Avalon
10 Capitulo 10
Tomoyo não permitiu que ninguém dirigisse o carro além dela, então foi ela quem levou todos até o edifício Stigma. A cidade parecia silenciosa demais, e a maioria do comércio estava fechado. Aquelas ruas brilhantes cheias de luzes neon estavam quase todas apagadas, como se aquela cidade que nunca dorme tivesse enfim adormecido. Estavam todos em silêncio, até mesmo Anne, que nunca parava de falar, estava quieta olhando pela janela.
— Então, pessoal? — Ela perguntou, quebrando o gelo. — Qual a ideia de vocês?
— Sobre? — Perguntou Kentaro.
— Sobre como vamos encontrar o Miles, ora! Aquele prédio é imenso! — Respondeu.
— Eu achei que você tivesse um plano. — Disse Mitsuru.
— Eu apoio a gente chegar chutando a porta da frente e espancando todo mundo. — Disse Kai.
— Eu também apoio isso. — Respondeu Tomoyo. — Eu não to falando de como vamos entrar no prédio, droga, eu to falando de como vamos encontrar o Miles! Não podemos ficar perdendo tempo passeando, ou vão acabar matando a gente.
— Com você do nosso lado, acho que a gente não morre não. — Disse Masumi.
— Eu acho que posso ajudar com isso. — Disse Anne.
— Como? Vai me falar que....
— Quando cheguei perto daquele tal Tamashiro, eu vi o Miles. O lugar em que ele estava tinha uma vista pra janela. Dava pra ver toda a cidade, e daria até pra ver os campos desertos além dela, se não fosse a poluição. Minha dedução é de que ele esteja pelo menos entre os 5 últimos andares.
— Você sabia que o Miles tava lá esse tempo todo, e não me contou? — Reclamou Tomoyo.
— É......eu não queria atrapalhar, entendeu? Nem tinha certeza se era o Miles, mas agora sei que é.
— Fala sério......ta, que seja, isso já é um começo. — Disse Tomoyo. — A gente chuta a bunda de alguns soldados, entramos no elevador e vamos até o último andar. Isso vai ser o mais perto que cheguei de seguir um plano na minha vida. — Ryoko então viu o grande logo da Stigma no horizonte. — Estamos chegando, pessoal.
Ela enfim estacionou na frente daquela grande fortaleza de metal. Todos desceram do carro, segurando suas armas, e observaram o prédio. Ele era imenso, tinha mais ou menos 50 andares, que eram grandes, dando a impressão que aquele prédio tinha o dobro de andares. O grande logo azul da Stigma ficava perto do topo, e um pouco abaixo, havia um grande globo que brilhava azul, grudado no prédio, e que com certeza não estava ali antes, mas nenhum deles se atentou muito a esse fato. Tomoyo cerrou seus punhos, tentando conter seu nervosismo. Todos estavam nervosos, e aquela situação toda trazia lembranças para Tomoyo.
— Qual é o problema? — Perguntou Anne.
— Nada, é só que isso me lembra algo que meu pai me contou. — Respondeu Tomoyo. — Ele me disse que, logo após desertar da Zeta, ele, Miles, minha mãe e seus outros parceiros invadiram a empresa pra impedir que Raymond atirasse com um grande canhão na cidade vizinha, Midal.
— E então, a história se repete. — Diz Mitsuru.
— Deve estar nos seus genes. — Diz Masumi, e Tomoyo ri.
— É incrível, como as pessoas ficaram tão alienadas? A 30 anos atrás eles percebiam que essas grandes corporações fazem mal pra nós, e agora eles as seguem cegamente? Como é possivel a gente ter retrocedido? Esse é um dos meus maiores questionamentos. — Diz Kai.
— Meu maior questionamento é como você pode ter um cabelo mais longo e sedoso do que o meu. — Responde Ryoko. — Qual é, o que você faz hein?
— Ei, eu não faço nada! Ele só é assim naturalmente.
— Que inveja.....Enfim, estão prontos? — Perguntou Tomoyo, já dando um passo a frente.
— Pera ai! Não devíamos criar um plano antes? Tipo, entrar pela porta dos fundos ou algo do tipo. — Diz Kentaro.
— Olha, eu — Ela foi interrompida.
— "Não sou uma pessoa de planos", é, eu sei, mas acho que agora era uma boa hora pra mudar isso, pelo menos uma vez, não acha?! — Kentaro parecia irritado com sua imprudência, mas seu estresse era por causa de outra situação, mais especificamente sobre aquilo que só seus amigos sabiam agora.
— Não era isso que eu ia falar. Olha ali. — Ela apontou para uma câmera, que piscava vermelho.
— Ah, merda. Sério isso?
— É, bem sério. Eles já sabem que estamos aqui, e só devem estar nos aguardando entrar pra começar a festa. Então que tal entrarmos logo pela porta da frente? — Disse Tomoyo.
— Ta, fazer o que. — Kentaro ainda parecia irritado.
— Então, pergunto mais uma vez. Prontos?
— Mais ou menos. Que tal a gentes só ir de uma vez? — Disse Masumi.
— Como quiser. — Respondeu a jovem.
Os 6 andaram em direção a porta da frente, e Tomoyo a chutou. Se depararam com guardas comuns, que se assustaram com a presença da gangue ali. Iriam atirar, mas foram surpreendidos pelos tiros de Masumi e Kentaro, que derrubaram todos eles. Ouviram varias pessoas descendo as escadas para o térreo, e notaram que todos os guardas que vieram, dessa vez, eram robôs. Isso foi surpreendente para alguns deles, mas também foi mais confortante. Dessa vez, não precisavam se preocupar com o fato de talvez estar matando alguém. Tomoyo lançou varios raios, seguidos de chutes e socos em varios dos robôs, enquanto Kai destruía alguns com golpes de seu machado. As balas elétricas de Masumi vieram a calhar, já que derrubavam os robôs instantaneamente.
— Me sinto como a Tomoyo lançando raios com isso! — Gritou Masumi.
— Um dia você chega lá. — Respondeu ela.
Kentaro usou sua arma laser para derrubar varios robôs, simplesmente apertando o gatilho e girando seu corpo. Apenas tomou cuidado para não acertar nenhum de seus amigos. Notaram que cada vez mais robôs apareciam, e logo o térreo se encheu daqueles guardas metálicos. Quase encurralados, a gangue não sabia o que fazer. Anne conseguiu jogar alguns para longe usando seus recém descobertos poderes telecinéticos, mas não adiantou muito. Tomoyo então teve uma ideia.
— Se afastem. — O tom que disse aquela frase fez com que a obedecessem instantaneamente.
Ela se concentrou, e carregou uma grande eletricidade em seu corpo. Seus cabelos se espetaram novamente, como da última vez, e seus olhos brilhavam com a cor vermelha. E então, ela liberou toda essa energia. As luzes do andar piscaram quando ela finalmente liberou seu poder. Varias rajadas de eletricidade atingiram os robôs, e em uma velocidade que a deixava impossível de ser vista a olho nu, atacava todos os guardas com socos e chutes. O brilho da eletricidade quase cegou todos, que tiveram que tapar seus olhos. Enfim, aquela multidão interminável de guardas robóticos estava completamente destruída. O corpo de Tomoyo voltou ao normal, e ela quase caiu no chão, se apoiando na parede. Ela se sentou, estando quase sem fôlego.
— Antes que falem qualquer coisa, eu já avisei. Esperem qualquer coisa desse mundo. — Disse Mitsuru.
— Tommy, isso foi incrível! — Disse Anne.
— É, acho que foi. — Disse Tomoyo, ofegante. Ela mal se importou com Anne ter usado aquele apelido de novo. — Ei, Mitsuru! E quanto aos óculos?
— Bom, descobri que consigo hackear o sistemas desses robôs, e provavelmente conseguiria tê-los desativados, se você não tivesse feito isso na ignorância, claro. — Disse Mitsuru.
— É, foi mal. — Ela riu. — Da próxima vez deixo você ter seu momento de brilhar. Agora, que tal darem uma olhada por esse andar enquanto eu recupero o fôlego?
Kentaro e Mitsuru seguiram para a esquerda, e o resto para a direita. Anne, Kai e Masumi não encontraram nada naquele grande saguão, além de uma porta trancada. A entrada do edifício era imensa, cobrindo até o segundo andar do prédio, que podia ser acessado por ali mesmo, com uma pequena escada, e funcionava como uma espécie de sala de estar, com cadeiras e televisões. A estética era toda escura, com uma iluminação azul. A parede, teto e piso eram de um porcelanato preto, que refletiam as luzes azuladas. O lugar era totalmente otimizado com a melhor tecnologia, e as luzes provavelmente eram mais caras que todas as casas das favelas de Avalon juntas, e cada móvel era feito dos mais belos materiais. A iluminação azulada do lugar dava a ele um aspecto frio, e nada aconchegante ou convidativo. Kentaro e Mitsuru abriram uma porta, que dava para uma sessão de exposição. Ali, haviam varios modelos de armas e equipamentos que a Stigma havia produzido, desde armas super avançadas até veículos e aeronaves com tecnologias de ponta. Porém, um certo veículo chamou a atenção de Kentaro.
— Espera um pouco. — Ele olhou para aquilo, tentando acreditar no que via. — Ta vendo o que eu to vendo?
— Eu to vendo a sua -
— A minha moto! Que merda ela tá fazendo na porra do prédio da Stigma?! — A moto de Kentaro estava em exposição, como se fosse de autoria deles. — Droga, eu vou matar o desgraçado que roubou ela de mim!
— Não, não vai. — Disse Mitsuru. — Viemos aqui pra salvar o Miles, e não pra matar a presidente. Podemos fazer isso outro dia.
— Merda, merda, merda! — Kentaro continuava furioso. — Ta, preciso me conter. Primeiro, a gente salva o Miles, e depois a gente espanca todo mundo.
— Só se for necessário. O plano é salvar o Miles e fugir o mais rápido possível. Vamos voltar, não tem nada de útil aqui.
— Ta, que seja. — Kentaro andou para a porta, e se virou, para olhar sua moto novamente. — Eu volto pra você, tá bom?
Tomoyo havia recuperado seu fôlego, e se levantou. Subiu para o segundo andar, e encontrou as escadas de emergência, e o elevador. Pensou em qual seria a melhor rota, e ficou dividida. Poderia usar o elevador, um meio mais rápido e prático de chegar até os andares superiores, mas também haviam mais chances de serem atacados pela segurança. As escadas demorariam mais, já que seriam 50 longos andares até chegarem no topo, mas por outro lado, talvez ninguém os atrapalhasse lá. Ela viu os outros voltando, e foi até eles.
— Já fiz a decisão. Vamos de elevador.
— E por que vamos de elevador? — Perguntou Anne.
— Ora, porque eu to com preguiça de subir 50 andares, não é óbvio? — Ela reclamou, com um tom irritado. — Vem logo, droga. Estamos perdendo tempo.
— As vezes eu acho que ela é um pouquinho surtada. — Disse Masumi.
— É bem do tipo que eu gosto. — Diz Kai.
— Uh.... — Kentaro se irritou novamente, e Kai percebeu o motivo, mas não falou nada. — Então vamos logo pra porra do elevador!
Todos entraram, e começaram a subir. Apesar da grande tecnologia do lugar, seu elevador era consideravelmente lento. Demorou uma eternidade para que chegassem até o andar 20, e mais outra para chegarem perto do andar 40.
— Merda, sério que não podiam fazer a droga de um elevador que funcione decentemente?! — Disse Tomoyo, chutando a porta do elevador.
— Ei, se acalma! Vai chamar atenção! — Disse Mitsuru.
— Acha que to me importando?! Eu vou arrancar as bolas do desgraçado que projetou essa desgraça desse elevador! — Tomoyo se irritou ainda mais, ao ver que o elevador havia parado no andar 40, e acertou um soco forte na porta.
A porta do elevador se soltou, e saiu voando. Atingiu os dois guardas que estavam no andar, que, por azar, eram humanos. Eles instantaneamente desmaiaram ao ser atingidos pela grande e pesada porta de metal, e a jovem se arrependeu um pouco ao ver o que fez.
— Satisfeita? — Perguntou Masumi.
— Talvez não. — Disse Tomoyo, com uma expressão surpresa no rosto.
— E agora, o elevador não sobe mais. Que maravilha! — Disse Masumi, notando que ele não se movia de jeito nenhum.
— A gente vai ter que usar as escadas então? — Perguntou Anne. — E-Eu não quero subir 10 andares de escada!
— Olha pelo lado bom. — Disse Kai. — Eram pra ser 50. Pulamos 40 andares. Você vai sobreviver, relaxa.
— Será? Eu acho que não. — Disse Anne, já aparentando estar cansada. — Eu sou meio sedentária, sabe?
— E-Então vamos, gente. Não podemos parar agora! — Tomoyo estava visivelmente envergonhada pela besteira que fez, e já se enfiou nas escadas antes de todos.
—
Satsuki continuava sentada, aguardando. Ela olhava o grupo por uma tela, que acompanhava cada câmera pela qual eles passavam. Ela poderia simplesmente atirar neles por ali e acabar com tudo logo de uma vez, mas queria se divertir um pouco. Seu pequeno entretenimento foi cortado ao notar que havia um outro grupo invadindo e prédio, que se aproveitava da segurança que já havia sido destruída, e estava subindo em alta velocidade. Decidiu cuidar disso sozinha, e pegou o elevador, que ainda não havia sido quebrado, e desceu até o andar 45. Aguardou que o grupo de homens armados chegasse enfim naquele andar, para que pudesse ter um diálogo com eles.
— Bem, a quem devo as honras? — Perguntou Satsuki(Mikasa) após os homens enfim chegarem.
— Nós viemos aqui a mando de Ryuji. — Disse um dos homens, apontando sua arma para ela. — É bom se render, presidente Stigma!
— Ryuji? Então aquele verme continua vivo. — Ela falou, com um rosto surpreso e ignorando completamente a arma apontada para sua cabeça. — Bem, vocês devem ser o grupo reserva, já que o grupo principal ta respirando pelos buracos no pescoço agora.
— Você ainda debocha deles, né?! Já chega, abram fogo!
Os homens começaram a atirar, e Satsuki saltou para o teto, se agarrando nele. Puxou sua faca e se lançou contra um dos homens, acertando uma facada em seu olho. Jogou sua faca com toda a força no pescoço de outro guarda, e ela se fincou no meio de sua jugular. Ela então acertou um chute no lado esquerda da faca, que a fez terminar o corte. Ela então puxou a faca do pescoço do guarda morto, e correu na direção de outro, esfaqueando-o múltiplas vezes na barriga. Por fim, desviou dos tiros do último guarda vivo e o chutou para a janela, fazendo-o cair 45 andares abaixo. Satsuki pegou seu celular e observou outras câmeras, mas não encontrou mais ninguém. Ela então voltou para o elevador, e subiu para seu escritório novamente.
—
Tomoyo e a gangue subiam as escadas em uma velocidade consideravelmente lenta, pois não queriam se cansar com aquilo, já que logo com certeza teriam que lutar uma hora ou outra. Ao passar pela porta do andar 45, notou que ela estava semi-aberta, e resolveu espiar. Ela encontrou ali varios homens mortos no chão, todos com cortes na garganta ou na barriga, e uma das janelas estava quebrada.
— Isso é.... — Disse Kai, o faltando palavras.
— Perturbador. — Completou Mitsuru.
— É, exatamente isso que eu ia falar. — Disse Kai.
— Quem pode ter feito isso? — Disse Anne, visivelmente horrorizada. — Parece até que foram atacados por algum animal selvagem.
— Talvez tenham sido. — Respondeu Tomoyo. — E esse animal se chama Satsuki Stigma. Eu tenho certeza que foi ela.
— Como sabe? — Perguntou Kentaro.
— Eu só conheço 3 pessoas que conseguiriam atacar tantos homens assim ao mesmo tempo. Meu pai, eu, e Satsuki. Meu pai está morto, e eu estou bem aqui na frente de vocês. Além disso, somente a Satsuki poderia ser cruel ao ponto de assassinar eles dessa forma. Tem que ter sido ela.
— Me parece um argumento bem sólido. — Respondeu Kai. — Ei, Mitsuru? Será que seus óculos não podem ver se a Stigma não está perto?
— Posso tentar. — Ele ativou os óculos, e olhou ao redor. Não havia ninguém nos próximos 3 andares, e nem nos 3 andares inferiores. Porém, ele encontrou uma grande fonte de energia vinda da sala ao lado. — Ninguém em um raio de 3 andares, mas, tem algo interessante nessa sala aqui.
— Interessante como? — Perguntou Tomoyo
— Interessante do tipo "deveríamos ir logo ver o que é", né? — Perguntou Kai.
— Exato. — Respondeu Mitsuru.
O resto obedeceu, e andaram até a tal sala. Ao abrirem ela, encontraram varias telas que passavam propagandas da Stigma, uma diferente da outra. A que mais chamou a atenção, e que estava na tela maior, era sobre a escavação que a empresa fazia pelo mundo. Dizia que era para arrecadar riquezas e aumentar seu monopólio e extensão, e tudo isso foi um grande deja vu para Tomoyo. Ela sentia que já tinha ouvido algo assim antes, mas não conseguia se lembrar exatamente do que era. Então, a imagem de uma gema azul surgiu na sua mente, e ela se lembrou de tudo.
— Tomoyo? O que foi? — Perguntou Kai.
— Eu...eu... — Ela foi interrompida após as telas todas apagarem, e apenas a grande continuar acesa. Aquela grande tela então mudou, e mostrava um homem vestido com um terno branco. Era Fremont Becker.
— Saudações, "Coyotes". Meu nome é Fremont Becker. Sou líder das forças armadas de Avalon, e vim aqui para sugerir uma proposta a vocês.
— Então, era voce, seu desgraçado?! O que você quer agora?! — Perguntou Tomoyo
— Se me permite então. Tomoyo, você é nossa real convidada, e é bem vinda aqui. Seus amigos, por outro lado, não são. Porém, não sou tão fã assim de violência, então sugiro o seguinte: Venha até o escritório da presidente, sozinha, e deixarei eles irem embora, até levarei um guarda para guiá-los até a saída, se quiser. Caso rejeite minha oferta, teremos que usar força letal contra vocês. Como podem ver, hoje estou de bom humor. Ja fiz essa proposta antes, e estou a fazendo novamente. Não abusem da minha bondade. Isso é tudo. — Ele desligou antes que alguém pudesse responder, e as telas voltaram a exibir propagandas.
— Merda! — Gritou Tomoyo, chutando uma cadeira próxima dela. — Essa é a última chance, pessoal. Se quiserem pular do barco, esse é o momento.
— Sabe que não vamos, né? — Respondeu Kai. — Eu pelo menos ficarei aqui com você até o fim.
— Me sinto lisonjeada. — Ela sorriu para Kai. — E quanto ao resto?
— Acho que digo por todos ao falar que concordamos com o Kai. — Disse Anne. — Eu pelo menos não vou abandonar minha melhor amiga.
— Melhor amiga? Mas a gente se conhece faz 2 horas! Como já me chama de melhor amiga? — Ela estava surpresa.
— Eu nunca tive amigos de verdade, achei que tivesse te contado isso. E você é a única que me entende, então sim, é minha melhor amiga!
— Bem, se a gente sobreviver, vamos ter tempo de sobra pra oficializar essa amizade. — Disse Tomoyo. — Certo gente, então vamos continuar subindo!
Eles olharam para as propagandas novamente, e viram ser passado algo sobre uma jóia rara, de uma lenda antiga. Aquilo tudo deu uma forte dor de cabeça em Tomoyo, e visões sobre uma familiar gema azul veio em sua cabeça. Ela sentiu uma presença que não sentia a anos, que fez todo o seu corpo gelar. Ela olhou para fora da sala, e viu alguém cruzar o corredor.
— Tomoyo? — Kentaro notou que ela estava agindo de forma estranha.
Ela se arrastou pelo corredor, ainda com uma forte dor de cabeça. Ela reconhecia aquela presença, e queria confirmar se era real. Após entrar em uma das salas, que era um escritório vazio, viu um homem de costas. Sua silhueta era o suficiente para confirmar quem era. Yuke Arakawa, o homem que matou seu pai. Ele se virou, e seu sorriso característico estava em seu rosto.
— Você.......como pode? — Suas pernas tremiam, e ela suava frio.
Yuke apenas sorria para ela. Tomoyo perdeu o controle, e avançou contra ele. Ao chegarem na sala, a encontraram socando o ar sem parar, e gritando com alguém que não estava ali. Enfim, ela saiu de seu transe após se sentir sacudida por alguém. Era Kentaro, que tentava acalma-la de algum jeito.
— Tomoyo? Tomoyo! — Ele gritava, e notou que ela estava voltando a si. — O que houve?
— Huh......nada, não é nada. — Ela empurrou Kentaro com força, e quase o derrubou no chão.
Tomoyo foi direto até as as escadas, e começou a subir. O resto não entendeu nada, apenas Anne tinha uma ideia do que havia acontecido, e resolveram apenas segui-la e não fazer perguntas. Viram, através de placas de informação, que do andar 46 em diante ficavam os escritórios, e decidiram começar a busca por ali, já que Miles, segundo Anne, estava em um escritório. Eles checaram algumas salas, mas não encontraram nada, até verem uma que estava completamente vazia. Tomoyo entrou, pois achou peculiar um escritório sem nenhuma mobilia, e viu uma porta literalmente se formar do nada na parede. A porta se abriu sozinha, e de dentro dela emanava uma forte luz azul. Sem pensar duas vezes, a jovem entrou. Ela estava em uma sala gigantesca, que parecia ter um formato redondo.
— Acham que isso aqui é aquele globo enorme do lado do prédio? — Perguntou Anne.
— É bem possível que seja mesmo. — Respondeu Masumi. — Que merda de lugar é esse?
— É a sala de treinamento. — Foram surpreendidos por uma voz feminina familiar vinda do nada. — E será o túmulo de vocês em breve.
Viram, no meio da sala, um holograma se formar aos poucos. Notaram que era uma figura feminina, e que Tomoyo já suspeitava de quem era. Suas suspeitas foram confirmadas após o holograma se completar. Era Satsuki Stigma.
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