Avante Invocadora!

14 O bonde suspenso e escadas infinitas


Notas iniciais
Estou de volta ♥ Capitulo de apresentação da cidade. É curtinho, nas é fofo.

Aquele havia sido o último vestido. Sara correu o olhar pelo quarto para se certificar que não estava esquecendo de nada antes de fechar o baú. O guarda-roupas estava vazio e não havia mais nada sobre a cama. Foi triste ver a caminha de cachorro vazia. Bolinho teria que ficar na hospedaria, afinal, ele nunca havia sido realmente de Sara. Cuidar de um cachorrinho enquanto viajava com 2 ladrões não era uma escolha. Graves havia encontrado um apartamento onde eles ficariam por tempo indeterminado. Enquanto estivessem morando em algum lugar, tudo bem ter um bichinho, mas ela teria que deixa-lo para trás assim que eles tivessem que fugir às pressas. E com toda certeza não demoraria muito até aqueles dois se meterem em uma confusão maior do que poderiam lidar. Ficar em um lugar só estava fora de cogitação.

— Pronto? – Twisted Fate perguntou.

Ele estava há algum tempo esperando Sara terminar de juntar suas coisas. Teria sido mais rápido se ele tivesse ajudado, mas em vez disso ele preferiu ficar sentado na poltrona, brincando com o baralho.

— Pronto. – A garota respondeu. – Agora pode levar.

— Quem disse que eu vou carregar sua bagagem?

— TF! Pegue logo esse baú!

Além de não ter ajudado, ele ainda iria ficar só olhando enquanto Sara carregava peso? Ah, mas não ia mesmo. Até porque, o baú era pesado demais para ela.

— Você vai ficar me devendo mais uma. – Ele avisou.

Com mais jeito do que realmente força, o mago levantou o baú do chão. Sem falar mais nada ele saiu do quarto. Era estranho, mas Sara não ia sentir saudade nenhuma daquele lugar. Claro, ela iria morrer de saudades das amigas que havia feito ali, assim como do cachorrinho, mas ficar praticamente presa havia feito ela criar um pouco de birra daquele quarto. A melhor e a pior parte foi que as amigas dela não haviam mudado em nada depois de descobrirem que Sara era filha de Malcolm Graves. Para falar verdade, as meninas pareciam empolgadas em saber como era a vida dela, em vez de ficarem com medo. Saber que dificilmente elas se encontrariam de novo depois que Sara saísse da cidade partia o coração. Talvez fosse mais fácil se elas não quisessem mais saber dela. Nem mesmo trocar cartas elas poderiam. Como a internet fazia falta.

Pelo menos Sara poderia ir até o porto da cidade para tomar chá com as amigas todos os dias enquanto estivesse em Piltover. Sophia morava na hospedaria por causa do trabalho do pai, Bernarda ficaria na cidade por mais 1 mês por causa dos negócios da família, e o navio do pai de Lucia partiria em 2 semanas. Daria tempo de fazer muita coisa ainda. Provavelmente a pessoa que partiria da cidade primeiro seria Sara.

Antes de ir encontrar o pai na recepção do hotel para ir embora, ela passou pela sala comum para dar um último abraço nas amigas. Bernarda agiu como se aquela fosse a última vez que elas se veriam na vida e caiu no choro acabando com a maquiagem. Sara prometeu diversas vezes que iria visita-la sempre que pudesse, o que fez com que ela se acalmasse. Lucia abraçou Sara apertado, visivelmente preocupada. Ela tinha medo que a amiga acabasse morta por causa dos “negócios” do pai. Depois do que elas haviam visto no mercado todas havia chegado à conclusão que uma vida cheia de emoções não era tão legal assim.

— Tudo isso? – Graves perguntou, espantado.

Sara havia acabado de entrar na recepção, onde o pai dela acertava a conta com a dona do lugar. Ela sentiu o rosto ficar vermelho de vergonha. Desde o começo ela sabia que não deveria ter comprado aqueles vestidos, joia, bolsas e sapatos. Ela deveria ter sido mais firme com as amigas.

— Minha filha andou comprando vestidos bordados com ouro e joias? – Graves perguntou ironicamente.

Naquele momento Sara quis correr para dentro e se esconder em algum canto escuro. Havia sido exatamente isso que ela havia feito.

— Exatamente. – A mulher respondeu, se esforçando para se manter profissional. – Temos um ótimo serviço de modista. Trazemos os melhores vestidos feitos na cidade para oferecer a nossas hospedes, diariamente.

Graves percebeu que a filha estava ali, e se virou para ela.

— Já terminou de se despedir de suas amigas? – Ele perguntou casualmente.

Sara confirmou com a cabeça, se forçando a sorrir. Como ele conseguia agir tão calmamente sabendo que a filha havia gastado uma fortuna em 5 dias? Ela achou que receberia uma bronca daquelas, mas em vez disso Graves pareceu se contentar com a resposta da dona da hospedaria. Ele entregou um punhado cheio de moedas de ouro para a mulher e chamou a filha para ir embora. Logo ela, Twisted Fate e Graves estavam andando pelas ruas do porto e incrivelmente ninguém dava atenção a eles. Vez ou outra Sara pegava alguém olhando para ela, mas ela sabia que era por causa do vestido caríssimo que estava usando. Ela achou estranho ninguém notar Graves e TF, uma vez que os rostos deles estavam estampados em todos os murais da cidade. Parando para pensar, os dois carregavam o baú com as coisas dela, cara um de um lado. Eles poderiam facilmente se passar por carregadores. As roupas deles não eram muito diferentes do que as pessoas costumavam usar por ali, até porque haviam turistas vindos de todo o mundo. Roupas e pessoas diferentes eram uma visão comum naquela área do porto.

Eles pegaram uma espécie de bonde, que era suspenso por trilhos na parte de cima, dando a sensação de que o vagão flutuava. Sabendo que a garota iria querer ver a cidade, eles se sentaram nos bancos mais à frente. Quando o bonde começou a se mover Sara sentiu a ansiedade tomar conta de si. Tudo que ela havia visto no porto era uma mistura do que ela já havia visto antes, com um pequeno toque da tecnologia de Piltolver. A única coisa da cidade que ela havia visto eram os arranha-céus que se erguiam para além das construções do porto e brilhavam com o dourado da luz do sol com suas elegantes formas curvas.

Sara ficou muito decepcionada quando eles deixaram a porto. Tudo que ela conseguia ver eram maquinas transportando carga. Mesmo sendo algo interessante estava longe de ser algo bonito. Não era nada muito diferente de uma esteira de produção de fábrica, só que em tamanho gigantesco. Quando eles entraram em um túnel ela suspirou de decepção e se encolheu no banco. Todas as expectativas dela haviam ido por água a baixo.

— Por que você não olha agora? – O pai dela aconselhou.

Não havia motivos para olhar, uma vez que eles ainda estavam no túnel, mas mesmo assim ela resolveu voltar a observar através do grande vidro panorâmico do bonde. Pouco depois, eles saíram do túnel e a luz fez os olhos de Sara se ofuscarem um pouco. De um borrão branco, a cidade começou a se formar diante dela. Os prédios que ela via do porto estavam bem a frente. Haviam pontes e prédios que lembravam muito a arquitetura clássica da Terra, assim como torres que mais pareciam pilares para segurar tudo aquilo acima do chão. A luz do sol banhava cada uma das construções e pessoas como se tivesse sido feito só para deixar tudo mais bonito. Bandeirinhas balançavam ao vento, enquanto que uma quantidade enorme de pessoas caminhava lá em baixo, como se fossem formiguinhas. Os olhos de Sara brilhavam. Aquela era Piltover, exatamente como ela imaginou que seria.

Quando o bonde entrou de novo em um túnel Sara ficou tão triste que fez um biquinho. Graves passou o braço pelos ombros da filha e puxou para perto. Ainda tristinha ela apoiou a cabeça no peito do pai. Fazia tempo que Sara não passava tempo com ele, então ela o abraçou. Era bobo ficar triste só por não poder mais olhar a cidade. Com toda certeza ela iria fazer aquele mesmo trajeto várias vezes para ir ver as amigas no porto. Ela tinha o pai ali com ela e aquilo já era motivos para ficar feliz. Durante a semana toda ela quis ficar com ele nem que fosse um pouquinho e naquele momento ela poderia fazer isso. Ia ser legal morar em um lugar fixo com ele, mesmo que fosse por pouco tempo.

A viajem de bonde demorou mais de uma 1 hora. Graves falou sobre o apartamento em que eles ficariam, sobre o que havia feito no tempo que passou longe da filha e principalmente sobre a nova arma. Sara por sua vez contou sobre as amigas, os cachorrinhos e pediu desculpas por ter gastado tanto. Tudo que Graves fez em resposta foi rir. Dinheiro era algo simples de conseguir para ele. As pessoas de Runeterra falavam que ser pai de uma donzela era complicado e caro. Só que a coisa mais complicada sobre Sara no ponto de vista de Graves sobre era que os homens tinham olhos e acabavam se interessante por ela. Afastar esses homens não só era fácil, como havia se tornado um passa tempo divertido para Graves. Era preferível para ele gastar algumas moedas do que ganhar mais cabelos brancos. Por fim ele estava muito feliz em ter aquele dinheiro para poder pagar por qualquer coisa bonita que a filha quisesse vestir. Definitivamente, não havia melhor pai em Runeterra, nem na Terra.

O trio desceu na estação final. Eles facilmente se misturaram na multidão e ganharam as ruas da cidade. Sara se sentia em um filme steampunk. Vários homens usavam chapéus elegantes e monóculos. As mulheres usavam vestidos elaborados e penteados igualmente elegantes. Todos ali pareciam esbanjar requinte e elegância. Se as pessoas olhavam para ela no porto por causa das roupas dela, ali ela era só mais uma. Isso era perturbador ao mesmo tempo que era reconfortante. Não havia uma única pessoa se quer que não parecesse acostumada com roupas requintadas.

Depois de andar por menos de 5 minutos, eles chegaram na porta do prédio onde ficava o apartamento alugado. Eles subiram o que pareceram lances de estacadas infinitos, para chegar em um corredor apertado. Graves abriu a ultima porta do corredor, dando visão a um apartamento espaçoso, mas vazio. O piso era de madeira escura, enquanto que as paredes eram de um tom branco creme. O teto era alto, dando um certo charme para o lugar. A cozinha era toda equipada, tendo até o que Sara teve certeza ser uma geladeira, e uma pequena mesa redonda de 4 lugares. A sala tinha um lindo lustre de gotas de cristal, aquele cômodo também era grande mesmo dividindo o espaço com a cozinha, e tinha uma pequena sacada que mais parecia uma enorme janela de onde se tinha uma bela vista da cidade. Havia um pequeno corredor ali perto, com 4 portas. A primeira era o banheiro, a segunda era o quarto de Twisted Fate, a terceira o quarto de Graves e a ultima porta era o quarto que seria de Sara.

O quarto dela também tinha paredes brancas creme, piso de madeira escura e teto alto. Tudo que havia ali era um colchão de casal no chão e um tapete felpudo. Graves havia tido o cuidado de comprar roupa de cama, um cobertor e travesseiros. Ele também havia colocado uma cortina branca na janela. Mesmo com poucos itens, aquele quarto era bem feminino, confortável e de certa forma adorável. O cobertor havia tido as beiradas cuidadosamente bordadas com flores em rosa claro e o branco da cama parecia ainda mais puro contrastando com o tapete cinza claro felpudo. Sara sentiu o coração se aquecer. Graves havia passado um bom tempo tentando decorar o quarto da filha e definitivamente havia valido a pena. Aquele lugar era perfeito.

— Podemos ir comprar mais coisas depois. – Graves falou.

Ele e TF deixaram as coisas de Sara no quarto. Com os olhos, ela procurou onde colocar o baú. Ela não queria estragar o ambiente incrível que o pai dela havia criado e qualquer coisa fora do lugar acabaria com ele.

— Não gostou? – Ele perguntou, diante do silencio da filha.

Depois de decidir onde o baú ficaria, Sara o arrastou até debaixo da janela e voltou para a porta para olhar o quarto de novo. Era quase como se aquelas cortinas tivessem sido colocadas ali para combinar com o baú.

— Eu adorei! – Sara respondeu. – Tudo ficou perfeito!

— Agora você pode dormir tranquilo Malcolm. – Twisted Fate implicou, se dirigindo para fora do quarto.

— O pior de tudo é que ele tem razão. – Graves confessou. – Tome seu tempo para se familiarizar com o apartamento. Eu vou fazer o almoço.

Graves saiu do quarto deixando Sara sozinha ali. Ela deu passinhos curtos até o meio do quarto e rodou nos calcanhares. Cada pedacinho daquele lugar era como um sonho. Ela se deixou cair sobre a cama, que foi uma queda maior do que ela esperava. O colchão era macio na medida certa e tinha um cheirinho bom de baunilha. No teto havia um lustre pequeno bem parecido como o da sala. A luz que entrava pela janela batia nas pequenas gotas de cristal e refletia como pequenas estrelas pelas paredes brancas. Talvez fosse errado, já que eles ficariam ali por no máximo algumas semanas, mas Sara já via aquele lugar como um lar. De todo jeito, era melhor ela não se demorar muito no quarto. Pelo visto era a vez de Graves conseguir comida. Sara se levantou da cama com dificuldade, dado o fato de a cama ser só um colchão sobre um tapete. Era melhor ela se apressar e ir ajudar o pai com a comida, antes que ele encontrasse o pote com pimentas em conserva.

Notas finais
Alguém já viu pai e filha mais fofos que Sara e Graves? Eu não! Agora fica mais fácil escrever, então provavelmente eu vou postar com mais frequência :) Até o fim de semana ♥