Capítulo 05: O Bilhete

No meio da madrugada acordei com o som de passos no corredor, preocupado abro a porta, não vejo ninguém, quando fecho-a há um bilhete no chão, abaixo-me e o pego, olho novamente para o corredor e nenhum sinal de alguém, fecho a porta e ligo a luz de um pequeno abajur na cômoda da cama, assim ninguém saberia que estou acordado, abro o bilhete e começo a ler:

“Cuidado com o Senhor do Fogo, as frases mentirosas corrompem até o coração dos mais puros guerreiros”.

Quando dou por mim mesmo já são 7 horas da manhã, passei 3 horas pensando neste bilhete e não consegui dormir, resolvo escondê-lo dentro da bolsa, não posso correr o risco de alguém encontrar sem saber o que significa.

Apresso-me para tomar o café da manhã, fui para a cidade, preciso achar um professor que me ensine a dobra de fogo e também imaginei que se alguém quer me falar algo do Senhor do Fogo não conseguiria no palácio.

Enquanto caminho entre as vielas e o comércio noto dois homens encapuzados me seguindo, é quando resolvo sumir do mapa, corro rapidamente para dentro de um beco e levanto uma parede, continuo correndo e saio em outra rua entrando numa loja de chá, sento-me, logo vem uma garçonete de cabelos pretos, longos e cacheados, olhos tipicamente amarelos, idade entre 18 e 22 anos, algo nela me chama a atenção.

– Bom dia senhor, o que vai querer? – Ela me pergunta.

– Bom dia, vou querer um chá de jasmim, por favor.

– Trago-o em um minuto, fique à vontade.

Fico acompanhando-a com os olhos, até que ela entra na cozinha, alguns minutos e depois ela volta com o chá ainda na sua mão, quando ela chega perto da minha mesa os dois homens encapuzados entram. Noto que começam a cochichar.

– Aqui está seu chá senhor – diz a garçonete chegando próxima a mim.

– Obrigado, mas acho que não vai dar tempo de tomá-lo – quando termino a frase, pulo da cadeira de sobressalto e lanço uma pedra contra os dois homens encapuzados, um é acertado em cheio e cai, enquanto o outro já revida lançando chama, antes de ser atingido jogo-me debaixo da mesa, todos correm para fora da casa de chá, menos a garçonete que fica parada atrás de mim e diz.

– O que você fez?

– Nada – respondo, então dou um sorriso e complemento — ainda — levanto-me derrubando a parede em cima do homem que tentava se levantar depois de ter sido atingido no golpe anterior, nisso esqueci do outro, que lança outro ataque em minha direção, concentrando no cara caído não conseguiria me defender, foi quando a garçonete pula na minha frente e cria uma barreira de fogo, quando o golpe atinge a barreira a força nos joga para fora da janela e o homem que atacou cai por cima do balcão, a casa de chá começa a desmoronar, fico meio zonzo, mas a garçonete caiu em cima de mim, ela está bem e me segura pelo ombro, cambaleamos até uma casa no fim da rua.

Quando chegamos na sua casa ela me coloca numa pequena cama e corre para a cozinha, quando volta está com alguns panos, curativos e um pouco de água, então me dou conta que me cortei quando voamos pela janela

– Obrigado, e a propósito, qual é o seu nome? – Pergunto curioso.

– Yumi, e o seu? – Ela responde enquanto tira alguns estilhaços de vidro do meu braço.

– Suan.

– Então você é o Avatar? Estão noticiando em todas as rádios, Suan é o nome do Avatar, ele chegou ontem aqui na Capital.

– Sim, sou eu – depois que respondo sinto-a inquieta – e eu preciso de um favor, eu quero que você me treine, me ensine a dominação de fogo – algo me dizia que ela era a professora certa.

– Será uma honra, mas não tenho experiência de combate – ela responde timidamente.

– Eu vi o que você fez para me proteger, o mundo está com problemas, vou precisar de alguém que me ajude, onde quer que eu vá, você topa Yumi? Se não tiver problemas com os seus pais.

– Eu moro sozinha, fui criada com meus avós, mas eles já faleceram, nunca conheci meus pais e agora que você acabou com o meu trabalho, não tenho nada que me prenda – ela responde com um sorriso no rosto – será uma honra acompanhá-lo, Avatar Suan.

– Fico feliz em ouvir isso, digo, a parte de vir comigo, não a parte dos seus avós, e-er, acho que seria bom você arrumar suas coisas, vamos para o palácio – digo todo sem jeito.

Ela corre para o quarto, enquanto arruma suas coisas termino os curativos nos braços. Depois que termina olhamos para a rua, alguns guardas reais estão aí, resolvo que seria melhor não chamar a atenção, pulamos a janela dos fundos da casa que dá em outra rua, até que alguém nos chama num beco, olho desconfiado para Yumi, quando noto que ele tem um bilhete em sua mão, exatamente igual ao que estava no meu quarto. Quando chegamos perto ele entra numa porta no canto do beco e fecha-a, Yumi e eu chegamos mais perto e entramos, um gás nos faz desmaiar.

Quando recobro a consciência estou amarrado numa cadeira, Yumi está em outra ao meu lado, mas ainda desacordada, como fui tão idiota, penso, então uma pessoa mascarada entra na pequena sala mal iluminada.

– Que bom que acordou Avatar Suan, eu deixei o bilhete e tenho algo a lhe dizer, algo muito perturbador, a respeito do Senhor do Fogo.

Não emboço nenhuma reação, então ele continua.

– Já fazem anos que o Senhor do Fogo Shyzu não se importa mais com a sua Nação, só com o comércio e o enriquecimento dos seus amigos, enquanto boa parte dos cidadãos passa fome ele faz festa e banquetes, desperdiçando boa parte, cobra altos impostos, mas não investe nada no povo, queremos a sua ajuda Avatar.

– Vocês querem que eu destrone Shyzu?

– Sim, queremos democracia, não queremos mais monarquias.

– Essa é uma questão interna da Nação do Fogo, não cabe a mim decidir – respondo enquanto finalmente Yumi acorda.

– Você deveria estar do nosso lado! Do lado do povo! – Grita o homem mascarado.

– Yumi, você está bem? – Pergunto baixinho enquanto o homem esbraveja horrores. Ela assente com a cabeça.

– Sabe – digo bem alto – eu não tinha feito nada ainda – ele para na minha frente e me encara, mudando seu semblante, dou um sorriso de canto de rosto e Yumi percebe o mesmo sorriso da casa de chá – mas agora sim, Yumi agora.

Ela cria uma faca de fogo e corta as suas cordas, levanta-se e derruba o homem mascarado que estava na minha frente, corta as minhas cordas, me levanto e cubro-o com a dominação de terra, somente a cabeça para fora, olho para Yumi.

– Vamos sair daqui agora, siga-me.

Paro em frente a uma parede, abro um buraco jogando uma parte para fora, Yumi ainda lembra de pegar a sua bolsa que estava ao lado de sua cadeira, corremos alguns metros, estou completamente perdido, por sorte Yumi está comigo.

– Para onde vamos agora? – Pergunto para ela.

– Vamos por aqui, estamos nos arredores da Capital.

Após uma hora e meia de caminhada chegamos até o Palácio. Quando chegamos o Senhor do Fogo Shyzu estava à minha espera.

– Que bom que você chegou Avatar, mas por que você atacou meu homens? Na casa de chá? – Pergunta indignado o Senhor do Fogo.

– Seus homens? Pensei que estavam me seguindo – respondo envergonhado.

– Só queria assegurar sua visita à cidade, e quem é essa moça que está com você?

– Essa é Yumi, ela é minha nova professora de dominação, espero que ela seja bem recebi aqui, se não houver problemas, é claro.

– Não há problemas, seja bem vinda minha jovem.

– Há algo que tenho que te contar Shyzu – digo seriamente – podemos ir a um lugar reservado?

– Claro, enquanto isso irão hospedar essa jovem no quarto ao lado do seu.

Então fomos até o Salão do Fogo, contei do rapto e do bilhete, do acesso fácil que há no palácio. Depois fui ao meu quarto, deitei-me e fiquei pensando em Yumi, amanhã iriamos começar a dominação do fogo.