Notas iniciais
Saofu ♥


Livro 1 — Fogo

O jovem menino gostava daquele pedaço do continente em especial, pela mescla e nuances de cores nas montanhas altas, pelo vento frio que vinha do norte e pelo tom azulado que os picos mais elevados e cobertos de neve, tinham. O mestre sempre dizia, que para lá do norte, depois do grande mar, encontrava-se a Tribo da Água do Norte, poderosa e soberana, vivendo incrustada no gelo e no frio. Lógico que toda essa informação causava curiosidade no jovem menino, que daria tudo para subir no cume das montanhas e dar uma breve espiada no reino congelado além dos mares. E olhando para o horizonte, tendo o céu e as montanhas e diversos tons de azul, foi que o jovem dominador de terra se perdeu nos próprios pensamentos. Acordou apenas, quando chamado pelo seu mestre.

─ Yan! Fique perto! Só estamos dando um tempo no treinamento, não viemos para lazer. ─ dizia Saofu, o mestre de dominação de terra. ─ Aliás, precisamos de cautela. Essas terras aqui são perigosas. E prometi para sua mãe que levaria o pedregulho dela inteiro.

Yan olhou para o mestre e assentiu. Porém, tornou a olhar para o horizonte, os mais altos cumes e suspirou.

─ Pensa rápido, sifu Saofu! ─ berrou Yan de repente.

Rapidamente o jovem menino deu um chute no ar e do chão desprendeu-se uma pedra, que voou potente contra o mestre. Saofu a agarrou, antes de ela acertá-lhe o rosto. Ele riu, quando lançou a mesma pedra, utilizando de sua dobra, contra seu aluno, que chutou o ar da mesma maneira, reduzindo a pedra a cinzas. O barulho da rocha sendo destruída era revigorante aos ouvidos de Yan.

─ Ansioso? ─ perguntou Saofu. ─ Falta pouco e logo você será mestre em dobra de terra!

Yan roçou os pés descalços na grama baixa daquela área. Sentiu um frio na barriga, imaginando não estar pronto. Não era tão poderoso quanto os antigos mestres de dobra de terra, não se sentia tão poderoso quanto Toph um dia fora. Até mesmo em seus últimos dias, a Bandida Cega, como ficou reconhecida até o fim da vida, deu um show de dominação ao lado da Avatar Korra. E Yan não conseguia fazer metade do que sua ídolo fazia. Lembrou-se com angústia do poster que tinha da Avatar Kyoshi no teto de seu quarto e imaginou a grandiosidade da antiga Avatar. Estremeceu com o vento frio, mas na realidade, sentia medo.

─ Não sofra por antecipação, Yan! ─ Saofu deu alguns tapas brutos em seu aluno. ─ Eu não temeria algum resultado ruim... ─ falou calmamente o mestre.

─ E o que te dá certeza? ─ o jovem olhou os olhos escuros do mestre, aflito.

─ Sabe... Você tem algo, que muitos dominadores de terra não tem...

Houve silêncio.

─ EU COMO MESTRE! ─ Saofu empurrou Yan para frente e riu gostosamente, emitindo ruídos com o nariz que perduraram alguns bons instantes.

Saofu com toda sua irreverência, fora escolhido a dedo para treinar Yan, pela mãe do garoto, antes mesmo dele querer pensar em dobras. Saofu era alto e careca, alguns brincos de ouro pendurados nas orelhas. Olhos escuros, o corpo grande e musculoso. Sempre que treinava o aluno, Sao ficava sem vestes na parte de cima do corpo, dizendo que aquilo lhe rendia liberdade para se mover e deixar a dobra melhor. Tinha tornozeleiras verdes e douradas, que rendiam algum peso nas pernas, afim de treiná-las, enquanto dominava a terra. O riso morreu e Yan sorriu.

─ Obrigado, sifu!

─ Não me agradeça ainda, Yan! Vamos. Posição do cavalo. ─ ordenou Saofu.

Saofu jogou-se de costas contra a terra e afundou como se ela fosse água. Yan ficou de olhos abertos, atento a qualquer movimentação. Não havia nenhum sinal de seu mestre que os olhos pudessem captar. Então fechou os olhos e permitiu-se sentir as vibrações da terra. Agora estava claro! O mestre estava movendo-se debaixo da terra, com fluidez e pronto para emergir. E quando o fez, atacou Yan. E o jovem dobrador de terra defendeu-se, criando uma barreira de pedras, que cresceu na sua frente. Quando os ataques cessaram e o mestre tornou a afundar, Yan moveu os braços para baixo com força e a parede retrocedeu.

Concentrou-se. Despiu-se das vestes que cobriam o corpo na parte de cima e permitiu que o vento frio das montanhas tocasse sua pele nua. Yan tinha uma marca de nasceça na altura do peito, mais escura. Era magro, mas a dobra de terra o fazia mais forte. Os olhos verdes estavam na procura de seu mestre.

Quando Saofu tornou a emergir, ele moveu a perna e lançou outra pedra contra seu aluno. E o aluno tornou a se defender com uma parede de rocha, erguendo ambos os braços em posição de proteção, posição a qual a terra o obedeceu com facilidade. Yan pisou no chão, fazendo desprender outras pedras e moveu os braços, que também causou o desprendimento de rochas. Na sua frente, flutuavam quatro rochas e ele as chutou contra seu mestre, numa sequência rápida e bem treinada. O mestre desviou de uma a uma, com elegância e destreza, enquanto Yan corria.

Saofu ergueu o punho de baixo para cima e um pedregulho cresceu, acertando Yan na face, lançando-o para trás.

─ Foco Yan!

O aluno tornou a se levantar, quando Saofu estava preparando um novo ataque. De olhos fechados, o jovem dobrador de terra permitiu-se sentir as vibrações da terra, como se ele e ela fossem apenas um ser. Sao pisou firme no chão e isso causou uma vibração mais poderosa, que percorreu a distância entre os dois e subiu até o topo da cabeça do aluno. Yan abriu as pernas, moveu terra ao seu redor e fez com que o mestre também abrisse as pernas, movendo a terra embaixo dos pés dele.

Correu para frente e saltou, fincando os pés na terra. O jovem dobrador de terra ergueu os punhos e o mestre conseguiu reconhecer isso, e sentiu a dor antes mesmo da terra se erguer entre suas pernas. Sao fechou os olhos e não sentiu nada. Olhou para baixo, deparando-se com as pernas abertas e um pedaço de rocha a centímetros de lhe acertar no meio, onde mais doía. O suor escorreu pelos cantos do rosto.

─ Você precisa ser cuidadoso com que é mais precioso ao seu mestre, Yan! ─ brincou Sao, saindo de perto da rocha mutiladora de sexo.

Yan riu.