Ave Roma e a Maldição de Marte
1 Capítulo I - Caindo neve sem parar
Notas iniciais
Vou tentar manter uma frequência de ao menos um capítulo por semana.
Enfim, aproveitem a história!
Se você que está lendo isso é um membro do Acampamento Júpiter ou da Legião Fulminata espero que esteja tudo bem, apesar de saber que nossas vidas nunca são fáceis.
Caso não seja, largue esse manuscrito imediatamente, você não quer saber desse mundo, você não quer fazer parte desse mundo. Finja que nunca o viu.
Estamos no inverno, faltam três semanas para o Natal, esse ano está bem mais frio do que nos 4 anos anteriores que passei aqui no Acampamento. Estranho, já que barreira mágica do Término deveria nos proteger de grandes mudanças climáticas. Nossa, já estou aqui tem quase 5 anos, quanta coisa já mudou, quantas pessoas já passaram por esse acampamento e já foram embora.
Estou no meu lugar favorito de todo o Acampamento Júpiter, a minha beliche do dormitório da 3ª Coorte. O dormitório é um lugar simples, de pé direito baixo e bem comprido, são 25 beliches de duas camas encostadas nas paredes de forma perpendicular até o fundo. Cada uma com dois baús médios para colocarmos nossos pertences, menos as armaduras, essas ficam num armário no individual no arsenal.
A minha beliche é a última do lado direito, uma vantagem de ser um dos mais experientes do dormitório, você pode escolher a sua beliche. Com a cabeça virada para o teto pensando no evento de hoje à noite. É nessa noite que finalmente serei nomeado Centurião da 12ª Legião Fulminata.
Nunca participei de nenhuma missão fora do acampamento, devido a minha condição. Mesmo assim sou o que se sai melhor em todas as atividades na minha coorte, desde as atividades de batalhas no Campo de Marte até as aulas de estratégia e latim. Tirando arco e flecha, eu sou péssimo nisso.
“Ei Ed, você está aí?” escuto Narla dizer.
Esta é Narla Franklin, minha melhor amiga em todo o mundo, ela é filha de Estrênua, deusa do Ano-Novo, da purificação e do bem-estar. Tem cerca de 1,72 m, pele clara com várias tatuagens, cabelos negros curtos e olhos castanhos. Ela estava parecendo uma bola de gude gigante com tanto casaco que estava usando.
“Você está aí de novo, né? Hoje é uma noite muito importante, já escreveu o seu discurso?” fala ela já do lado do meu beliche.
“Náh, eu sou filho do deus da comunicação, você acha mesmo que não consigo fazer um discurso decente?”
“Não vai dizer que não te avisei depois, mas não foi só por isso que eu vim aqui, a Reyna e o Jason querem falar com você, eles estão te esperando no rio Tibre.”
“Faz alguma idéia do que eles estão querendo?”
Ela balança a cabeça em negativo, vira-se e vai embora acenando. “Boa sorte” ela grita antes de sair do prédio da 3ª Coorte.
Levanto e desço do beliche, visto a minha clássica camisa roxa do acampamento, minha calça jeans rasgada no joelho, meu all-star preto. Logo antes de sair pego a minha jaqueta mais pesada que estava pendurada do lado da porta. Abro a porta.
Caindo neve sem parar. Nunca vi nevar desse jeito no acampamento nos quase 5 anos que estou aqui. Esses dois pretores são doidos de querer se encontrar nessa neve toda.
Caminho em direção a ponte que atravessa o pequeno Tibre para fora do acampamento. Passo pela casa de banho que a essa hora e com esse clima deve estar abarrotada de campistas. Um banho termal cairia bem antes da cerimônia de hoje a noite.
Os pretores estão parados do lado de mais próximo da ponte simples de mármore. Eles vestem casacos pretos grossos por cima das togas roxas de pretores e das armaduras de ouro imperial. Parecem estar conversando sobre algo sério.
“Pretores.” Falo em saudação.
“Não precisa de toda essa formalidade com a gente Ed, sei que vai virar centurião daqui poucas horas, mas qual é. Somos amigos” disse Jason. Ele é um bom pretor para o acampamento. Depois da guerra contra os titãs ele tem sido um excelente líder e um pretor surpreendentemente justo.
“Olá Ed, que bom que chegou rápido. Antes de tudo, parabéns pela sua promoção a centurião. Mas temos um assunto sério para discutir com você”
“Olhe ali, logo abaixo da ponte.” Diz o filho de Júpiter.
Olho com mais atenção, vejo o pequeno Tibre congelado e incrustado na margem está aquele símbolo. O símbolo que amaldiçoa a minha vida. Uma ampulheta com uma coroa de louros com 21 folhas. Olho para o meu antebraço direito e lá está a marca.
Existe uma pequena diferença entre a marca feita de gelo e a da minha pele. As folhas da coroa da minha já morreram 18 delas, enquanto todas da que apareceu na margem do rio estão vivas.
“Sei que a sua maldição o impede de fazer muitas coisas, meu amigo, incluindo missões.” Fala Jason. “Mas creio que significa algo extremamente importante e obviamente perigoso.”
“Quem além de nós sabe da sua maldição?”
“Além de vocês dois, os outros 4 centuriões da minha coorte, minha melhor amiga Narla e dois membros do Senado.” Respondo a pretora.
Eles me olham com cara de preocupados.
“Desculpe não termos te avisado antes, mas tivemos que contar para Octavian.”
“Fiz ele recitar o juramento do legionário para não abrir a boca sobre isso. Você sabe punição para quem quebra esse juramento, exílio.” Diz Reyna num tom extremamente sério.
“Tiveram que falar para ele porque ele é o augúrio, não é mesmo? Aquele egoísta só pensa em si mesmo, ele obteria alguma vantagem sobre vocês para derrubar vocês da posição de pretores. A única coisa que ele busca é poder.”
“Nós sentimos muito, sei como esse assunto é delicado e importante para você.”
“Preciso que os meus companheiros confiem em mim no caso de alguma batalha. Tenho que pensar melhor sobre isso.” Digo aos dois.
“Espere Edgar, antes de ir você ir, acho que vai querer ouvir o que temos a dizer.” Disse Reyna.
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