Awakening
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Enquanto isso em Noxus...
— VOCÊ FEZ O QUE?
Perguntava Cassiopeia desesperada para Darius, que bebericava da xícara de chá em sua mão. Pela cara expressada do guerreiro, ele não estava nenhum pouco preocupado com o que havia feito a irmã de Cassie e descendente dos Du Couteau.
Cassiopeia rastejava de um lado para o outro, inquieta. Vez ou outra roía suas unhas em busca de algum tipo de conforto. Darius ergueu o olhar para observá-la.
— Não sou muito de chá, mas devo dizer que este está mesmo ótimo senhorita Du Couteau.
Cassie não aguentou tal insulto, já estava irritada e preocupada o suficiente para ficar aturando gracinhas vindo da Mão de Noxus.
— Olha aqui seu bastardo, eu não te convidei para falarmos sobre o chá. Eu o chamei aqui para dar explicações do que fez com a minha irmã, e você chega tranquilamente e fala que a jogou em terras distantes? COMO ACHA QUE DEVO FICAR?
— Ei, calminha ai, garota cobra... – Respondera ele, com a voz um pouco mais séria do que anteriormente. Seus olhos ainda a fitavam. – E foi o Mundo que fez, não eu. Apenas espero que ele tenha me escutado, e não tenha usado ela para algum experimento vergonhoso....
Isso certamente não fez com que Cassiopeia melhora-se seu humor, muito pelo contrário. Sua preocupação apenas aumentou. E ela deixava claro em demonstrar isso pelo olhar cortante que lançava sobre ele. Darius por outro lado, estava calmo.
— E você foi a única pessoa a maltratar ela aqui, você a mordeu, estou certo?
Continuava Darius, seu olhar não desviava da mulher. Que aparentava aflição após a pergunta. Sim, ela havia a mordido, e se arrependera de certa forma. Dava para ver em seus olhos.
— Sim, mas fiz isso apenas para fazê-la me considerar. Eu teria sugado o veneno assim que ela cumprisse as minhas vontades.
Darius franziu a testa, batendo com a mão firmemente em cima da mesa, fazendo a xícara tremer e o chá derramar.
— Esperei ai. O que eu deveria pensar? Deixar o cadáver dela no meio da rua? Katarina é influente e tem muitos aliados nas corporações assassinas, e não apenas em Noxus... Sua guerrinha de irmãs teria certamente abalado a opinião pública e Swain me pediu para cuidar dessas probabilidades.
— Meu veneno é muito lento. Ela pode sobreviver uma semana inteira sem ser danificada pelos efeitos. Quando ela voltar, ela...
— Ela deve ter percebido que você não poderia ter levado ela até lá sozinha. – Interrompeu Darius. – Se eu fosse ela, eu jamais colocaria meus pés de volta em Noxus, pela única e boa razão de que eu teria medo de ser esfaqueado pelas costas ao passar pela porta da frente.
Cassiopeia não disse nada depois daquilo, seu astral simplesmente sumiu em meio aquela conversa.
— Além disso... – Continuava ele. – Você voltaria para casa depois de ser traído pelo próprio irmão?
Ela suspirou, ficando ainda mais envergonhada, agora que ouvira as consequências de seu plano pelos lábios dele, sentia-se horrível, certamente ela não deveria ter feito isso a Kat. Ficou recostada na parede, em silêncio, a cabeça ainda abaixada, olhando para o chão a sua frente. Katarina não iria voltar.... Não depois do que aconteceu... Darius levantou-se da cadeira, observando o estado lamentável de Cassiopeia a sua frente.
— Mas hey, é tarde demais para arrependimentos. O que aconteceu, aconteceu. Por agora, eu recomendo que aja discretamente, e não espalhe esta história... O assunto morre entre nós.
Cassiopeia ergueu o olhar até ele, cruzando os braços. Aquilo realmente não estava lhe cheirando bem.
— Mas e o Talon? Ele certamente vai perceber a ausência dela, e provavelmente vai começar a fazer perguntas.
Darius riu baixo, virando-se em direção a porta da frente, não estava com planos de ficar por mais tempo do que o necessário, além disso, já havia bebido bastante chá para seu gosto e a companhia de Cassiopeia não lhe agradava muito.
— Faz aquilo no que é melhor e ... minta.
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— Aqui estamos madame. Em um estabelecimento com a combinação perfeita. Bebidas, coelhos e peitos. Hahaha...
A voz do homem ecoava um tanto grossa, que dava um de seus melhores sorrisos ao por a mão na fechadura do local. A estrutura do lado de fora era mesmo bem cuidada e detalhada, mostrando uma figura feminina vestida em trajes mais vulgares com uma bandeja na mão, bem acima do prédio, para dar aquele belo destaque.
O estabelecimento era bem movimentado em Runeterra, e um dos mais famosos pelos moradores locais e viajantes de todo o mundo. Todos que costumavam viajar para todos os lados paravam ali, para beber ou comer algo de seu agrado. Do lado de dentro, era ainda mais chamativo do que de fora. Pois haviam lâmpadas extremamente exageradas no teto e paredes, o piso era de madeira, mas estava brilhando de limpo, o cheiro que se espalhava no ar era ardente e até mesmo saboroso. Já que aquilo não era apenas um bar, mas sim um restaurante embutido. Servindo de tudo um pouco, com suas iguarias.
Ao menos naquele dia, ele não se encontrava completamente lotado, mas mesmo assim havia uma boa quantidade de fregueses. As garçonetes estavam todas vestidas de coelhos, em uma roupa mais sensual, que fazia a maioria dos homens dali babar. Mas ao menos, todos ali dentro pareciam se divertir entre suas conversas ou degustando uma boa bebida ao lado delas.
Mas os olhos do homem estavam focados em uma mulher em especial. Ela também trajava aquele uniforme chamativo e vulgar, um curto sorriso se expandiu em seus lábios assim que ela colocou os olhos nele. A cara dela se fechou na hora. Aqueles cabelos brancos curtos reluziam a luz do sol, trazido pelas frestas da janela.
— Olá, minha querida. – Dizia Graves. – O que há para o café da manhã?
Riven sem pensar duas vezes, andou até atrás do balcão, pegando sua espada quebrada e indo para cima dele.
— TIRE SUAS PATAS IMUNDAS DAQUI!
Gritava ela, com a voz em fúria. Os fregueses apenas ignoraram, pois sabiam que aquilo era algo normal entre eles. Graves, deu um passo para trás, estava tenso.
— E...Espere ai. – Começava ele. – Eu encontrei alguém.
Seus pés frearam, quando a albina viu surgir da porta uma velha amiga que não via a um bom tempo, Katarina.... e ela estava péssima. Seu cabelo vermelho estava jogado para frente, um tanto bagunçado, sem falar que sua pele estava brilhando de suor e estava cambaleante. Graves se aproximou dela e a ajudou a caminhar até uma mesa mais afastada. Riven foi logo atrás.
Estava difícil de se locomover, Katarina mal havia dormido, e a ressaca ainda estava em seu corpo. Sem falar que não havia comido nada a um bom tempo, na verdade ela nem se lembrava da última coisa que comeu. Sentou-se na mesa perto da parede, ao menos ali se ela desmaiasse não cairia no chão. Graves e Riven ocuparam as cadeiras da frente. Os olhos verdes da mulher seguiram os movimentos da sua velha amiga.
— Riven...
Sussurrava ela, até mesmo falar lhe dava dor de cabeça.
— Faz muito tempo, hehe... – Começava Riven, olhando para Katarina. – É uma pena nos encontrarmos depois de tanto tempo em tais circunstancias.
— Eu a encontrei nas estepes perto da grande barreira, no sul da área de Noxus.
Comentava Graves. Riven por sua vez cruzou as pernas e se apoiou na mesa.
— Conte-me... O que aconteceu?
Perguntava a albina. Katarina por outro lado, desviou o olhar. Parecia estar desconfortável com a situação e relembrar dela, não era nada agradável. Ainda mais para sua mente conturbada. Não sabia o que fazer, mas sabia que poderia confiar em Riven. Ao menos ela sabia como era ser exilada.
— ..... Você já se sentiu como se tudo o que você fez ou disse, todas as coisas.... não fizessem sentido....
Graves e Riven ficaram em silêncio, pareciam confusos com tal resposta. Isso simplesmente os enchiam ainda mais de perguntas do que saber o que realmente aconteceu com ela. Mas Graves deu uma pequena risada depois.
— Hahaha! Você acabou de resumir as nossas vidas.
Brincava ele.
— Katarina. Você esta... com problemas em Noxus?
Perguntava Riven. Kat estreitou o olhar antes de responder, alisando o machucado em seu pescoço. Por sorte sua jaqueta negra a cobria.
— Eu ainda não sei por que acordei la... Noxus esta enfrentando uma crise de longa escala. Os tempos são difíceis... Pensei que poderia ajudar, mas, depois de serem feridos, eles me jogaram fora como um tijolo na água...
— Isso... Não pode ser... – Comentava Riven, com uma expressão triste.
— Eu não sei o que fazer ou aonde ir... – Continuava a ruiva. – Mas não posso culpar ninguém pelo meu destino também...
— Kat... – Dizia Riven. Os olhos verdes da assassina se fixaram nos dela. – Não diga que tudo o que fez foi sem sentido... Eu sei que traçamos caminhos diferentes, mas eu admiro sua fé em Noxus. Mesmo que a minha tenha partido juntamente com a minha lâmina, uma parte de mim ainda é aquela guerreira que lutou pela sua cidade natal. – Riven esboçou seu melhor sorriso antes de prosseguir. – Além disso, não há nenhum outro patriótico como você em toda Noxus.
Katarina corou, mesmo tentando disfarçar não conseguiu esconder suas bochechas levemente avermelhadas.
— Hum... Vocês dois aprenderam muito com a vida, a respeito de traição e coisas assim...
Comentava a ruiva. Graves sorriu para ela.
— HAHA! Isso mesmo. Então, sobre o nome da equipe rejeitada completa?
Riven e Kat simplesmente lançaram um olhar nada agradável para ele. Graves enrijeceu, pelo visto elas não estavam para brincadeiras. Ele levantou-se ao sentir o clima ficar mais pesado.
— Esqueça isso... – Dizia ele. – Deixarei as duas garotas em paz, se quiserem falar comigo estarei no balcão...
Katarina esperou Graves chegar no balcão do outro lado do bar, para assim continuar a sua história.
— Quantas vezes eu levei as palavras de Noxus para fora? Quantos eu matei e apunhalei por causa de nossos cidadães? Eu lamento absolutamente, e gostaria cordialmente de realiza-los de novo, mas... – Ela deu uma breve pausa. Mas logo prosseguiu. – Desde que meu pai desapareceu, as pessoas mudaram de ideia sobre a nossa família, parecia que um segredo obscuro estava escondido por trás disso. Nós investigamos... mas não encontramos nada. Talon insistiu, mas eu tinha outras responsabilidades para pensar. Embora Cassie tenha sofrido com isso também, eu virei minhas costas a ela... Eu sei que eles tem algo contra mim por estar tão distante e não honrar a memória do meu pai. E isso me deixa louca. Passado ou presente, não consigo lidar com nada agora. O que devo fazer Riven?
Riven percebia o tamanho do estresse que Katarina carregava dentro de si. Pela história que ela havia lhe contado, ela poderia imaginar que vivenciar tudo aquilo não estava sendo nada fácil. Na verdade estava a consumindo por dentro. A deixando para baixo, e tirando suas esperanças.
— Katarina... – Dizia Riven, um tanto receosa. – Há uma coisa que eu deveria ter te mostrado antes...
Katarina franziu a testa curiosa, Riven sorriu e levantou-se da cadeira. Katarina fez o mesmo, não tinha ideia do que poderia ser. Ambas subiram as escadas para o segundo andar, onde encontrava-se o alojamento das empregadas do local. Adentraram na segunda porta a direita. O quarto estava bem bagunçado, com roupas e livros jogados em todos os lugares possíveis. Katarina ignorou isso, e observou a albina ir até a mesa próxima, abrindo uma gaveta e retirando de la um relógio de bolso. A ruiva não fazia ideia do que aquilo significava. Mas Riven a entregou mesmo assim.
A ruiva sentiu a textura do metal degastado antes de abri-lo, e surpreendeu-se ao ver a foto que havia ali dentro. Era pequena e bem ajustada na parte de cima, onde cobria o relógio quebrado. Era uma foto de seu pai com ela e Cassie, pequenas, em seu colo. Todos sorriam, animados. E seu pai acariciava a cabeça de ambas. Katarina estava feliz ali, ela ainda lembrava-se daquela época de inocência.... Ela suspirou. Quando subiu seu olhar novamente para Riven, ela a encarava confusa.
— Então, este relógio é familiar para você...
— Aonde você encontrou isso?
Perguntava Katarina.
— Eu vou te mostrar amanhã, mas não antes de você dormir um pouco... E desculpe por mostrar isso apenas agora.
Katarina sentia-se tonta, e extremamente cansada certamente. Riven tinha razão, ela precisava descasar e recobrar as suas energias antes de partir novamente. Agora ao menos ela tinha um objetivo para cumprir. Saber de onde veio aquele relógio e o por que dele estar aqui em suas mãos. Lembrou-se que seu pai costumava usa-lo sempre, mesmo que estivesse quebrado, mas agora fora encontrado? Isso era estranho, então seu pai estava mesmo morto? Bem, se estivesse Riven encontraria um cadáver, ela não iria esconder isso de si.
A única coisa que passou pela sua mente após isso fora, que finalmente encontrara uma pista do desaparecimento de seu pai, e tinha esperanças que ele ainda poderia estar vivo afinal de contas. Alegria e preocupação e ansiedade misturavam-se dentro de si, quase esquecendo das coisas desconfortáveis que passara em Noxus recentemente. Os olhos verdes da Lâmina Sinistra brilharam em empolgação, e aquele olhar Riven não via a um bom tempo. A albina sorriu animada.
— Riven, posso lhe pedir mais um favor?
Ela sorriu ainda mais para a assassina a sua frente.
— Sim, claro.
Katarina apontou para a rouba de Riven um tanto incomodada.
— Você poderia mudar de roupa? Vendo você vestida assim, me da vontade de te cozinhar, como um coelho Jugged.
Riven fechou a cara, e Katarina riu. Ao menos agora a albina pode ver o sorriso tão esquecido de sua amiga. E ficara feliz com isso, de verdade.
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Algum tempo depois, Riven desceu de volta para o bar, agora não tão movimentado. Graves ainda estava bebendo no balcão e pelo visto, estava um tanto bêbado. Ela se aproximou recolhendo os copos vazios a frente dele.
— Com licença, mas já estamos fechando.
Dissera a mulher.
— Oh! Mesmo? Droga... Mas me diga, suas orelhas de coelho ouviram sobre a minha caçada de homem valente... Mais difícil de pegar, um homem que você conhece...
Riven ignorou aquilo, mas percebeu o sorriso no canto dos lábios de Graves.
— A propósito, você tem certeza sobre o que deu ao pequeno diabo noxiano?
Continuava ele. Riven suspirou, e deixou a bandeja ao lado.
— Eu a ofereci um lugar para descansar e um ombro pra chorar... Eu só espero, que eu não tenha liberado nada...
Katarina estava sozinha em seu novo quarto, ao menos era seu por um curto período de tempo. Ela achou o lugar bastante confortável, era obvio que não era como na sua mansão, mas era bem agradável. Melhor do que os acampamentos que fizera em suas missões. Pelo menos ali, havia uma boa cama. E um teto sobre si. Não que ela não gostasse de observar as estrelas, mas aquele dia ela só queria descansar a sua mente e se desligar de tudo.
Mas a lembrança daquele relógio parecia não a deixar em paz. Estava sentada sobre a cama, pegou o relógio acima da mesinha ao lado e o abriu novamente, observando aquela foto marcante de sua infância. Suspirou profundamente. E pensou, que agora, ela poderia chegar mesmo ao fim do abismo, mas se isso fosse parte do seu destino, que assim seja.
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