Avalon
8 Capitulo 8
Após se livrarem de Higashi, as duas voltaram correndo para a casa de Miles, e Tomoyo decidiu usar o carro dele, apenas dessa vez. Colocou a senha da garagem, que ela secretamente sabia, e o pegou. O carro era preto fosco, com rodas brilhantes, e uma interface interior que o permitia acessas suas especificações, assim como a moto de Kentaro. Tomoyo usou a configuração padrão, e dirigiu em direção ao centro, onde Kentaro e a gangue poderiam estar passando. Anne ficava hipnotizada pelas luzes neon do centro, como uma criança vendo algo pela primeira vez.
— Qual é, você tava no centro não fazem nem 2 horas. O que tem de tão hipnotizante?
— Sei lá, eu acho essas luzes neon uma coisa linda, não acha? É tão....
— Deprimente. Pra mim isso é muito deprimente. Saber que atrás dessa beleza toda tem toda aquela pobreza e sofrimento. Essa maneira suja da Stigma esconder as coisas infelizmente funciona, e você é a prova disso.
— Bem, as vezes é bom ser enganado, sabe? Viver na mentira pode ser mais confortável do que viver na realidade.
— Pois eu prefiro viver na realidade dura do que ficar me enganando. — Disse Tomoyo. Anne notou que ela tentava manter a calma, e suas mãos trêmulas mostravam que ela estava a um passo de surtar. — Eu só coloco as pessoas em perigo por minha causa. É sempre assim, droga!
— Ei! Para de se culpar, ok? Você não colocou eles em perigo, tá? A Stigma é a culpada aqui, não você!
— É, tem razão. Bom, preciso me focar, se não nunca vou encontrar eles. — Disse Tomoyo. — Quando encontrarmos eles, vamos ter que ir atrás do Kazuma também. E você pode vir se quiser, claro.
— Eu iria mesmo que você não perguntasse.
Ambas riram, mas seu momento descontraído foi interrompido após passarem perto da entrada da cidade. Dali, viu uma caravana de carros marchar para dentro de Avalon. Ela percebeu que aquilo não era normal, e jogou seu carro para um canto escondido, e ficou observando aquela grande fila de veículos. No meio dela, havia um caminhão com um grande símbolo de um tigre, e com a escrita "Shin-Daime".
— Shin-Daime......é aquela gangue da cidade vizinha, né? — Disse Ryoko.
— O que acha que vieram fazer aqui em Avalon? — Perguntou Anne.
— Eu não faço ideia. Melhor continuarmos procurando Kentaro e o resto, e depois a gente resolve isso. Merda, quando eu acho que as coisas não podem piorar....
—
Kentaro, Mitsuru, Masumi e Kai dirigiam em alta velocidade, enquanto carros da polícia os seguiam. Já haviam derrubado mais de 10 carros até o momento, e a polícia simplesmente não parava de segui-los. Kentaro parecia focado, mas por dentro, estava apavorado. Só conseguia pensar em Tomoyo, se ela continuava viva, e se a veria novamente. Depois de já estarem cansados, notaram que a polícia simplesmente parou de segui-los. Decidiram dar uma rápida pausa para recuperar o fôlego, e estranharam como aquela região da cidade estava deserta. Enfim, ouviram varios carros se aproximando, e pensaram que fosse a polícia. Porém, quando olham, notam que em sua direção vinha uma grande caravana de carros, com um caminhão no meio deles. Todos os carros param, e do caminhão desce apenas um homem. Era Ryuji, o líder da máfia Shin-Daime. Ele estava pálido, e parecia cansado. Havia milagrosamente sobrevivido do ferimento aparentemente fatal que Satsuki Stigma havia o causado. Ele veio em direção a gangue, e se apresentou.
— Boa noite. Meu nome é — Ele foi interrompido.
— To pouco me fudendo pro seu nome. — Disse Kentaro. — O que você quer?
— Gosta de ir direto ao ponto, é? Achei interessante. — Respondeu Ryuji. — Enfim, se é assim que gosta de fazer negócios, então que seja. Eu soube que a Stigma está caçando vocês, e eu estou com homens em falta, por conta de uma pequena visita que a presidente Stigma fez ao meu escritório. Todos esses homens nesses carros foram só contratados pra fazer uma boa entrada e manter a imagem, sabe?
— E você quer que a gente entre no seu time? — Perguntou Kai.
— Eu não diria "time", mas sim, é isso que quero. Aposto que vocês querem acabar com essa maldita empresa tanto quanto eu, estou certo?
— É, certo você tá. — Disse Kentaro. — Porém, a resposta é não.
— E posso saber o motivo da recusa?
— Não trabalhamos com criminosos, esse é o motivo. — Respondeu Kentaro, e Ryuji gargalhou.
— Então, vocês são o que? Achei que fossem uma gangue, ou meus olhos estão me enganando?
— É, somos uma gangue, mas não fazemos merdas como você. — Respondeu Masumi.
— Oh, isso doeu, ok? Posso saber então o que diabos vocês fazem com suas vidas miseráveis?!
— Nós ajudamos o povo menos favorecido de Avalon, é isso que fazemos. Enquanto a Stigma finge que eles não existem e os deixam para apodrecer, nós damos nossas vidas para manter a paz e ajudar todos, mesmo que eles não nos deem o valor que merecemos. Bem diferente de você, que usa de crimes pra crescer seu império. Não é tão diferente da presidente Stigma, se parar pra notar, sabia? — Diz Kentaro.
— Ah, eu nunca ouvi um discurso tão belo e honesto na minha vida! — Gritou Ryuji. — Que aura, que força de vontade!
— Como?
— Suas palavras me tocaram mais do que imagina. — Disse Ryuji, entrando em posição de luta. — Lute comigo, Kentaro.
— Uh....
— Eu quero que me prove, prove que tudo isso que acabou de falar é verdade! Me mostre a sua força!
— Ah, todos vocês são malucos. — Diz Kentaro, balançando cabeça. — Que opção eu tenho, né?
Ryuji sorriu, e avançou contra Kentaro. Ele desviou de seus golpes rápidos, e acertou um soco em seu peito. Kentaro seguiu seu golpe com um chute no rosto, que o jogou pra trás. Ryuji se animou, e saltou na direção de Kentaro, o atingindo com um forte soco no rosto. Kentaro notou que Ryuji usava um estilo muito semelhante ao boxe, e decidiu prestar atenção em seus movimentos. Conseguiu desviar de todos os socos, porém acabou levando uma joelhada na barriga, que quase o derrubou de joelhos. Ele contra-atacou com um chute giratório no rosto, que derrubou Ryuji no chão. Decidiu deixá-lo se levantar, e continuar com uma luta justa. Kentaro dessa vez foi quem avançou, com um forte soco no queixo de Ryuji, seguido de algumas joelhadas na barriga. Ryuji acertou uma cabeçada nele, e o empurrou, seguido de um soco no rosto. Kentaro caiu para trás, e contra-atacou logo em seguida com um chute no rosto. Ryuji tentou acertar varios socos, mas acabou errando todos. Kentaro o agarrou pelo pescoço, deu alguns socos em seu rosto, e finalizou com uma cabeçada.
— Ah, isso foi incrível. — Disse Ryuji, deitado no chão. Ele se levantou ao ouvir um helicóptero se aproximando. — Porém, vamos ter que continuar isso um outro dia. Ela está chegando, tá vendo? — Ele apontou para o helicóptero, e todos olharam.
Ryuji correu para seu caminhão, e junto da caravana foi embora dali. Kentaro e os outros subiram novamente em suas motos, e fugiram também, já que Satsuki Stigma estava dentro daquele helicóptero. Continuaram andando sem rumo pela cidade, e sem saber o que fazer em seguida. Eles então foram encurralados por varios carros, todos eram pretos com vidros escuros. Eles foram presos em um beco, e de um deles saiu um homem vestindo um terno preto com uma gravata azul escuro.
— Ah, fala sério, é mais um maluco igual aquele. E você é quem? — Perguntou Kentaro.
— Meu nome é Higashi. Vocês por acaso conhecem uma bela moça chamada Tomoyo? — Perguntou Higashi.
— Se eu disser que não?
— Então saberei que está mentindo. — Ele puxou uma arma. — Mais uma vez, ok? Você conhece essa moça?
— Sim, eu conheço.
— Kentaro, não! — Gritou Masumi.
— Calma. — Disse Kentaro, sinalizando para que Masumi mantesse a calma. — O que quer com ela?
— Só quero acertar umas contas, apenas isso.
— Que contas, exatamente?
— Nada que um bandidinho inutil precise saber. Agora me fale logo, seu merda, onde ela está?!
— Eu não faço ideia. Estamos procurando por ela também. E mesmo que eu soubesse, não te contaria.
— Ah, mas que ótimo. São mais inúteis do que eu pensei que seriam. — Disse Higashi. — Rapazes, se livrem deles!
— Espera! — Gritou Kentaro, enquanto todos estavam sob a mira de armas.
— Não tenho a noite inteira, garoto. O que foi?
— Não somos tão inúteis quanto pensa. O que acha de me levar com você? Assim, vai acabar atraindo ela mais cedo ou mais tarde.
— Ora, quer dizer que você ta escolhendo ser sequestrado? — Perguntou Higashi. — Bom, por mim tanto faz.
— Mas você vai poupar meus amigos, se não nada feito. — Disse Kentaro.
— Que seja. Venha, então, "refém".
— Não faz isso, Kentaro! — Gritou Masumi.
— Relaxa, dar tudo certo. — Ele estava calmo, até mesmo com um sorriso no rosto.
— Quando encontrarmos a Tomoyo vamos salvar você, ok?! — Disse Kai.
Kentaro assentiu, e foi levado pelos homens para um dos carros. Logo, eles foram embora, e o resto da gangue decidiu correr e encontrar Ryoko o mais rápido possível.
—
Tomoyo dirigia em alta velocidade pelas rodovias, desrespeitando todo e qualquer limite de velocidade. Anne se agarrava com força em seu assento, com medo de ser jogada para longe caso o carro parasse repentinamente ou se batesse em algo. Tomoyo sentiu seu celular vibrar.
— Não pode usar celular enquanto dirige! — Gritou Anne.
— Eu já to desrespeitando o limite de velocidade, então que se dane!
— Mas é por isso mesmo que eu to falando! Você vai bater o carro!
— Então coloca a porra do cinto de segurança! — Ela pegou seu celular, e o atendeu. — Alô?
— Tomoyo? — Era Shun.
— Shun? Alguma notícia?
— Das boas. Eu encontrei o sujeito, o tal de Kazuma. Ele foi levado para uma casa vazia, ocupada apenas por um tal de Akira e alguns capangas. Já enviei as coordenadas pra você.
— Akira....ok, muito obrigada. Eu prometo te pagar por isso depois.
— Não precisa, eu devo muito ao seu pai, mais do que posso pagar. Só salva esse cara, é tudo que te peço. Ah, e respeita o limite de velocidade, droga! Vai matar a garota do coração!
— Não prometo nada. Enfim, tenho que desligar! — Ryoko desligou o telefone.
— Quem era?
— Um amigo. Ele encontrou alguém que estamos procurando. Droga, tenho que encontrar o Kentaro antes de ir salvar ele! Onde esse desgraçado foi parar?!
— É melhor se acalmar, Timoyo.
— Ou o quê?! — Ela se irritou, e olhou para Anne.
— Ou você vai atropelar aqueles motoqueiros! — Anne gritou, apontando pra frente.
Ela olhou para frente, e viu um bando de motos vindo em sua direção. Ela brecou o carro na hora, e mal conseguiu evitar de atingir eles. Acabou topando o carro em uma das motos e a derrubou. Quando se acalmou, viu que eram Masumi, Kai e Mitsuru.
— Tomoyo?! — Gritou Kai, no chão. Ele foi o motoqueiro derrubado.
— Entrem no carro! Agora! — Ela gritou, abrindo a janela.
Os três desceram das motos, e se enfiaram nos bancos de trás.
— O que aconteceu, Tomoyo? E quem é essa? — Perguntou Kai. — E desde quando você fuma?M
— Resumindo, ela me salvou de morrer de uma possível hipotermia, hemorragia, ou os dois. E ela não desgrudou de mim desde isso, então ela vai junto com a gente. E ela tem poderes de ler mentes também, além de tudo. — Respondeu ela. — Aliás, é da sua conta se eu fumo ou não?!
— Ler mentes? Mas que merda? — Disse Kai.
— Eu já falei, esse mundo é estranho. Não deveria mais ficar surpreso. Eu pelo menos não estou. — Disse Mitsuru. — Você acabou de ver uma mulher sobreviver uma explosão que foi literalmente na cara dela, e aliás, essa mesma mulher lança raios!
— Calma ai, eu só fiz um comentário! Não precisa se irritar.
— Ei, e o Kentaro?! — Tomoyo não havia notado a falta dele.
— Ah, houve um problema. Um tal de Higashi sequestrou ele, disse que estava atrás de você. Droga, não sabemos mais o que fazer! — Gritou Kai.
— Higashi.....merda! As coisas só pioram cada vez mais! Bom, pelo menos uma boa notícia. Shun encontrou o Kazuma. E quanto a vocês? O que aconteceu durante esse tempo todo?
— Bom, estivemos fugindo desde aquela hora, sem parar. Aliás, sabia que colocaram a culpa da explosão na gente? Tão nos chamando de terroristas por todos os jornais!
— Não vai perguntar do Kazuma? — Perguntou Mitsuru.
— Ah, verdade! E ele? Onde ele ta?
— Ta numa casa abandonada, cheia de capangas do Akira, e o próprio Akira também. O que a gente faz agora?
— Bem, o Kentaro iria querer que a gente salvasse o Kazuma se pudesse, então é melhor fazermos isso. Acha que seu amigo Shun pode encontrar o Kentaro também? — Perguntou Kai.
— Tenho certeza que sim. Então, vamos atrás dele mesmo? — Perguntou Ryoko.
— Isso. Depois, a gente acha o Kentaro. — Disse Masumi. — O tal Higashi vai ter que mantê-lo vivo, já que ele ta servindo pra atrair a Tomoyo.
— Então, que seja. Espero que dessa vez a gente acabe com o desgraçado do Akira de uma vez. — Disse Tomoyo.
— É, eu digo o mesmo. — Disse Kai.
Os 5 dirigiram até o endereço, e era exatamente como Shun falou. Uma grande casa abandonada, sem nenhuma luz acesa por dentro. Deduziram que Kazuma poderia estar no porão.
— Você espera aqui, Anne? — Perguntou Tomoyo.
— Nada disso! — Ela respondeu. — Eu vou com vocês!
— Olha, mocinha, eu não acho uma boa ideia. Ler mentes não vai te ajudar tanto pra uma briga contra criminosos. — Disse Masumi.
— Olha pra minha cara de preocupada! Eu vou com vocês sim!
— Pelo menos coragem ela tem. — Disse Kai.
— Ta, mas eu não me responsabilizo por qualquer morte ou mutilação que acontecer com você. E eu espero que sua mãe não fique puta comigo.
— Minha mãe nem liga tanto pra mim. Acho que se eu sumisse ela se sentiria aliviada. Ela não quer ter mais complicações com uma filha "diferente".
— Temos mais uma vaga na gangue, se quiser. — Disse Mitsuru. — Mesmo depois que o Kazuma e o Kentaro voltarem, vamos continuar com uma vaga a mais, que tá vazia já faz um tempo. Na nossa gangue só entram pessoas desajustadas, ou com famílias desajustadas.
— Sério?! — Disse Anne, entusiasmada.
— Eu não consigo ver ela pilotando uma moto, mas tudo bem. — Disse Kai.
— Será que dá pra vocês deixarem esse recrutamento pra outra hora? — Disse Tomoyo. — Vamos logo, ou sabe-se lá o que podem fazer com o Kazuma.
Os 5 entraram na casa, e ouviram vozes vindo do porão. Eles abrem a porta, e descem cautelosamente. Percebem que, junto de Akira, haviam mais de 20 homens naquela sala. Eles planejam o que vão fazer, mas novamente Tomoyo decide partir pra cima, e eles a seguem.
— A quanto tempo, Akira. Já fazem o que? 4 horas? — Diz Tomoyo, e ela enfim percebeu quanto tempo ficou desacordada. Já faziam 4 horas desde a explosão na fábrica.
— Aí está você! Meu primeiro e verdadeiro amor! — Grita Akira, com um tom muito feliz em sua voz.
— Desculpa, mas não to interessada. Que tal soltar o homem, e nós resolvermos isso no diálogo?
— Ei! — Gritou um dos capangas. — É aquela vadia que atacou a gente no beco!
— Ah, são vocês! Achei que nunca mais os veria! Que tal repetirmos a dose? — Diz a jovem, enquanto o resto da gangue sai do esconderijo e se juntam a ela.
— Vamos, rapazes! A atração principal da noite é agora! — Grita Akira.
Akira avança contra Tomoyo, porém ela desvia, e lança uma pequena eletricidade que o joga na parede. Ela ataca 4 capangas de uma vez e os desmaia. Kai avança contra Akira e acerta um chute em seu rosto, quebrando seu nariz. Ele teria sido atacado por um capanga pelas costas, mas o homem subitamente se sentiu tonto e não conseguiu aplicar seu golpe. Kai, Mitsuru e Masumi notaram que Anne estava com a mão estendida na direção daquele homem, e deduziram que ela estava fazendo isso.
— Achei que você só soubesse ler mentes. — Diz Kai.
— Eu também achava! — Grita Anne, aparentando estar fazendo um grande esforço.
Kai aproveitou e derrubou o capanga no chão, o nocauteando. Anne perdeu o fôlego, e tentou recuperá-lo. Sua nova habilidade parecia deixá-la bem cansada. Tomoyo seguiu derrubando os capangas na sala, um por um. Como não precisava esconder seus poderes, os usou a vontade, pulando pelas paredes e lançando varias rajadas de eletricidade neles. Akira tentou atacar Kai, mas foi atingido por um raio antes, que o desequilibrou, e Kai aproveitou para acertar varios golpes nele, que enfim, o nocauteram. Em alguns segundos, todos os capangas estavam desmaiados, e seu líder também.
— Anne? O que mais você sabe fazer? — Perguntou Tomoyo
— Eu juro, essa foi a primeira vez que eu fiz isso. — Disse Anne, ainda cansada.
— Bom, temos que testar mais seus poderes depois. — Disse a jovem. Ela andou em direção a Kazuma, que estava sentado em um canto da sala. — Então, finalmente nos conhecemos, senhor Kazuma.
— Você deve ser a tal Tomoyo, que eles tanto falavam. — Disse Kazuma, com um sorriso no rosto. Sua voz era grave, mas amigável ao mesmo tempo. Ele vestia um casaco preto com o logo dos Coyotes nas costas, e vestia uma calça preta.
— Então eu to ficando famosa por ai? — Disse ela, se agachando para desamarra-lo.
— O que aconteceu, chefe? — Perguntou Kai.
— Eles me descobriram, na verdade, acho que souberam desde o início. Tive sorte de vocês terem chegado, ouvi um deles dizendo que iriam começar a diversão logo logo. Se demorassem um pouco mais, talvez eu já estivesse sem uma mão ou algo do tipo.
— Agradeça a ela. Se não fosse por ela e um amigo dela, nunca encontraríamos você. Akira disse que você estava em uma fábrica, mas não o encontramos lá. Era obviamente uma mentira, claro.
— Ah, então você foi minha heroína? — Disse Kazuma.
— A própria. — Respondeu Tomoyo, finalmente soltando os nós que os prendiam. — Mas ainda resta outra pessoa pra salvar, e com certeza não vai ser tão fácil quanto foi salvar você.
— Eles pegaram o Kentaro, né? Desgraçados. — Perguntou Kazuma.
— Foi culpa minha. Eu coloquei ele nessa roubada, e prometo que vou tirá-lo. — Tomoyo recebeu uma ligação. — Um minutinho. Alô?
— Vim falar sobre seu amigo sequestrado. — Era a voz de Higashi.
— Higashi! Ah, seu desgraçado! O que fez com ele?! — Gritou Ryoko.
— Relaxa, ele está bem, por enquanto. Ênfase nessa ultima parte, "por enquanto". Já enviei as coordenadas pro seu celular. Quero que venha até aqui pra resolvermos isso direito. Até daqui a pouco. — Ele desligou.
— Merda! Bom, gente, precisamos ir logo. Não da pra saber o que ele vai fazer com o Kentaro.
— Eu gostaria de ir junto, mas acho que não estou com forças o suficiente pra ajudar. — Disse Kazuma, aparentando estar cansado e ferido.
— Relaxa, só descanse. Vai ser uma merda te resgatar só pra você morrer logo em seguida. Bem, vocês vão vir junto?
— É claro que vamos! É o Kentaro, droga! Óbvio que vamos junto!
— Sendo assim, tenho algo pra vocês. — Tomoyo foi até o porta-malas, e puxou sua mochila. Abriu ela, e revelou as armas que havia trazido. — Podem escolher.
— Ah, eu com certeza vou ficar com essas aqui! — Disse Masumi, pegando as pistolas duplas.
— Esse machado tá praticamente me chamando. — Disse Kai, o pegando.
— Minha mira é horrível, então eu com certeza não vou usar essa arma. Sendo assim, só me resta.... — Mitsuru pegou os óculos. — O que diabos eu faço com isso?
— É meio complicado....e acho que você não vai precisar deles agora, pelo menos. — Disse Tomoyo, olhando ao redor. — Melhor improvisar.
Ela andou até uma placa de trânsito na rua, e a arrancou do chão. Retirou a parte de cima dela, restando apenas seu cabo, e a entregou para Mitsuru.
— Pronto! — Ela entregou para ele.
— Um cabo de aço? Ok, melhor que nada, né. — Disse Mitsuru.
— Sendo assim, estão preparados? Isso vai ser perigoso.
— Pode apostar que estamos prontos! Na minha opinião, a gente tá só perdendo tempo discutindo aqui. — Disse Kai.
— Se você diz. — Disse Tomoyo. — Anne, quer ir com a gente também?
— Acho que é melhor eu ficar pra ajudar o Kazuma, né? — Disse Anne. — Onde fica a casa de vocês?
Eles passaram o endereço, e Anne foi junto com Kazuma para lá. Tomoyo, Mitsuru, Kai e Masumi entraram no carro, e seguiram até o prédio onde Kentaro estava sendo mantido.
—
— Então, quer dizer que o Higashi fudeu com tudo? — Perguntou Satsuki(Motoko).
— Eu tentei dizer a ele que deveria esperar antes de se vingar, mas não consegui impedi-lo. — Disse Becker. — Sinto muito, madame.
— Não, tudo bem. — Respondeu Satsuki. — A Tomoyo vai ficar bem. Talvez algum dos amigos dela morram, mas ela vai sobreviver com certeza. Talvez ela até mate o Higashi, e não teremos que nos importar com essa questão.
— Então, não preciso intervir? — Perguntou Becker.
— Não, deixa as coisas acontecerem. Quando essa inconveniência acabar, a Tomoyo vai vir atrás da gente pra buscar o papai numero dois dela. Só nos resta esperar agora.
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