Avalanche
22 Negociações
Notas iniciais
Eu segurava o fôlego como se fosse uma imperatriz prestes a conquistar novas terras. Meus olhos observavam Igor e sua noiva sentados em duas poltronas vermelhas de uma das salas de reuniões. A conselheira Lady Brice estava presente assim como o general e August Whitaker, cuja atenção ia especialmente para os russos.
Rei Maxon e rainha América sentavam em outras duas poltronas, com uma curta distância dos futuros monarcas da Rússia. Mason, ao lado de seus pais, estava de pé. Já eu, observava quase como uma ouvinte, sentada com Alexander em um simples sofá de frente para aquela cena.
Embora fosse uma reunião de assuntos muito sérios, dava para notar o quanto Igor se esforçava para parecer o menos intimidador possível ao propor o tratado econômico. Vê-lo sendo tão amigável seria cômico se eu não estivesse ainda com um pouco de raiva. Queria fazer perguntas e abrir o jogo, precisava de um momento bom que talvez nem chegasse a existir dado o pouco tempo deles em Illéa.
Mason parecia inquieto à medida que o general Leger e August conversavam com o monarca, os três pareciam se entender claramente, visto que apenas o rei e a rainha não sabiam do tratado econômico até então. Opa.
Alexander ao meu lado tinha um silêncio cúmplice, tão calado quanto um conspirador de boas intenções poderia estar. O príncipe encarava atonitamente sua mãe e o irmão, como se a culpa o tomasse por completo em vista da traição que cometia. Eu escondia tanto de Alexander que só conseguia me perguntar o quanto ele também escondia de mim.
O general Leger parecia estar com o mesmo ar culpado, mas se resignava em suspirar ao se apoiar em sua bengala. August estava neutro, pensativo demais para ser tido como suspeito. Se Cam havia descoberto de minha ideia em contatar Igor, então o meu delator estava naquela sala. E só poderia ser um daqueles dois, a menos que Alexander houvesse contado para mais alguém que eu não conhecia sobre o plano, ou até mesmo a jovem Maia poderia ter falado com o meu irmão, o que soava um tanto surreal.
Suspirei, um pouco irritada com toda aquela situação, enquanto o rei parecia ter finalmente chegado a um ponto de concordância com os dois homens. A conselheira Lady Brice disse algumas poucas palavras no ouvido do monarca, que logo se levantou para pronunciar algo.
— Acredito que esse acordo econômico tende a beneficiar ambos os nossos países, príncipe Igor. – A rainha pegou na mão de seu marido, enquanto ele respirava fundo para continuar o discurso. – Me preocupa um pouco não estar lidando diretamente com rei Sergey. Esta proposta pode ser excelente mesmo vinda apenas de um príncipe-herdeiro, demonstra sua paixão pela sua pátria. No entanto, digo com certeza que está sendo muito generoso com Illéa, e é perspicaz que eu lhe pergunte o porquê. Sabemos que a Rússia por anos não mantinha relações internacionais, então quero saber mais de seus motivos para estar abrindo tanto seu país.
Igor suspirou com pesar, de um jeito que eu conhecia muito bem. Ele agia da mesma forma comigo no xadrez, quando fingia estar surpreso mesmo não estando. O russo estava tão preparado para aquela pergunta que fez questão de fingir sua preocupação.
— É verdade que meu país andou sempre muito distante de fazer verdadeiros aliados... – Igor inclinou-se na poltrona, esticando-se para pegar um copo de whisky na mesa ao seu lado. – Meu pai era um homem muito frio e de poucos amigos, confesso. Talvez apenas eu o tenha visto conversar abertamente uma ou outra vez com rei Desmond II. – Meu corpo se arrepiou, e quase tive certeza que Alexander percebeu ao me encarar por um breve instante. – Baseado nisso, tenho ótimos motivos para ajudar Illéa, além de ser uma pessoa muito diferente de meu pai, já que estou aqui me dedicando a fazer bons amigos. Mudanças políticas são necessárias. Eu, como soberano, serei a própria Rússia, sentirei as dores pela minha nação como se todos fossem meus filhos. Que mal há em um tratado econômico para garantir remessas alimentícias por taxas mais baixas? Meu povo também sofre com a fome.
Rei Maxon parecia analisar cada palavra, enquanto a rainha continuava a segurar em sua mão. Mason chegou a cochichar algo no ouvido do pai, que apenas fez um gesto para que não interrompesse seus pensamentos.
— O rei admira sua postura, jovem príncipe. – Lady Brice, a conselheira, tomou a fala enquanto encarava o monarca. Ambos pareciam estar há anos trabalhando junto para aquela confiança mútua existir. – O que realmente o deixa preocupado é que talvez sua proposta seja generosa demais para com Illéa, enquanto a Rússia de fato não sai ganhando tanto com esse acordo como nós estaremos. Estamos botando em negociação a vida de seus soldados russos, um preço que beira ao inestimável. Não existe moeda de troca para algo desse tipo.
Antes que Igor pudesse suspirar mais uma vez, Yekaterina colocou a mão rapidamente em sua perna, o contendo de fazer qualquer ato. Eles sussurraram algo entre si, e logo a russa de cabelos rubros escuros olhou com seriedade a conselheira Lady Brice.
— É muito bom estarr a falar com uma mulherr, pois me sinto de igual para igual. Isso também se estende a querida rainha América, a qual foi agradável para comigo nesse meio tempo. – Ela colocou as mãos na barriga como se estivesse se abraçando, e me perguntei se todos ali sabiam sobre o bebê. Eu e Alexander nos entreolhamos como cúmplices mais uma vez. – Eu venho da tribo Kublai, do extremo sul de Ucrânia, uma parrte da Mãe Rússia a qual foi vítima de vários genocídios nos últimos anos e vive com fome ainda hoje. Quando o Exército Russo tentou tomarr conta de nossa região para nos protegerr, os povos que se diziam governantes mataram meu clã como ato rebelde.
Uma nuvem de tensão irrompeu pela sala. Todos estavam pasmos. No entanto, eu me encontrava ainda mais atordoada. As palavras de Cameron eram claras na única carta que havia me mandado. Igor havia requisitado que Thomas o ajudasse estritamente na questão da Ucrânia a cinco anos atrás, quando havia sumido da Nova Inglaterra sem deixar rastros.
Tudo começava a fazer sentido, mesmo que fosse apenas uma pequena parte do todo.
Balancei a cabeça em movimentos leves, tentando controlar os pensamentos. A mão de Alexander foi de encontro a minha, como se dissesse claramente que estava ali ao meu lado para me ajudar. Eu a segurei firme quando notei que Yekaterina continuaria seu discurso.
— A Rússia contém dores que não querr mostrar ao mundo, pois são horríveis demais para compartilhar. – A voz da mulher era como um trovão, até Mason parecia respeitá-la naquele momento. – Perdi meus irmãos e irmãs naquele dia, que morreram em meus próprios braços. Foi nesse massacre que ganhei a cicatriz em meu olho e também onde conheci Igor, que comandava seus homens para tentarem protegerr o que restava de minha aldeia.
Por fim, o casal russo se entreolhou, exalando o amor que sentiam um pelo outro, o qual eu achava um tanto surreal. Não conseguia acreditar que naquele tempo todo Igor estava escondendo informações tão preciosas. Rei Sergey mais uma vez se provava a pedra no sapato do príncipe. Àquele ponto, eu já não tinha mais dúvidas, um russo poderia ser louco o suficiente para adoentar o próprio pai.
Minha mente também estava certa de que Thomas tinha estado presente naquele dia que Yekaterina mencionava. Mas com que intuito? Um inimigo em comum? Perguntar aquilo em voz alta seria algo impetuoso demais. Entretanto, não aguentava mais viver sem respostas.
Apertei forte a mão de Alexander, sentindo o impulso subir pela minha garganta sem que eu quisesse.
— Quem atacou sua aldeia? – questionei, alto e em bom som. Meu timbre rompia o clima tenso da sala, deixando o rei e a rainha de olhos arregalados.
Yekaterina me encarou no mesmo instante, suas íris me diziam com certeza que aquela era uma péssima pergunta.
— Não importa. – Grunhiu Igor. – Estão mortos.
Ah, eu conhecia bem aquele tom de voz. Havia algo ali, mais um segredo.
— Se estão mortos, então não faz mal dizer. – Respondi no mesmo tom autoritário, sentindo os olhos de Lady Brice e Mason me condenarem.
Igor e sua noiva trocaram algumas palavras, ele negava com a cabeça. No entanto, Yekaterina fez um movimento brusco para o russo, como se o repreendesse outra vez. E então voltou-se para mim, ignorando todo o restante da sala.
— Ty deystvitel'no khochesh' znat'? – disse. Você quer mesmo saber?
Assenti.
Notei que Alexander me olhava com cautela, tentando entender o que se passava pela minha cabeça e também me repreendendo. Eu o deixei de lado, não podia tirar o foco da resposta que tanto almejava.
Foi então que Yekaterina olhou diretamente em meus olhos, e com uma de suas mãos indicou o próprio peito por um breve instante. O colar.
— Severnyye povstantsy. – falou, fazendo minha boca se abrir em puro pavor. –Oni vtorglis' v zemli moyego naroda, kogda pokinuli vashe korolevstvo.
Segurei o meu pingente de leão com força. As lágrimas contidas eram tantas que meus lábios tremiam de raiva e dor. Eu havia escutado certo?
“Os rebeldes nórdicos. Eles invadiram as terras de meu povo após perderem para vocês ingleses.”
Soltei um suspiro tão pesado que eu havia perdido a noção de onde estava. A única coisa familiar era o calor da mão de Alexander, mas aquilo não era o suficiente.
Os mesmos rebeldes que haviam atacado meu país, os mesmos que haviam matado minha mãe e me sequestrado... Eles haviam feito o mesmo na Ucrânia. Thomas devia ter se sentido responsável por eliminá-los, e Igor apenas havia feito um convite que já era certo de ser aceito.
Todo esse tempo fora e ele ainda continuava sendo o guarda-costas da rainha Miranda. Vingando a morte dela até o último dos rebeldes estar morto.
Limpei algumas lágrimas que finalmente escorriam, enquanto Igor tentava explicar a situação ao rei Maxon. Tudo aquilo parecia tão idiota, tão sem luz. Minhas respirações não me acalmavam, até que um toque quente em minhas costas me trouxe de volta a realidade.
— Avery, saia da sala agora. Não olhe para ninguém, por favor. – Escutei a voz rouca de Alexander em meus ouvidos, um tanto abafada pela sua preocupação excessiva. – Eu vou logo atrás de você. Deixe isso comigo.
Como um robô, me levantei de forma mecânica. Ereta e com a melancolia correndo por cada veia de meu corpo. Por mais que houvesse escutado cada palavra que Alexander havia dito, me recusei a seguir suas instruções. Dei alguns passos na direção da porta, encarando Igor por curtos segundos.
— Isso não termina aqui. – Ameacei, rugindo como o leão em meu peito.
Os olhos negros do russo foram atingidos em cheio, e pela primeira vez na história eu via Igor Pyetov realmente com medo de algo. O ar da sala se tornava um ponto de tensão intragável. E naquele momento, não me importei com tratado econômico algum se minha mãe ou Thomas estivessem envolvidos no assunto.
A porta se fechou atrás de mim com mais força do que eu pretendia. Os olhares repreensivos eram como facadas nas minhas costas, como se Desmond estivesse me surrando de novo. Com aquela dor, eu já estava quase acostumada.
E pela segunda vez na semana, corri pelo castelo com lágrimas de fúrias no rosto, buscando apenas os meus aposentos para me sentir minimamente protegida do mundo.
Eli mal ousou perguntar o que havia acontecido quando me joguei nos travesseiros da cama e comecei a abafar meus gritos. A criada apenas saiu sorrateira pela porta ao som da minha raiva crescente.
Estava tão cansada de desconfiar das pessoas. Estava tão cansada de não ter uma mãe. Queria Cameron e Edwin, as respostas de Thomas, a paz de Alexander e talvez o aconchego de Jasper. Se eu pudesse pelo menos viver inocentemente como Kaya...
Minha cabeça latejava a cada minutos mais, os pensamentos tomando conta de mim como se me corroessem por inteiro. Já perdia a conta de quantas vezes havia estado sob aquele stress apenas nos últimos dois meses. E não parava.
Eu ia explodir.
— Avery! – a voz de Alexander foi quase uma salvação, suas mãos em meu ombro mostravam que ele estava perto o suficiente para me proteger de qualquer coisa. – O que está acontecendo?
Àquele ponto, eu estava deitada em posição fetal, abraçando um travesseiro enquanto despejava ali minhas lágrimas. Parte de mim queria contar ao príncipe o que estava sentindo, era justo afinal de contas, ele havia confiado e feito tanto por mim... Mesmo assim, eu só o afastava, criando problemas e mais problemas.
Metade do peso de minhas costas era culpa minha por não conseguir desabafar.
— Fique aqui comigo. – Pedi, fungando várias vezes entre as palavras.
Não consegui ver seu rosto, pois estava de costas para ele. No entanto, senti cada movimento de Alexander, suas mãos perpassando meus cabelos pretos com cuidado, seu calor me acalmando enquanto deixávamos apenas o tempo correr. Em questão de poucos momentos, eu já me sentia menos em caos, minha cabeça apenas doía nas têmporas quando me remexia na cama.
— Se eu contar... – minha voz saía com dificuldade, era tão difícil me abrir, mesmo que não planejasse citar o nome Schmidt nessa conversa. – Você guardaria segredo?
O príncipe suspirou. A resposta era óbvia.
— Qualquer coisa será segredo entre nós dois.
Aquilo me aliviava ainda, mais e seu toque em meus cabelos ainda se fazia presente, cuidadoso e gentil. Mesmo assim, não consegui ter forças para encará-lo, continuei de costas para Alexander.
— Minha mãe não morreu de ataque cardíaco como os jornais ingleses dizem... – os soluços voltaram, nunca havia confessado aquilo em voz alta. – Os rebeldes nórdicos que atacaram nosso país... Sequestraram nós duas e... – Um ímpeto de amargor me tomou, acabei me virando para encarar o rosto chocado de Alexander, os lábios avermelhados entreabertos e as íris estupefatas. – Eles a torturaram...
Apertei meus ouvidos, tentando dizer a mim mesma que aquele trauma já estava superado, que não havia mais gritos para escutar.
— Sinto muito, Avery. Eu... – a voz do príncipe falhava, mas eu sentia seu calor se tornar mais intenso. – Não sei nem o que dizer. Do que você precisa?
Os braços fortes de Alexander me envolveram, puxando-me contra seu peito. Não entendia nada sobre o que o levara àquele ato, entretanto, eu só podia escolher entre cair dentro do poço do meu passado ou ser imersa na intensidade que a alma do príncipe emanava.
— Já está fazendo o suficiente. – Suspirei, minha respiração ia de encontro aos botões cinzas de sua camisa. – Parece que os rebeldes nórdicos foram para a Ucrânia depois que perderam na Nova Inglaterra.
Não consegui concluir a fala, porém, já estava certa de que Alexander havia entendido a relação entre o que Yekaterina havia dito e o meu estado lastimável atual. Logo, senti seus braços me apertarem mais ainda, como se me protegesse das memórias horríveis que eu tinha. Ele ainda parecia horrorizado demais para proferir um som.
— O que você disse para todo mundo? – perguntei, não queria que um silêncio abrupto nos tomasse.
Suspirou, curvando os lábios e um pouco sem jeito. Aquela preocupação não o deixaria tão fácil.
— Disse que se alguém criticasse algo, eu mesmo me juntaria a Sociedade do Sul.
Ambos soltamos um riso abafado. E uma lágrima estranha traçou um caminho por minha bochecha. Apesar de tudo, tê-lo ali mudava totalmente as coisas dentro de mim.
— Ei, obrigada. – Olhei em seus olhos, as íris caramelo tomadas pela angústia, mas ainda gentis e corteses. Como eu o achava um desinteressado frívolo a poucas semanas atrás?
Engoli em seco, à medida que sentia o mesmo impulso da tarde nos estábulos. Um ímã me fazia ir na direção de Alexander, como se minha sombra fosse atraída por sua luz. Ele parecia hipnotizado da mesma forma que eu, os dois se entreolhando sem saber ao certo o que fazer, o que sentir.
Os batimentos em meu peito queriam saltar. E podia me lembrar claramente como aquilo havia demorado meses para acontecer entre mim e Jasper. Quando foi que eu havia perdido os muros que me isolavam do resto das pessoas? Precisava fugir daquilo... Logo eu voltaria para casa e tudo acabaria. Não era certo com nenhum de nós, tínhamos destinos diferentes para encarar.
— Acha que seu pai vai mesmo aceitar o acordo de Igor depois do que fiz? – sussurrei, fazendo-o acordar do transe em nossos olhares.
Alexander respirou fundo, e eu senti cada parte de seu peito se mover para soltar os ares.
— Vai, ele gostou de Igor. E minha mãe gostou da noiva dele, a futura rainha. – respondeu em outro sussurro, o qual fez cócegas em meus ouvidos.
Eu me aconcheguei um pouco mais, colocando meu rosto na curva do pescoço de Alexander, e como resposta ele me abraçou. Dessa forma, não haveria risco de nossos olhos se encontrarem, muito menos nossas bocas.
— Não consigo acreditar naquela mulher ainda. – O príncipe jogou uma lufada de ar em meus cabelos, enquanto parecia observar atentamente a pulseira de ouro fina em seu pulso.
Nosso dia havia sido uma loucura. Yekaterina nos dera um presente valioso. Illéa firmava um acordo econômico com os russos. E eu descobrira um novo segredo. Era demais para nós dois.
— Ela é confiável. – Garanti, pensando comigo mesma que Thomas nunca teria dado um colar de leão a Yekaterina caso fosse o contrário.
— Não sei... – respondeu, os pensamentos em sua mente pareciam mais bagunçados dos que na minha. – Mas saiba que você sempre foi livre para ir e vir. Pode voltar à Nova Inglaterra amanhã, se quiser. Assim que o outro carregamento de armas inglesas chegar e os soldados russos aportarem, é questão de tempo até Illéa estar a salvo. As táticas que você nos ofereceu também serão de grande ajuda.
As palavras tocaram minha ferida interna, sentia-me como Igor sendo ameaçado por mim há poucos momentos. Não queria nem pensar em Desmond, meu odioso pai, muito menos em voltar para casa antes de Cameron se tornar rei. Eu não tinha outra escolha. No entanto, algo nas palavras de Alexander também me chamava a atenção.
— O segundo carregamento já não era para ter chegado?
Lembrei-me vagamente de Mason dizer em uma reunião que cuidaria para que todo o transporte fosse feito. Óbvio que até na mais simples tarefa o príncipe-herdeiro iria falhar.
— Parece que deu um problema no cargueiro, então apenas a remessa mandada por avião chegou. Mas não se preocupe com isso. Vai dar tudo certo. – respondeu, sua voz não parecia tão preocupada, talvez fosse apenas um problema comum no transporte marítimo.
Assenti com a cabeça, sentindo os braços do príncipe se remexerem ao meu redor. Minhas lágrimas já estavam secas, não sentia mais como se fosse explodir a qualquer minuto. Apenas um tímido medo de rei Desmond II habitava os meus interiores. Entretanto, com Alexander ali, era difícil presumir se algo poderia mesmo me machucar.
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