Aventura Em Alto Mar - O Colar Perdido
22 Capítulo 21 - Nossa Amizade
Notas iniciais
Bagunçou os cabelos relembrando todos os momentos com Lisanna. Ela era uma garota animada, carinhosa, leal e companheira. Pena que Natsu não a via mais do que uma amiga. Foi como se o mundo tivesse parado quando viu Lucy pela primeira vez e seu amor pela loira foi crescendo cada vez mais. Levantou-se da cama e tomou um banho. Já estava imaginando a reação da albina ao terminar tudo, também iria ser difícil para ele.
Vestiu qualquer roupa que viu na sua frente e tentou escapar de perguntas de sua irmã. Conseguiu, pois aquela dormia igual a uma pedra na cama, mas não de Lucy. Ela lavava alguns pratos da noite anterior quando viu ele pegando só um pedaço de bolo e saindo.
— Vai comer só isso? – Natsu travou na hora, mas também estava feliz por acordar e ouvir logo a voz doce da loira.
— Eu volto já, só vou... – O rapaz não estava com nenhuma coragem de falar: “Volto logo só vou terminar tudo com a Lis para ficar com você!”. – Ver um amigo que não via há algum tempo. – E tentou de novo sair, porém foi impedido novamente.
— Não mereço nenhum obrigado? – Ela fechou a torneira, secou suas mãos no avental e aproximou-se de Natsu. – Você vive dizendo que tenho que ser educada com os outros, acho que isso não está sendo um bom exemplo. – Aquilo o pegou de surpresa, com certeza Erza havia dado uma aula de educação para a Lucy.
— Estou vendo que aprendeu alguma coisa aqui. Mas você tem razão. Obrigado pelo cachecol! – Aproximou-se mais dela, beijou a testa da mesma e saiu às pressas dali.
Fechou a porta com força e bagunçou mais ainda seus cabelos. Como teve coragem para fazer aquilo? Mas estava tão feliz com isso que correu como um louco pelas ruas, até se lembrar de que o caminho correto seria para a casa da albina.
Chegando lá, ficou com medo de tocar a campainha. Olhou para o jardim do lugar. E relembrou que foi ali onde se conheceram. Ele tentou roubar algumas flores para vender e uma pequena saiu furiosa da pequena casa. Mas o menino contando sua situação, ela o deixou levar apenas algumas plantas. Nervoso, apertou aquele botãozinho. Esperou alguns segundos quando viu a adolescente de olhos azuis abrindo a porta.
— Oi meu amor! – E deu um abraço apertado no rapaz. – Chegou na hora certa. Estou preparando aqueles docinhos que você tanto ama!
Ah, aqueles docinhos! Era cada um melhor que o outro; uns eram feitos de chocolate branco, tinham formas de ovos de páscoa... Já estava perdendo a cabeça. Desistiu dos docinhos e falou sério:
— Lisanna, preciso falar urgente com você e em outro lugar.
♥
Os dois já estavam sentados em um dos bancos da praça. Ali sempre era o melhor lugar de conversar. Passaram-se uns dois minutos sem nenhum falar nada e isso a garota estranhou. Ele assanhou seus cabelos novamente para ter coragem do que iria falar.
— Então... O que é ter importante assim para você rejeitar os meus docinhos? – Sorriu para ver se o clima ficava leve, mas não conseguiu.
— Acho que não poderia ficar enganando você Lis. Sabe que eu não gosto de mentir, então, vai ser difícil para mim, mas tem que ser assim. – Respirou fundo e jogou sua cabeça para trás. – Vamos começar do começo. Sabe por que eu trouxe a Lucy não sabe? – A garota ficou um pouco mexida com o nome da loira.
— É para encontrar o colar dela não é? – Ele confirmou com a cabeça. – Acho isso uma loucura porque Magnólia é muito grande e nem sabe se esta joia está mesmo aqui. Pode estar em outras cidades até e...
— Lisanna! – A interrompeu. – Se eu tiver que ir até outras cidades eu vou, se eu tiver que passar por outros países eu passo, se eu tiver que atravessar o inferno para achar esse colar eu atravesso! – Ela ficou assustada com aquela revelação.
— Mas, Natsu, é só um colar. Ela pode muito bem comprar outro. Pode até achar um bem mais bonito. E por que você está tão disposto a encontrar esse objeto? – Cruzou os braços enquanto o namorado se levantava.
— Era nisso mesmo que eu queria chegar. Lis, além de a Lucy ter me ajudado em algumas coisas, ela foi quem... – Olhou diretamente para a albina. – Quem me mostrou que nosso amor não é nada. – A outra arregalou os olhos. – Desculpa dizer isso, mas é a verdade. Eu só aceitei ficar com você por conta que você me ajudou no maior desespero da minha vida.
— Você ficou comigo por caridade? – Seus olhos já estavam vermelhos.
— Você que me pediu em namoro. Eu tinha o que? Sete anos? Eu era uma criança, nem sabia o que era amar ainda. Eu pensava que amor era isso que estávamos vivendo. Só que aí, quando conheci a Lucy, fiquei louco. Fiquei indeciso sobre essa confusão de sentimentos. Conversei com meus amigos e repensei sobre tudo.
— Seus amigos? Natsu, seus amigos são tudo um bando de bêbados! Não sabem sobre nada.
— Eu sei. – Respirou fundo mais uma vez. – Claro que não ia confiar tudo neles, então conversei com outras pessoas. E agora eu tenho certeza Lis. Eu estou apaixonado pela Lucy. Achei melhor te contar logo porque não queria que você tivesse escutado de outro alguém. Agora estou aliviado. – Há essa hora a albina estava soluçando e o rapaz a abraçou. – Me desculpa, mas é melhor assim. Não quero perder sua amizade, então, por favor, fale alguma coisa. – Ela soltou-se dele e limpou o rosto.
— Natsu, eu não tenho como te dar uma resposta agora. ‘Tô muito assustada com tudo isso. Eu preciso pensar, mas eu ainda gosto muito de você. Então quero sua felicidade. Pode correr para os braços da Lucy, que eu não vou me importar. – Mesmo dizendo isso, Lisanna estava com ciúmes. – Agora sobre nossa amizade... Eu não sei. Tenho que ir agora. – Limpou mais o rosto e correu.
— Lis! – Tentou puxá-la pelo pulso, mas não conseguiu.
Fale com o autor