Avalanche
13 Distância
Notas iniciais
— Sei que você vai dizer que sou muito novo, mas decidi ir pra Universidade de Medicina. – A voz de Edwin soava engraçada no telefone, seu tom infantil em alguns momentos ficava mais fofo ainda.
— Acho que isso não é uma novidade, Ed. – comentei com um leve sorriso no rosto. – Ainda vai levar uns dois anos até você ter idade para ser aceito. Talvez Jasper possa te ajudar com isso.
Era complicado falar aquele maldito nome em alguns momentos. No entanto, era fato que Jasper era bom em várias coisas, como ser médico e ao mesmo tempo militar, além de um amante voraz quando estava interessado em sê-lo. Por que minha mente sempre estava em torno de algum Schmidt?
— Sim, estou conversando bastante com ele.
Tentei controlar o tom de minha voz, Edwin e Cam nunca haviam descoberto sobre Jasper e eu. Não havia necessidade de que descobrissem depois de tudo estar completamente acabado, seria apenas mais um empecilho.
Notei que Ed se calou por uns segundos, talvez receoso com alguma coisa.
— Thomas também está aí, não está? – perguntei de forma óbvia, apostando que aquele fosse o motivo do silêncio.
— Sim, Avy. – Os anos se passavam, mas ele continuava o mesmo garoto de sempre. – Mas não fique brava... Thomas está ajudando bastante a todos nós. Inclusive andou conversando com nosso pai, que anda um pouco mais acamado do que de costume.
Um calafrio subiu por minha espinha. No mesmo instante, olhei de forma sorrateira ao redor, eu estava em um dos gabinetes reais com acesso a telefone, dois guardas de Illéa me vigiavam com os olhos atentos, mas distantes o suficiente para o bem da minha privacidade.
— Conte mais sobre isso, Ed. Por favor. O que nosso pai tem? E o que Thomas andou conversando?
Meu irmão parecia se enrolar com as palavras, sem saber ao certo o que deveria dizer.
— Não sei, talvez seja o efeito de anos de bebida finalmente atacando o fígado. Na verdade, Thomas teve uma única conversa com ele, então pode ter sido sobre a mamãe...
Suspirei um pouco triste. Pouco me importava a saúde de meu pai, mas ainda não deixava de ser chocante receber uma notícia dele. Quanto a Thomas, era fato que tinha interesses em mente, os quais eu só podia esperar para que fossem melhores do que tirar a coroa de minha cabeça e botá-la na de Cam.
— Talvez – pensei em mais perguntas, qualquer coisa que me viesse a mente, não queria me delongar naquilo. – Como estão Kaya e Cameron?
Eu quase pude ver o sorriso do outro lado do telefone. Havia acertado em cheio na pergunta.
— Parecem felizes. Ela é muito legal, sabia? Toca violino de uma forma tão majestosa que Cam e eu quase choramos. Além de gostar muito de ler.
Só consegui rir com a última parte. Mas algumas infelizes lágrimas escaparam de meus olhos, a saudade quase me matava do meu garotinho de ouro. E escutar aquilo de Kaya só me fazia pensar mais em meu gêmeo.
— Avery... Como você e Alexander estão? – a voz tímida de Edwin me fez corar como nunca, além de conter uma questão um tanto delicada e íntima.
— Ed... – Soltei um riso abafado. – Acho que estamos bem. Agora... Me conte mais de Cameron, sei lá. – A pressa em fugir do assunto era inevitável.
— Ele mudou bastante. Na minha opinião, para melhor. – Pude escutar meu irmão respirar fundo do outro lado da linha, parecia pensativo. – Cam também pediu desculpas por não ter feito contato. Combinamos de deixar você se adaptar uns dias, mas ele acabou ficando ocupado demais com alguns assuntos, e disse que vai tentar falar com você em breve.
Revirei os olhos. Ainda queria brigar com meu gêmeo. Minha raiva se dissipava, porém não sumiria por completo.
— Princesa, as Selecionadas chegaram! – escutei a voz firme de um dos guardas atrás de mim.
Acenei como agradecimento, voltando toda a minha atenção para Edwin em nossos últimos instantes juntos.
— Preciso ir – expliquei, a voz apressada e um pouco ofegante. – Aquelas garotas de Mason chegaram, tenho que ir recepcioná-las junto de Alexander e a rainha.
— Tudo bem, Avy – disse, segurando a risada escandalosa que ele tinha herdado de mamãe. – A Kaya garantiu que o Mason é bom no fundo, e pediu para você cuidar bem da família dela. Vamos ligar pelo menos uma vez na semana, pode ser? Não quero incomodar.
Pelo canto do olho notei o modo impaciente que o guarda se portava.
— Duvido muito sobre Mason. E prometo ligar em breve, isso nunca incomodaria. – falei cada frase como se fosse uma rajada. – Fique atento, Ed. Amo você.
Não tive tempo de escutar o resto de sua despedida, apenas coloquei o telefone no gancho e andei o mais rápido que podia para fora do gabinete. O guarda me guiava entre os corredores do castelo com mais pressa do que o necessário, até que nos deparamos com a figura preocupada de Alexander, olhando de um lado para o outro até seus olhos me encontrarem como se eu fosse um alvo.
Ele passou a mão pelo cabelo loiro extremamente aparado, enquanto fingia desaprovar meu comportamento com a cabeça.
— Você é a pior inglesa que eu conheço.
Por algum motivo, senti meu rosto quente, nunca havia sido subjugada daquela forma, mesmo que de brincadeira. Talvez devesse me esforçar mais para ser pontual, porém não poderia deixá-lo ileso de seu comentário.
— Conhece quantas inglesas, por acaso?
Alexander me esticou seu braço, ele usava uma camiseta de linho fina que deixava seus músculos bem perceptíveis. Eu o segurei firme como se pudesse me safar da vergonha que sentia.
— Pensando bem, eu só conheço você. – Seus olhos me encararam enquanto dava um sorriso de canto – Mas já é o suficiente para frustrar o meu perfeccionismo.
Soltei uma curta risada. Havia dado a ele a exata expressão que queria arrancar de mim. O olhar convencido de seu rosto era cômico, fazendo com que eu mal notasse que já havíamos chegado nas grandes portas brancas que davam de cara com o salão principal.
Criados andavam para todos os cantos com milhares de coisas em mãos, e eu podia escutar um grande burburinho do outro lado das portas, deviam ser as Selecionadas em um surto de ansiedade coletivo por um príncipe nojento como Mason.
À esquerda, a rainha andava de um lado para o outro próxima a nós dois, assim que nos viu veio em nossa direção como um jato.
Rainha América usava um vestido azul claro que a deixava tão bela quanto as imagens que eu tinha de minha mãe. Aquela era definitivamente a sua cor, enaltecia as madeixas ruivas de seu cabelo e a pele alva.
— Ainda bem que chegaram! – ela me abraçou de forma carinhosa, algo que eu nunca me acostumaria. Alexander a beijou no rosto. – As Selecionadas estão no saguão principal, já arrumadas para encontrar Mason. Quero que fiquem ao meu lado, se possível.
O nervosismo da monarca era inegável. De certa forma, achava cômico alguém naquela posição ainda ser tão humana em seus sentimentos. Eu era criança demais para me lembrar de minha mãe em um estado como aquele, em minhas memórias, Miranda sempre estava calma e cuidando de mim e Cam ao lado de seu guarda-costas. As poucas memórias que eu tinha de meus pais juntos e felizes foram no nascimento de Edwin, o resto estava tudo em branco.
— Avery! – Alexander chacoalhou de leve o braço, me tirando do transe de meus pensamentos. – Vamos ter que tirar algumas fotos juntos, como exemplo para as Selecionadas. Depois disso, ficamos ao lado de minha mãe até Mason chegar, o que vai ser a nossa deixa.
Fiz uma careta ao escutar a parte das fotos. Ele automaticamente entendeu que eu não gostei da ideia.
— Os flashs fazem meus olhos doerem e me deixam com dor de cabeça – expliquei.
Eu me arrependi no mesmo segundo em que disse aquilo. Alexander se aproximou e fitou minhas íris esverdeadas, talvez analisando se havia algo de errado comigo. Fiquei nervosa com sua atenção tão intensa, seus olhos me enxergavam de uma forma desconcertante. Virei o rosto para mostrar que não estava confortável.
Ele se afastou um pouco diante daquilo, mas não vi sua expressão.
— Fique aqui por um instante. – pediu, piscando para mim e sua mãe.
Vi Alexander andar em direção a alguns fotógrafos para conversar, parei de prestar atenção nele assim que senti a mão da rainha em meu ombro.
— Notei que não é muito disso, princesa. Mas está linda! – ela sorriu gentilmente enquanto analisava meu vestido.
Eu usava uma peça de vinho, com uma calça de couro preta e saltos não muito altos. Eli era ótima para me ajudar a não perder o estilo e a compostura no meio de minhas bizarras vontades de usar calça.
— Obrigada, Majestade – tentei retribuir o carinho, era o mínimo que poderia fazer. – Digo o mesmo. A senhora combina muito com azul claro.
Ela riu baixinho por alguns instantes.
— É quase o mesmo modelo que usei em meu primeiro dia aqui no castelo – a rainha pareceu um pouco pensativa, talvez tentando recordar suas memórias de vinte anos trás. – Ainda consigo me lembrar com detalhes a expressão de Maxon em vários momentos, ele sempre foi tão cavalheiro...
Eu não soube o que dizer, jamais havia escutado coisas do tipo sobre sentimentos. Os monarcas de Illéa detinham um amor fora do comum para alguém com a mesma vida de realeza e deveres. Era fascinante, sem sombra de dúvidas. Mesmo assim, tudo o que eu conseguia fazer era tentar, em vão, entender se meus próprios pais se amavam ou se haviam se casado por conveniência. Não havia a quem perguntar.
Senti a mão da rainha dar leves batidinhas em minhas costas.
— Aliás, princesa, gostaria de te agradecer por tudo o que está fazendo até o momento. Sei que é uma situação desafiadora, estamos tentando conversar mais com Mason também, acho que ele está sob muita pressão. – Os olhos claros da monarca pareciam levemente tristes, mas se conteve com o máximo de sua resiliência. Ela era uma mãe muito forte. – Estou falando com Kaya todos os dias. Jamais imaginei que minha garota fosse se dar tão bem na Nova Inglaterra. Tudo graças a seu pai e seus irmãos!
Um calafrio me tomava toda vez que alguém ousava mencionar rei Desmond II. Não suportava ver como ele era tido como um homem clemente e bom pelas outras pessoas, ainda mais monarcas de outros países. Tentei me manter inexpressiva ao sentir o ódio irromper, mas obviamente eu estava desconfortável com aquilo tudo.
— Avery!
Era Alexander, me salvando da situação embaraçosa entre sua mãe e eu. Ele gesticulava para que fosse ao seu encontro. Forcei um sorriso e uma mesura para a rainha, caminhando rapidamente para perto da única pessoa que poderia me fazer sentir segura ali, a única pessoa que parecia ter um leve laço de confiança comigo, mesmo que recente demais.
— Eu mudei um pouco os planos – disse o príncipe, acenando para alguns fotógrafos perto de nós. – Vamos entrar e tirar algumas poucas fotos com as Selecionadas. Talvez alguns repórteres façam perguntas, estão loucos para te conhecer melhor. Mas você pode ignorá-los, se quiser, eu invento alguma desculpa quando for conveniente.
Soltei uma risada sarcástica. Ele era realmente bom em planos diabólicos quando não estava ocupado sendo preguiçoso ou desinteressado.
— Obrigada! – falei. – Depois disso estou livre?
Alexander semicerrou os olhos, parecia raciocinar mais uma vez.
— Vamos ao meu quarto quando terminarmos aqui.
— O que?
Meus olhos surpresos o encararam com milhares de indagações.
— Os relatórios dos rebeldes estão lá para que você analise – ele sorriu de canto, tentando se explicar, porém um pouco nervoso. Era a primeira vez que eu o via um pouco sem jeito.
Relaxei um pouco os músculos, mas não totalmente. Alexander ainda era um mistério. No mesmo minuto em que parecia puro demais, o príncipe também agia de forma atraente. Minha mente começava a se confundir entre as duas coisas, quase esquecendo onde estávamos.
Em questão de instantes, ele me guiou para dentro do salão principal, o qual estava repleto de garotas barulhentas que soltaram alguns gritinhos agudos ao nos ver. Cada uma usava um vestido mais elaborado que a outra, algumas pareciam razoáveis, mas outras de cara não me agradavam com suas cores amarelas e laranjas. No fundo, só pude rir comigo mesma ao pensar que Mason teria um grande trabalho pela frente para suportar.
Nos aproximamos de um grupo de Selecionadas, me agarrei um pouco mais ao braço do príncipe. Elas pareciam ter sido avisadas para não tocarem em mim e Alexander sem nosso consentimento, o que suspirei em alívio ao ver que pelo menos se controlavam no meio de suas euforias. Algumas olhavam para o príncipe de forma sensual mesmo que não estivessem ali para cortejá-lo, o que o deixava meio vulnerável diante daquela atenção. O mundo das mulheres podia ser intimidador, e ele não parecia deter muitas experiências nele.
Enquanto eu mordia meus lábios ao pensar naquilo, uma das garotas, baixinha e loira, aproximou-se de mim sorrindo.
— Poderia me dar uma dica com príncipe Mason, Alteza? – disse, alto o suficiente para Alexander ao meu lado escutar.
— Claro, querida – toquei em sua mão por um instante, tentando parecer calorosa e amigável. – Seja tão inescrupulosa quanto ele!
Sorri de forma bem falsa para a garota, que perdeu sua animação no mesmo momento. No fim, acabou sendo engraçado, mas logo Alexander me guiou para longe daquelas garotas, o que nos levou até uma multidão de fotógrafos e repórteres.
— Você é horrível – ele sussurrou e sorriu para uma foto.
— Eu sei.
Os flashs me cegavam à medida que mais fotos eram tiradas, eu tentava manter a pose como sempre fazia com os paparazzis da Nova Inglaterra. Acabei piscando várias vezes enquanto olhava para o chão, já estava começando a ficar com dor de cabeça.
— Acho que já deu para mim, Alexander – agarrei-me ao seu braço com mais força para me certificar de que ele me escutava.
O príncipe então caminhou um pouco mais rápido, em direção a saída do salão principal, eu só reconheci por saber que estávamos indo pelo mesmo caminho que havíamos entrado. Logo após fecharem as grandes portas brancas atrás de nós, respirei fundo sem parar enquanto piscava mais e mais, as manchas escuras de minha visão começavam a sumir aos poucos.
Eu definitivamente era uma péssima figura pública.
— O que aconteceu com ela? – escutei alguém se aproximando a passos apressados.
Tentei voltar a minha postura elegante, dando de cara com ninguém menos do que rei Maxon, que detinha um olhar preocupado e cheio de rugas. Por mais que tivesse um rosto não muito velho, o monarca realmente parecia cansado pelos tempos que seu país vivia.
— Eu estou bem, Majestade – garanti, contendo meu tom de voz para soar tranquila e despreocupada. – Apenas não me dou muito bem com flashes. Acho que meus olhos são sensíveis demais com luzes fortes.
— Ah, é claro, querida – o rei sorriu gentilmente, pegando em minha mão de forma delicada. – Fique à vontade para ir a nossa ala hospitalar para averiguar isso melhor.
A educação e empatia de Maxon precediam qualquer outro monarca que eu já havia conhecido. Ele parecia ser uma pessoa compreensiva.
— Aliás, princesa, gostaria que pudesse me acompanhar em algumas reuniões pelas próximas semanas. – Ele soltou minha mão devagar e tocou com firmeza no ombro de Alexander. – Meu filho irá explicar os detalhes com mais calma. No entanto, já adianto que a senhorita faz jus à fama que os conselheiros de seu pai me disseram.
Eu sorri com o elogio, era inevitável sentir orgulho pelo histórico que havia criado dentro da Câmara dos Comuns. Por mais que Desmond II tivesse atrapalhado diversas coisas, eu ainda assim conseguia passar por cima de tudo. Archibald Schmidt me tinha em grande estima, no fim das contas.
— São palavras muito gentis. Obrigada, Majestade.
O rei fez um cumprimento de cabeça, retirando-se para ir ao encontro das Selecionadas e de sua esposa. Logo que estávamos sozinhos novamente, eu encarei Alexander com algumas perguntas em mente.
Ele estava sério e de braços cruzados, pensando em algo que me parecia longínquo demais para acompanhar. Por que sempre assim?
— Você prometeu sua sinceridade – comecei a dizer, mordendo os lábios um pouco nervosa. – O que isso quer dizer sobre acompanhar o rei em suas reuniões?
Talvez eles estivessem começando a confiar em mim. Já fazia uma semana que eu estava no castelo, tempo o suficiente para coletarem mais informações de mim do que gostaria.
Alexander me encarou apreensivo. Algumas marcas de expressão apareceram em sua testa bronzeada, ele parecia bem mais velho quando se concentrava muito em algo. Àquele ponto, eu já sabia que o príncipe tinha mais de dezoito anos completos, só não imaginava que pudesse ser tão maduro quanto Mason em apenas um ano de diferença entre os irmãos.
— Ele gosta de você – respondeu, seus olhos evidenciavam a verdade por trás das palavras. Ao menos era fácil notar isso no meio de sua personalidade confusa e misteriosa. – O general Leger deu a mesma ideia sobre espionagem há uns meses atrás. Desde então, há algumas informações muito mais importantes que podem virar o jogo a favor de Illéa.
Senti minha barriga revirar.
— Isso significa que me veem como razoável, não que podem confiar em mim. Do contrário, seu pai já teria me dito o que preciso saber para ajudar de verdade.
O príncipe negou com a cabeça.
— Meu pai confia em você, Avery. No entanto, estamos esperando a entrega das armas inglesas que seu irmão nos prometeu para começarmos a pensar em uma estratégia efetiva. Não temos muitos soldados disponíveis no momento, a maioria protege o castelo para que não ocorra um ataque rebelde aqui. A Seleção também é vital para o funcionamento do país.
Meu cérebro doeu com aquelas informações, eu mal sabia que Cam havia negociado armas do meu exército. Por mais que esperasse aquele posicionamento do meu gêmeo, contava com o fato de que me avisaria em detalhes, uma vez que nosso pai pouco se importava com os rumos de nossa nação e eu cuidava muito bem das Forças Armadas.
Do que valia minha proteção sem a confiança e irmandade que tínhamos antes de tudo isso? A fúria que antes se esvaía voltou a penetrar minhas veias. Meus olhos já deviam chamuscar um fogo esverdeado àquele ponto. Eu odiava ser deixada para trás.
Ao mesmo tempo, não poderia permitir que aquele castelo sofresse um ataque rebelde. Usaria tudo de mim se fosse possível, mas jamais poderia deixar as coisas chegarem nisso. Nenhum país do mundo deveria sofrer da mesma forma que a Nova Inglaterra sofreu, sem contar que nossas vidas estavam em jogo, bem como as vidas das Selecionadas que eu acabara de conhecer, todas jovens e ingênuas.
Não conseguia digerir a ideia de outra família real ser estraçalhada, ainda mais monarcas tão gentis quanto os de Illéa.
— Meu irmão sabe sobre a quantidade de soldados do seu exército? – perguntei, meu tom de voz exigia uma resposta firme e rápida. Não havia tempo a perder.
— Não. – O príncipe encarou meus olhos como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. – Isso está entre as coisas que pretendo te contar. Como rei, meu pai não pode dar essa informação de forma leviana, mas como temos um acordo pretendo cumpri-lo.
Em questão de alguns segundos, pensei em quantas cartas na manga ainda me restavam. E com os olhos resolutos, eu fitei o rosto apreensivo de Alexander.
— Quero que diga tudo o que meu gêmeo combinou com Illéa. Tenho certeza que posso oferecer algo melhor ao seu país.
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