Avatar, a Lenda de Kyoshi Livro 1 – Astúcia
1 Capítulo 1
A avatar Kyoshi cresceu na mesma vila onde nasceu, e ali encontrou e nutriu suas primeiras amizades. Ser amigo do avatar, no entanto, nunca fora tarefa fácil, e era comum que de uma forma ou de outra nossa heroína se visse traída. No início, a força que sua presença impunha era o suficiente para inibir determinados atos e comentários, mas conforme as pessoas iam lhe conhecendo, viam que apesar de conter em si a dobra de todos os elementos, no fundo, no fundo, era uma pessoa comum e normal. Isso dava espaço para a astúcia de pessoas que se aproximavam e agora tentavam se aproveitar dessa relação de alguma forma.
Aos dez anos ocorrera seu primeiro rompimento, quando descobrira que seu melhor amigo, então filho de um comerciante local, e amigo de seus pais, desejava não mais falar-lhe, pois, segundo terceiros, ela dizia coisas horríveis sobre ele. Kyoshi, obviamente, não pôde acreditar e irada diante de tamanha injustiça, resolveu ela destruir qualquer laço que os unia. Em seguida, viera a prova que lhe sagrava como o novo avatar, e seu período de treinamento inicial em Ba Sing Se, com mestres da dobra de Terra e do Ar. Seu treinamento fora duro, mas muito proveitoso. Quando regressou, além de todas as aptidões físicas que desenvolvera, angariara uma determinação ferrenha, que aliado ao seu intelecto e força, tornaram-na uma pessoa bastante relevante.No período em que regressara, Kyoshi se mostrava bastante sozinha. Normalmente fazia suas coisas de forma solitária, ou então, na companhia dos muito mais velhos. É verdade que mesmo entre eles, já nesse período, era bastante respeitada. Lembro-me de certa vez calar um ancião com apenas um olhar ao censurar-lhe em público por ser uma avatar mulher. Não obstante, sua casa pegara fogo misteriosamente, naquela noite. É digno de nota que, pelo menos oficialmente, essa ainda não era uma dominadora de fogo. Mas, sabemos bem o que o vento pode fazer quando incidido sob a chama certa, não é?Nesse meio tempo, entre os preparativos para sua segunda viagem, dessa vez em direção a uma das vilas do fogo, para então aprender sua dobra, conheceu a primeira de uma de suas, mais tarde, melhores amigas. Giko, uma moça de cabelos longos, que sempre chamava muita atenção onde passava; sincera e séria, logo caiu nas graças da nova avatar, que em pouco tempo, lhe contava todos os seus mais recônditos segredos. Giko era filha de um dos mais proeminentes comerciantes da região, e inclusive, seu pai fazia negócios de forma direta com a coroa. Havia pretensão de um dia comprar um titulo menor de algum aristocrata falido, como por exemplo, um visconde. Mas isso era para sempre deixado para outra hora.Giko também se mostrava abertamente como a melhor amiga da avatar, embora, diferente do que havia acontecido aos demais, parecia não se gabar disso. Não era uma moça ingênua, é verdade, mas não parecia exatamente maliciosa. Antes, se assemelhava a uma pessoa de extrema retidão. A despeito disso, parecia nutrir forte interesse pelas festas organizadas pelos jovens, o que de toda a forma repelia a personalidade de Kyoshi. Mas, quem disse que para serem amigos as pessoas devem nutrir exatamente as mesmas afinidades?Durante todo o seu período de treinamento na vila do fogo, ambas as amigas trocaram cartas que eram enviadas por um sistema simples com bases nas aves-cão, que eram fieis ao seu intento de sempre chegarem ao destino final; normalmente algum centro de distribuição, onde um individuo qualquer, contratado pela coroa, apanhava as encomendas e cartas e tratava de deixar-lhes nas portas de seus correspondentes. Fora assim durante os seis meses em que a avatar treinou a dobra de fogo. A dominação ao qual menos precisara de treinamento, pois parecia ser lhe algo bastante natural. Segundo seu mestre, monge Raiko, da Antiga Sociedade de Sang, o fogo era seu elemento natural, pois estava alinhado a estrela patrona de seu nascimento, e ao seu temperamento que mais do que explosivo, sabia a hora certa de queimar. Nada jamais fora tão assertivo.Ao regressar para a vila, seis meses depois, Giko parecia ser exatamente a mesma pessoa a quem somos inspirados a depositar nossa confiança. Não demorou muito, e logo Kyoshi conheceu um amigo de sua amiga, Suya. Pertencente a camada mais pobre da região, era alguém que detinha até um certo grau de conhecimento surpreendente para sua pouca chance de instrução. Segundo Giko, foram criados praticamente juntos, uma vez que moravam no mesmo bairro e tinham a mesma idade. Suya, no entanto, parecia uma pessoa menos confiável. De compleição delgada, sorria com um exagero que irritava, e seus dedos longos e magros eram sempre frios ao tocar, com recorrente assiduidade, a pele do avatar. No entanto, além desses pontos desagradáveis, parecia não representar grande perigo, sempre se mostrando bastante inofensivo. Algumas semanas após conhecer Suya, que fora forçado a entrar em seu campo de amizades por Giko, Kyoshi conheceu Sogma, filha da manicure real, que parecia soberba ao dizer isso em boca cheia a todos a quem estivessem ao alcance de sua voz. Um tanto histérica e bastante dramática, inicialmente Kyoshi a considerou um ser desprezível por quem jamais teria qualquer sentimento de amizade. Giko era da mesma opinião, mas Suya não, que com sua eterna mania de se desenhar como um ser humano exemplar (e muito risonho) decidiu pelas outras duas a darem uma chance a esta. Ambas, forçadas a isto, se viram logo travando um insípido dialogo com a filha da manicure. Essa amizade, porém, fora a que mais naturalmente evoluiu, respeitando o tempo necessário. Um prazo que durou quatro longos meses.
Embora não fosse exatamente recíproco, Sogma era a pessoa mais próxima do avatar. Sempre que podia, lhe comprava inúmeros presentes, sempre se dizendo a melhor das amigas. Kyoshi se mostrava bastante contente quando isso ocorria, pois apesar de se sentir mais próxima de Giko, gostava da forma como essa lhe tratava. Em pouco tempo, esse grupo ficara conhecido como o time avatar. Todos passaram a encarar os outros três com bastante inveja, afinal, não era algo comum ser amigo intimo do avatar. Já nesse período, ocorreu a primeira das batalhas infindáveis entre os moradores de regiões fronteiras e determinadas tropas da nação do fogo, que dizia ser por direito seus determinados pedaços de terra que faziam parte da nação ao qual Kyoshi pertencia.Primeiramente o Rei da Terra Kosa, agora já um senhor de meia-idade, tentara resolver isso de forma diplomática, indo pessoalmente visitar o governador da tribo do fogo Senzin, ex-general das forças armadas da Nação do Fogo, mas que fora afastado de sua ocupação inicial por ter pedido uma das pernas em batalha com revoltosos remanescentes da Rebelião dos Sete. Uma rebelião que ocorrera em determinado presídio da nação do fogo originada por sete detentos não-dobradores que culminou numa revolta civil como em muito tempo não se via, incluindo a lista de assassinatos, a princesa do fogo Kami, filha de Imperador da Nação do Fogo, Lessou. Como resposta a diplomacia de Kosa, Senzin o capturou e fez dele seu refém. Uma prova incontestável de que perdera não somente a perna, mas também a razão.Como nem mesmo diante dos apelos de Lessou o ex-general e agora governador pareceu se quer ponderar seus atos, o avatar fora chamado para intervir. Kyoshi tinha total ciência de que era sua primeira ação oficial como avatar, e mais do que isso, que ainda não era uma dobradora de água, o que fazia enfrentar um ex-general da nação do fogo algo a ser operado com cautela. Ela e seus amigos, portanto, caminharam em direção a vila onde Kosa era feito refém. A histeria coletiva era perceptível de longe, quando o avatar e seus amigos chegaram em cima da Toupeira-Texugo Kika e se depararam com inúmeros corpos, amarrados pelos calcanhares, balançando ao vento, secos, a receber-lhes nos portões. Kyoshi era naturalmente alguém silenciosa quando em ação, e mesmo dessa vez não fora diferente. Sabia que dialogar com um maluco só faria com que perdesse tempo, por isso, criando uma rampa com a dobra de terra, pularam, os quatro, para dentro das muralhas, em quatro pontos diferentes. Suya não era um dobrador, mas fazia coisas horríveis com facas e qualquer coisa que fosse afiada. Seus golpes, talvez pelos seus anormalmente longos dedos, fossem certeiros e de tal forma surpreendentes, que furava ondas de dobra de fogo, as vezes ar, e inclusive terra. Sua força era sobrenatural. Suya era, no máximo, uma dobradora mediana, mas sabia interpretar como ninguém. Se fazendo passar por uma jovem perdida em meio a batalha, rendia os inmigos a traição. Giko, como sua posição e pericia lhe permitiam, era excelente dobradora; diziam que em sua família, existia, inclusive, dobradores de combustão, o que a época, era algo raro e bastante relevante.Kyoshi, no entanto, era a mais amadurecida dobradora, e insuflando tamanha ventania, expulsou de seu caminho todo o fogo e os soldados de Sezin, que quando seus corpos tocavam as paredes feitas de terracota, tratava de soterrá-los com sua dominação de terra, para que morressem sufocados. Não demorou, e com essa técnica, logo chegou aos salões do governador, que já havia cortado o pescoço de Kosa precavidamente diante do ataque eminente do avatar. Kyoshi não era boba, sabia o que isso significava; significava que diriam que se tratava de uma péssima avatar, mas o que poderia fazer? Azar o deles, que nasceram justo no período em que ela era a avatar. Faria as coisas do seu jeito sim, e não, não permitiria que lhe imputasse a responsabilidade pelas ações de um louco remanescente de rebeliões.Com uma pisada, conjurou uma haste de pedra que saiu do chão para trespassar diretamente o peito de Senzin, que morreu instantaneamente. Para os que ainda lutavam, subiu as ameias do forte e de lá lançou o corpo sem vida de Senzin ao chão, que com um baque que pareceu extremamente alto, calou qualquer tentativa de resistência por parte dos soldados restantes. Foi ali que todos, inclusive seus três amigos, entenderam que Kyoshi, em verdade, no mínimo, era um avatar como jamais se havia visto até então.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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