Aventura Dos Mares
2 Capítulo 2
-Ele está morto?
-Joga ele de volta ao mar!
-Ele é tão lindo, vamos ficar com ele.
Aquelas vozes estavam me incomodando, mas primeiro eu não sabia onde eu estava até baterem no meu peito e eu cuspir água do mar. Olho em volta, e vejo diversas pessoas, das mais diversas mesmo, me olhando.
-Mas o q...
-ELE TÁ VIVOOOOOOOOOOOOOO! – me assusto. Não é todo o dia em que se escuta isso. Todos começaram a aplaudir, e eu fiquei... curioso. O que é que estava acontecendo? Onde eu estava? Todos ali tapavam a visão de onde eu localizava. A única coisa que eu lembrava era de estar num pedaço de madeira vagando pelo mar sem rumo. Depois do ataque... Melhor não pensar nisso, não queria demonstrar fraqueza para pessoas que eu nem conhecia. Tentei me levantar, mas não consegui, eu estava muito fraco para isso. Pensei em desmaiar novamente, voltar ao mar... Sei lá, devia ser o efeito de tudo o que passou me deixando retardado.
-Onde eu estou? – foi a primeira coisa que eu perguntei. Então, um cara que estava ao meu lado deu um sorriso e disse:
-Num navio pirata!
Desmaiei de novo.
Acordo, dessa vez num quarto. Ele era rústico, o único conforto que tinha ali era uma cadeira, de frente para uma mesa com um espelho na parede, em cima da mesa, e a cama onde eu deitava. No chão, deu para notar que tinha um tapete, em volta possuíam velas, e uma janela aberta. Esquerda à cama tinha um pequeno armário, e na direita havia uma estante pequena. Fui me levantando, e só depois me dei conta que o mesmo cara que falou que eu estava num navio pirata estava sentado ali. Ele então percebe minha presença e fala:
-Ahh, acordou novamente. Não vá desmaiar, por favor.
-Quem é você? Por que eu estou num navio pirata? O que aconteceu? Como cheguei aqui? O que...
-Calma, calma. Uma pergunta de cada vez. Prazer, eu sou Tony Adamastor. Você está num navio pirata porque eu o resgatei, aconteceu que nós estávamos navegando perto de uma ilha e vimos você num pedaço de madeira. Você chegou porque eu o resgatei, e estaria morto se não fosse pelas batidas no seu peito que eu dei para você cuspir a água. A última solução seria boca a boca, e sabe... Eu não sou dessa coisa para se fazer com homem.
Ele ri. Por mais que eu olhasse, ele não parecia um pirata. Ele tinha cabelos loiros, olhos claros como o céu, e usava uma roupa simples. Uma camisa de manga comprida com botões e uma calça marrom, e botas. Na cintura tinha uma bainha com uma adaga, ou era espada... Não sei. Fiquei quieto.
-Está com fome? – ele fala. – Não, não, não. Deixa essa pergunta para depois, eu quero que me responda uma coisa, como você parou num pedaço de madeira?
Pronto, ele tinha quer perguntar... Não queria mentir, e, assim eu não tinha escolha.
-Bom... A vila onde eu morava foi atacada por outros piratas, e mataram meus pais e possivelmente meus amigos, então a marinha obrigou os sobreviventes a fugir no navio deles, mas o navio inimigo lançou bombas contra nós, fazendo o navio afundar, e o primeiro pedaço que eu vi, eu me agarrei nele e fiquei, aí você me resgatou.
O tal Tony observou com atenção, e então falou:
-Ah, em todo o caso, eu sinto muito. Você chegou a saber de quem era o navio?
-Me falaram o nome do capitão. Acho que era... Azerath. Isso, Azerath.
Tony ficou pálido. Parecia que era um bicho papão da infância dele aparecendo na sua frente.
-A-A-Azerath?! Companheiro, esse capitão é um perigo total! Ninguém pode com a tripulação dele! Todos que tentaram enfrentá-lo acabaram mortos ou sem uma parte do corpo. Você tem muita sorte de não ter morrido. Sinceramente... Azerath! Argh!
-Nossa, não sabia que ele era tão perigoso.
-Perigoso é um apelido carinhoso, amigo! Ele é um dos mais procurados pela marinha de quase todo o mundo. Ele era um prisioneiro, e de alguma forma conseguiu fugir.
Fiquei sentado na cama, esperando ele parar de ficar pálido dessa maneira, e deu certo. Ele fingiu que nada aconteceu, e disse:
-Então, está com fome?
O refeitório era um local gigante, e muito... Frequentado. Ainda me perguntava como eu estava conseguindo andar em volta de tantos piratas assim. Eu estava um pouco nervoso, mas também aliviado, não sei o porquê. Andei até uma mesa onde Tony ia ficar sentado, e ele volta com dois pratos carregados de carne, mas não era só isso que tinha. Havia também um pouco de arroz, pão e algumas verduras. As bebidas eram sucos, mas imagino que não seja suco para todos, porque muitos dos piratas amam rum. Olhei bem para Tony e disse:
-Qual sua idade? – ele riu de mim.
-Por que quer saber?
-Ah, sei lá, você parece novo para entrar numa tripulação pirata.
-Me convenceu. Eu tenho dezessete. E você?
-Igualmente – respondo. Ele dá de ombros, e começa a comer. Não tinha muita escolha, e como também.
Pouco tempo depois, aparece um homem com bermuda, camisa, sapatos e boina marrom, com uma pena no lado esquerdo. Ele se dirigiu até mim, e então disse:
-O capitão quer falar com você.
Eu ouvia muito dizer que os capitães geralmente eram muito difíceis de se ver e/ou ouvir, e vem um cara parecendo um mensageiro me dizendo que ele quer me ver, simplesmente.
-Hã? – pergunto.
-Não me faça repetir, você entendeu bem que eu sei.
-Certo, certo. Até mais, Tony.
-Até. – ele falou com muita simplicidade. O que tinha de estranho naquele navio pirata?
Ele então me leva para fora do refeitório, e me guia até uma sala depois de um grande percurso. Ele então vai embora sem esperara um obrigado. Bato na porta.
-Entre – escuto. Abro a porta devagar, e contemplo com uma sala com diversos tipos de tesouros, desde ouro, prata, diamantes, até joias, rubis e muitas outras coisas. Arregalo os olhos.
-Como...
Ouço um riso. E então, da cadeira, atrás de uma mesa no final da sala, um homem se levanta. Ele tinha cabelos negros e longos, despenteados desde que ele nasceu, com certeza. Era alto, mais alto que eu, vestia um casaco que ia até debaixo dos quadris vermelho com algumas listras amarelas, tinha uma calça marrom e botas duras que se ouvia de longe o barulho delas vindo. Ele, nos dois lados da cintura, tinha espadas, do lado direito, também, tinha uma arma, e nas costas tinha outra espada. Quando ele se vira, eu vejo um rosto de quarenta anos de idade, olhos escuros, iguais aos cabelos, um nariz pontudo e quando ele mostra os dentes, vejo que só um deles, um canino, é dourado.
-Bem vindo, Frederick.
-Como você sabe o meu nome?
-Enquanto você estava grogue, conseguimos entender algumas palavras, e deduzimos que você se chama Frederick.
Interessante, só faltava saber quais palavras eu disse, mas acho que não seria importante. E também era estranho, já que eu estava com água na boca. Literalmente. Eles devem ter tido um trabalho para descobrirem.
-Enfim – continuou -, eu me chamo Kornelius. Capitão Kornelius.
-Como... Como você fala o seu nome assim tão simplesmente? Dizem que o capitão quer ver alguém simplesmente? Como tudo aqui é... Simplesmente? Eu li em muitas histórias que os capitães são misteriosos, só aparecem em um caso muito raro...
-As histórias são, em parte, falsas. Eu, por exemplo, todo o santo dia eu apareço fora dessa minha cabine e vou até o convés do navio, converso com os piratas, vejo se todos estão fazendo direito os seus trabalhos, sei o nome de cada tripulante do Sereia.
-Sereia?
-Sim, é o nome do nosso navio. Cada navio tem um nome, você não leu isso em histórias?
-Não, para falar a verdade, não.
-Certo... – ele ficou pensativo por um instante, e prossegue – Vamos para fora, vou esclarecer algumas dúvidas.
Um sino tocou em algum lugar, que Kornelius foi me explicando logo que era o sino para todos os tripulantes aparecerem no convés. E eram muitos tripulantes. Fiquei impressionado com a habilidade do capitão conhecer todos os nomes dali. Pouco tempo depois, todos já estavam ali, e o capitão começou:
-Como a maioria já sabe, esse é Frederick! Nós o encontramos no mar, e Tony foi resgatá-lo. Não sabemos muita coisa sobre ele, mas, no momento, só temos uma dúvida sobre você, Frederick. Você ficará conosco?
Aquela pergunta me pegou desprevenido. Por um lado, Tony era um cara legal, mesmo eu sabendo pouco dele, e o capitão também. Mas ao mesmo tempo eu sabia que muitos dos piratas eram maus, e eu não queria ser assim. Fiz algo muito vergonhoso, mas fiz.
-Vocês são ladrões?
Todos riram, mas foi uma gargalhada mesmo. Fiquei vermelho, mas tinha que perguntar. O capitão estava sério, ainda, mas depois começou a rir, o que deixou a tripulação mais contagiada ainda, depois, ele então tentou ficar sério, e conseguiu, então disse:
-Não, não somos, Frederick. Nós pegamos coisas de outros navios, mas há uma explicação. Muitas vezes nós é que somos as vítimas e eles os ladrões, e também porque você não se pode confiar nos navios que se cruzam. Eles podem acabar com o seu, tentar roubar e outras coisas. Nós só praticamos furtos contra outros navios. Se bem que algumas vezes, dois navios podem se cruzar e ambos ficarem quietos. De qualquer forma, espero que sua dúvida tenha sido esclarecida. Agora, você nos responde, vai ficar ou não?
Pensei bem, mas bem mesmo. Pensei em tudo o que passei, pensei em tudo o que eu vi sobre piratas, tudo, tudo, tudo... Até que tive uma decisão. Eu ia encontrar o navio do tal Azerath, e ia matar os assassinos dos meus pais, e para isso, eu precisava de ajuda, e de habilidades.
-Aceito. Eu fico na tripulação.
Ouvi palmas, e ficaram aumentando.
-Frederick, pessoal! O novo tripulante do Sereia!
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