Avatar: A Lenda de Zara - Livro 1: Água
17 Cap 16: Espíritos no Templo
A menina decidiu deixar a pergunta no ar.
– Monge, conhece a história desse templo? – Perguntou Airon.
– Sim, conheço. – Respondeu sorrindo calmamente, sem se importar com a pergunta que fora ignorada.
– Tem algum espirito guardião deste templo? – Perguntou Zara. O monge olhou para a menina com um olhar significativo.
– Os únicos templos do ar que têm guardiões conhecidos sãos os templos onde nasceram os Avatares anteriores. – Explicou o monge. – Yangchen e Aang são os únicos que lembramos, mas houve centenas de outros avatares. Talvez tenha até mais de um aqui. – Disse.
– Uma mulher? – Perguntou a menina esperançosa. Talvez a voz fosse de alguma Avatar anterior.
– Creio que não, este templo era habitado apenas por dobradores de ar do sexo masculino. – Explicou. — Quanto aos espíritos guardiões em si, os monges que viviam aqui diziam que havia Seth, o espírito do Bizão.
Zara voltou um olhar mais interessado para o monge, incentivando-o a continuar. O ancião voltou a caminhar, sendo acompanhado pelos dois jovens.
– O Espírito do Bizão é o espírito do outono, a estação onde os dobradores de ar são mais fortes. – Explicou o monge. – Estamos durante o verão, você deve saber disso mesmo sem contar os meses. – Disse apontando para Airon.
– Sim... Durante o verão a dobra de fogo fica mais forte. – Disse o garoto vendo o monge assentir.
– Em dois dias estaremos no outono, Seth deve voltar para cá logo. – Disse o monge. O ancião percebeu que Zara e Airon não viam a importância de Seth. – Os dobradores de ar, há muito tempo, não dobravam mais do que soprar. Eram fascinados pela maneira dos Bizões manipulavam o vento para conseguirem voar. Nós, nômades do ar, aprendemos muito com os bizões voadores. Aprendemos a dobra de ar.
Zara começava a assimilar. Yue a enviara para o templo onde o espírito que ensinou a dobra de ar estava durante o outono.
Mal terminou de falar, o monge estancou diante de uma porta enorme com um buraco e um tipo estranho e gigante de cadeado. Olhou para a menina sorridente e com um movimento rápido e limpo, um jato de ar entrou pelo buraco, abrindo o cadeado e assim abrindo a porta. Zara abriu um sorriso encantado. Em apenas um dia pôde ver dobra de ar, fogo e terra.
Entraram dentro do grande salão redondo. Estava escuro, mas o monge pegou uma das tochas do corredor e acendeu um tipo de canteiro dentro da sala. O canteiro acendeu inteiramente, era um canteiro que dava a volta no salão inteiro.
No centro do salão havia desenhos de pegadas e círculos pequenos. Era uma série de visões que Zara não entendia. Um salão com apenas uma porta, iluminação fraca, desenhos no chão... Era o que Zara pensava até olhar para cima. A torre se erguia com centenas de pequenas portas, alguns pódios com estátuas. No topo, um vitral translúcido, com desenhos abstratos, mas que refletia o símbolo do ar na parede da torre.
Zara e Airon olhavam admirados para tudo ao seu redor.
– Este é o Katá fundamental do ar. – Explicou apontando para os desenhos no chão. – Precisa ser feito com um planador. Infelizmente, na invasão as barras foram levadas, não posso demonstrar. Mas alguns monges talvez tragam mais para cá. É sempre complicado porque nossas barras são feitas pela Lótus Branca. – Em tudo o que o monge falou, Zara encontrava mais e mais perguntas.
Passaram boa parte da noite ouvindo os ensinamentos de Kiriku. O Katá fundamental do ar era a série de movimentos que todo dobrador de ar deveria saber. Barras eram de uma enorme estrutura que s dobradores de ar usavam para treino nos templos e a Lótus Branca era um grupo de dobradores experientes que não obedecem nenhuma nação.
Zara aprendeu muito sobre os Nômades do ar, ficou realmente fascinada com a história do monge, assim como Airon também ficou. Por fim, já devia ser muito tarde da noite quando o monge se retirou do grande salão, deixando Airon e Zara lá dentro, apreciando a incrível construção dos Nômades do Ar.
Zara estava sentada na borda dos desenhos que havia no chão, e Airon apenas encostado no canteiro de fogo, com os braços cruzados, a mão no queixo e a cabeça baixa, pensando em todos os acontecimentos recentes.
Posso fugir. Pensava. Mas Zara é o Avatar, ela pode me matar depois. Muito embora eu saiba que ela nunca me mataria. Mas... Eu não quero traí-la só quero voltar para casa. Soltou um suspiro com tal pensamento. Eu não posso me prender a esses dois pivetes só porque ela me contou um segredo. Desde o inicio eu planejei fugir. Eu sempre fujo.
Eu sempre fujo... E foi com este pensamento que decidiu ficar.
– Airon. – Falou Zara num sussurro. Ela estava de costas para o rapaz, e olhava com atenção para o Katá. O rapaz se assustou, como se um dos dons do avatar fosse ler mentes.
Na verdade o garoto achava extremamente injusto uma única pessoa poder dobrar os quatro elementos.
Ele não respondeu, mas ela sabia que tinha chamado a atenção do rapaz.
– Pode me mostrar um pouco de dobra de fogo? – Pediu por fim. O rapaz arregalou os olhos.
– Agora? – Perguntou.
– Sim... Tem fogo o suficiente? – Disse a menina.
– Tem sim, mas pretende aprender aqui? – Perguntou Airon um tanto hesitante.
– Eu só quero te ver dobrar fogo. – Falou simplesmente. Mas o rapaz entendera do jeito errado.
A verdade é que uma menina tão simples, tão comum, dotada de tanto poder... Chegava a ser atrativo para o rapaz. Em seus treze anos, já pensava em relações mais avançadas com alguém, e o modo m o qual Zara se expressava, lhe dava a entender que...
– Airon? – Chamou interrompendo o raciocínio do garoto. Ele se repreendeu mentalmente por pensar naquelas coisas, e desencostou-se. – Por quê disse que eu era a sua namorada? – Perguntou sendo bem direta. Airon assustado e agradecido pela menina estar de costas, pigarreou um pouco.
– Ah, aquilo... – Resmungou. – Não foi nada, era apenas para pararem de subestimar você. – Respondeu sem hesitar. Era verdade que estava apenas atuando, no momento não havia pensado em nada mais.
– Agora todo o templo acha que somos namorados. – Disse a menina fazendo-o sentir-se culpado.
– Desculpe. – Pediu com sinceridade.
A menina se levantou e virou-se para ele. Por algum motivo, ela acreditava fielmente nele.
– Eu quero tentar uma coisa. Mas pode ser perigoso. – Disse sem olhá-lo nos olhos.
O salão estava escuro demais, principalmente o local onde Zara estava, onde a luz do fogo não alcançava.
– O quê? – Perguntou o menino.
– Eu quero tentar dobrar um tipo diferente de água... – Sussurrou. – Sei que é muito perigoso e traiçoeiro, mas talvez me seja útil. – Tentava se justificar antes de dizer o que realmente queria testar.
– O quê?! – Perguntou um pouco exaltado o menino.
– Dobra de sangue. – Sussurrou como se fosse o pior pecado que imaginava, o pior tipo de crime que pudesse cometer. O menino gelou no exato momento em que ouviu a última palavra.
Fale com o autor