Awakening

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Demorou um pouquinho mais saiu, trarei o próximo em breve. Boa leitura a todos. (*U*)/ Que as confusões comecem, rs.

Vários meses se passaram após os problemas em Kalamanda e a morte do Alto Comandante Darkwill. A paz começava a se abalar entre Demacia e Noxus, mas graças a Liga ela ainda permanecia em pé. Mas ninguém sabia ao certo por quanto tempo. Com Swain acessando o novo parlamento, as tensões pareciam abrandar entre as duas forças poderosas de Runeterra. No entanto, muitos dos aliados e até mesmo inimigos de Noxus, concordaram em admitir que algo terrível se escondia na mente do grande mestre estrategista.

Katarina foi fortemente convencida de que Swain vendia Kalamanda para a Liga em troca de poder. A partir deste dia, sua fé em Noxus gradualmente começou a desmoronar...

O grande projeto louvável da Liga não estava levando em conta as necessidades sangrentas de Noxus. E os habitantes... estavam começando a procurar violência de dentro... Massacrando seu próprio povo em busca de sangue. Essas situações começaram a ficar cada vez mais frequentes, pois diversos corpos foram encontrados espalhados pelo chão nas ruas, completamente abatidos, jogados em becos, todos multilados. Isso não estava cheirando bem, a insanidade do povo estava ficando cada vez mais fora de controle. Essa não deveria ser a sua Noxus.

Ela permaneceu parada diante de um dos corpos, próximo a rua principal, observando o sangue escorrer pelos cantos da garganta daquele homem, o sol brilhava logo acima, fazendo os resíduos do corpo começarem a secar. O sangue ainda estava um pouco fresco, isso indicava que ele não estava morto a muito tempo. Possuía ferimentos graves na maior parte do corpo, era provável que morrera por conta dos vários hematomas e falta de sangue, as entranhas quase pulavam para fora.

Katarina franziu a testa, ela já vira coisas piores, mas sentiu seu estômago embrulhar quando o cheiro do sangue pútrido misturado com suor invadiu suas narinas. Seus olhos verdes não desviaram dele mesmo assim, o que será que estava acontecendo em sua cidade?

Uma rajada de vento acertou sua face pálida, fazendo-a fechar os olhos por um instante, deixando aquela refrescante sensação a atingir por completo. Ao menos isso ajudava a afastar o cheiro ruim para longe. Sem falar que era uma das poucas coisas da qual a acalmava, a brisa fresca fez seus longos cabelos esvoaçarem atrás de si, como um ardiloso mar em chamas, mas algo a mais acabara entrando nas entranhas do vento. Uma voz, fina feminina, foi ouvida junto com os sussurros da ventania. Os olhos da mulher se abriram lentamente, ela reconhecia aquela voz de algum lugar e não estava gostando daquilo. Virou-se na direção que ela parecia ecoar.

— ♪ Por que seus corpos viraram cinzas e ossos? Perdeu-se novamente... Você está apenas enganando a si mesma. ♪

A voz soava extremamente melancólica, com um leve ar de ironia. As pernas de Katarina fraquejaram por um momento, seu coração começou a bater mais rápido, como se fosse saltar para fora do peito, mas seus olhos, ah aqueles olhos, a arma mortal que mesmo ao longe deixava muita gente tremendo, eles estavam completamente focados e neutros quando se direcionaram até atingirem o local exato onde a voz estava vindo. A adrenalina já tomava conta de seu corpo. Logo acima do muro de pedras estava a sua percussora. O curto cabelo vermelho balançava suavemente com a brisa, trajava um vestido roxo, havendo adornos brancos nas mangas. Suas meias eram longas e bem chamativas, dando mais destaque para aquele figurino, as pequenas pernas balançavam alegremente. Mas o que mais chamava a atenção de Katarina era seu olhar profundo, e o sorriso sínico. Era precisamente uma criança sentada ali, mas ela não era uma criança comum, não, Katarina sabia bem do que ela era capaz, já havia a enfrentado na Liga. E ela poderia dizer que, haviam chamas selvagens misturando-se com o verde inocente de seus olhos.

— ♪ Para onde foram todos os seus amigos? Estou segura agora? Kitty Kat... Continue vagando... Kat... Kat... Onde esta sua casa agora? ♪

Katarina suspirou levemente, ela sabia que aquilo não poderia acabar nada bem.

—--------------------------------------------------------------------------

— VOCÊS SÃO TODOS UNS VERMES NOJENTOS!!

Gritava histericamente Cassiopeia, jogando o grande vaso feito de porcelana que havia em suas mãos na parede com força, os estilhaços voaram para todos os lados, quase acertando o servo ao lado. O vaso que ela havia jogado certamente custava uma fortuna, dava para perceber por conta das linhas adornadas em ouro. Mas ela parecia não dar a mínima, tudo o que queria era descontar a sua ira em alguma coisa.

— Por favor acalme-se senhorita... Eu... Eu sinto muito...

Suplicava o pobre homem com as mãos trêmulas entre ele e Cassiopeia. Ela abriu um curto sorriso perigoso, retraindo suas garras afiadas. A mulher serpente não estava nenhum pouco contente com aquelas desculpas, mas o cheiro de medo que emanava dele era algo peculiar que chamava sua atenção. O servo tremia, estava claro o medo em seus olhos. O fogo do candelabro refletia em sua pele suada, Cassiopeia pode perceber o quanto ele estava nervoso.

— SHRAAAAAKK!

Gritou ela, alto o suficiente para se escutar em toda a mansão, e além.

'' Humm... Cassiopeia esta inquieta novamente...’’

Refletia Talon consigo mesmo. Estava parado nos portões da mansão, seus braços estavam cruzados abaixo do tórax, observando o movimento. Mas nada parecia diferente, tirando as mortes que estavam aumentando a cada semana. Isso soava até mesmo irônico, já que a Liga dizia que estavam em completa paz. Claro, eles achavam que mortes em Noxus era algo normal de se acontecer, afinal, era Noxus, a cidade mais violenta de Runeterra. Mas para ele aquilo tudo era irrelevante, não fazia muita questão em se intrometer nas confusões causadas pela Liga ou por sua ''irmã’’, que mesmo não sendo de sangue, foram criados de baixo do mesmo teto e isso contava como parentesco, ao menos para ele, afinal, Katarina e Cassiopeia eram sua única família, já que Marcus havia sumido, sem deixar rastros. E isso o afetou, mais do que ele poderia imaginar.

Aquele homem havia o criado, havia tirado ele das ruas, e em conta disso prometeu o servir, mas agora que ele havia desaparecido... Ele estava livre certo? Mas estar livre não era uma das coisas que estava em sua mente... já se sentia em casa, já se sentia livre e por mais que odeie admitir, havia criado laços com aquelas pessoas, ainda mais com Katarina. E por falar nela, ele pode ver ela surgir na esquina, vindo em sua direção, e pelo jeito, ela havia bebido novamente.

— Olá Talon. – Dissera ela, acenando com a mão, arriscou até mesmo um curto sorriso.

— Olá Katarina, pelo visto ainda anda bebendo.

Ela suspirou, esfregando as têmporas. Parecia estar com dor de cabeça.

— Não venha me dar lições. Além disso, por que você continua perambulando por aqui? Não há mais nada para você na casa Du Couteau.

— E para onde eu iria? Você sabe muito bem que ninguém contrata assassinos em tempos de paz...

— Ou talvez você ainda se sente preocupado com o desaparecimento do meu pai...? — Talon não respondeu desta vez, apenas fechou a cara para ela. Então ela continuou, falando tão rispidamente quanto começou. – Como eu pensava... Você sabe, tem sido assim por muito tempo, agora... Bem, Nós o procuramos por todos os cantos de Valoran. Nossa caça não nos levou a lugar nenhum... e isso não vai ajudar a minha família se recuperar... e você, ou...

— KRIIIINNGGGGGGGGGGGGG!

Katarina havia sido interrompida por um estrondo alto vindo da casa, fazendo-a levar um susto.

— Mas o que é essa bagunça? – Retrucava ela em busca de respostas. Olhando em direção a mansão atrás de si. Talon encarou a janela da casa, mais precisamente de uma das torres centrais de onde o barulho parecia estar vindo.

— Sua irmã...

— Por que ainda pergunto... — Falara decepcionadamente. Ela sabia que se continuasse a agir daquela forma, não iria ajudar em nada. Estava na hora de mudar as coisas, mudar a si mesma, não poderia ficar se culpando para sempre, aquilo não era um sonho, era a realidade, e Katarina iria a encarar de frente, como sempre fez. Ela suspirou brevemente antes de continuar. — Eu acho que está na hora de restaurar o orgulho ancestral da casa Du Couteau... Alguém tem que fazê-lo, ou então o nome do meu pai vai cair no esquecimento...

Talon sorriu, certamente Katarina parecia ter despertado daquela profunda depressão de dentro de si mesma. Finalmente estava começando a agir como uma verdadeira líder. Ele pode ver isso em seus olhos, sentir naquelas palavras, em cada uma delas, ainda havia esperança, e aquela determinação afiada. Talon sabia que quando ela ficava assim, nada poderia para-la. Ele conhecia bem aquele olhar, era tão familiar. Costumava ver muito ele nos campos de treino e nas diversas batalhas que participaram juntos. E estava mais do que satisfeito por vê-la daquela forma. Ela estava começando a enxergar. Ele sabia mais do que ninguém, que Katarina tinha o dom da liderança dentro de si, ela demonstrava muito isso quando pequenos, era isso que Marcus admirava em sua filha, assim como o dom natural com as adagas. Ao menos agora ela deixara de sentir pena de si mesma por conta da atual situação de sua família. Ele sabia o quanto o desaparecimento de Marcus a havia abalado, havia abalado todos da casa, mas já estava na hora dela começar a agir. Era a mais velha e devia assumir seu cargo por direito. Ele alargou o sorriso ainda mais ao falar.

— Seja lá o que você decidir, eu vou te seguir. Chame-me se precisar de algum capanga...

A assassina sorriu de volta para ele, suas bochechas ficaram levemente coradas, afinal, ela não estava esperando por aquilo. Na verdade, era raro ver Talon sorrindo, e até mesmo a elogiando. Ficara até mesmo surpresa. Mas agora sabia o que deveria fazer.

— ... Obrigada Talon.

Foi tudo o que disse antes de partir para dentro da mansão.