Fecho os olhos. Não queria ver mais aquilo! Me sinto muito infantil por fechar os olhos, como se todos os meus demônios fossem embora só por que eu fechei os olhos, mas eu não queria mais presenciar aquilo!

“ Não quero! Não quero!”, gritava mas ninguém me ouvia.

— Aloy?... – me chama uma voz conhecida

“Não quero ver! Por favor parem!”

— Aloy?... – a voz me chama novamente

“Por Deus! Faça parar! Só faça parar!”

— Juro para você que está tudo bem... – a voz fala suavemente

“Por favor! Me matem!”

— Aloy...

— Por favor! Apenas me matem! – grito e minha garganta queima, mas finalmente escuto a minha voz.

Abro os olhos, assustada. Sinto as lágrimas rolarem como nunca. Fazia muito tempo que não chorava assim, tinha até dificuldade de respirar e me engasgava de vez em quando.

Estava tão feliz por ter saído daquele pesadelo e chorava por conta da dor, do medo. Chorava por manter todos esses sentimentos no âmago do meu ser, ao invés de simplesmente aprender a lidar com eles. Chorava pois tudo aquilo acabara.

Uma mão toca os meus ombros com delicadeza. Olho ao redor, estava no jatinho de mais cedo, na parte da enfermaria. Tony estava atrás de mim. Meu coração aperta, estava com raiva, mas acho que ele é a melhor pessoa para estar aqui nesse momento.

— Está tudo bem, Aloy. Eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você... — diz Tony abraçando-me por trás

As lágrimas escorrem com mais velocidade. Me agarro á Tony e me permito chorar.

Suas mãos me apertam contra si. Estar naquele abraço é a melhor coisa do mundo, mas parecia errado. Me sentia fraca, frágil. Odiava sentir aquilo, mas porque eu desejava tanto estar ali?

Suspiro numa tentativa falha de regular a minha respiração. Afundo meu rosto mas minhas mãos e respiro devagar. “Precisa se acalmar, sua idiota!”, penso.

Alguns minutos se passaram e eu estava melhor. Me levanto da maca e me viro para Stark.

— O que houve?

— A pirralha Maximoff brincou com a sua cabeça. – Stark fala

— Onde estamos? -pergunto envergonhada por tudo que estava acontecendo

— Na casa de verão de Barton – ele tenta brincar, mas nenhum de nós ri

Era estranho estar aqui, tendo essa conversa. Coço a cabeça e me viro, caminhando para fora do jatinho. Vejo a tal “casa de verão” de Barton, ela tinha três andares, sendo o terceiro provavelmente um sótão por conta de seu tamanho (era bem inferior aos outros andares). A casa por fora era bem simples, branca com alguns detalhes amarelos, tinha uma varanda grande e era rodeada por uma floresta relativamente densa. Podia ver que Barton tinha animais e algumas plantações.

Caminho até a casa, ainda sem graça por conta do incidente com a manipulação mental de Wanda. Assim que entro na casa sou recebida por uma garotinha. Ela tinha cabelos marrons e olhos claros, tinha entre 5 e 7 anos. A menina sorri e percebo que há alguns dentes faltando.

— Papai! Você tem mais visitas! A moça tem cabelos brancos! – ela segura a minha mão e me puxa para algum lugar – O que é muito estranho porque ela não é velha!

— Deus! Lila! – fala uma voz feminina

Uma mulher de longos cabelos castanhos aparece de supetão na frente da menina e a leva no colo. A moça estava gravida e provavelmente no seu último mês de gestação. Tinha farinha na roupa e alguns fios rebeldes escapava-me de seu coque desleixado na nuca.

— Perdoe-me! Lila não quis dizer aquilo!

— Está tudo bem,...?

— Laura! Meu nome é Laura!

Ela estica a mão e aperta a minha.

— Você deve ser a Aloy! Barton disse que não estava se sentindo bem por isso não saiu da nave...

— Digamos que seu marido está certo! -falo e sorrio

— Ah, que pena! Precisa de algo, Aloy? Posso fazer um chá de quiser!

Sorrio. Barton, você arranjou uma adorável esposa!

— Se não for muito incomodo eu gostaria de tomar uma ducha -falo sorrindo

— Ah, sim! Claro! – ela fala – Lila pode te levar lá pra cima!

Laura coloca a menina no chão e a instrui para que quarto ela deveria me levar. Lila, depois de ouvir as ordens da mãe segura a minha mão e começa a me guiar pela casa, antes que nos afastemos de sua mãe Laura grita:

— E filha! Não seja rude!

Lila me olha e pede desculpas baixinho, envergonhada. Me ajoelho ao lado da menina e afago sua cabeça.

— Aquilo não me magoou, Lila! – abro a minha mão em sua frente e faço uma rosa de gelo – Para você!

Ela segura a rosa, maravilhada.

— Não é gelada! – ela guincha, surpresa e animada

— E não derrete! – digo

Lila, feliz com sua rosa, sobe as escadas sem segurar a minha mão. A garota me guia até um quarto qualquer e se despede.

Entro no banho em seguida. Foi uma ducha rápida, apenas para tirar a sujeira. Saio do chuveiro completamente enxugada e quando saio da suíte e entro no quarto me arrependo muito de não ter ficado na toalha!

Stark estava no quarto!

Me sinto corar automaticamente.

— Deus! – digo envergonhada

— Aloy, eu...

— Apenas se vire, idiota!

— Ok! Ok!

Suspiro. As roupas que Laura provavelmente separara para mim estava na cama perto de Tony.

— Você poderia passar as minhas roupas, por favor?

— Mas essas roupas não são sua! São da esposa de Clinton!

Stark estava amando aquela situação.

— Stark apenas passe a roupa, por favor...

— Ok, se acalme! Eu não sou esse tipo de de homem!

Ele se aproxima de mim devagar e toca a pele nua das minhas costas. Me ouço guinchar e me retrair por conta do toque.

— Tony...

Suas mãos tocam o meu ombro e ele beija o meu pescoço. Prendo a minha respiração e mordo o lábio."Deus, como eu quero isso...", penso.

Ele passa as roupas para mim, em seguida ele sai do quarto.

Me visto o mais rápido possível, para evitar outros momentos como esse. Laura separou uma calça jeans preta e uma camisa de flanela quadriculada vermelha ( que provavelmente era roupa de gestante, já que estava bem grande em mim).

Meu corpo estava estranho. Sentia que precisava do toque de Tony, queria aquilo de uma forma inassinável.

O que estava acontecendo comigo?...

O que Tony Stark fez comigo?...

Notas finais
Espero que tenham gostado! ^~^