Aventura De Um Dia
1 Capítulo 1
O lençol era macio. Sua cama era confortável, o edredom lhe livrava do frio. Era bom sentir o abraço dos panos, o calor gostoso que o tecido lhe passava... E depois, aqueles braços o envolvendo.
Shaka abriu os olhos, se sentindo subitamente com muito calor. Não conseguiria mais dormir daquele jeito. Saiu da cama, ouvindo um gemido de reclamação. O rapaz olhou para quem estava deitado. Saga Vaskália: rico, bonito, gostoso, inteligente, executivo de sucesso...
... Ultrapassado.
Não sabia quanto tempo tinha se passado até que se sentisse entediado naquele namoro, mas estava. Fazia dias que não transavam. Ou Saga estava muito ocupado, ou isso, ou aquilo...! Shaka não se achava burro ou metido, era um modelo inteligente, que entendia do mundo do show business como ninguém, além de se aventurar com sucesso no mundo da atuação. Mas de uma forma ou de outra tinha que admitir que era um socialite. Um socialite que estava muito, muito insatisfeito com sua inexistente vida amorosa e sexual.
Foi até o banheiro e tomou um banho, vestindo a mesma roupa com a qual tinha ido no dia anterior e pegando sua bolsa, saindo da cobertura sem esperar que o outro acordasse. Mordia os lábios, nervoso... Queria emoções novas, queria algo diferente. Talvez uma aventura de um dia para depois voltar à sua vidinha sem graça – e sem sexo.
Primeiro, foi para sua casa espaçosa, deixando a bolsa no porta-casacos e tirando os sapatos assim que entrou em casa. Estava sem fome, então foi direto para o computador. Teria uma semana livre, sem entrevistas, sem filmagens, sem câmeras, sem poses.
Não sabia porque ainda recebia e-mails de um site de anúncios musicais que gostava quando era um adolescente, mas era nisso que dava usar o mesmo e-mail desde os 15 anos. Suspirou, quase deletando o e-mail quando viu um rosto no anúncio: era um cara moreno, cabelos negros e assanhados, olhos azuis, queixo firme, uma guitarra nas mãos e um estilo de roqueiro.
- Que delícia... – Shaka não reprimiu o frêmito que sentiu. Ele era deliciosamente desconhecido.
A banda não era muito nova, mas pelo estilo e falta de incentivo, não tinha ficado famosa. Era uma ótima aventura de um dia! Aquele carinha que chamava atenção mesmo no meio de outros provavelmente era hetero, mas só a visão dele seria o suficiente.
Procurou mais informações. O show seria de 21hr e até lá, Shaka arranjaria uma roupa adequada e uma desculpa para falar com ele... Ou simplesmente usaria de sua fama. Desligou o celular antes que recebesse alguma ligação de Saga. Hoje ele não queria nem ao menos ver a cara do namorado – ou ex-namorado, que seja!
Passou o dia com um livro de Edgar Allan Poe numa mão, e uma barra de chocolate, um pastel, um bolinho, um sanduíche natural na outra. Os cabelos presos numa trança, vestido apenas num samba-canção azul. Queria o dia para si, dar prazer à mente e ao corpo, e adorava ter esse tempo para fazer nada e pensar em nada. Assim se sentia mais purificado, mais uno consigo mesmo.
Quando deu a hora, tomou um banho rápido e penteou os cabelos, decidindo vestir-se como nunca se vestia: completamente de preto. Olhou-se no espelho, notando o corpo esbelto dentro de uma camisa grande, até a metade das coxas, com frases desconexas na frente, sem mangas, uma calça preta justa e sapatos negros, os cabelos soltos, carindo até os quadris, dando suavidade ao look escuro.
Pegou sem carro, um New Beetle vermelho, e dirigiu até o local do show. Era um bar relativamente grade, mas não havia muita gente ali. Ninguém lhe reconheceu, o que era ótimo. Pagou a entrada absurdamente barata e sentou-se no bar. Pediu um dry Martini e esperou. As pessoas se acumulavam mais à frente, perto do palco, deixando-o com uma sensação esquisita de exclusão, mas não se moveu, até porque não iria se misturar com qualquer um.
Quando a banda subiu no palco, houve uma balbúrdia enorme. O cantor – um rapaz moreno com uma camisa vermelha – apareceu sorrindo, falando com o público enquanto os outros rapazes preparavam o equipamento. No mesmo instante, seus olhos grudaram no moreno guitarrista. Ele era alto, forte e mal-encarado. Enquanto todos os outros membros sorriam e acenavam, ele encarava-os sem uma única expressão. Seus olhos travaram na figura de Shaka, a única pessoa sentada no bar. Seus lábios moveram-se lentamente, formando um sorriso atravessado de lado, com interesse. O loiro se arrepiou dos pés à cabeça. Talvez o rapaz pensasse que ele fosse uma mulher. Tentava evitar, mas era verdade que era bem andrógino — só que não tanto quanto seu colega de trabalho, Afrodite. Aquele ali nem se sabia se era realmente um homem.
O show começou. A música era boa e eles cantavam e tocavam muito bem. Apesar de não conhecer nenhuma das músicas, chegou a curtir e a balançar o corpo com o ritmo contagiante. Pensou em sair mais cedo, quando notou que o álcool estava começando a fazer efeito, mas simplesmente ficou ali, vidrado nos dedos habilidosos do guitarrista. Céus, o que não faria para sentir aquelas mãos em cima de si? Ele tinha uma voz deliciosamente rouca e grossa, identificada facilmente quando cantava os backing vocals, e... Nossa, o gemido dele devia causar orgasmos.
Quando o show terminou, já passava de meia-noite. Shaka observou as pessoas se retirando do local, o salão – que depois de um tempo tinha ficado um pouco mais cheio – começou a esvaziar, deixando cerca de umas 15 pessoas perto do palco, que pediam autógrafos e fotos dos artistas. Os outros quatro pareciam muito animados, mas o moreno... Aquele moreno estava guardando sua guitarra, os cabelos negros brilhando na luz amena do palco. Ergueu os olhos para Shaka novamente, depois que guardou o instrumento. Levantou-se, saiu pelo lado do palco e entrou por uma portinha lateral, mas não a fechou. Parou meio de lado, olhou para o modelo e sorriu, chamando-o com uma das mãos.
O corpo do outro tremeu com aquele sorriso, um arrepio subiu por sua espinha e ele se levantou. As outras pessoas estavam muito concentradas no cantor, que sorria, recebia beijinhos e cartinhas, assinava papéis, assim como os outros. Andou até a portinha e entrou, olhando para os lados. O corredor estava escuro, e ele se assustou quando ouviu a porta de madeira fechar atrás de si com um barulho surdo.
- Parece que você estava tão interessado quanto eu. – Aquela voz grossa e rouca falou atrás de si, e Shaka virou-se no escuro. Ele era alto, ainda mais bonito do que era de longe. Conseguia ver os traços do rosto do homem claramente. As sobrancelhas negras e baixas, que o faziam ter um ar meio malvado, os olhos azuis escuros, a cicatriz entre as sobrancelhas, os lábios cheios e com um ar de arrogância.
O loiro não soube o que responder. Seu corpo respondeu de imediato àquela simples afirmação. Suas pernas ficaram trêmulas com a visão das chamas nos olhos daquele rapaz, que mesmo com aquele ar adulto e másculo, acentuados pela barba por fazer, parecia ser mais jovem do que si. Ainda assim... Estava louco para aproveitar aquela deliciosa aventura de um dia. Ou dois dias. Ou uma semana.
- O que houve? Está nervoso? – Ele tornou a falar, o sorriso se tornando maior. Começou a andar, obrigando Shaka a andar para trás, até que bateu numa porta com as costas, que foi devidamente aberta pelo moreno. Aparentemente, era seu camarim. Ficaram próximos quando ele abriu a porta, e o mais velho pôde sentir o cheiro que emanava do corpo dele, uma mistura de musk com essência de cedro... Algo másculo, mas ainda suave. Entrou no camarim, tenso, e ficou olhando para ele com os olhos azuis fixos em seu corpo. Ele era... Céus, era melhor do que tinha imaginado quando viu aquela foto. – Qual é o seu nome? – Perguntou, enquanto colocava a guitarra em cima da mesa que estava de um lado, perto de um espelho.
- S-Shaka. – Respondeu, e não conseguiu evitar que sua voz falhasse. Nunca tinha feito aquele tipo de coisa, principalmente num lugar desconhecido com alguém que não fazia ideia de quem ele era. – E você...?
- Ikki. Ikki Amamiya. Irmão do baterista. – Falou, dando um risinho de lado. O baterista... Sim, Shaka lembrava dele, era um garoto bonito, muito bonito. Podia julgar que era o mais bonito dos cinco – Ikki era mais másculo do que bonito – mas tinha um ar gentil e delicado, apesar de destruir na bateria. – Notei que você estava distante. Por quê?
- Vim pra te ver. – Admitiu, e o outro abriu um sorriso maior ainda. Shaka não se afastou quando ele se aproximou de si e tocou sua cintura. Ikki sabia o que queria e se o loiro tinha ido atrás dele, também sabia. Inclinou o rosto e o beijou, empurrando-o de leve até prensá-lo na porta, os dedos firmes em sua cintura, fazendo sua camisa se dobrar em ondas. Então ele não era hetero? Maravilha! Shaka não se controlou, afinal, era isso mesmo que queria. Abraçou-o pelo pescoço e deixou que a língua quente e ávida explorasse sua boca, os lábios chupassem os seus lábios, os dentes mordessem a suave carne rosada. Era só um beijo. Só um beijo e o modelo já estava excitado como nunca tinha ficado com Saga. Ikki desceu os beijos para o seu queixo, lambendo de leve, depois beijou seu pescoço, chupando um pouco, arrepiando toda a pele do outro.
- Qual a sua idade...? – A voz grossa perguntou, enquanto as mãos ásperas do guitarrista entravam em sua roupa e tocavam sua pele.
- 27... – Disse, e Ikki se afastou, o rosto surpreso.
- Você tem 27 anos? Mentira. Parece ter uns 20, no máximo! – Falou, e sorriu para o outro, os olhos azuis brilhando.
- Sou modelo. – Foi a resposta do outro, que sorriu, vaidoso. – Qual sua idade?
- Tenho 23. – Ikki respondeu, as mãos brincando na pele do outro, começando a levantar a camisa dele de leve até que a tirasse por cima da cabeça do loiro, afastando-se para observar o corpo dele com atenção. – Você é... Lindo.
- Eu sou modelo. – Falou novamente, e riu. Isso era bem óbvio. Afinal, não poderia ser um modelo se não fosse bonito. Ikki o acompanhou, recomeçando a beijá-lo no pescoço com um ar de riso. Deixou algumas marcas vermelhas, subindo até o lóbulo da orelha e mordendo-o devagar, antes de descer para as clavículas e os ombros, lambendo e beijando a pele.
- Acho muito bonito quem tem esses ossinhos pronunciados... – Disse, passando a língua por uma das clavículas de Shaka. Desceu os lábios, beijando o peito para depois capturar um dos mamilos com os lábios, fazendo o mais velho arfar, as mãos se enfiando entre os fios negros do outro. Gemidos já saiam da garganta do loiro, as pernas falhavam, mas ele também queria ver. Queria que sua aventura fosse completa.
Quando Ikki se afastou de si, puxou sua camisa de uma vez só, prendendo a respiração ao ver aquele corpo moreno e trabalhado à sua frente. Buddha que o protegesse, porque Shaka queria mordê-lo e chupá-lo inteiro. Ele era forte, com um peitoral definido, gominhos na barriga, entradinhas na calça... Calça esta que não escondia o membro endurecido, que foi prontamente massageado por uma das mãos do loiro, por cima da roupa mesmo.
- Você quer chupar? – Ikki perguntou, sem o mínimo de puder, fazendo com que o loiro ficasse corado. Sua resposta foi começar a desabotoar a calça, que o guitarrista o ajudou a tirar, junto com os sapatos e meias, ficando só com uma cueca azul. Shaka engoliu em seco, ajoelhando-se na frente dele e puxando a ultima peça para baixo, a boca enchendo de água quando viu o sexo rijo do outro. Estava deliciosamente duro, vermelho, com a ponta úmida, e era tão grande... Queria sentar em cima dele naquele exato segundo, mas se controlou. Ao invés disso, abriu a boca pequena, chupando-o com gula até onde conseguia. Olhou para cima, vendo Ikki franzir as sobrancelhas e sua língua estalar, a saliva deixando um brilho úmido em sua boca.
Chupou-o com uma vontade que nem sabia que tinha. Não gostava de fazer oral. Parecia que era humilhação se ajoelhar ou encurvar-se sobre outra pessoa e sugar seu falo, mas nele... Seria um crime não provar aquela maravilha que ele chamava de pênis. Mordeu-o de leve, lambeu seus testículos, mordeu o interior de suas pernas, subiu para a virilha, depois os gominhos, e por fim, um dos mamilos, mordendo-o com um pouco mais de força, fazendo o outro soltar um gemido de dor.
Sorriu. Adorava aquele som orgástico da voz de Ikki, e só o conhecia a poucos minutos.
O moreno, alucinado pelo prazer, agarrou Shaka pela cintura e o jogou sem nenhuma delicadeza em cima do sofá, tirando a cueca de si de uma vez e literalmente arrancando as roupas do outro sem pedir permissão, deixando-o nu em pelo. Observou o membro endurecido do loiro e sorriu, aproximando-se dele enquanto sugava os dedos indicador e médio, ajoelhando-se entre as pernas abertas de qualquer jeito do outro. Começou a sugar seu falo, enquanto os dedos úmidos exploravam entre suas pernas, acariciando e alisando aquela entrada apertadinha. Há algumas semanas que Shaka não fazia sexo, então estava meio desacostumado. Seu corpo estava muito, muito quente, e a boca do outro e os dedos não ajudavam a controlar seus instintos.
Soltou quase um grito de prazer quando foi penetrado pelos dois dedos de uma vez, abrindo ainda mais as pernas para o outro. Os cabelos loiros arrastando no sofá branco com algumas almofadas em cima, dando uma visão belíssima para o moreno, os lábios rosados entreabertos, gemendo, os olhos semicerrados, escuros de prazer, enquanto sentia os espasmos do outro, apertando seus dedos dentro de si, o líquido pré-seminal deixando um gosto agridoce em sua boca enquanto o sugava sem nenhuma reserva.
Num dado momento, Shaka o empurrou com um pé, catando sua calça que estava no chão. Pegou a carteira dentro do bolso e, de dentro dela, uma camisinha num envelopezinho vermelho. Entregou a Ikki que sorriu e observou a embalagem para abri-la. “Com estimuladores de prazer”. Franziu as sobrancelhas, não costumava comprar aquele tipo de preservativo porque eram mais caros, mas deu de ombros, abrindo a embalagem e colocando a camisinha em si. Ela era diferente. O líquido lubrificante era mais quente, e havia contornos, como bolinhas, tanto dentro como fora do látex. Sorriu para o loiro, que ajeitou-se no sofá e abriu ainda mais as pernas, lambendo os lábios e depois mordendo o lábio inferior.
- Vem, Ikki... Me come logo.
Aquilo foi mais do que sua mente conseguiu suportar. Agarrou as pernas do loiro com voracidade e enfiou seu falo de uma vez nele, fazendo o mais velho soltar um gemido alto de dor, virando o rosto e mordendo o lábio inferior. Ikki esperou, desceu os lábios, o beijou no pescoço e em suas lindas claviculas, começando a se mover devagar dentro do outro. Começou ouvindo um leve arfar, as mãos de dos compridos crispadas no tecido do sofá. Depois gemidos baixinhos, e então Shaka voltou a olhá-lo. Por fim, gemidos altos de prazer, o pescoço comprido pendendo para trás, mostrando um leve sinalzinho perto de seu pomo de adão, a pele suada, os cabelos loiros grudando nela.
- Isso... Aaah... Isso... Vai mais rápido... Mais f-forte...! – Shaka gemia, louco pelo prazer que sentia com o moreno, que parecia vidrado em si, nas suas reações, em seu falo que tremia entre as fortes investidas, o barulho das peles se chocando. O loiro ergueu uma das mãos, começando a masturbar-se junto com os movimentos do outro, que empurrava suas pernas a ponto de fazê-lo sentir uma leve dor aguda nos quadris. Não ligava. Seus dedos se contraiam com o prazer, seu corpo o apertava cada vez mais, as investidas se tornavam cada vez mais rápidas e mais fortes. Estava vindo... Vindo... Sim... Sim... Sim...!
Ikki saiu de dentro dele quando estava prestes a gozar, o que o fez soltar um palavrão. Com um sorriso, o mais novo o segurou pela cintura e o virou no sofá, deixando-o ajoelhado no assento, as mãos apertando as costas do acolchoado. Voltou a penetrá-lo de uma vez só, dessa vez, forte e rápido logo no começo. As saliencias na camisinha davam um prazer a mais não só no loiro, mas em Ikki também. Apertava, mas massageava ao mesmo tempo, dando uma sensação muito mais intensa. O mais novo apertava seus quadris, deixando-os vermelhos, mordia suas costas suadas e seu pescoço esguio. Shaka estava novamente nas alturas, apertando o acolchoado com tanta força que achava que ia despedaçar. Voltou a se tocar, achando que ia perder os sentidos. Engoliu em seco, sentindo o orgasmo vir com toda força.
- Aaaaaaaaah...! Vai, Ikki! Isso... Eu vou gozar...! – Gemeu, apertando os olhos, quando sentiu uma palmada forte no seu bumbum, o que o fez arregalar os olhos, o prazer aumentando ainda mais.
- Goza pra mim, loirinho...! Goza e me deixa gozar nessa bundinha deliciosa!
O loiro não conseguiu mais pensar. O orgasmo foi devastador, apenas um gemido longo e abafado saiu de sua garganta. Sua testa encostou nas costas do sofá, as pernas tremeram, sua mão apertou o sexo que se despejava em jatos quentes de prazer. Ikki o apertava com força, os gemidos do moreno penetrando seus ouvidos enquanto ele mesmo derramava-se inteiro, fazendo Shaka sentir seu interior se tornar ainda mais quente do que estava.
Ikki apoiou as mãos cada uma de um lado, no encosto do sofá, o corpo moreno encostando no branquinho do outro. Depois de alguns segundos, se afastou, ficando de pé e olhando para o nada, antes de olhar para o loiro, que se jogara no sofá, aéreo.
- Vou tomar um banho. Pode ir limpando o sofá enquanto isso? Basta tirar a capa de cima dele... O resto eu resolvo. – O moreno falou, seguindo para o pequeno banheiro enquanto tirava a camisinha de si, amarrando-a antes de jogar no lixeiro. Não fez questão de fechar a porta, e em pouco tempo se ouvia o barulho de água caindo.
Shaka fez o que ele pediu, afinal, era seu semen que sujava tudo ali. Jogou a capa de um lado do sofá, sentando-se sobre ela e sentindo seu corpo doer completamente, mas principalmente seus quadris. Se não fosse tão elástico com certeza doeria ainda mais. Aquela ardência entre suas nádegas o incomodava um pouco, mas por conta dela conseguia sentir o corpo dele inteiro em si, e o prazer voltava, deixando-o arrepiado.
Foi tomar banho assim que ele saiu, e quando voltou para o quarto, o moreno estava sentado no sofá, olhando para a porta do banheiro para quando ele saiu.
- Você costuma chamar muitos fãs para seu camarim? – O loiro perguntou, sem realmente sentir nada sobre aquilo.
- Você é o primeiro homem. – Ikki respondeu, sorrindo, e Shaka teve que retribuir o sorriso. Sentou-se ao lado dele, começando a se vestir e a calçar os sapatos, olhando de lado para o moreno. – Eu gostei de você, Shaka. Mais do que gostei de qualquer mulher que já comi.
- Nossa, isso é uma honra. – O loiro debochou, assim que fechou seus sapatos, encostando-se no sofá e lançando um sorriso para ele. – Mas devo admitir que você também não é de se jogar fora.
- Quero novamente. – O moreno foi direto.
- Não planejo fazer de novo. – Shaka falou, passando as mãos nos cabelos, a boca moldando-se num típico ar de arrogancia.
- Sério? – A voz de Ikki estava mais próxima, a respiração dele tocando seu pescoço, fazendo os pelos loirinhos se arrepiarem.
“Merda... Eu quero de novo”, Shaka pensou, virando-se para o outro.
- Vamos fazer o seguinte. Semana que vem... Você vai a esse endereço. – Pegou uma caneta e um papel qualquer em cima da mesa e escreveu o endereço da sua casa. – Diga que é um convidado de honra. Diga que seu nome é... Hmmm... Fênix. Eu saberei que é você.
Ikki riu com aquele nome.
- Fênix? – Perguntou, recebendo o papel e o enfiando no bolso.
- Você é quente como uma. – O loiro riu junto com o outro e levantou-se. – Uma semana, não se esqueça. Será nossa ultima vez.
Um mês depois...
- Me passa o pó. – Shaka pediu, estendendo a mão como se estivesse falando com um empregado. As pernas estavam dobradas na posição de lótus, em cima da cama, enquanto ele se olhava no grande espelho que estava atrás da cabeceira.
- Você fica melhor sem essa porcaria. – A voz falou, colocando a caixinha preta na mão do loiro, que apenas girou os olhos.
- Eu também não gosto, mas é...
- ... É um grande evento e a agencia quer que você esteja impecável. Já sei, já sei dessa merda toda. O que vai me dar de aniversário de namoro? – Como um gato folgado, o novo namorado de Shaka Phalke se enfiou por baixo de seus braços, deitando a cabeça em seu colo.
- Um beijo e um abraço. – Shaka riu, terminando de passar o pó e olhando para o moreno deitado em suas pernas, com uma carinha de sono e completamente nu.
- Quero um porsche. – Ikki volveu, levando uma palmadinha na cabeça.
- Acha que vou te sustentar? – O loiro riu, colocando a caixinha na bolsa onde estava a maquiagem essencial que precisaria usar e apoiando as mãos na cama.
- De que adianta namorar um modelo rico quando não se pode aproveitar do dinheiro dele? – O guitarrista provocou, recebendo um beliscão na cintura, o que o fez torcer o rosto numa careta. Apesar de estar há quase um mês namorando o famoso modelo da Gucci, Ikki nunca quis que ele promovesse sua banda, apesar dos outros membros insistirem para isso. Claro que isso eventualmente aconteceu, já que foi um escandalo o modelo ter deixado um empresário de sucesso para namorar um bad boy, mas de qualquer forma, Ikki se deu bem sozinho.
- Você come um modelo rico quase todo dia. – E sorriu, abaixando-se para dar um beijinho no outro. – Vá se aprontar... Você vai comigo.
- Eu?! Nunca! – Ikki levantou-se, sentando-se do lado dele, mas olhando para seu rosto de frente. – Não gosto desses eventos, sabe disso.
- Te dou uma rosquinha açucarada de presente. – Shaka disse, sorrindo, os olhos se estreitando felinamente.
O moreno levantou uma sobrancelha, e depois abriu um sorriso.
- Eu gosto desse presente...
- E qual o meu?
- Hm... – Ikki aproximou-se, dando-lhe um beijo no pescoço. – Um churros... Com recheio de creme de leite.
O loiro riu, abraçando-o e dando-lhe um beijo suave nos lábios, encarando os olhos azuis, feliz. Nunca imaginara que aquele encontro num pub poderia dar num sexo tão delicioso, ou que aquele segundo encontro, uma semana depois, em que um Ikki desajeitado derrubou molho de bolonhesa em seu colo e decidiu que, sem nenhuma forma de contestação, deveria dar um banho nele para que ficasse limpinho, fosse dar num namoro ótimo, quente, único e inesquecível. Não sabia se aquela paixão ia durar ou se transformar num amor profundo, mas tinha certeza que o queria bem e que se sentia protegido nos braços do moreno mal-encarado, que apesar de assustar as pessoas na rua, em casa era uma criança boba e brincalhona, cheio de carinho e amor pra dar, mesmo com sua teimosia leonina.
Sua vida tinha melhorado... E muito. Restava saber se daqui a um ano ou dois valeria a pena.
Shaka achava que sim.
Fim.
Notas finais
Espero que tenham gostado! Beijos da Polly!
Fale com o autor