Aventura Em Alto Mar - O Colar Perdido
8 Capítulo 7 - Data e Reencontro
Notas iniciais
Podia dizer sim que estava começando a ficar preocupada. Já fazia uma semana e ele sempre voltava antes de quatro dias. Continuou rodando um dado em cima da mesa, era sempre o que fazia quando estava nervosa. Já eram 10h e, provavelmente, a data da corrida já tinha saído. Olhava para a janela e observava as pessoas passando tranquilamente. Novamente lembrava-se do seu irmão e sua família.
Quando tinha seis anos passeava muito com seus pais, seu irmão, infelizmente, não lembra mais dos pais, pois ainda era um bebê quando morreram de assassinato.
Desde pequena se interessou por cavalos e corridas de qualquer tipo. Levantou-se e pegou um porta-retratos dos seus pais; era uma mulher de cabelos rosa longos abraçada com um homem de cabelos vermelhos também longos. Devem estar perguntando por que ela era Scarlet e Natsu era Dragneel. Erza era filha de Annie, mas não de Igneel. Seu pai a abandonou quando descobriu que sua mulher estava grávida. Quando era menor, tinha vontade de xingá-lo até não aguentar mais. Então depois de um tempo, os dois pombinhos foram se conhecendo e casaram-se.
Deixou o objeto ali e ouviu a campainha tocar. Antes de dar o primeiro passo, resolveu certificar que estava com uma roupa adequada. Abriu a porta e viu um Jellal sorridente a sua frente. Ele estava com uns papéis nas mãos. Fez uma cara de confusa para o mesmo se explicar.
— Esqueceu? Hoje sairia a data da corrida. – Erza abriu a boca totalmente esquecida. – Eu falei para você relaxar sobre essa história do seu irmão, com certeza ele está melhor do que você imagina. – Entrou e se sentou no sofá.
— É, tem razão. – Fechou a porta e perguntou: — Mas diz aí, quando é a corrida?
O namorado fez uma cara de preocupado. Eles e nenhum dos participantes estavam preparados totalmente para a prova, nem mesmo os coitados dos cavalos. Só tinha se passado uma semana de treinamento, ninguém estava preparado.
— Mais cedo do que você imaginava. Daqui a quatro dias.
O mundo parou para Erza. Como assim daqui a quatro dias?! Não deu tempo nem de alongar os animais. Antes de cair em cima do tapete Jellal a segurou, colocou-a no sofá e tentou acordá-la. Tentou de tudo, menos a tentativa do olfato. Andou três passos para a cozinha, mas o celular da namorada tocou. Já imaginava a cara dela ao descobrir que ele tinha atendido. Pegou forças e atendeu.
— A...
— Erza, você não sabe! A prova é daqui a quatro dias. Não vai dar para a gente ganhar essa não. Esses juízes! Porque tinham que colocar tão cedo, foi um problema familiar? PODERIAM COLOCAR OUTRA DATA!! EU... — Aquela baixinha já tinha falado o suficiente para os queridos ouvidos de Jellal que estava irritado.
— LEVY, CALA ESSA BOCA! – Agora sim, os dois estavam nervosos e irritados. – Eu já dei a notícia para ela que acabou de desmaiar, imagine se você tivesse dado a notícia antes do que eu. A coitada tinha morrido.
— E-Eu não sabia, desculpe.— Uns minutos de silêncio ela voltou a falar. — Acorda a Erza e vem direto para estábulo, os dois. Tchau! — Desligou e pegou um pedaço de morango rápido. Aproximou do nariz da ruiva que acordou já comendo a fruta.
Jellal suspirou e explicou tudo o que havia acontecido com calma. Chegando ao estábulo viram uma Levy esfregando as mãos uma na outra. Olharam-se por alguns segundos e se sentaram.
— Bom, — Gajeel apareceu e começou. – qual vai ser a trapaça desse ano? – O cavaleiro sorriu e se levantou. – Não vai participar Erza? – A ruiva parou de roer a unha e olhou para todos que estavam ali.
— Sabem que nunca gostei de trapacear, sempre joguei limpo. E você deveria parar com isso, está ficando perigoso. – Ela apontou para o rapaz de cabelos azuis.
— Meu amor, isso é para o nosso bem. – Pegou as mãos da namorada, mas essa as puxou de volta. – O que foi?
— Sinceramente Jellal, nessas horas eu não te conheço. – Se levantou do banco com raiva seguida pela amiga. – Não precisa me seguir Levy, quero ficar um pouco sozinha. – A garota parou na mesma hora e se sentou novamente.
Erza reparou que seu cavalo estava na sombra de uma árvore sem ser no campo. Chegou perto do animal e o tocou. A primeira reação do coitado foi saltar com medo, mas depois se acalmou. A dona começou a coçar no pescoço de Strawberry que gostou muito e fechou os olhos aproveitando o momento. A ruiva começou a pensar na sua vida com o namorado.
O começo do namoro foi ótimo, mas infelizmente, na época das primeiras corridas Erza descobriu como ele era realmente; gostava de apostar, trapacear e ganhar dinheiro. A ruiva contou sobre essas coisas para seu irmão e ele disse para nessas horas não falar com Jellal.
— Ah Strawberry, sua vida deve ser muito fácil. Não tem problemas e nem amores. Enquanto nós humanos, sofremos com tudo. – Suspirou. O cavalo se deitou e a dona se encostou nele sentando-se. Ouviu passos atrás de si, já sabia quem era. – O que você quer Jellal, me pedir desculpas de novo?
— Não. Vim ver se ainda lembra-se de mim? – A ruiva não conhecia aquela voz, mas mesmo assim virou-se para se certificar que era alguém confiável.
Rapidamente as imagens de fotografias foram lembradas. Sua mãe com um homem alto de cabelos castanhos. Arregalou os olhos e o homem falou.
— Me desculpe, eu não quis deixa-las. – Lágrimas apareceram nos olhos dos dois. – Eu... Eu...
— Você não tem nada pra falar comigo! – Gritou assustando o outro. – Você abandonou nós duas e depois de anos você aparece? – Riu alto e viu que seus amigos estavam observando o momento.
— Me escute, por favor! – Pediu ele se aproximando.
— Não se aproxime de mim! Você não sabe nem o meu nome, nem minha vida e nem sobre a minha infância. – Foi contando isso tudo nos dedos. – Não merece um abraço de boas-vindas. Desgraçado, idiota, burro, filho da... – Por pouco. – Você não é meu pai!
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