Aventura Em Alto Mar - O Colar Perdido
14 Capítulo 13 - O Pesadelo Que Ninguém Quer Ter
Notas iniciais
— Oi!
Lucy virou-se para a porta do seu novo quarto. Estava observando como o cômodo era; uma cama de solteiro macia, um guarda-roupa pequeno branco, uma escrivaninha ao lado da cama com papéis, paredes amarelas de cor clara, uma mesa com várias fotografias, duas janelas virada para uma vista linda, etc. Encostado da porta estava o rapaz de cabelos azuis que ficou o observando na cozinha. Sentiu-se estranha perto dele e achou melhor não cumprimentá-lo.
— Qual é seu nome? – Ele tentou ser educado com a moça linda que via. – Meu nome é Jellal Fernandes. – Ela pensou um pouco antes de responder e, por fim, falou:
— Lucy Heartfilia. – Depois disso virou-se para o outro lado, encantada com a paisagem das janelas.
Quando ia abrir a boca para falar mais alguma coisa, seu amigo apareceu animado. Ficou um pouco triste, pois queria conversar mais com aquela garota. Lembrou-se rapidamente de uma ruiva e saiu correndo daquela casa, deixando os outros dois confusos.
— Jellal? – Natsu o chamou, mas nessa hora ele já estava fechando a porta. – Bem, — olhou para loira que, agora, estava sentada na cama, então, sentou-se também. – gostou do quarto da minha irmã? – Ela ainda observou o lugar mais uma vez.
— É confortável. – Ficaram em silêncio ouvindo o som dos pássaros passando até que ela se lembrou de uma coisa. – Quando vamos começar a procurar meu colar? – Agora sua face estava séria.
— Eu não sei, quero dizer, eu tenho uma amiga que adora “brincar de caça ao tesouro”. – Fez aspas com os dedos. – Ela vai nos ajudar tenho certeza. – Sorriu grande.
— É confiável? – Perguntou insegura, agora que tinha chegado naquela cidade e já estava para conhecer outras pessoas? Precisa se localizar primeiro.
— Claro que é, Lucy. – Suspirou cansado com aquela insegurança da garota. – Conheço ela há anos, desde pequenos a gente brincava juntos e ela sempre achava coisas que ninguém nunca acharia. – Lembrou-se dos momentos de criança. – Amanhã, à noite, nós dois vamos procurá-la, com certeza essa hora deve estar em um bar almoçando. – Colocou a mão no ombro da moça. – Eu prometo que vamos achar esse colar, e eu não sou de quebrar promessas, ‘tá?
♥
Chegou suado no seu apartamento aconchegante. Havia corrido bastante para voltar ao seu lar. Nunca tinha sentindo um aperto tão forte no coração. Foi ao banheiro, despiu-se e ligou o chuveiro. O rapaz de cabelos azuis ainda estava mal. Depois de uns cinco minutos, saiu do banho e vestiu uma roupa mais leve; uma regata verde e um short preto. Deitou-se na cama e tentou fechar os olhos, iria esquecer todos os problemas; a briga com Erza, Strawberry, a volta de Natsu com aquela garota e ele. Uns segundos depois, Jellal já estava em um sono profundo.
Ele não sabia o que era aquilo, o lugar era terrível. Estava começando a ficar com medo, era um daqueles seus pesadelos.
As paredes eram escuras, o chão de mármore estava sujo de sangue e na sua frente, só havia o negro. Suas mãos e pernas estavam amarradas com uma corda resistente. Ouviu passos e uma faca escorregando pelas paredes, aquele barulho estava o irritando.
Do escuro, saiu um homem de casaco preto. Não sabia identificar bem quem era. Seu rosto era totalmente coberto pelo capuz.
— Não está me reconhecendo, Jellal? – Perguntou o homem devagar. Seus olhos se arregalaram. Aquele cara estava em todo lugar, já fazia mais de três anos que tinha uma dívida com ele.
— Isso é só um sonho, isso é só um sonho, isso é só um... – Sussurrou várias vezes, mas foi alto o bastante para o outro escutar.
— Não, Jellal. – Pegou a faca que estava na sua mão mais forte e assustadoramente falou: — Isso é o começo do seu... Pesadelo.
E, de repente, mais sangue foi ao chão. O homem de capuz arrancava todos os dedos dos pés do outro até que...
Acordou todo suado e ofegante. Sua respiração e seu coração estavam acelerados. Novamente, aquele sonho/pesadelo aconteceu, estava ficando preocupado com isso. Já havia pedido para Gray, seu amigo, dizer para aquele homem esquecer a dívida, mas não tinha jeito. Se ele não fizesse alguma coisa, eles machucariam seus amigos. Tomou um banho rápido e vestiu a mesma roupa por cima de um casaco.
Eram exatamente duas horas da tarde quando chegou naquele lugar que cheirava a confusão, pessoas pedindo esmola e outras fumando como se a vida tivesse acabado. Passou por aquilo tudo e olhou para aquela casa de cor verde, não tinha coragem de entrar ali. Deu meia volta para voltar ao seu apartamento, mas antes sussurrou:
— Eu sou um fraco!
♥
— Abre a boca!
— Ah não, não vai me obrigar a comer!
Lucy olhava aquela cena triste. Lisanna querendo dar comida ao seu namorado, traduzindo, ao Natsu. Estavam na sala assistindo ao jornal, mas o casal não parava de falar. Erza não estava mais aguentando aquela barulheira toda, porém estava tentando se controlar. Finalmente a notícia que queria começou a passar, só que a única coisa que estava entendendo eram os dois idiotas falando na língua de namorados.
— SE OS DOIS NÃO CALAREM A BOCA EU MESMO FAÇO VOCÊS CALAREM!!! – E depois disso, a ruiva pode assistir o noticiário.
Como Lucy não estava interessada no jornal, disse que já ia dormir. Deitou-se em um colchão no chão do quarto de Erza. Naquele momento só conseguia pensar em uma única coisa: Jellal. Aprendera até mesmo o seu nome. Tinha alguma coisa naquele garoto. Olhou para as fotografias que estavam em uma mesa. Passou seus olhos em todas, mas uma lhe chamou mais atenção.

A garota de cabelos azuis contava uma história enquanto os outros ouviam atentamente. Pareciam uma família feliz de crianças, o que ela nunca teve. Além disso, estava começando a ficar com saudades de Wendy, tanta e tantas vezes no dia lembrava-se daquela cena na tempestade. Sentiu seus olhos começarem a arder, queria chorar. Quando, pela fresta da porta, viu Natsu e Lisanna passando pelo corredor se beijando, não se aguentou e se derramou em lágrimas.
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