– Ezreal ? Que bom te ver de novo! – A albina sorriu e abraçou o loiro.

– Eu senti sua falta. – Ela sussurrou.

– Também senti a sua.

– Eu amo você.

– Eu também te amo.

– Mas não deveria.

– Por que ?

– Porque todo mundo que eu amo… morre.

Ashe acordou num sobressalto, passando a mão no cabelo. Levantou da cama e acendeu uma vela, andando em direção ao espelho. Não gostou do que viu. Desde a batalha da trunda, há três anos atrás, voltou para Freljord um tanto quanto diferente. Seu cabelo estava indo até a cintura, surpreendentemente longo. O corpo havia se tornado mais feminino. O nariz, mais empinado. Seus lábios, vermelhos como a cor do amor. E seus olhos, os mais azuis de todo o reino. As anciãos diziam que a própria Avarosa havia tomado conta de Ashe. Ela sentou na cama novamente, deixando a vela de lado.

– Rainha Ashe ? Está acordada ?

– Estou sim, pode entrar.

A moça abriu a porta do aposento e olhou para a rainha.

– Precisamos que viaje para as colinas com urgência.

– Com urgência ? Por que ?

– Lissandra, a rainha congelada, despertou.

Ashe ficou petrificada. Havia ouvido muitas lendas sobre Lissandra, mas não acho que ela fosse voltar algum dia.

– Prepare minha montaria, avise a Anivia que a quero comigo. Estarei nos estábulos em um minuto.

– Sim, vossa majestade.

Ela levantou, andando de um lado pro outro, tentando filtrar essa informação. Colocou o seu vestido azul e dourado para essa ocasião. Não era como os outros, este a deixava com um ar de onipotência. Calçou os sapatos e uma luva com detalhes de metal, parecendo uma armadura específica para a mão. Penteou o cabelo e depositou a coroa de sua mãe na cabeça. Respirou fundo e desceu aos estábulos o mais rápido que pode.

– Anivia. – Ela cumprimentou enquanto montava em seu cavalo. – Quais são as boas novas ?

– Princesa Lissandra despertou.

– Acho que isso eu já sei. – Ela comentou, começando a cavalgar para fora do castelo.

– Ela solicitou a presença de todas as tribos nas montanhas o mais rápido possível.

– Ah tá. – Ashe respondeu, trotando pela cidade. Uma rainha devia sempre passar a impressão de segurança ao seu povo. – Peça a Braum que diga a todos de Rakelstake para irem a montanha. Diga que não são obrigados, mas que é por algo importante.

Enquanto Anivia foi, Ashe saiu dos limites de Rakelstake e entrou na floresta, contornando a baía para chegar as montanhas. Chegando a entrada de uma caverna, viu um javali gigante parado na frente. Suspirou e deixou seu cavalo ao lado do javali, entrando na caverna. Levou um susto quando uma voz feminina falou com ela.

– Olá, rainha Ashe. – Uma albina de cabelo curto a cumprimentou.

– Princesa Sejuani. – A albina do cabelo maior fez uma reverência.

– Como vai ser agora que a princesa Lissandra despertou ? – Ela perguntou.

– Eu não sei… – Ashe respondeu com sinceridade. – Isso depende das decisões que a senhorita Lissandra tomar.

– Entendo… bonito, não ?

– O que ?

– O porco. – Ela sorriu, encarando o animal. – Pristol, o nome dele.

– Ah, sim… Não sei, não é de meu feitio ter animais grandes. – A arqueira deu de ombros.

– Claro, claro. Animais fortes para pessoas fortes. Vamos ? – Ela maneou o fundo da caverna com a cabeça.

– Como quiser.

Ashe andou ao lado de Sejuani.

– Vejo que veio com uma armadura na mão do arco, não é ?

– Sim. Eu vim, nunca se sabe quando os selvagens podem atacar.

– Selvagens ? Por que diz isso ?

– Com toda essa pele e esse chifre, fica difícil de saber se o porco é Pristol ou você. – A arqueira aumentou as passadas, dando um sorriso satisfatório.

Quando chegaram ao seu destino, Ashe observou tudo atentamente. Era uma espécie de “camarote” com três cadeiras no pico da montanha, virado para as pessoas que ali estavam. Humanos, Iceborns, Trolls, Ursines, Yetis, estava um pouco e todos ali.

– Minhas crianças. – Uma voz suave chamou. A rainha e a princesa se viraram, Ashe surpreendeu-se. Princesa Lissandra usava um tipo de armadura feita de gelo. Seus lábios eram como os de uma pessoa congelada. Sua trança era albina, como o cabelo das outras duas mulheres. – Ashe… fica a cada dia mais parecida com Avarosa.

– Me sinto honrada, princesa Lissandra. – Ela fez uma reverência.

– Olá, Sejuani.

– Lissandra. – Sejuani praticamente cuspiu o nome da “tia-avó”.

– Podemos ? – Lissandra perguntou.

– Certamente.

– Tanto faz.

– Avarosianos, habitantes da Garra do Inverno e Praeglacius… – Lissandra começou. Sejuani se apoiava na sua arma e Ashe, com as mãos atrás do corpo, ouvia atentamente tudo que Lissandra falava. – Sei que estão felizes com o meu despertar… – Sejuani pigarreou. Ashe não mudou a expressão séria em seu rosto. – E fiquei sabendo da batalha da Trunda…

– E da derrota da rainha Ashe. – Sejuani fez questão de sobressaltar essa parte.

– Te enganar foi tão fácil quanto tirar doce de criança. – Ashe não gritou para todos ouvirem. Falou isso só para que as princesas ouvissem, e arrancou uma risada de Lissandra.

– Cam-ham.. – Lissandra pigarreou. – E eu quero dizer que, não quero começar mais guerras. Aceito unir-me tanto com a rainha Ashe quanto com a princesa Sejuani. Vocês aceitam essa proposta ?

Ashe lembrou-se das palavras de Anivia mais cedo. “Não confie ou acredite em nada que ela diz.”

– Claro que sim, princesa Lissandra. – A arqueira curvou-se diante da princesa e foi aplaudida pelos humanos, Iceborns e Yetis.

– E você, princesa Sejuani ?

Como resposta, Sejuani quebrou uma cadeira feita inteiramente de gelo e saiu da montanha. Os ursine urraram em desaprovação.

– Bem… acho que é isso. – Lissandra concluiu, sentando-se no trono do meio. Á sua direita, sentou-se Ashe. – Divirtam-se!