso de drogas, referencia a tortura, morte e distúrbios psicológicos. Por enquanto é isso, boa leitura.

ALWAYS YOU

Não importa quanto tempo passe, sempre vai ser você.

***

Bruce 3 anos, Tony 3 meses.

Bruce tinha apenas três anos na época, mas, por mais estranho que parecesse, ele se lembrava perfeitamente do dia em que conheceu Tony Stark.

Acontece que Martha em Maria haviam sido amigas desde a adolescência, quando Maria se mudou com seus pais da Itália para os EUA, e mesmo depois de seus casamentos e com a distância em que viviam, nunca deixaram que a amizade se perdesse ao longo dos anos. Bruce conhecia a história, ele já havia se encontrado com os Stark diversas outras vezes em festas e visitas informais, mas aquela era uma ocasião especial.

Martha pediu que ele se sentasse no sofá antes de apoiar o bebê em seu colo, seus braços pequenos se enrolaram ao redor do embrulho quentinho, tentando firma-lo, mesmo que as mãos de sua mãe ainda estivessem lá, apoiando a lombar e a cabeça do bebê. O garoto moveu as mãozinhas para cima e para baixo, olhou para ele com aqueles grandes olhos dourados através dos cílios escuros e então sorriu. E foi como se o sol estivesse nascendo, bem diante dos seus olhos.

— O nome dele é Antonio, ou Anthony como vocês dizem por aqui. – Maria lhe explicou docemente. – Anthony Edward Stark.

Bruce se lembrava de pensar que ele nunca tinha ouvido um nome tão bonito em toda a sua vida.

(Você tinha apenas três anos na época, mas aquela foi a primeira vez em que você realmente quis alguma coisa).

Bruce 6 anos, Tony 3.

Tony estava sentado debaixo de um banco de pedra no jardim da mansão. Ele estava desenhando distraidamente na terra, linhas precisas que formavam engrenagens e circuitos sob seus dedos miúdos. Ideias e números que martelam sua mente o tempo todo e ele ainda não sabia como traze-las para fora.

Seus pais estavam viajando a negócios outra vez, Jarvis estava supervisionando as novas funcionárias da limpeza e sua babá, aproveitando a distração do mordomo, sentou-se ao redor da piscina enquanto lia uma das revistas de moda que surrupiou da penteadeira da mamma. Tony já estava ali há algum tempo, na verdade, mas estava acostumado a ficar sozinho, então isso não o incomodava.

Estava tão perdido em seus próprios pensamentos que não ouviu a aproximação de Bruce até que o garoto enfiou seus olhos azuis no rosto de Tony, de cabeça para baixo, porque, de alguma forma, Bruce conseguiu subir no banco sem que Tony notasse.

— Olá Tonio, o que você está fazendo aí embaixo? – Ele perguntou, o sorriso tão aberto que parecia querer iluminar o mundo inteiro.

Bruce era a única pessoa no mundo que o chamava de Tonio além de sua mamma, e de certa forma aquilo sempre fazia com que o coração de Tony desse uma pequena cambalhota em seu peito.

— Eu estou trazendo os números para fora. – Tony respondeu, mas havia uma incerteza lá, um sentimento estranho para alguém com apenas três anos de idade.

Era um fato que ninguém entendia quando ele começava a falar sobre seus números. Sua mamma e Jarvis acham que era apenas uma brincadeira e o papai estava sempre muito ocupado para ouvi-lo. Os olhos azuis de Bruce passaram dele para os desenhos na terra e ele torceu o nariz enquanto os analisava.

— Oh! Parecem ideias muito boas, Tonio. Eu tenho certeza que um dia você vai ser um grande inventor!

Bruce ainda não havia tirado os olhos dos desenhos, seu cabelo preto apontando direto para o chão, por isso, não viu o rubor de contentamento subindo pelas bochechas de Tony.

— Boo boo... – Tony choramingou feliz, mesmo que já conseguisse dizer o nome do outro menino corretamente a tempos, o apelido nunca havia ido embora.

Bruce não se inclinou para trás sobre o banco, mas a mão dele, maior que a de Tony, gesticulou para ele, calorosa e aberta, assim como o sorriso em seu rosto.

— Você ainda não deu meu abraço, Tonio.

Tony se arrastou para fora do banco, sem se importar em destruir as linhas desenhadas no chão, e se agarrou ao garoto maior, enfiando a cabeça no peito dele. Bruce não disse nada, apenas fechou os braços ao redor de Tony e o segurou apertado.

(Não importa quanto tempo passe, você sempre vai associar os abraços de Bruce Wayne com segurança e aceitação.)

Bruce 8 anos, Tony 5.

Mesmo sob o som suave da música fúnebre, era quase possível ouvir o constrangimento pesado no ar. Havia muitas pessoas no cemitério prestando suas homenagens, mas nenhuma delas se aproximou do herdeiro órfão dos Wayne por mais do que os segundos necessários para desejar seus pêsames. Bruce não se importava realmente. A raiva e a dor, muito amargas e ainda frescas, queimando em seu estômago eram distração o suficiente naquele momento.

Ele mal percebeu a aproximação antes de ser puxado de sua cadeira em um abraço apertado. Maria Stark estava, como sempre, impecavelmente vestida em um conjunto preto elegante, pérolas e saltos tão altos quando seriam aceitáveis para aquela ocasião. As únicas características que denunciava seu verdadeiro estado de espírito eram seus olhos vermelhos e inchados e as mãos tremendo ligeiramente:

— Eu sinto muito, bambino. – E ele até poderia já ter ouvido aquelas palavras mais de cem vezes naquela manhã, ainda assim, ela foi a primeira pessoa que pareceu realmente sentida por sua perda e por algum motivo aquilo só fez com que seus olhos ardessem ainda mais.

Anthony sentou-se na cadeira ao lado de Bruce e esperou pacientemente enquanto sua mamma o abraçava. Ele até tentou conter as lágrimas pelo que parecia a centésima vez desde que recebeu a notícia da morte dos Wayne, mas sabia que não iria funcionar então apenas enxugou repetidamente os olhos com as costas das mãos.

Quando Maria finalmente liberou Bruce do abraço e ambos voltaram a se sentar, Tony puxou a mão do outro garoto entre as suas e entrelaçou seus dedos nos dele.

— Boo boo, mamma disse que Deus levou a tia Martha e o tio Thomas, porque ele gosta muito deles e quer que eles sejam anjos... – Tony sussurrou, sua voz quebrada por causa das lágrimas.

Bruce fez uma careta, mas concordou mesmo assim, apertando ainda mais a pequena mão de Tony na sua.

— Brucie... – A voz do garoto mais novo parecia ainda mais triste. Maria, sentada do outro lado, apenas fingiu não ouvir a conversa dos dois. – Eu acho que eu não gosto mais tanto assim de Deus.

Pela primeira vez desde que eles haviam chegado ali, Bruce voltou sua atenção completamente para o garotinho ao seu lado, os cabelos cacheados estavam cuidadosamente penteados com gel e os grandes olhos castanhos estavam cheios de lágrimas não derramadas. Ele soltou as mãos entrelaçadas e envolveu o braço ao redor dos ombros magros do menino, Anthony sempre havia sido muito pequeno para idade dele.

— Eu também, Tonio... – Ele sussurrou de volta deixando que o pequeno corpo do garoto se aconchegasse mais ao dele. – Eu também.

(Vocês sempre dividiram tudo, até a dor.)

Bruce 10 anos, Tony 7.

Tony passou as duas primeiras semanas das férias de inverno na mansão Wayne.

Havia chocolate quente e enfeites de Natal e tudo cheirava a cidra de maçã e pão fresco, mesmo assim, havia uma aura de tristeza pairando nos corredores. Depois da morte de Martha e Thomas Wayne, nada nunca tinha sido o mesmo.

Alfred parecia visivelmente mais tranquilo com Tony por perto, ele os observava o tempo todo, mas manteve sua distância enquanto Bruce arrastava Tony por todas as passagens secretas e quartos obscuros da mansão, contando histórias sobre todas as seis gerações dos Wayne que viveram ali. Ainda assim, Tony não se deixou enganar. Bruce não era o mesmo garoto alegre e fácil de antes, aquela noite, dois anos antes, o havia mudado. Não que Tony achasse que isso era um problema. Como poderia, quando os olhos azuis de Bruce continuam brilhando todas as vezes em que Tony lhe contava sobre suas novas invenções e os abraços dele continuam tão quentes e apertados e ele sempre parecia sentir quando Tony precisa de um deles?

Os dias passaram mais depressa do que eles gostariam, Bruce sabia que o pai de Tony só deixou que ele ficasse ali todos aqueles dias porque, depois das ferias de inverno, o garoto iria ser mandado para um internato em outro continente. Tony é um gênio, e como tal, deve receber educação adequada. De certa forma, Bruce também estava recebendo 'educação adequada', ele fazia diversas aulas de luta agora e sabia, dentro de si, que elas seriam importantes no futuro. Ele só não sabia exatamente o porquê.

Fazia dois anos agora. Bruce havia pensado que aquela altura, a raiva e a dor já teriam ido embora, mas elas continuavam ali, queimando em seu estômago, consumindo-o por dentro. Tony era seu ponto de paz, a única pessoa capaz de trazer seus pensamentos de volta daqueles lugares sombrios que eles gostavam de visitar a maior parte do tempo.

Quando chegou o momento de Tony ir embora, havia um carro preto e um motorista esperando por ele em frente a escadaria da porta da frente. Alfred estava colocando as malas no porta malas com a ajuda do motorista e os braços de Bruce estavam apertados nos ombros dele, como se ele nunca fosse deixa-lo ir. Tony se afastou por um instante e tirou uma pequena caixa do bolso da calça jeans. Havia duas correntes de ouro dentro dela, uma delas tinha um pingente de sol pendurado e a outra uma lua.

— Eu pedi para Jarvis compra-los para mim antes de vir para cá. – Ele explicou e Bruce prontamente o ajudou a colocar no pescoço aquela que tem a lua pendurada antes de virar-se para que Tony prendesse o fecho da corrente com o sol em seu pescoço.

— Eles são perfeitos, Tonio. Obrigado. – Ele sorriu, segurando o pequeno sol entre os dedos por um instante.

— Eu vou te escrever cartas todas as semanas, eu prometo. – Tony sussurrou para ele, a voz ligeiramente embargada enquanto segurava o choro. – Não me esquece, tá bom?

— Eu nunca poderia esquece-lo, Tonio, sei il mio raggio di sole.* – Sussurrou de volta.

Em um impulso, Tony plantou um selinho estalado na bochecha de Bruce e tanto Alfred quanto o motorista fingiram não ver quando Bruce segurou o contato por alguns segundos a mais. E então Tony foi embora, deixando para trás as memórias agridoces daquele tempo que nunca iria voltar.

(Você já eram um do outro muito antes de saber quem eram de verdade.)

Notas finais
*Sei il mio raggio di sole: Você é meu raio de sol. Não esqueçam de me dizer o que estão achando do capitulo.