Avarosa Guides Me.
4 Capítulo 3
Notas iniciais
O rumor de que uma adolescente de apenas quinze anos estava governando Freljord se espalhou, e foi para Demacia, Ionia, Noxus, e com o passar do tempo, Ashe podia apostar que até Shadow Isles já sabia do ocorrido. Levantou-se preguiçosamente e se olhou no espelho. Os meses pareciam anos, ela parecia ter trinta anos com aquelas olheiras e olhos cansados. Enquanto saia jogando sua roupa pela sala, ficava apenas pensando. “O que eles estão pensando ?” Sabia que pelo menos trinta por cento de Rakelstake desaprovava aquilo. Tinha adquirido o hábito de caçar todos os dias de manhã, após fazer seus deveres. Vestiu um longo vestido verde, as luvas e o capuz. Arrumou o cabelo e saiu andando pelo castelo.
– Rainha Ashe. – Uma das criadas saudou. Ashe apenas ignorou.
Desceu aos estábulos e percebeu que um homem a seguia. Era um de seus guardas.
– Algum problema ? – Ela perguntou ao homem.
– Nenhum… minha rainha. – Ele respondeu amargamente, saindo do local.
Ela olhou o homem com desconfiança. Montou em seu cavalo e saiu cavalgando pela cidade.
Os plebeus no geral eram carinhosos. Crianças achavam o cavalo branco muito elegante e corriam atrás dela. Suas mães sorriam para a rainha, e alguns homens também. Mas havia aqueles guerreiros antigos e fiéis a sua mãe que cochichavam algo entre si e, quando olhavam para a loira, os olhos brilhavam de malícia.
Saiu dos limites de Rakelstake e entrou na floresta de Freljord, abandonando o cavalo e empunhando seu arco-e-flecha. Os passos eram meticulosos e o vestido verde se camuflava na mata rica da floresta. O capuz escondia seu cabelo dourado e até mesmo seus olhos. Andou por um tempo até chegar a margem de um rio, avistando seu alvo. Era um urso pardo. Devia ter duas vezes mais que o tamanho de uma menina magra de quinze anos, mas Ashe não se importou. Ela abaixou e suspirou. “Um arqueiro deve ser meticuloso em seus movimentos… torne-se parte da paisagem. Torne-se parte da floresta, junte-se as sombras.” Havia lido isso em qualquer lugar, e isso lhe caiu bem enquanto se concentrava em se esconder nos arbustos. Quando puxou a corda do arco e estava prestes a disparar, foi surpreendida por um falcão. Olhou para cima, escutando o barulho extremamente alto que ele fazia.
– Mas que droga… – Ela ia xingar quando um grupo de cavaleiros e plebeus de Rakelstake invadiram a floresta. – O que está acontecendo… ?
Ashe reconheceu o cavaleiro de antes e logo compreendeu tudo aquilo. Estavam lá para matá-la.
Começou a correr como se não houvesse amanhã. Mas na verdade, não havia rumo. Ela correu dentro da floresta por horas e horas, e quando percebeu que corria em círculos, não se importou. Mudou o percurso, tomando cuidado para seguir reto dessa vez, até que suas pernas não aguentassem mais, fazendo-a cair no meio de uma clareira. Sentou e viu o rastro de sangue deixada por ela mesma, e a flecha cravada em sua cintura. Não sabia o que doia mais, os ferimentos ou as pernas. Tirou o capuz e o vento forte da nevasca a atingiu, caindo novamente. Ficou ali, deitada na neve, desarmada e com o sangue congelando em sua roupa. Não sabia o que fazer, somente se pôs a chorar. Quando seus olhos já ardiam e ela já pensava em ficar ali até que o gelo a dominasse, ouviu o falcão novamente. Se levantou e olhou para o animal. Sem esperança de mais nada, tudo que fez foi segui-lo. Seguiu durante horas e mais horas, escalou pequenas montanhas e chegou em uma tumba. Havia algumas runas escritas na tumba. O pássaro pousou ali, encarando-a. Uma runa maior destacou-se. Ela tirou a luva da mão direita e tocou na runa. Era uma única escrita: “Avarosa”. O pássaro foi embora e a caverna emitiu um brilho azul, por inteiro. Foi nessa hora que os assassinos chegaram a clareira. Todos apontando suas armas para Ashe. “Então é assim que acaba ? Esse é o meu fim ?
Fale com o autor