Avalon
1 Capítulo 1
Ato I
Japão, 3541
Uma ave sobrevoa um campo rural, em busca de um lugar para fazer seu ninho e colocar seus ovos. Ela passa por um lugar sem vegetação, com uma grande cratera. Esse buraco está cheio dos restos do que antes foi uma famosa e avançada metrópole, chamada de Big Square. Essa cidade foi o palco de uma grande guerra, ocorrida a 4 anos atrás. Essa ave continua seu trajeto, e acaba encontrando um lugar cheio de uma neblina escura, que mais parecia algum tipo de fumaça. Ela enfim atravessa essa neblina, e se depara com varias luzes coloridas e brilhantes. Ali, está uma nova cidade. Avalon, uma metrópole ainda maior que Big Square, onde todos os sobreviventes da guerra vivem agora. Varias usinas elétricas dão conta de abastecer toda a energia da cidade para seus moradores, liberando um gás poluente muito forte, que acaba por sufocar a pobre ave. Suas luzes neon, com tons de roxo sendo os mais predominantes, e seus grandes edifícios dão uma visão evoluída para o local, fazendo seus moradores acreditarem que estão realmente morando em uma cidade "do futuro". Um grande prédio está erguido no centro dela, maior do que todos os outros, que libera uma grande luz azul de suas inúmeras janelas. Esse é o prédio da empresa Stigma, quem construiu e governa essa cidade. Avalon é protegida por grandes muros, dando um aspecto isolado e "seguro" para ela. A ave sufocada acaba perdendo suas forças, e cai na cidade. Seu corpo caiu em uma região escura, sem luzes e prédios imensos, apenas casas simples, feitas com materiais descartados pelos moradores da parte rica. Essa é a região mais pobre da metrópole, onde os menos favorecidos tentam sobreviver dia após dia. É possível encontrar varias pessoas nas ruas, pedindo dinheiro, normalmente usado para comprar drogas ilícitas, ou pedindo por comida, e cometendo crimes dos piores tipos. Ao lado do corpo da ave, passam 4 motoqueiros em alta velocidade. Essa é a gangue conhecida como Coyote. Eles param em um bar, e entram nele. Pedem uma bebida no balcão, e o bartender os olha com cara feia. O histórico da gangue naquele bar não era dos melhores.
— A gente ainda pega eles hoje, né Kentaro? — Perguntou Masumi, um dos membros da gangue. Masumi era um pouco mais baixo, usava óculos, cabelo raspado, vestia uma calça verde, e uma jaqueta de couro verde com um símbolo de um coiote nas costas. Sua aparência o dava um aspecto fraco, e ele usava isso de vantagem para pegar seus oponentes de surpresa.
— É claro que sim. Só precisamos esperar o Kazuma ligar pra gente, e os Roche mal vão ver o que os atingiriam. — Disse Kentaro, o líder da gangue. Ele se vestia como Masumi, porém, sua roupa era um azul escuro. Kentaro tinha uma altura um pouco acima da média, cabelo preto e bagunçado, uma grande cicatriz em um formato semelhante a letra S na testa, e um porte físico atlético.
— Não é hora de ficar subestimando eles, não acha? — Falou Mitsuru. Seu uniforme era vermelho, e ele tinha um cabelo preto, penteado para trás. Sua altura era a mesma de Kentaro, porém era mais magro.
— Qual é Mitsuru! É claro que é! Esse é o momento perfeito pra zuar com esses caras. Eles mal sabem que tem um espião no meio deles! — Riu Kai. Seu uniforme era amarelo. Ele tinha um cabelo tingido de vermelho, que chegava até suas costas, e não enxergava com um de seus olhos por conta de um acidente no passado. Ele era um pouco mais baixo que Kentaro, porém tinha um porte físico muito maior.
— Da ultima vez que subestimamos nossos oponentes, o Kentaro saiu com aquela coisa na testa dele. Mais fundo, e poderia ter dito adeus aos poucos neurônios que já tem. — Respondeu Mitsuru. — Não que fosse ser uma grande perda, claro.
— Fala sério, isso aqui é estilo! — Exclamou Kentaro, tentando fingir que não havia se ofendido. — Agora todos me respeitam, pois adivinha? Eu tenho uma cicatriz de guerra agora! E além de tudo, na testa! Sabe o que tem logo atrás da testa?
— Em seres humanos normais, um cérebro. Mas em você? Não faço ideia. — Respondeu Kai, e os outros riram com ele. — E outra, meu primo tem uma cicatriz parecida. Sabe como ele conseguiu ela? Brincando com o gatinho filhote dele.
— Bom, uh....mas isso não foi um gato, vocês sabem bem!
— Sabemos, mas será que as outras pessoas sabem? — Questionou Mitsuru, dando um gole em seu copo. — O motoqueiro mais durão da cidade foi atacado por um filhote de um felino, imagina só?
— Ha, boa, boa. — Kai deu alguns tapinhas no ombro de Mitsuru, e os dois riram silenciosamente.
— Uh, merda..... — Seu celular começou a vibrar. — Calem a boca agora, ele ta ligando. — Kentaro atendeu o celular e ouviu tudo que Kazuma tinha para falar. — Ok rapazes, avenida 48. Eles estão assim como a gente, em um bar, relaxando. Hora perfeita, né?
— Finalmente! Mal posso esperar pra enfiar um cano de aço bem no fundo do — Kai foi interrompido.
— Chega de falar, vamos logo! — Gritou Kentaro.
Eles correram para fora do bar, e subiram em suas motos. Todos tinham motos relativamente comuns, com apenas alguns aprimoramentos, porém, Kentaro era diferente. Sua moto era um preto fosco, com algumas luzes roxas saindo de suas rodas. Ela tinha uma espécie de armadura que a protegia de tiros e porradas, não acabando com sua mobilidade e velocidade. Havia um pequeno computador acoplado no lugar do velocímetro, que permitia que se pudesse modificar qualquer coisa em suas especificações, desde o limite de velocidade que poderia chegar, até um piloto automático altamente inteligente, que ele nunca usava, já que preferia ter o prazer de pilotar por conta própria.
— Então galera, prontos? — Perguntou Kentaro.
— Pode apostar que sim! — Gritou Kai, e todos concordaram.
A gangue acelerou suas motos, e foi em direção às coordenadas que Kazuma passou. Eles andaram em alta velocidade pelas ruas das favelas de Avalon, que, em comparação com sua contraparte, parecia uma cidade medieval. Levaram menos que 1 minuto para chegar até o bar. A gangue rival, Roche, estava já saindo dele, e subindo em suas motos. Quando viram os membros da Coyote, logo aceleraram. Kentaro usou sua arma, um grande cano de metal, e atacou um dos motoqueiros. A gangue Roche era muito maior que a Coyote, e a vantagem numérica era algo que podia atrapalhar caso não tomassem cuidado. Kentaro conseguiu derrubar um dos motoqueiros, e desviou de um golpe que vinha de sua esquerda. Jogou sua moto para cima de quem o atacava e o fez se desequilibrar, e finalmente o derrubou com apenas um empurrão fraco. Mitsuru chegou por trás de um dos motoqueiros, e cuidadosamente o puxou pela blusa, que o fez cair de cabeça no meio-fio. Kentaro notou que mais motoqueiros vinham por trás, e resolveu desacelar para poder se livrar deles. Entrou em uma briga com eles, e conseguiu derrubar dois com golpes precisos. Porém, acabou se distraindo, e um dos membros da gangue bateu em sua moto. Não houve nenhum dano, mas o impacto o fez se confundir e mudar de rua, virando na esquina mais próxima. O que Kentaro não sabia, era que aquela rua era sem saída. Ele conhecia bem aquela cidade, mas o calor do momento o fez esquecer desse pequeno detalhe. Ele foi enfim, encurralado por 7 membros da Roche.
— Então, querem fazer isso mano a mano, é? — Disse Kentaro, estralando seus punhos.
— É melhor se render, Ken. Assim a gente pode te trazer vivo pro chefe. — Disse um dos Roche.
—Ken?! Eu devia quebrar a porra do seu nariz só por ter me chamado disso! — Kentaro avançou, e recebeu uma porrada na nuca, que o derrubou no chão.
— To vendo que o plano deu muito certo. — Disse o membro da Roche, que já estava de tocaia naquela rua.
Os 8 motoqueiros se juntaram e começaram a espancar Kentaro, com chutes e socos no rosto, barriga e peito. Aos poucos, ele ia perdendo a consciência, e não aceitava que aquele seria realmente seu fim. Tentava juntar as últimas forças que tinha para atacar os Roche com tudo que tinha, porém foi interrompido por uma voz vinda da entrada daquele beco. Era uma voz aparentemente feminina.
— 8 contra um é covardia, não acham? — Disse a voz.
— Como é? — Perguntou um dos Roche, surpreso.
Os motoqueiros se viraram, e viram uma garota. Ela tinha 21 anos, era um pouco mais alta que as outras, sendo não muito mais baixa que Kentaro e os outros motoqueiros. Seus cabelos eram curtos e desarrumados na altura do pescoço, seus olhos eram de um roxo avermelhado, e possuia uma cicatriz com um formato de X na bochecha esquerda. Ela vestia uma calça jeans preta, sapatos brancos, uma blusa branca, e uma jaqueta de couro preta. Ela olhava pra eles com um sorriso confiante e um olhar desafiador. 8 homens armados não pareciam intimida-la nem um pouco.
— Fala serio, bendita seja a Deusa! Além da gente finalmente matar esse bosta do Kentaro, ainda arrumamos um filezinho desses de cortesia! O natal chegou mais cedo pra gente, galera! — Gritou um dos motoqueiros.
— Sério mesmo que vocês tão se vangloriando por estarem batendo nele? Como eu já disse, 8 contra 1 não vale. — Ela falou, se aproximando. — Que tal brigarem com alguém do seu tamanho?
— Tem razão, mas acho que 8 com você valeria, né? O que acha? Ta afim de ficar famosa na internet? Tenho certeza que debaixo dessas roupas você tem um belo corpinho. Vai nos render varias visualizações. — O motoqueiro estendeu sua mão em direção aos ombros dela.
— Eu não faria isso se fosse você. — Ela falou, tirando o sorriso do rosto.
— Qual é, eu sei que você vai gostar.
Ele tocou no ombro dela, e quando percebeu, estava literalmente voando. Havia recebido um chute em sua barriga que o jogou a quase 1 andar de altura no ar. O motoqueiro caiu em cima de seu braço, o quebrando. Enquanto ele gritava de dor, os outros avançaram contra ela. A jovem facilmente desviava dos golpes como se não fossem nada. Ela enfim resolveu atacar, dando um salto no ar e acertando um chute forte no rosto de um dos motoqueiros, arrancando 4 dentes de sua boca. Quando ela aterrissou, logo deu uma rasteira que derrubou 3 de uma vez só. Em seguida, ela saltou e caiu em cima de um dos motoqueiros, acertando uma joelhada em seu rosto. Aproveitou que os outros 2 ainda estavam no chão, e saltou no ar mais uma vez, aterrissando com seu pé esquerdo pisando no rosto de um dos homens, e seu pé direito pisando no rosto do outro. O resto dos motoqueiros ficaram assustados, e Kentaro não acreditava nos movimentos que ela conseguia fazer. A garota avançou contra três homens, saltou, e deu um chute giratório que acertou o rosto dos três ao mesmo tempo, os derrubando no chão, desacordados. O único que sobrou pensou em atacar, mas resolveu sair correndo. Nem ao menos pegou sua moto, apenas correu.
— Mas que — Kentaro não conseguia terminar nenhuma frase.
— Coyote, né? — Ela perguntou, estendendo a mão pra ele.
— É... — Ele pegou na mão dela, e se levantou. Suas mãos eram firmes, exatamente como ele imaginou que seriam. Ela o puxou com força para fazê-lo levantar, sem o mínimo de delicadeza.
— Vocês fazem um bom trabalho, ajudando as pessoas, e tudo mais. Eu invejo isso, as vezes. — Ela falava em um tom sarcástico, e Kentaro não sabia se levava o que ela havia acabado de falar a sério ou não.
— O-Obri.....gado?
— Enfim, toma cuidado da próxima vez. Não quero que os protetores da cidade morram de um jeito merda assim, seria uma decepção gigantesca.
— Protetores, huh? É assim que vocês cidadãos comuns nos veem, então?
— Não fica se achando também. Aliás, "cidadãos comuns"?
— É, tem razão, você não é nada comum. Onde aprendeu a lutar assim?
— Tive alguns professores. — Ela se virou, e saiu andando. — Se me der licença, tenho que resolver algumas coisas. Não tenho tempo pra papo furado.
— Ei, espera! Uh.....qual seu nome?! — Ele perguntou, antes que ela sumisse.
— Tomoyo. — Ela se virou, e pela primeira vez deu um sorriso que não parecia debochado.
— Tomoyo......
Tomoyo foi embora, e Kentaro demorou um tempo pra lembrar que precisava ajudar sua gangue. Logo subiu em sua moto, e correu para ajudá-los. A jovem estava a caminho do centro, e apenas parou para ajudar o pobre homem que estava sendo espancado até a morte. No centro, uma grande manifestação ocorria. Muitos dos cidadãos de Avalon não concordavam com a maneira que a Stigma governava a cidade, favorecendo as classes altas e não dando a menor condição de vida para os mais pobres. A poluição era maior nas favelas, pois não havia nenhum tipo de filtração no ar, diferente das partes mais desenvolvidas, e isso estava causando muitas doenças pulmonares nas pessoas. Ela enfim chegou no centro, e se deparou com uma cena pior do que imaginava. A polícia, comandada pela Stigma, já estava quase usando força letal para conter os manifestantes. Todos estavam usando máscaras de pano, jogando bombas de gás e quebrando todas as lojas, caixas de correio, e tudo que encontravam pela frente. Enfim, Tomoyo encontrou quem ela procurava.
— Miles! — Ela gritou.
— Tomoyo?! — Miles era um homem americano, alto, de 47 anos, cabelos loiros e bagunçados, e pele bem conservada. Parecia ter quase 20 anos a menos. Vestia calças jeans largadas, sapatos pretos, e uma jaqueta verde escura. Ele era seu pai adotivo, e vem cuidando dela desde os 17 anos. — O que você ta fazendo aqui?!
— Ué, eu queria ver a manifestação de perto.
— Eu já falei pra você não vir aqui! Esse lugar é perigoso pra você.
— Você sabe que eu sei me virar sozinha, né? Eu derrubo todo mundo aqui numa boa.
— É exatamente esse o perigo! Você entrar em confusão é a pior coisa que pode acontecer!
— Fala como se eu fosse uma garotinha indefesa. Eu não tenho mais 10 anos, diferente do que todos vocês custam a entender.
— Olha, eu ja cansei de discutir isso com você. Se alguém descobrir sobre suas habilidades, você sabe o que vai acontecer, não é?
— É, eu sei, eu sei. Vão me caçar como um animal. E? Quer que eu viva trancada pra sempre?
— Não importa o que eu fale, né? Você continua fazendo tudo do seu jeito.
— As coisas sempre foram do seu jeito, não foram? Qual o problema de serem do meu pelo menos uma vez na vida?
— Não é tão simples assim, droga! Não seja teimosa como seu pai! Foi por causa dessa teimosia que ele -
— Que ele o que? Hein? — A jovem se irritou. — Eu já cansei de ouvir essa mesma história sempre, ok? Já chega disso! Vai continuar culpando meu pai por aquilo até quando?
— Que seja. — Miles olhou para o lado, e a manifestação havia saído do controle. A multidão estava indo em direção à policia, e tiros começaram a ser lançados. Todos que estavam ali observando correram, e acabaram separando Tomoyo de Miles.
— Ei, ei, me solta! Miles! — Ela gritou.
— Tomoyo! — Miles gritou, tentando não ser arrastado por todas aquelas pessoas. — Se você for presa, não faça nenhuma besteira, ok? Não deixe eles saberem do seu segredo!
—
Do outro lado da cidade, Kentaro dirigia em velocidade máxima para encontrar seus parceiros. Enfim, os encontrou ainda em perseguição contra os Roche. Kentaro se enfiou no meio da briga, e ajudou Kai a derrubar um motoqueiro que o estava atrapalhando.
— Ken! — Gritou Kai — Droga, onde você tava?! E esses machucados?
— Eu explico depois. O importante é que eu cheguei, não é? — Disse Kentaro, enquanto se preparava para atacar um motoqueiro que vinha em sua direção. Não precisou fazer nada, já que Masumi veio e o derrubou.
— Até agora sem baixas, Ken! Por outro lado, os Roche tão sendo derrubados como amadores. Qual o próximo passo?
— Faltam apenas 3, incluindo o chefe, certo? Bom, o que acham de um golpe coordenado?
— Sabe que a gente só praticou uma vez, né? — Disse Mitsuru. — As probabilidades de isso dar errado são de -
— É, pode dar muita merda, a gente sabe, mas pode dar muito certo também! — Disse Kai, o interrompendo. — Foda-se as probabilidades, eu voto sim!
— É, eu também voto sim! — Votou Masumi.
— Fazer o que, eu sou minoria. — Disse Mitsuru. — Eu voto sim.
— Então, hora de entrar pra história, galera! — Gritou Kentaro.
Os quatro alinharam suas motos uma do lado da outra, e começaram a acelerar contra os 3 motoqueiros restantes. Quando chegaram perto, os quatro, em sincronia, viraram suas motos em 360 graus. Kai se jogou em cima de uma moto e a derrubou, Mitsuru fez o mesmo, Masumi se jogou em cima do líder e o desequilibrou, e Kentaro enfim saltou de sua moto e derrubou o líder que estava atordoado. Todos, sem exceção, capotaram no meio da avenida que estava vazia.
— A ideia era ninguém capotar, mas deu certo. — Disse Masumi.
— Como eu falei, precisamos praticar mais. — Disse Mitsuru. — Droga, eu quase quebrei meu pescoço.
— O que importa?! O líder tá bem aqui, aos nossos pés! — Gritou Kai.
— Eu cuido dele, ok? — Disse Kentaro. Ele se aproximou do líder, Akira, e o levantou. Em seguida, o segurou pela gola da camisa. — Não tem pra onde correr agora, né?
— Bom, Kenzinho, você finalmente acertou uma. Quer dizer, mais ou menos, né? Nenhum plano de mestre envolve capotar no meio da avenida, mas vocês conseguiram me pegar desprevenido.
— Pois é, o que achou disso? Acho que a gente tem cérebro, no fim das contas, diferente do que você dizia.
— Talvez. Mas, não se engane. Ainda não conseguiu ganhar de mim em uma luta, e da última vez saiu com essa cicatriz na testa. Aliás, ela combinou bem com você, não achou? — Zombou Akira.
— É, acho que sim. Mas as coisas vão ser diferentes agora, você vai ver. — Disse Kentaro, o soltando.
— Se é assim, me mostre do que é capaz, Kentaro! — Gritou Akira, dando um passo pra trás e entrando em posição de combate.
Os dois avançaram um contra o outro, e trocaram socos e chutes. Antes que sua luta continuasse, a polícia chegou. Akira aproveitou a distração e correu. Antes que Kentaro corresse atrás dele, recebeu uma bala de borracha nas costas, e caiu. Masumi, Kai e Mitsuru receberam tiros também, e foram incapacitados. A polícia não conseguiu acertar Akira, pois ele já tinha pego a moto de um de seus capangas e fugido.
— Droga, perdemos aquele! — Disse um dos policiais.
— Não importa, pegamos 4. A presidente vai ficar contente. — Comentou o outro.
— É, ou vai cortar nossa mão fora por termos perdido 1.
— Tudo depende do humor dela, né? Vamos levar esses marginais embora logo.
Os 4 foram levados para a delegacia, e suas motos confiscadas. Kai tentou lutar contra os policiais, mesmo estando com uma bala de borracha na barriga, mas foi arrastado para a viatura mesmo assim.
—
Stigma Enterprises. O maior prédio de Avalon, com uma vista panorâmica para a cidade inteira. Observando a paisagem, estava Satsuki Stigma, a antiga vice-presidente, que agora era a cabeça da empresa. Seu escritório era escuro, piso de porcelanato preto, com paredes pintadas em tom vermelho-vinho. Na imprensa, Satsuki se mostra como uma bela e jovem mulher de 24 anos, com cabelos pretos e longos, belos olhos castanhos, pele bem cuidada e bronzeada, e uma postura formal. Porém, isso é apenas um disfarce. Na realidade, Satsuki usa uma peruca para esconder seus cabelos brancos, lentes para ocultar seus olhos amarelos vibrantes, e era longe de ser uma pessoa calma e comportada. Ela é alta, um pouco maior que Kentaro, magra, e pálida. Enquanto observava o caos da manifestação, ela é recebida por Fremont Becker, seu subordinado, chefe das forças armadas de Avalon. Um homem alemão, de 35 anos, com cabelos castanhos avermelhados penteados para o lado esquerdo e olhos azuis. Era da mesma altura que ela, magro, porém atlético, e se vestia com um terno branco, cujos botões ficavam soltos, e revelavam uma camisa social preta que vestia por baixo. Ele usava uma gravata borboleta branca, que contrastava com a camisa escura.
— A gangue Coyote foi apreendida, vice-presidente Stigma.
— Presidente Stigma, Becker. — Disse Satsuki, irritada.
— Perdão, madame. Ainda não me acostumei. Bem, além disso, uma garota muito semelhante com a que você procura foi avistada, e meus homens já estão a sua procura. Acha que — ele foi interrompido por ela.
— Droga, vá direto ao ponto, Becker! Não encha minha paciência!
— Certo. A madame quer que ela seja trazida para cá quando a encontrarmos?
— É claro que sim! — Ela gritou. Satsuki o encarou por alguns segundos, e Becker notou que ela piscava mais rápido que o de costume. No momento, a personalidade que predominava em sua mente se chamava Yuko. Ela era uma pessoa calma e contida, que pensava de forma muito mais estratégica do que emotiva. — Sim, Becker, traga ela, se possível. — Ela falou, em um tom muito mais calmo.
— Entendido. Será feito então. Com licença.
Becker saiu da sala, e Satsuki se sentou. Após olhar mais um pouco para a cidade, ela começou a falar sozinha. Frases como "É claro que é ela, não existe outra pessoa com essa descrição" e "Pode ser só uma garota aleatória" saíam de sua boca, eram suas diferentes faces falando por ela. Enfim, ela se deitou em seu grande sofá, e resolveu relaxar enquanto aguardava a chegada de sua convidada, ignorando completamente o caos que ocorria na cidade.
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