Mira me olhou com os olhos vermelhos. Eu realmente não sabia o que podia ser feito. Eu só sabia que a UCG era uma organização terrorista contra o governo.

— Eu tenho que ir atrás deles. Eu vou vasculhar essa cidade mas vou encontra-los e eles irão pagar amargamente. – Mira disse um pouco duro demais.

A melhor alternativa seria falar com a polícia, acho que eles teriam informações sobre a UCG, ou pelo menos suspeitas.

— Por que não vamos até a polícia, eles devem ter algum tipo de informação.—Disse com jeito.

— Polícia? A polícia considera o meu pai um traidor também, você acha que eles se importariam?

Ela tem razão. Se o pai dela é considerado um traidor eles não farão nada.

— Mas o que podemos fazer? Como podemos encontrá-lo então?

— Eu já fui até a sede da UCG uma vez, eu estava vendada. Mas eu me lembro dos rostos de algumas pessoas, e se a encontrarmos?

— Acho que é o único jeito.

Minha cabeça ainda estava meio longe flashs de quando eu morava desse lado da cidade me perseguiam. Mas ver a aflição dela me fez acordar.

Mira olhava para a madrasta com certo desprezo.

— Você pode me dizer o que realmente aconteceu? – Ela falou na direção da mulher ferida.

— Nós estávamos bem em casa, não nesse barraco, mas na nossa casa.

Enquanto a mulher falava Mira apertava o maxilar. Ela estava a ponto de explodir.

— Seu pai chegou muito aflito. E me mandou arrumar as crianças por que iríamos voltar para cá. Nós discutimos muito antes de vir, mas ele estava muito nervoso. No fim ele me convenceu a voltar. Mas quando chegamos aqui eles estavam nos esperando. A porta estava aberta. Assim que seu pai entrou, homens mascarados o pegaram. Ele lutou, mas eles ameaçaram os gêmeos, eu tentei evitar, mas eles me bateram e me esfaquearam. Seu pai não teve escolha e aceitou ir com eles, mas eles não desistiram de também pegar os gêmeos, para que seu pai não tentasse nada. Por fim eles atearam fogo nessa casa. Eu não sabia o que fazer, tentei apagar o fogo e me escondi. – A mulher disse entre soluços.

— Como você sabia que eles eram da UCG? – Mira perguntou. Seu olhar estava estático ela não parecia tão afetada pelas palavras da mulher.

— Seu pai me disse. Ele falou que se o plano não desse certo a UCG viria atrás dele.

— Você sabia o que ele ia fazer? O que a UCG queria que ele fizesse? – Mira a confrontou

— Não, mas ele me disse que isso iria mudar esse país.

— Mudar o país? Você acredita mesmo nisso? Ele iria se explodir no festival, um ataque terrorista que iria matar centenas de inocentes!

— EU não sabia.

— Você nunca sabe de nada. Você se esconde nesse disfarce de boa esposa mas é um megera fraca e imprestável.

Mira estava sendo dura, a mulher que já estava aflita ficou aos prantos.

— Você não acha que está sendo dura demais? – Eu falei tentando acalmar os ânimos dela.

— Dura? Você acha que eu estou sendo dura com ela? Eu estou me retraindo por que seu eu fizesse o que eu estava pensando, eu ser dura seria o menor dos problemas para ela.

—Mira, respire fundo, você está deixando a raiva te consumir. Pense no seu pai, nos seus irmãos e vamos logo atrás deles. Você está perdendo tempo humilhando essa mulher.

Ela me ouviu e respirou profundamente.

— Vamos logo.

— Não seria bom leva-la até um médico? Ela está ferida. – Suni disse finalmente.

— Não, deixe que ela se vire. – Mira disse com rancor.

Apesar de tudo isso me pegou de surpresa, não sei que tipo de relacionamento elas possuíam, será que Mira seria capaz de deixa-la acuada e ferida nesse lugar?

— Você como a Avatar deveria pensar mais nas pessoas.

OS olhos da mulher se arregalaram. Ela ainda não havia contado isso para a família.

— Talvez eu seja um tipo diferente de Avatar.

E talvez ela seja mesmo.

Acabamos deixando a mulher que eu descobri que se chama Wana sozinha naquela casa, mas também deixei a promessa de que eu iria enviar alguém para cuidar dela.

Suni havia sugerido para irmos até a casa dela. Seu pai sendo parte do conselho tinha acesso a alguns dados como os registros de todos os cidadãos de Republic City.

Mira estava emburrada com motivos. Mas eu sugeri que ela escondesse o rosto para não ser reconhecida. Ela pegou um pano cinza e grosseiro que estava na casa e enrolou no rosto.

Ela tossiu algumas vezes.

— Isso está com cheiro de fumaça. – Ela disse sugerindo tirar o pano.

— Você não quer aqueles jornalistas fazendo perguntas novamente não é?

— Você tem razão.

Não haviam ônibus a vista, não havia qualquer pessoa a vista fora da casa. Fomos ate a avenida principal e ela continuava deserta.

— Como faremos para sair daqui? O caminho é longo e não temos tempo. – Eu perguntei.

Mira olhava ao redor.

— Alguém aqui sabe dirigir?

Suni levantou a mão prontamente.

— Eu já dirigi antes.

— Destruiu o carro você quer dizer. – Eu disse vacilante.

— Melhor do que nada. – Mira disse se aproximando de um carro aparentemente abandonado. Eu imagino que ele era inicialmente azul, mas a fuligem o cobria totalmente.

Ela abriu o capô do carro e começou a mexer no motor.

— Vai ter que servir.

— Mas ele não tem dono?

— Se tem, isso não me interessa agora.

— Como quiser. – Falou Suni.

Suni tentou abrir a porta do carro, parecia que ela estava travada. Eu a vi se concentrando e vi o que ela tentou esconder, ela havia feito de novo. Ela havia dobrado o metal. Pelo jeito Mira não percebeu. E isso me deixava cada vez mais preocupado. A quanto tempo ela esconde isso?

— Vou liga-lo. Mira mexeu em alguns fios e o carro começou a tremer e um cheiro mais forte de queimado se misturou aos cheiros do ambiente.

— Pronto. — Ela bateu o capô do carro com força.

Ela se sentou no banco da frente com Suni e eu não tive escolha a não ser sentar atrás.

— Espero sinceramente que você saiba o que está fazendo.

— Não se preocupe Meelozinho. Eu sempre sei o que eu estou fazendo – Ela disse e acelerou. Foi tão rápido que eu não pude nem me segurar no lugar.

O pneu cantou no chão deixando uma marca para trás.

O barulho do carro chamou a atenção de algumas pessoas que finalmente saíram dos seus esconderijos, alguns correram atrás de nós, mas eles não eram páreo para o carro que estava ganhando cada vez mais velocidade.

Os prédios cinza começaram a passar como um borrão. E o meu estômago começou a embrulhar.

— Mais devagar! – Eu disse quase sussurrando. – O enjoo estava ficando cada vez mais forte.

Na primeira curva eu quase vomitei. Fechei os olhos e desejei que esse passeio acaba-se logo.

Paramos abruptamente e eu quase atingi o para-brisa.

— O que foi agora? – Perguntei.

— Meelo, você sempre foi verde assim?

A ignorei.

E olhei para fora. Nós já estávamos em frente à casa dela.

— Finalmente. Eu disse já tentando sair do carro.

Mira também saiu.

Olhei para o carro, eu não havia percebido haviam cones de transito enroscados nas calotas.

— Melhor do que o planejado — Suni disse com orgulho ao ver essa façanha.

Meu estomago não dizia o mesmo.

— Podemos ir logo. – Mira perguntou. Sua cara estava fechada. E seus olhos ainda marejados.

— Claro.

A casa da Suni era um feito arquitetônico inigualável. Quase como um castelo de pedra branca. Ele possuía duas torres bem altas e a estrutura principal era muito grande.

Mira não parecia admirada, mas cada vez que eu venho aqui fico deslumbrado.

Suni fez ao portão o que sempre fazia. O derrubou com uma pisada no chão. Eu imagino que seu pai já esteja cansado de sempre mandar recolocar o portão.

O jardim era um pouco desigual, para cada árvore no lugar, havia uma derrubada. Suni treina aqui.

Ela nos levou até a porta principal. E invés de bater ou abrir a porta ela abriu um buraco na parede próxima.

A família dela era rica de verdade. Não só por ser descendentes do Sokka uns dos fundadores da cidade junto com o meu Bisavô. Mas sim pelas propriedades, fábricas e influencias que eles possuíam.

— Vamos até a torre um, meu pai guarda lá os arquivos e o computador principal.

A família tinha muitos empregados, mas por algum motivo não tinha nenhum a vista.

A entrada da torre um era fechada por uma enorme porta de carvalho negro. Era imponente.

Suni forçou várias vezes.

— Ela está trancada. Mas ele nunca tranca.

Suni bateu algumas vezes na porta. E se concentrou. O chão tremeu sutilmente.

— Ele a lacrou. Existe uma grande quantidade de ferro nas paredes e atrás da porta.

— Ferro? — Mira disse ao cair de joelhos.

Suni tentou alguma coisa com o chão.

— E como uma grande caixa de ferro que impede nossa entrada. Ela já existia, mas nunca ficava trancada.

Tem o motivo para ela estar lacrada. Estamos em estado de Guerra e nessa torre tem dados de todos os cidadãos registrados de Republic City. Nosso erro foi não termos previsto isso.

— Não existe outra alternativa?

Mira perguntou quase suplicando a Suni.

— Não... – Ela disse com dificuldade.

— Como eu vou encontrá-los. Se alguma coisa acontecer a eles minha vida não vai ter sentido. Eu falhei em ser uma boa filha, eu falhei em ser a Avatar.

Alguma coisa mudou no olhar de Suni. Ela vai fazer. Ela vai dobrar o ferro e abrir uma entrada para nós.

— Para trás. – Ela pediu.

Nos afastamos.

As paredes começaram a tremer. E vigas de ferro começaram a se desvincular da parede.

— Prometam que não vão contar isso para ninguém.

Mira finalmente estava impressionada. Seus olhar cabisbaixo apresentou um brilho de admiração. Mas como não ficar. Toda essa situação. Era impressionante.

— Prometemos. — Eu e Mira falamos juntos.

O Buraco na parede era perfeito. As vigas foram moldadas delicadamente.

Quando íamos passar um grito nos chamou a atenção.

Olhamos para trás. Suki irmã gêmea de Suni olhava para aquilo espantada.

— Você é uma dobradora de metal!

— Sim. Mas vamos discutir isso depois. Temos coisas mais importantes para fazer. — Suni disse com pesar.

Eu me aproximei de Suni e peguei a mão dela.

— Você não vai passar por isso sozinha.

Senti meu rosto corar, mas isso não importava. Ser dobrador de metal não é visto com bons olhos e todos eles devem ir para o território remanescente do Clã do Metal e fazer parte do esquadrão mais forte do exercito. O que resta do dobradores de terra se recusa a aprender essa subdobra. Ser treinado apenas para a guerra não é o desejo de muitos. E quem não se alista pode ser considerado um traidor.

Notas finais
Escrevi esse capitulo com muito sono. Se tiver algum erro muito drástico vocês podem me avisar ou se tiver algum ponto que ficou confuso.