Avalanches
13 Por uma última vez
Notas iniciais
Estava sentado em minha cama, e espalhadas sobre ela todas as fotos com Erwin. Uma delas em especial foi no nosso primeiro natal juntos. Hanji havia tirado enquanto nos beijávamos no sofá da sala.
Roubei sua camiseta do Rammstein naquela noite. Eram tantas lembranças misturadas e congeladas naquelas milhares de fotos que partia meu coração olhar cada uma delas e escolher apenas uma para deixar para trás; mas eu tinha que fazer isso. Era o necessário. Era coisa certa a fazer. Passo os olhos por todas elas novamente, finalmente entendendo o porquê. Vivemos tudo com intensidade, achando que duraria pouco, que seria algo rápido e sem sentimentos fortes o suficiente para aguentar tanto tempo juntos. Mas foi no nosso aniversário de quatro anos que percebi que algo estava errado, e mesmo assim levamos a diante, nos amamos e guardamos as mentiras no buraco mais fundo que encontramos e esquecemos. Seguindo assim por mais três anos; engolindo choros dizendo que tudo ficaria bem, prometendo coisas que jamais foram cumpridas. A única coisa que passamos a ter foi a companhia um do outro e nem assim as coisas melhoravam, nem assim a chama que tentei manter acesa por muitas vezes voltou a se acender. E quando achei que não aguentaria mais levar aquilo tudo por mais um ano, suportar diferentes tipos de dores emocionais, apenas para me sentir seguro sobre o que era o amor eu desisti.
Eu não aguentava mais aquilo. Era distante, não havia amor entre nos. Eu começava a me culpar, a desejar que não fosse assim, o sexo era frio, os beijos sem sabor. Eu fui o primeiro a ceder.
–Não tá dando certo. – havia dito ele naquela noite.
Eu só pude concordar com ele, não sabíamos o que fazer então resolvemos “dar um tempo”. Devíamos ter terminado naquela noite. Tudo seria muito melhor e mais fácil de suportar desse jeito. As lágrimas que havia escondido dele saíram com pressa. As desculpas eram sinceras mas eu não pude aceitar.
Traição não envolve apenas relacionamento com terceiros, tem a ver com mentiras, falta de cumplicidade, paixão, carinho. Amor.
E apesar de tudo eu o amava incondicionalmente. Erwin era minha vida, o dono do meu coração, o primeiro que amei com minha alma. E quando conheci Eren... Percebi que não podia mais ficar me lamentando, eu tinha que seguir em frente, por pior que fosse a dor de esquece-lo eu tinha. Tinha que esquecer o toque de seus lábios, o calor de suas mãos, o abraço, a voz, a mania de coçar a cabeça e estalar os dedos, o jeito com o qual passava o polegar por meus lábios, das mãos dadas sob os cobertores, da sua respiração enquanto dormia. Do turquesa de seus olhos.
Eu tinha que curar essas novas feridas longe dele.
Suspiro pesado ao finalmente escolher a memoria perfeita, rascunhando com as mãos tremulas meus sentimentos por ele. Deixando claro os motivos, me desculpando de todas as formas que conseguia.
A verdade sobre todas aquelas fotos, sobre aquela carta que escrevia sentindo as lágrimas mancharam meu rosto era simples, dura e fria : havia acabado.
Metade das minhas coisas já estavam guardadas, não via Erwin já fazia mais de três semanas, não que quisesse, nessas últimas semanas eu senti uma falta absurda dele e quando ele voltou, simplesmente não soube o que fazer. Então eu o amei. Me entreguei a ele como nunca pensei ser possível, os beijos demorados voltaram, os sussurros, as mãos. Todo a amor que eu queria aparecia nesse único momento, e então eu lembrava das minhas escolhas. Confesso que quase me arrependi.
–Você esta quieto. – disse ele passando a mão por minhas costas – Aconteceu alguma coisa?
–Sim. – Erwin se ajeitou na cama, olhando fundo em meus olhos enquanto eu engolia em seco.
–O que houve? – perguntou levando uma mecha de cabelo para trás de minha orelha.
Aquelas mãos...
–Eu estava pensando em nós dois há algum tempo. – era agora – Eu quero saber uma coisa.
–O que?
–O que sente por mim?
–Que pergunta é essa? Você sabe que eu te amo.
–Mas quanto? — eu queria dar um motivo a ele, mostrar que tinha dúvidas, demonstrar que algo estava errado comigo e que eu precisava de um pouco mais de tempo. E então, antes de tentarmos começar de novo eu desapareceria. Queria que ele fosse feliz, que seguisse com sua vida sem mim, sem desgastar seu coração a tanto machucado. Queria que ele tivesse dúvidas sobre meus sentimentos. Se fosse pra trazer tudo de volta, então que as dúvidas também viessem.
Eu tinha que acabar com aquilo de uma única vez.
–Rivaille.
–Me responda, por favor. – Erwin não me respondeu, apenas me puxou para seus braços. Me agarro a ele com a esperança de guardar em minha mente cada respiração, toque, palavra.
–Eu te amei desde o dia em que te vi virar a esquina daquele bar, te amei desde sua primeira risada, desde o primeiro “oi”. Eu parecia um babaca na sua frente. – ele tentou rir enquanto sentia seu cabelo ser puxado por mim. Uma última vez. – Até hoje não sei por que você se apaixonou por mim.
–Você era bem gentil. – minha voz sai abafada – Foi isso que me fez te amar.
–É a primeira vez que me diz isso.
–É a primeira vez que tive coragem.
Ficamos um tempo daquele jeito, desejei ficar o maior tempo possível ao seu lado, sentindo aquela culpa começar a me corroer; desejando que aquela noite nunca tivesse existido, desejando nunca tê-lo conhecido. Desejando nunca tê-lo amado, e enquanto ele segurava meu rosto, preocupado com o motivo das minhas lágrimas eu não pude dizer. Não consegui mentir dizendo que simplesmente me deu vontade de chorar, não consegui dizer que o amava com todas as minhas forças mas eu não conseguia mais aguentar aquilo.
–Erwin, eu tenho que te contar uma coisa. Eu preciso que entenda e sabia que apesar de tudo, eu te amo – soluçava.
–Rivaille, você esta me assustando.
–Por favor Erwin, você... Eu...
Tento respirar, mantendo a calma enquanto pensava em algo para lhe dizer que não o machucasse. Mas o que?
–Eu pensei que... – tento manter a voz firme, falhando – Que nesses meses tudo ir dar certo, que íamos ter aquilo de volta, mas Erwin... eu não quero isso.
–Rivaille.
–Eu pensei sobre a gente, sobre isso... e até onde isso vai dar e percebi que não passaríamos desse ponto.
–Você não... Por favor Rivaille.
–Eu quero... Um pouco mais de tempo pra pensar – ele fungou alto, engolindo o choro – Eu sinto muito Erwin, preciso entender o que esta acontecendo comigo.
–Você não me ama mais?
–Não é isso.
–Então é o que? – minhas mãos tremiam.
–Eu não sei... Eu não sei mais o que sinto por você.
Aquilo foi o suficiente.
Quinze minutos depois eu estava sozinho no meu quarto, chorando baixo encolhido entre os travesseiros. Quantas vezes eu acabei desse jeito. E aquela dor no peito... Quando ia acabar?
Hanji me ajudava com as caixas, não via ou ouvia falar de Erwin há quatro dias. Por um lado foi até bom, evitar qualquer atrito, me curar aos poucos. Não era um tempo para mim, eu já tinha todas as respostas, Erwin só precisava encontrar as dele.
–Onde foi essa? – perguntou ela me mostrando uma foto. Erwin me segurava no colo, fingindo morder meu pescoço.
–Na sua festa de aniversário de 28.
–Velharia – sorriu – Vocês ainda... Sabe? – ergo os olhos dos livros que organizava. Hanji havia feito um leque de fotos nas mãos – se amavam?
Suspiro pesado e estico as pernas no chão, lembrando dos dias que tentei esquecer nas últimas 96 horas.
–Não sei, acho que sim.
–Sinto muito. — disse cabisbaixa.
–Pelo o que?
–Se não fosse por mim, isso jamais teria acontecido.
–Não se preocupe com isso Hanji. Foi bom enquanto durou.
–Mas você ainda o ama, não é?
Eu não respondi.
A mentira de “mudar de apartamento” funcionou até Hanji ver minha passagem de avião. Nunca vi aquela mulher tão brava. Exigindo explicações, o que primeiro foi o por que ter voltado com Erwin mudou para o por que o estava deixando. Eu simplesmente não tinha uma explicação para isso, as coisas simplesmente acabaram, e a falta de notícias dele me deu a falsa esperança de que ele não ligava para o que eu fazia. Aquele Rivaille de 26 anos não existia mais, nem seus sentimentos. A única coisa que eu tinha agora era um apartamento vazio com minhas malas, levando comigo o que realmente me importava. As lembranças que tinha daqui, o amor mais intenso que pude viver, e uma desculpa esfarrapada para Erwin naquela tarde que antecedia minha partida. Depois de uma conversa marcada por monossilabas eu tomei coragem de falar.
–Eu pensei naquela conversa que tivemos. – seu vinho desceu seco.
–E então?
–Quero saber sua opinião primeiro.
–Vou te apoiar em tudo que revolver fazer Rivaille.
–Mesmo que não faça parte dos meus planos?
–Claro. – seus olhos não diziam o mesmo.
–Não há mais nada que me prenda aqui Erwin.
–O que quer dizer?
–Vou voltar para a França.
–O que?
–Meu voo sai as 10h30 de amanhã.
–Disse que ia se mudar.
–Eu menti. Achei que dessa forma você sentiria menos e eu sei que...
–Quando decidiu isso?
–Isso não importa.
–Me diz o que fiz de errado.
–Você não fez nada. – digo segurando suas mãos, tentando acalmá-lo. – Não se culpe por isso.
–Eu...
–Erwin, olha pra mim – ele hesitou – eu... quero passar minha última noite com você.
Ele beijava meu pescoço enquanto me ajeitava em seu colo, arrumando um jeito de tirar sua camisa, sentindo-o abrir minha calça. Por uma última vez eu o amaria, por uma última vez eu o beijaria, por uma última vez ele marcaria meu corpo, sentiria seu suor em minha pele, os dedos se entrelaçando com os meus, seus voz gemendo meu nome, o jeito que ele dizia que me amava enquanto se acomodava em meu interior; por uma última vez sentiria seu coração se acelerar ao som de minha voz dizendo que o amava. Por uma última vez ele me abraçaria pela cintura, investiria contra mim de forma gentil, me beijaria suave, acariciaria meu rosto, me beijaria. Por uma última vez sentiria suas mãos em mim, sua língua na minha, seus olhos, por uma última vez eu puxaria seu cabelo, arranharia suas costas, prenderia seu corpo no meu, por uma última vez eu dormiria em seu peito.
Acordo com o vibrar suave do celular sob meu travesseiro e o desligo antes que Erwin pudesse acordar. Antes de levantar eu o olho, dormindo tranquilo e roncando baixo. Afasto seu cabelo dos olhos e guardo aquele última imagem, me manteria bem por um tempo. Levanto devagar da cama, pegando minhas roupas no chão e indo até o banheiro. O apartamento vazio fazia muito barulho. E agradeci a mim mesmo por ter separado a roupa da viagem. Depois do banho eu paro ao seu lado, olhando-o por uma última vez, contendo o choro quando ele segurou minhas mãos. Beijo sua testa e arrumo suas sobrancelhas, sorrindo quando ele chamou meu nome.
–Eu te amo, não se esqueça disso quando acordar.
Olhei em meu relógio, desejando que Erwin ainda estivesse dormindo a essa hora. Já estava a caminho do aeroporto quando deixar uma mensagem na secretaria eletrônica de casa. Nem eu sabia por que estava fazendo isso. Culpa? Desespero por ouvir a voz dele?
Céus...
–Oi, — suspirei depois da mensagem gravada – não sei se ainda esta em casa, e se estiver, por favor não faça nada. Eu só queria te agradecer por dividir sua vida comigo nesses últimos anos, e de todo coração eu quero que seja feliz. Vamos começar de novo, ok? Não precisa ser comigo porque – sorri com minha própria desgraça – vimos que não dá mais certo. O que eu estou fazendo vai ser melhor para nós dois, acredite em mim. Precisamos nos separar, seguir em frente. Uma vez você me disse que a ausência faz o amor. Talvez seja disso que precisamos. – quem eu queria enganar. Não havia mais nada. – Eu sinto muito por fazer isso com você de novo. Eu realmente sinto muito.
POV Erwin.
Que conversa era essa de ausência? Por que a voz dele estava tão distante?
–...eu sinto muito.
Desperto completamente e tudo vem a minha mente, desmoronando aquilo que pensei ter conseguido. Meu voo sai amanhã as 10h30.
–Ah não, — pulo da cama, correndo em buscas das minhas roupas – eu tenho que tentar para-lo.
A partir da entrada desesperada no táxi, minha vida virou um inferno. A chuva forte deixou o transito lento, o que atrasou pelo menos uma meia hora até o aeroporto, e quando finalmente cheguei lá quase fui barrado na entrada.
Desespero era pouco para o que estava sentindo quando não consegui encontrá-lo. Correndo o mas rápido que conseguia até o portão de embarque eu vejo uma luz de esperança em um dos painéis de embarque e desembarque.
–Voos com destino a Paris adiados até secar da chuva. –disse a voz nos alto-falantes.
Era a minha chance de perguntar o por que dele estar partindo. E todas as palavras de ontem? E as promessas? Onde estava tudo aquilo? A única coisa que queria saber era o por que. Entendia o fato de ele não querer mais me ver, entendia que tudo que fiz a ele era imperdoável, mas se ele havia me aceitado de novo, conseguido me amar depois de tudo... Por que? Por que havia dito que me amava e depois foi embora? Por que me deu esperanças de algo que nunca existiu?
Eu o vejo na fila de embarque, mostrando seu passaporte . Puxo-o para longe dali antes que pudesse guardar seus documentos.
–O que esta fazendo? – ele não havia percebido que era eu, e quando me olhou refez a pergunta em outro tom de voz, preocupado com o estado de minhas roupas – o que esta fazendo? Não devia estar aqui, por que esta molhando? Veio correndo?
–Sim, eu vim. Rivaille eu preciso perguntar uma coisa, e depois você ir pra Paris. Eu não vou prendê-lo aqui.
–Erwin, meu voo vai sair.
–Que se foda seu voo.
–O que quer?
–Saber por que. – ele me olhou confuso, franzindo as sobrancelhas de leve – Saber por que você vai embora, por que simplesmente desistiu de nós.
–Eu já disse o porque.
–Não você não disse. Você não disse nada!
–Eu não tinha o que dizer!
–E é por isso que vai embora? Só por isso?! – não era pra ser assim – O que aconteceu? O que eu fiz?
–Nada! – algumas pessoas olharam para nós, mas ele continuou, olhando para o chão, chorando. – Você não fez nada Erwin, não percebe que esse foi o problema? Você prometeu mudar, ser presente e não fez nada.
–Eu não trai você, não menti pra você. – seguro-o pelos ombros, buscando seus olhos – Rivaille por favor.
–Não. Não faça isso.
–Eu preciso de você. Por favor não vá embora.
–Eu tenho...
–Não, não tem. Eu te amo, me dê... – engulo o choro, controlando a voz ao abraça-lo, beijando cada lagrima que escorria por seu rosto – me dê uma outra chance.
–Eu disse que você só teria uma chance. – falou se afastando — Disse que depois disso não haveria mais nada.
–E tudo aquilo que me disse ontem? Todo o nosso amor não valeu de nada para você?
–Não! – o que? – Eu disse aquelas coisas pra te confortar Erwin – seus soluços eram violentos, fazendo todo o seu corpo tremer – Ontem a noite foi a melhor maneira que encontrei de me despedir de você porque você foi a pessoa mais importante da minha vida. Então, não me faça ficar arrependido sobre minhas escolhas!
–Você não pode estar falando serio.
Ele soltou minhas mãos devagar, não parando de me olhar.
–Desculpe.
–Não...
–Me perdoe – sussurrou antes de me beijar por uma ultima vez. Foi o beijo mais suave que ele me deu, mas carinhoso... Como não havia amor? A quem ele queria enganar?
Antes de me dar as costas por completo eu seguro sua mão vendo-o seguir em frente, largando meus dedos aos poucos.
Era o fim.
POV Rivaille
Erwin começou a me bombardear com mensagens assim que subi no avião; e depois da terceira eu tive que engolir o choro.
10h15 por favor Rivaille.
Não me deixe
10h16 não vá.
10h16 eu te amo.
10h16 não me deixe sozinho.
10h17 desça do avião e volte pra mim
Eu preciso de você
10h18 você é tudo pra mim
10h19 Rivaille me responda, por favor
10h20 eu prometo. Eu te amo
10h21 você é minha vida
10h21 por favor Rivaille, eu te amo.
Não me deixe.
10h22 eu não sou nada sem você.
10h25 Eu te amo.
Disse a mim mesmo que já bastava de promessas, meu amor por ele era confuso. E mesmo sendo duro de mais com ele, era verdade. Se a cura para isso fosse minha partida, então que fosse.
Encosto o rosto na janela e fecho os olhos ao lembrar do último toque de seus lábios nos meus, das mãos nas minhas. Do calor de seu corpo. Você fez merda Rivaille, pensei quando as turbinas foram ligadas. A senhora idosa ao meu lado me cutucou de leve, sorrindo simpática ao me oferecer um lenço de papel e dizendo que tudo ficaria bem. E pela primeira vez eu acreditei em alguém que não fosse ele.
POV Erwin
De volta ao apartamento de Rivaille eu encontrei algo sobre a cama, uma carta. Dentro do papel dobrado havia uma de suas fotos preferidas.
Erwin,
A essa hora eu já devo estar no avião; me desculpe por deixar você sozinho mas era algo que eu tinha que fazer. Eu precisava pensar e esquecer, é por isso que estou voltando para Paris.
Eu preciso esquecer você.
Você foi a melhor coisa da minha vida, os melhores momentos vieram graças a sua presença. Eu te amo e sempre amarei, mas simplesmente acabou. Tivemos tanto medo de errar e acabamos fazendo as mesmas coisas. Prometemos coisas impossíveis de se cumprir, e eu sinto muito por ter lhe dado esperanças que não sabia se eram reais. Não quero que se culpe, que sofra e que se odeie por isso ter acontecido novamente. Só quero que fique bem. Que siga em frente, que ame outras pessoas, que viva.
Você foi se sempre será o dono do meu coração, mas temos que dar espaço para outras pessoas. Precisamos nos libertar disso, mesmo que doa, e sei o quanto doí. Guarde as coisas boas, vivas as novas. Por que quando se trata de você, sempre haverá outra chance.
Je te aime, Rivaille.
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