Aventura Em Alto Mar - O Colar Perdido

5 Capítulo 4 - "Aprendendo a Lutar"


Notas iniciais
Oi gente! Como prometi para vocês, o capítulo iria sair hoje! Boa leitura :)

As lembranças da noite da invasão no Barco Dangerous ainda rodeavam na sua cabeça. Eram muitas vezes que a cena de Wendy sendo morta repetia. Estava na proa do navio. Só era apenas 5 horas, muito cedo, mas o céu estava um pouco claro. Era a única que tinha acordado, enquanto os outros dois roncavam muito alto. Observava o mar calmamente e, às vezes, o amanhecer. Depois de uns dez minutos, Happy apareceu atrás de si caminhando e coçando os olhos preguiçosamente.

— Bom... – Bocejou. – Dia. – Terminou a frase sentando-se perto de umas caixas de frutas. – Dormiu bem? – Ficou esperando a resposta, mas essa não veio, então deixou pra lá. Considerava aquela garota estranha, quem sabe poderia ser uma psicopata.

— Bom dia! – Natsu acordou animado. Pensou o gato enquanto via um sorriso de orelha a orelha no rosto do dono.

Natsu pegou uma rede de pesca e jogou-a no mar. Sentou na beirada do barco, mas agora com um pequeno sorriso. Lucy ainda estava virada de costas para os dois piratas. Esses observavam os braços nus da moça, neles estavam arranhões e algumas marcas roxas. Poderia ser da tempestade os arranhões, mas as marcas roxas. O rosado sentiu-se incomodado, mas logo retirou isso da cabeça quando se lembrou de uma coisa.

— Ah, esqueci-me de te dizer. – Os olhos achocolatados ainda estavam vidrados nas águas. – Depois que acharmos o tesouro voltaremos para Magnólia, minha cidade natal. – Dessa vez Lucy finalmente olhou para ele com uma cara confusa.

— Como assim? – Deu três passos. – Você mesmo disse que iria me ajudar a achar meu colar! – Happy suspirou provavelmente a conversa seria longa.

— Claro, eu vou te ajudar com isso. Mas primeiro meu tesouro e segundo, com certeza esse colar parou em alguma ilha, lá será mais fácil de achar, eu acho. – A loira se acalmou mais, mas alguma coisa ainda estava lhe incomodando.

Tirou as pulseiras – ou lenços – e começou a massagear os pulsos. Esses estavam vermelhos, o que não passou despercebido pelos os outros dois, que se sentiram preocupados. Happy foi mais rápido e falou primeiro:

— O que foi isso nos seus pulsos, Luxy? – O gato já estava com um peixe na boca.

— Nada não. – A garota percebeu que não tinha ficado muito claro para Natsu. – Foi só que no Barco Dangerous eles batiam e torturavam a gente quando fazíamos alguma coisa de errado.

Lembrou-se do dia em que viu Wendy sendo torturada e que tentou salvá-la, mas um dos piratas quase cortou seus pulsos.

— Nossa, se fosse isso nem precisava contar. Olha, daqui a pouco sai... – Não pode terminar a frase, pois Lucy saiu correndo para seu novo quarto e se trancou lá.

Natsu e Happy trocaram olhares preocupados, não deveriam mesmo ter tocado naquele assunto. O jovem levantou-se e andou até o quarto da moça. Ouviu os soluços fortes. Agora se culpava por isso. Voltou para a parte de cima do barco e pegou as redes do mar sem falar nenhuma palavra com o gato, mas esse já estava se cansando do silêncio.

— Sabe que vai ter que ensinar a ela várias coisas não é? – O pirata parou e olhou para o pequeno.

— Eu sei Happy. Vou ter que ensinar a ela a atacar, a nadar, a se defender. – Suspirou. – Mas isso vai ser depois, não viu o estado dela? – O gato deu de ombros e começou a comer outro peixe.

No seu novo quarto Lucy não parava de chorar. Lembrava-se de todas as coisas que passou naquele barco temível, junto com sua amiga. Como já disse uma criança não merecia estar ali. Culpava-se de não ter a protegido.

O choro parou e tocou novamente no pescoço. Seu colar. Era seu novo objetivo. Não poderia ficar se culpando toda hora das coisas. Então se levantou e limpou o rosto. Saiu e surpreendeu Natsu e Happy quando apareceu e falou:

— Eu quero aprender a lutar. – Disse confiante.

— Tem certeza que quer fazer isso? – O pirata perguntou preocupado, mas Lucy assentiu. – Vou pegar uns gravetos. – A loira franziu o cenho e esperou Natsu voltar da cozinha.

Gravetos? Ela não queria isso, queria logo as espadas, como ele e Happy têm na cintura. Aliás, ainda não estava confiando muito naqueles dois. Poderiam ser ladrões de navios, assassinos esperando o momento certo para matar ou qualquer outra coisa que a machucasse.

— Pronto. Pega. – O jovem jogou um pauzinho velho e seco para a moça. – O que foi? – Ele logo percebeu como ela estava incrédula olhando para o galho.

— Eu quero lutar, não brincar. – Natsu ainda não estava entendendo. – Estou dizendo que com isso, — levantou o pauzinho. – não vou aprender nada com você. Isso não dá nem para começar. – Os piratas ficaram com gotas na cabeça.

— Você só pode começar com isso, vai ser difícil se começar logo com as espadas, além de que você é muito magra e fraca para aguentar o peso de uma espada de ferro. – Errado!

Lucy era muito forte, ele não a conhecia direito para dizer essas coisas. Happy saiu de fininho para o quarto, sabia o que ia acontecer e não queria ver, mas iria escutar gritos pedindo misericórdia.

— Tá brincando com minha cara não é? – A raiva tomou conta de si e Natsu deu um passo para trás. – Acha que sou fraca, eu convivi até meus dezoito anos com piratas, o cachorrinho aqui fica com o rabo entre as pernas só de ouvir falar. – O pirata já estava ficando com medo daquela mulher. – Agora você vai ter aguentar, porque eu aprendi com os piratas também. – A loira jogou o graveto no chão e pegou uma espada que estava no chão, erro de Natsu.

— Não precisa ser assim também, podemos praticar... – Antes que pudesse terminar a frase Lucy levantou a espada e quase o acertava no ombro esquerdo.

E assim seguiu-se. De vez ou outro, eles trocavam sorrisos, por escorregarem e caírem. Mas, depois tudo voltava. E o gatinho azul assustado – que estava escondido no quarto do dono debaixo da cama – tampava os ouvidos para não ouvir os gritos.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar. Digam o que acharam! Até!!!!