Avalanches
3 Aquelas Vezes - A Segunda
Notas iniciais
Rivalle rabiscava rapidamente em seu caderno, acho que era algo sobre seu trabalho.
Rivaille era professor de francês em uma escola cara do centro, ele só me contou o que fazia no nosso terceiro encontro, mas só descobri qual era a disciplina quando transamos pelos quinta vez. Lembro-me do modo como ele gemia “Mon Dieu” e “Rapide Erwin” enquanto eu o pegava por trás no gabinete do banheiro de seu apartamento.
Aquela vez fizemos sexo umas três vezes seguidas.
– O que tanto escreve? – perguntei pousando a xícara sobre a mesa.
Rivaille mordia as juntas dos dedos e a caneta passava com mais velocidade sobre o papel, ele mordia com mais força a cada linha terminada.
–Rivaille? – chamo um pouco mais alto.
Ele ergueu a cabeça como se tivesse levado um susto, tirou a mão da boca e deixou a caneta de lado.
–O que tanto escreve? – repeti.
–Ah, isso. – Rivaille sorri discreto enquanto passa geleia em uma torrada, mantendo-a longe da folha impecavelmente limpa. Não havia nem mesmo uma rasura em sua escrita. – Lembra daquela escola que me ligou semanas atrás? – assenti passando a língua nos dentes, maldito miolo de pão. – Então, ontem eles me ligaram e aumentaram a oferta. Disseram que eu poderia ter quinze alunos por classe e só trabalharia uma carga de quatro horas.
Os olhos dele brilhavam.
–Que ótimo! – eu realmente estava feliz por ele. Quer dizer, quem não ficaria? Era o emprego dos sonhos de qualquer professor. – Mas, o que é isso? – aponto para o caderno, curioso sobre o conteúdo.
–Isso é uma carta para a diretoria.
–Você vai aceitar?
Rivaille deu de ombros e contraiu os lábios em uma linha fina.
–Não sei.
–Por que? Não esta esperando a vaga há sei lá, três anos?
–Quatro.
–Então aproveite a oportunidade.
–É que... – aquela animação toda morreu de repente – Eu não seria o professor fixo; pelo menos até o antigo se aposentar.
–Iria substituir as aulas dele? – ele assentiu fazendo careta – Nossa. E quanto tempo ele tem?
–Uns seis meses.
Poderia até parecer pouco tempo, mas quando se espera o emprego dos sonhos esse tempo é eterno.
–Pense bem antes de aceitar, ok? – digo pegando sua mão sobre a mesa e segurando seus dedos gentilmente.
–Ok. – Rivaille sorri fraco e volta a atenção para a torrada, mordendo uma vez e a abandonando. – O que vai fazer amanhã?
Começar um turno de 16 horas.
–Dependo o horário. – respondo.
–Entre 13h e 18h.
–Trabalho.
–E 19h e 23h?
–Trabalho.
–Meia-noite e quatro da manhã?
–Chegando em casa.
–Pegou turno de novo? – a voz triste e preocupada dele me fez sentir culpado. Se ele soubesse que só estava fazendo isso para concorrer a um aumento de salário e mais horas em casa talvez ele desfizesse aquele bico. Mas eu nada disse, apenas assenti e voltei ao meu café. – Eu tive uma ideia.
–Diga.
–Você sai do hospital, e, da sua casa até a minha são mais ou menos umas duas horas. Tome café da manhã comigo, Erwin. – ergui a sobrancelha animado – Vamos tirar o atraso nesse sábado.
A última frase foi dita com um sorriso pervertido, os olhos querendo bem mais do que fazer sexo o dia inteiro. Se eu não tivesse que sair um dez minutos transaria com ele ali e agora, Rivaille se levantou e quando dei por mim a sola de seu chinelo bateu em meus joelhos querendo afastá-los.
–Ligue para o seu chefe.
–Hã?
–Diga que vai chegar atrasado.
Ele se enfiou embaixo da mesa e soltou o cinto de minha calça, abrindo o botão e descendo o zíper com os dentes. Umedecendo os lábios ele desceu minha cueca até meu membro sair. Começou com movimentos leves, usava as duas mãos para intensificar a força do vai e vem; apoiou a cabeça em minha coxa e me lambeu sobre o jeans, me olhava sério quando disse:
–Ligue para o seu chefe.
Sem hesitar pego o celular sobre a mesa e ligo para meu chefe, que atende no terceiro toque.
–Erwin? – merda, era a mulher dele?
–Ah, senhora Pixis! – falei contendo a sensação da língua de Rivaille subindo da base até a glande e por fim me engolindo, pressionando meu falo contra o céu de sua boca; minhas pernas tremem no processo.
Mordo os lábios com força para não gemer.
–Querido, está tudo bem? – quis saber ela.
–Ah, claro. Está tudo perfeito. – quem não estaria bem recebendo um oral as 8h30 da manhã de uma quinta-feira? – Seu marido está-ah! – Puxo Rivaille pelos cabelos.
–Dot está no banho, algum recado?
–Não morda! – sussurro para Rivaille, que dá de ombros e volta a me chupar. Me inclino sobre a mesa buscando apoio, sua boca era tão quente.
–Como é? – disse ela.
–Desculpe, sim, gostaria de passar um recado. Se não for... – garganta profunda a essa hora? Por Deus! – incômodo.
–Incômodo algum, querido. Qual é o recado?
Penso por um momento: passar 16 horas em um hospital ou ficar com Rivaille? Ficar com Rivaille seria a melhor opção, mas eu queria muito um aumento e menos carga horária para cumprir.
–Diga, por favor, que não poderei chegar no horário hoje. Demorarei no máximo uns 40 minutos.
–O que houve?
A boca do meu namorado está me chupando com tanto fervor que nem sei se vou conseguir andar depois.
–O trânsito. – menti. – Peguei a saída errada por engano.
–Ah, que estrada você pegou?
Mas que filha da puta!
–A 309? – eu nem sei se essa estrada existia.
–A 309?! – pela surpresa dela parece que sim. – Erwin, meu bem, você vai demorar mais do que 40 minutos para chegar! – ela riu.
–Mesmo, mas que desastrado que eu sou! – o que eu queria dizer mesmo era “ isso Rivaille, engole tudo”. – Eu realmente sinto muito por isso.
–Ah, que isso! – disse ela – eu falo com meu marido, sem problemas. Você é novo na cidade então, acho que ele irá entender. Entre no turno da tarde hoje, eu falo com alguém para cobrir seu turno na manhã. O que acha? – o que quer que Rivaille estivesse fazendo com a língua era incrível e eu queria entrar em outra coisa além do turno da tarde.
–Obrigado senhora Pixis. Realmente, a senhora me salvou hoje.
–Ah, Erwin, sempre tão gentil! Vou explicar o que houve com você para Dot, ele acabou de sair do banho.
–Obrigado mais uma vez. – ela ri nervosa e sem graça antes de desligar.
Observo Rivaille e seu empenho, apertava minhas coxas com força e me chupava como um maníaco sexual.
–Hey... – chamo, ele ergue a cabeça ainda com parte do meu membro na boca. – Me deram o turno da tarde.
A cama rangia com o impacto.
Rivaille se agarrava as grades da cama e gemia alto.
Minhas mãos o seguravam pela cintura, controlando o ritmo, enquanto seu interior se contraía e relaxava. Empurrando-me.
Diminuo os movimentos por um momento e ele reclama, xingando-me baixo. O motivo de ter feito isso era simples: queria ver meu membro sendo abrigado por ele, lentamente. Afastando suas nádegas saio quase que completamente.
Então eu paro.
Aquela pequena e apertada entrada era levemente avermelhado, contraía quando me movia para dentro e relaxava quando saía.
–O que tanto olha? – perguntou com a voz ofegante.
–Você é lindo, Rivaille. – respondi voltando os movimentos. – De todos os ângulos.
A resposta foi um gemido alto. Eu havia encontrado.
Me concentrei em acertar aquele ponto o máximo de vezes possível, quando seu pré-gozo já era incontrolável, eu relaxei e deixei o orgasmo vir quase que no mesmo momento que o dele. Não tirei meu membro a tempo e acabei gozando dentro.
Eu nunca havia feito isso. Porque ele disse que não gostava.
Rivaille treme quando saio dele e meu sêmen escorre, pingando sobre os lençóis. As pernas caem sobre a cama e ele se deita de bruços, me olhando por sobre o ombro. Ele parecia furioso.
–Desculpe por ter sido dentro. – falo.
Rivaille se senta com certa dificuldade e toca a pequena poça se sêmen, testa seu grude como se fosse cola. Quando ele levou os dedos até os lábios, e os lambeu de força sensual não pude conter o rubor ou os olhos se arregalando.
–Amargo.
Cacete, me fodi.
–Tome um banho antes de voltar para o hospital.
–Tudo bem.
–Vou preparar algo para o seu jantar.
–Não precisa.
–Eu faço questão. – O que era aquele brilho nos olhos? Nunca o tinha visto antes.
Me fodi bonito.
Engulo em seco e sorrio fraco, ele devolve o sorriso com quem ar de: você mal sabe o que te espera.
Naquele sábado chuvoso Rivaille me ensinou o significado da sigla BDSM enquanto me amarrava com nós complicados e brincava com minha ereção.Foi bom, mas ainda ardia.Faria de novo? Provavelmente não.
Só sei que se eu quisesse gozar dentro dele, eu pediria permissão.
A frase é isso que você vai ganhar quando gozar dentro sem minha permissão ainda pairava sobre meus pensamentos.
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