Notas iniciais
HELLOU. Eruri esta voltando povo *u* Très bon Eren = muito bom Eren Peut m'apporter un verre d'eau = pode me trazer um copo d'água? Vous ne pouvez être une blague! Savent ce que c'est? La pire chose que j'ai vu venir pour vous! = você só pode estar de brincadeira! Sabe o que é isso? A pior coisa que já vinda de você!

Connie Springer era meu mais novo aluno de reforço.

Ele chegava a ser pior que Eren quando suas aulas começaram, já havia fumado quase dois maços de cigarros inteiros e ele ainda não havia passado da segunda linha de um texto relativamente curto para o nível de francês que ensinava em sala. Burrice estava fora de cogitação para ele. O problema não era a escrita, era a concentração. Uma mosca o distraía e ele se perdia completamente no que estava fazendo, até Eren estava se irritando com ele. Desculpas como “eu não entendi” ou “me desculpe por estar errado” eram simplesmente proibidas aqui; eu havia dado uma tabela de verbos pra ele – coisa que não fiz com Eren – e mesmo assim nada. Absolutamente nada.

–Connie, o professor passou isso hoje em sala – disse Eren quando me levantei para limpar o cinzeiro – como já se esqueceu?

–Sei lá Eren, francês é difícil.

–Difícil? – riu ele – Na minha primeira aula ele não falava comigo se não fosse em francês. – sorri com a lembrança, Eren parecia completamente perdido naquele dia – Se não aprendesse eu não podeira nem usar o banheiro.

–Credo.

Volto a mesinha de centro da sala e acendo mais um cigarro. Connie voltou a fazer os exercícios e Eren me entregou os dele, ele havia melhorado muito. Nenhum erro, nenhum borrão de borracha. Caligrafia limpa.

Très bon Eren.

–Merci.

Connie nos olhou confuso, e eu o encarei, fazendo sinal para que voltasse a fazer o que quer que estivesse tentando fazer. Eren sorri de leve e se levanta, caminhando em direção a cozinha.

Peut m'apporter un verre d'eau? –falei um pouco mais alto para que ele pudesse me ouvir.

–Ah, professor? – chamou Connie, o olho distraído, soltando a fumaça do cigarro – Está certo?

Ele me entrega a folha de exercícios, ela estava amaçada e a letra dele não era uma das melhores. Ergo a sobrancelha e pego a folha e uma caneta, Eren volta com o copo de água e um santo porta-copos. Ele o deixa ao meu lado e se senta na outra ponta da mesa, me olhando sério quando percebeu que estava corrigindo o que Connie havia feito; os dois se encaram enquanto riscava os erros de Connie. Haviam círculos, grifados e enormes pontos de interrogação na folha. Suspiro alto e lanço um olhar sério em direção a ele, que treme levemente.

Vous ne pouvez être une blague! Savent ce que c'est? La pire chose que j'ai vu venir pour vous!

–Perdão?

–Está errado! Tudo errado!

Connie inventou milhões de desculpas enquanto Eren tentava me fazer parar de gritar com ele; no final do dia, minha caneta esta seca, minha paciência esgotada e o cinzeiro cuspindo biqueias de cigarro. Eren havia nos deixado sozinhos na cozinha, Connie sentado a minha frente com os ombros encolhidos e aquele olhar que os alunos faziam quando sabiam que tinham feito algo errado mas não queriam ser castigados por isso; eu sempre odiei esse olhar.

–Connie? – chamei tamborilando os dedos depressa sobre a mesa.

–Senhor?

–Sabe por que está aqui, não é? – ele assentiu – Sabe também que nenhum aluno meu fica abaixo da média daquela escola, e sabe por que faço isso? – Connie nega – Quando morava na França, eu tinha um professor que sempre dizia “Si vous n'êtes pas le meilleur, vous n'est pas rien”. Sabe o que significa?

–Não, senhor.

–Significa “se você não for o melhor, você não é nada”, quer ser um nada Connie? Quer ser o único aluno a repetir o ano, só pra que eu o torture de novo ano que vem?

–Não, senhor.

–Se eu não me importasse com isso eu deixava pra lá, que se fodam vocês. Mas não, o maldito instinto de ser um professor deseja que cada peste em sala de aula tenha um futuro. É só por isso que está aqui Connie. Aproveite a porra da oportunidade que estou de dando e use-a. Você não é burro, só é distraído.

–Obrigado, senhor.

–Em francês.

–Er... Merci monsieur? – aquilo mais pareceu uma pergunta, mas pelo menos estava certo.

–Correto. Agora vai, a aula já acabou.

Connie voltou para a sala e conversou rapidamente com Eren, que deu a desculpa de ficar até que seu pai chegasse. Eles se despedem e volto os olhos para a janela da cozinha, lembrando do encontro com Erwin. A lembrança da voz dele me deu calafrios, a sensação da ponta de seus dedos tocando meu cabelo, meu rosto, pousando em meus ombros; o sorriso disfarçado em sua voz, a postura, o modo com que se aproximou de mim. Fiquei tão atordoado naquela noite que nem sei como voltei pra casa. Meu auto-controle havia falhado, me peguei pensando nele com mais frequência, mesmo com Eren ao meu lado eu pensava em Erwin; pensava nos lábios dele quando beijava Eren, pensava nos braços dele quando Eren me abraçava. Ele me convidou pra sair e eu, indiretamente aceitei. Só de pensar na possibilidade de vê-lo novamente minha respiração pesou, meu coração palpitou e senti minhas bochechas queimarem.

Eu só quero voltar a falar com você.

Por que? E por que agora? Eu não havia conseguido perdoá-lo pelo que ele me fez, mas... Eu ainda o amava. Isso é uma forma de perdão? O que eu realmente sentia por Erwin? E Eren?

–Deus... – encosto a testa no tampo da mesa, deixando minha mente vagar sobre aquela noite no mercado. – O que faço?

Lembro que ele me seguiu até o estacionamento, fez questão de me ajudar a guardar as compras, e rir quando enquanto minhas mãos tremiam ao pegar as chaves do carro. “A gente se vê”, disse ele, eu só consegui pensar em quando isso aconteceria de novo. Deus, como eu queria vê-lo de novo! Olhar naqueles olhos turquesa e me esquecer de tudo ao meu redor, sentir a palma morna de suas mãos em meu rosto, aqueles braços me protegendo de um mal que só ele via, as palavras doces, a respiração se misturando com a minha. As mordidas no pescoço.

Bato a testa novamente na mesa, tentando afastas as imagens que se formavam em minha mente, só piorou. Vou manter as lembranças boas. Eu estava caindo na minha própria mentira, vamos seguir em frente. Eu só conseguia ver as risadas que demos, as mãos se unindo sob os cobertores, os sorriso disfarçados, as inúmeras declarações que ele me fazia. O dia que ele me deu aquele anel. Meu dedo ainda tinha a marca branca do fino aro de ouro com uma pequena pedra de rubi no centro. Devíamos nos casar. De onde ele tirou aquilo?

–Rivaille? – ergo a cabeça, Eren estava parado à minha frente, me olhava assustado.

–O que foi Eren?

–Por que está chorando?

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–Ah! Por que?! Vai ser divertido Rivaille. – reclamou Eren.

–Eren, eu não tenho mais o pique de sair no meio da noite pra ver um grupo de adolescentes tocarem o que eles acham que é música.

–São meus amigos.

–São meus alunos.

Ele suspirou, desistindo de me convencer a dirigir até o parque para ver seus melhores amigos em um roda de violão e sei lá mais o que para ganharem um pouco de dinheiro. Eren se deixa cair na cama, bufando e fazendo bico.

–Não faz essa cara, Eren.

–Que cara? – o bico dele ficou ainda maior. Ah, que mimado. Me sento ao seu lado e me inclino sobre ele, segurando seu queixo, puxando a pele dos lábios, mantendo-os abertos.

–Essa cara que você faz quando quer alguma coisa. – sussurro.

Toco seus lábios de leve, pedindo passagem com a ponta da língua, mordendo a carne e apertando a cintura com mão livre.

–Rivaille? – chamou baixo.

–O que?

–Por que estava chorando hoje à tarde?

Me afasto e o encaro, Eren mantinha a expressão séria e olhos curiosos. As mãos tremiam em meus ombros. Por que eu estava chorando? Nem eu mesmo sabia.

–Me lembrei de umas coisas Eren, só isso.

–Coisas ruins?

–Não. Coisas boas, muito boas.

–Lembrou dele?

Eren sabia pouco de Erwin, mas esse pouco já foi o suficiente para nutrir um ciumes sem sentido.

–Mais ou menos.

–Sente falta dele? – o que era isso agora?

–Eren, não foi isso que quis dizer.

–Desculpe é que... Vocês ainda parecem tão próximos.

–Eren, não têm que ter ciúmes de um relacionamento que acabou.

–Mas... Eu vi a caixa de fotos.

Você o que? Sinto meus músculos travarem, estava completamente sem reação e um tanto decepcionado com ele.

–Fez o que? – falei, me afastando dele.

–Eu... Me desculpe Rivaille, eu queria entender o por que de...

–Eren, isso... – eu estava sem palavras – São lembranças Eren, pessoas guardam esse tipo de coisa!

–Rivaille...

–É melhor ligar pro seu pai.

–Mas...

–Agora! – suspiro alto, cansado. – Não é o melhor momento para resolver isso então, volta pra casa, Eren.

–Me desculpe. – Ele se levantou, tirando o celular do bolso e saindo do quarto com a cabeça baixa.

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Eu acabei vindo até o parque. Sair me fez bem, e a música não era tão ruim assim. Havia mais pessoas do que eu estava acostumado a ver, mas consegui encontrar um lugar na grama e tomar meu chocolate quente. A temperatura era de uns 10 °C, minhas orelhas estavam escondidas no gorro que estava usando, meus lábios tremiam até acalçarem o copo térmico quando vi a figura de negro subindo o gramado.

Filha da mãe.

Meu peito afundou, meu coração batia alto e acelerado.

–Merda, — como isso foi acontecer? — merda, merda.

Escondo parte do meu rosto no cachecol, querendo me esconder dele. O desejo de vê-lo se tornou confuso. Ah, que merda! Ele estava tão perto que nem deu tempo de disfarçar que eu já o havia visto.

–Rivaille? – chamou.

–Hey! – minha voz sai animadamente falsa.

–O que está fazendo aqui? — pergunta. Dou de ombros e bebo um longo gole do chocolate quente, pensando no que dizer – Posso?

–Claro. – Erwin se senta ao meu lado e o silêncio torna as coisas um pouco tensas. Eu olhava para os lados tentando pensar no que dizer. Será que ele queria uma resposta? E o que eu diria se fosse isso?

–Esfriou bastante não é?

Estávamos falando sobre o tempo?

–Pelo menos uns 5° C.

É, estávamos.

–Rivaille, — começou ele, chamando minha atenção – isso vai parecer estranho mas...

–Mas?

–Sobre aquele dia... Você pensou no que eu disse? Sobre nós.

Engulo em seco, cacete. Eu nem sabia o que dizer. Se eu pensei? Não parei de pensar nenhum minuto naquilo.

–Um pouco.

–Mesmo? – ele parecia feliz.

–É. Tenho muito tempo livre, sabe.

Rimos da mentira que contei, pelo menos o clima estava menos tenso do que aquele no mercado. Erwin volta os olhos para o palco a nossa frente, e eu me perco mais uma vez no brilho turquesa. O nariz fino, o queixo, as orelhas avermelhadas devido ao vento gélido, os lábios tremiam levemente, o pescoço e o fino cordão de ouro que agora o envolvia. E aquelas sobrancelhas. Ri comigo mesmo ao lembrar da vez que tentei convence-lo a, pelo menos, aparar aquelas taturanas. Faz parte da minha personalidade, eu sem elas é como você sendo alto.

–Que foi? – perguntou, voltando a me olhar.

–Nada.

–Rivaille.

–O que? – eu ainda ria.

–Do que esta rindo?

–Lembrei da vez que quis limpar suas sobrancelhas.- falo, tomando outro gole do chocolate.

–Ah, isso. Não foi tão engraçado assim.

–Foi sim. Você ficou cheio de medo quando viu a pinça e... – aqueles olhos. – O que foi?

–Era disso que eu falava.

–Como?

–Quando disse que queria voltar a falar com você, Rivaille, era esse tipo de coisa que eu queria. Pode parecer clichê mas, eu sinto sua falta.

Não é clichê.

O peso em meu peito ficou quase impossível de suportar, tive que desviar o olhar para conseguir pensar em uma resposta. Porra Erwin.

–Rivaille, não importa mais se você me perdoou ou não pelo que eu te fiz, eu... – que barulho era esse? – Eu só quero saber se você está bem.

–Eu... Eu não sei o que dizer.

–Só aceite minha amizade de volta.

Assenti confuso, mas minha euforia de tê-lo ao meu lado voltou quando um sorriso iluminou seu rosto. Minhas bochechas devia ter pegado fogo.

–Então, — falei forçando a voz a sair – tem saído muito?

–Um pouco. Mike meio que me força a sair de casa.

–Sei.

–Eu vim encontrar alguém hoje.

Essa sensação... Eu estava com ciúmes?

–Por isso seu celular estava tocando?

–O que?

–Seu celular. Não ouviu?

–Ah, não.

Erwin se afasta o suficiente para tirar o celular do bolso e conferir a mensagem. Ele faz bico ao olhar o redor e depois me lança um sorriso fraco.

–Eu... Merda. Eu tenho que ir.

Já?

–Posso te ligar? – perguntou ele, se levantando.

–Ah, claro. – o que?

–Certo.

Erwin sorriu e me deixou sozinho ali, no meio de pessoas que eu sequer conhecia. Vejo-o olhar no celular novamente e dar de ombros, não devia ser alguém assim tão importante. O que me fez pensar, por que ele me disse aquilo? Encontrar alguém?

Como assim ele estava aqui para se encontrar com alguém? Quem era? Era bonito? Era uma mulher? Só de pensar nas possibilidades mordi a junta de meus dedos com raiva quando vi a criatura pouco mais baixa que Erwin se aproximar saltitante pelo gramado do parque. Como ela conseguia usar uma saia tão pequena em meio a uma temperatura tão baixa? Erwin gostava desse tipo? Tento desviar o olhar da cena cheia de caricias a minha frente, todos os toques indicavam uma única coisa: estava ali por sexo. E eu me gabando por ainda deixar Eren virgem...

Erwin olha em minha direção por alguns segundos, deixando-me corado de raiva quando puxou a garota para mais perto.

Filho da mãe. Onde estava Eren nessas horas?

Notas finais
eu quero comentários u.u