Abro os olhos e sou recebida por uma luz cegante. Solto um gemido baixo e fecho novamente os olhos. Não queria acordar. Se me levantasse teria que enfrentar Ultron e Tony. Ambas as coisas me deixavam com uma absurda vontade de permanecer apagada.

Demoro alguns segundo para me acostumar com a luz e assim que o faço olho o lugar onde estava. Estou deitada na cama de onde eu acabara de sair.

Me sento na beirada da cama e sinto uma pontada de dor na região lateral do tórax. Tateio delicadamente o local, consigo identificar um largo curativo. Alguém bate na porta.

— Entre – fala me levantando

— Aloy... – diz Tony ao entrar – Eu sinto muito, mas...

Não deixo Stark terminar de falar. Estava com raiva demais para ouvir o seu lado da história! Na verdade, eu não estava com raiva, eu estava FURIOSA!

— Brincar de Deus não é certo, Tony. Você não tem o direito de escolher quem vive e quem morre, na verdade, ninguém tem! – falo me aproximando dele

Ele segura o meu rosto, levantando o meu queixo levemente, forçando-me a olhá-lo nos olhos.

— Você está absolutamente certa! Me perdoe. Mas foi necessário e...

— Tony! Por favor! Onde isso é necessário?!

Ele fica em silêncio. Sinto a raiva dissolver no ar. O toque daquele homem me trazia paz, me trazia conforto. Me trazia, principalmente, paz.

— Onde matar alguém é certo, é necessário?

— Você não entenderia... – ele fala

— Então me faça entender! – quase cuspo as palavras.

Aquilo estava quase saindo do meu controle. Meus poderes logo sairiam do meu controle e eu temia o que podia acontecer. Deus... Tony me deixava com raiva, mas ela o motivo da minha paz.

— E-Eu não posso. Mas saiba de uma coisa: tudo o que fiz foi para segurança dos outros, inclusive a sua.

Bufo. Estava furiosa. Como ele ainda conseguia uma desculpa para a grande MERDA que ele fez?

— Stark, você não tem o direito de escolher pelos outros! Isso não é um jogo...

— Mas... há algo lá em cima que... será o nosso fim...

— Então lutaremos juntos!

— Não há como vencer! Não tem como! – ele fala me encarando como se pudesse ver a minha alma.

— Então cairemos juntos, como uma equipe... — falo

Todos nós sentíamos que, desde a vinda do Tesseract para a Terra, tudo estaria prestes a mudar. Entretanto, por mais que o sentimento de aflição e medo fosse compartilhado por todos os integrantes do grupo, nada justifica a criação de Ultron, uma máquina de aniquilação!

Caminho devagar para longe de Tony e ele segura o meu punho. Me viro para ele e percebo que estava triste. Stark me puxa para perto de si e segura a minha nuca.

— Tony... Por favor...

Ele me silencia com um beijo. Seus lábios tocam os meus com delicadeza. Bato em seu peito, tentando me afastar, mas Stark não me solta. Desisto de lutar contra o beijo, pois, apesar de estar com raiva, beijar ele deixava meu corpo em êxtase.

Minha pele se tornou tão sensível que cada toque de Tony me fazia sentir como uma corrente elétrica percorresse o meu corpo. Stark me puxa para mais perto de si, suas mão percorriam o meu corpo, explorando lugares que ele nunca tocara. Em seguida ele se afasta.

— Desculpa, Aloy, mas precisava fazer isso...

Ele sela os meus lábios novamente num beijo breve.

Balanço a cabeça e me afasto. Caminho em silêncio para fora da sala. Uma fez na porta respiro fundo e olho para trás. Tony estava cavando a própria túmulo.

— Tome cuidado com o caminho que está tomando, Stark... De vez em quando fica quase impossível dar a volta por cima.. -falo

Vou até o banheiro mais próximo e ligo o chuveiro. A água que caia era fria, mas eu precisava esfriar os meus nervos. Estava com raiva, pois Stark simplesmente decidira fazer com os outros a mesma coisa que a SHIELD fez comigo. Sinto meu poder fluir e eu não conseguia controlá-lo.

Isso era um péssimo sinal, da última vez que não consegui controlar o meu poder destruí um cidade inteira. Me encosto na parece, me sentindo pesada, sonolenta.

Quando ficava descontrolada me sentia flutuar para longe, caia num sono profundo e só acordava quando o desastre e a chacina já haviam terminado. Deus... Isso precisa de um fim!

Respiro fundo, prestando muita atenção no tempo que demoro para inspirar e expirar, tentando manter minha mente no lugar. Como eu podia estar furiosa com Tony e ainda querer-lo por perto, não era lógico, muito menos sensato. Algo estava errado comigo e eu não sabia o que era.

Saio do banho e me olho no espelho quadrado acima da pia. Meu cabelo ainda estava branco. “Sinal vermelho”, penso. Fecho os olhos e penso em Samuel e Katherina, em como eles eram felizes juntos, como estavam apaixonados e como, mesmo com o poder e o terrível trabalho que fazíamos, eles sempre estavam alegres um com o outro.

Me olho novamente e vejo que apenas metade do meu cabelo estava branca. As cores se mesclavam perfeitamente e para alguém que não conhece o meu passado, parecia que a pessoa que pintara o meu cabelo era um exímio cabeleireiro.

— Menos mal... – digo baixinho enquanto escovo os dentes.

Isso era o máximo que podia fazer naquele momento. Eu só podia rezar para que não precisássemos lutar novamente.

Alguém bata à porta.

— Está ocupado!

— Aloy, estamos saindo para uma missão! -fala a ruiva

Cuspo o resto da pasta de dente que estava na minha boca e abro a porta. Natasha segurava o meu uniforme.

— As armas estão no quarto onde te arrumei...

— Para onde vamos?

— África do Sul! – ela me responde

— Preciso de mais detalhes, ruiva!

— Stark e Banner alegam que Ultron quer aprimorar sua armadura e para isso ele precisa de vibranium e...

— A única pessoa que comercializa isso é Klaw! – falo sentindo a araiva tomar conta do meu corpo

— Exato!

—Me dê dez minutos – falo fechando a porta.

— Você tem oito! – a ruiva fala

Ulysses Klaw, um físico que perdera o juízo. Uma ameaça contra todos e alguém que faz muito dinheiro no mercado negro vendendo materiais roubados. Tivemos problemas com ele quando Samuel ainda estava vivo, mas ele sumira do mapa logo depois.

Visto o uniforme e amarro o cabelo em um rabo de cavalo e me guio até o quarto e pego as armas. Duas pistolas, algumas adagas e os coldres cheios.

Sigo o corredor e chego a sala, onde todos pareciam me esperar.

— Vamos?

— Aonde pensa que vai? -indaga Tony

— Arrumar essa confusão que você causou! – falo bruscamente, fria como o gelo

Ando e o grupo me segue. Em poucos minutos estávamos no ar. Passei o tempo todo evitando olhar para Stark, estava com vontade de dar um soco na cara dele e ao mesmo queria que ele soubesse que talvez eu tivesse um surto.

Respiro fundo varias vezes até que Thor se aproxima de mim. A preocupação dele comigo é quase palpável.

— Você está bem?

— Tirando o fato que estou revivendo memórias que preferiria que ficassem enterradas, eu estou bem!

Ele arregala os olhos. Sorrio e toco seu rosto.

— Estava brincando! Eu estou bem!

Ele suspira. Encaro-o, seus olhos azuis percorriam o meu corpo procurando algum sinal de fragilidade ou algo que o obrigasse a cuidar de mim, mas me proibia de demonstrar algo desse tipo.

— Aloy, só quero que você saiba que estou aqui e ...

Thor é interrompido pela voz de Stark nas caixas de som da nave.

— Aterrissamos!

Toco o ombro do deus e beijo sua bochecha.

— Não se preocupe comigo, loirinho. Eu estou bem! — falo

Eu e Thor nos tornamos amigos muitos próximos desde do incidente com Loki. Considerava-o muito e o tratava quase que como um irmão caçula. Já le me via como uma irmã mais nova, que sempre precisava de ajuda, o que é extremamente irritante.

Me afasto do deus e saio pela porta dos fundo. Paramos perto de um lago vazio, dentro de uma floresta exuberante.

Respiro fundo. Não sabia o que esperar dos acontecimentos que estavam para se desenrolar e eu temia não só pela minha vida mas pela dos meus companheiros, e , sem saber o porquê, especialmente pela vida de Tony Stark...

Notas finais
Espero que tenham gostado! ^~^