Capítulo 06: Queimando

Acordo já pensando em Yumi e em meu treinamento, estou ansioso para dominar um novo elemento, segundo o ciclo Avatar devo aprender Terra, Fogo, Ar e Água, nessa ordem, meu elemento de origem já domino, então agora é o Fogo, saio do quarto e bato na porta ao lado, porta do quarto da Yumi, não ouço nada, bato de novo, o silencia continua, decido entrar, abro um pouquinho a porta e não vejo ninguém no quarto, preocupado pergunto a um servo do Senhor do Fogo que está no corredor.

– Bom dia, sabe onde foi a menina que estava nesse quarto?

– Ela já está lá fora a sua espera Avatar, isso já fazem duas horas.

– Duas horas? – Respondo surpreendido – que horas são agora?

– Nove horas.

Assim que ele termina de dizer isso corro em direção do pátio central, ao chegar perto de Yumi ela diz.

– Você está muito atrasado.

– Bom dia pra você também, eu perdi a noção da ho...

– Sim, já entendi – ela me interrompe – vamos começar.

Fico me perguntando o que aconteceu com a menina que estava comigo ontem e como esta sócia está no seu lugar.

– O Fogo é vivo, ele é energia e sentimento, ele é poder, nossos sentimentos, principalmente a raiva, fortalecem a nossa dominação, vamos começar com alguns exercícios de respiração, o poder do fogo vem do fôlego.

Após passar a manhã inteira respirando, eu já estava farto disso.

– Quando vou poder atacar alguém? – Digo brincando a Yumi.

– Você acha que a dominação de fogo é brincadeira? Mas que tal começarmos com a defesa – quando ela termina de dizer isso ela ataca-me com tudo, por pouco não consigo me abaixar, quando olha de volto para ela, Yumi já está na minha frente dominando duas facas de fogo, uma em cada mão e me atacando, não consigo fazer nada além de me desviar e recuar, estou chegando perto de uma parede, ela me acerta no braço, deixando uma queimadura horrível.

Quando encosto na parede e estou sem espaço para recuar mais, envolvo minhas mãos em terra, formando verdadeiras luvas de rocha e agarro as mãos dela e a empurro para trás, ela para e me encara.

– Suan você só pode estar brincando, em um mês e meio, ou menos, as Tribos da Água podem nos atacar, e o que você vai fazer? Você nem tentou se defender.

– Calma Yumi, eu sei que isso é importante, mas você tem que me ensinar algo além de respirar, ficamos nisso a manhã inteira – respondo.

– OK, imite meu movimento – vejo-a com atenção enquanto dá um soco no ar e as chamas saem da sua mão – tente.

Concentro-me, pés posicionados, corpo alinhado e tento, soco no ar e nada, olho para ela de novo, e repito o movimento, assim como no primeiro nada acontece.

– Vamos fazer uma pausa para o almoço, depois retomamos o treinamento – diz Yumi.

As duas horas da tarde voltamos para o pátio, Yumi me mostra novamente o movimento, tento fazê-lo mas nada.

– Já que você está com problemas em criar o fogo vamos tentar algo diferente, você vai controlá-lo, assuma sou postura e prepare-se.

Yumi para na minha frente e pega minha mão, coloca-as restas apontando para si mesma, então produz uma pequena chama e retira suas mãos lentamente, quando noto estou com o fogo em mãos.

– Agora eu quero que você mantenha-o – ela me diz – vamos ver por quanto tempo você o sustenta.

Passando-se dez minutos Yumi volta ao meu lado.

– Muito bem – diz ela com um sorriso no rosto apagando as chamas das minhas mãos – vamos ver como você se sai agora – olho para ela confiante e repito o movimento, infelizmente tudo continua igual, nada acontece.

– Algo deve estar interferindo no seu chi, a sua energia está presa, precisaremos encontrar uma forma de liberá-la – Yumi diz de uma forma muito animada.

– O que iremos fazer? – Digo desconfiado e surpreso com essa animação.

– Você já meditou no topo de um vulcão? – Ela me pergunta com um sorriso.

– Você quer mesmo que eu responda?

– Na manhã seguinte iremos naquele vulcão – ela aponta para o vulcão que fica um pouco a norte do Palácio.

No outro dia escuto batidas na porta, olho para um relógio na cômoda, está marcado 5 horas da manhã, só pode ser brincadeira.

– Volta daqui três horas Yumi, agora não – eu digo indignado.

Ela entra no quarto e com um puxão me derruba da cama.

– Bom dia, vamos logo – ela diz com um sorriso cínico na cara.

Depois de duas horas de caminhada chegamos ao topo do vulcão. O sol está quase nascendo.

– É o seguinte Suan, eu quero que você sente-se virado para onde o sol está quase nascendo e sinta-o em você mesmo.

Assinto com o cabeço e concentro-me. Aqui é muito quente, por mais que a lava esteja num nível muito baixo o calor que sobe é desconfortável, sinto os primeiros raios de sol em minha direção, por mais que meus olhos estejam fechado a claridade incomoda-me.

– Concentre-se no calor, sem abrir os olhos eu quero que você se levante e concentre-se nessa temperatura, imagine-a indo em direção das suas mãos, controle-a.

Começo a entender o que ela estava me dizendo, sinto essa energia crescendo dentro de mim, concentro-me cada vez mais nas minhas mãos que estão ficando quentes, estão queimando, todo o poder e energia que ela disse.

– Agora! – Grita Yumi, é quando repito o movimento do dia anterior e finalmente as chamas saem das minhas mãos, finalmente, fico aliviado, é como se meu corpo estivesse queimando, é tanta energia, me sinto diferente, é quando no meio do vulcão vejo a imagem de uma jovem, vestida toda de branco.

– Yumi veja! No vulcão!

– O que? Não há nada – ela me diz.

– Lá no fundo, olhe de novo – digo desesperado.

Quando ouço.

– Me ajude – vindo do meio do vulcão.