Avalanche
18 Biblioteca
Notas iniciais
Edwin não atendeu minhas ligações por dois dias seguidos, o que me fez refletir se ele estava realmente ocupado com Kaya e Cameron fazendo alguma coisa divertida. Mesmo com tudo caminhando para um futuro melhor, só de saber que meu pai estava vivo e que meu gêmeo ainda parecia distante destruíam as esperanças de meu coração.
Não recebi cartas, o único contato havia sido com Thomas e a ligação de Ed há semanas.
Os pensamentos se tornavam mais neuróticos à medida que eu imaginava os acontecimentos na Nova Inglaterra. Entretanto, tinha que me manter disposta, por isso resolvi que naquela manhã iria em busca de informações da Rússia e de Illéa para o tratado econômico que iria propor. Pensar em Alexander me trazia à tona outros tipos de responsabilidades e sentimentos, os quais eram uma indefinível válvula de escape para as minhas tensões.
Assim que cheguei na Biblioteca Real, a primeira coisa que vi foi Maia Whitaker sentada em uma mesa de canto, parecia recolhida do mundo em silêncio, no meio de vários livros e jornais, focada do mesmo jeito que ela havia sido na minha primeira reunião em Illéa. Não sabia se me aproximar era uma boa opção, então apenas tentei seguir meu objetivo para aquele dia.
Depois de meia hora de busca, consegui poucos livros sobre o país de Igor, chegando à conclusão de que os russos eram mais reclusos do que eu poderia esperar. No entanto, era fato que o príncipe dos sovietes aceitaria meu tratado, a única ponta solta era o que ele pediria de volta. Igor não estaria dando o aval de seu poderio simplesmente porque gostava de mim. E isso me fazia cogitar coisas demais, minha mente parecia dividida entre preocupações de vários tipos, nenhuma delas sendo menos complexa ou simples.
A única coisa que me deixava calma era que o príncipe russo sabia muito bem que nós dois não combinávamos nem por um instante, sempre referindo-se a mim como amiga, apesar de suas cantadas. Não havia o risco de ir de um casamento arranjado para outro pior ainda, Igor não pediria isso.
Soltei um longo suspiro e beberiquei um pouco de chá ao ler mais uma página sobre as regiões frágeis da Rússia. Até escutar o bater de um livro bem na minha frente. Entornei a xícara sem conseguir conter o impulso, os respingos de hortelã quente manchavam minha roupa e faziam a pele arder por alguns segundos. Merda.
— Papai gostou da sua ideia. – disse Maia, a responsável por toda aquela cena.
Me toquei que nunca havíamos nos falado antes, a voz da garota era jovial e fina, convergindo com sua expressão suave. Maia devia ter a idade de Edwin, porém mais autoridade e inteligência do que Mason.
— O que? – questionei, minhas sobrancelhas arquearam como de hábito. Ela sabia do plano?
— A sua ideia com os russos. Papai aprovou, e nunca vi ele ser tão condescendente com algo. – A garota semicerrou os olhos, falava como se não fosse nada demais, suave e dócil com seu timbre meloso. – Relaxe. Não contarei a ninguém.
Maia deixou transparecer um pequeno sorriso em seus lábios. Infelizmente, minha expressão mais do que caótica não me deixava analisar direito as intenções dela.
— Não sabia que o Senhor Whitaker havia aprovado. É uma ótima notícia. – Respirei fundo, tentando processar aquilo tudo. – Alexander ainda não me contou sobre isso.
— Senhor Whitaker? – ela soltou um risinho, talvez pela formalidade direcionada ao próprio pai. Mas pude captar um sútil sarcasmo por detrás daquele ato, mesmo sem entender o porquê. – Tenho certeza que Alexander vai te contar em breve. De todo modo, ele sempre te vigia como um falcão, não é mesmo?
Meu semblante se tornou inexpressível.
— Isso não é verdade. O príncipe está ocupado quase o tempo todo, mal nos falamos direito. – Tentei desconversar rapidamente, além de estar evidenciando a pura verdade.
Maia deu de ombros, cruzando os braços em um movimento convencido. Por outro lado, eu me sentia esquentar por dentro de vergonha. Como assim ele me vigiava?
— Só estou avisando. E, de qualquer forma, nem é problema meu. – disse, enquanto recolhia o livro que havia usado para me dar um susto. Porém, antes de me deixar a sós, a garota estreitou os olhos na direção do colar que eu usava. O colar de Jasper. – Oh, você gosta de leões? Acho que já vi papai usar um anel de leão uma vez, era uma joia bem bonita também.
— Foi um presente de despedida. – expliquei, o nervosismo e a saudade tomando conta de minhas palavras.
Agarrei o pingente no mesmo instante, protegendo-o com todo o resto de meu orgulho. Recordava-me que August Whitaker havia mesmo elogiado o colar uma vez, talvez ele e a filha tivessem um gosto parecido por joias e animais.
Meus olhos encararam Maia com alívio quando a vi dar as costas e caminhar de volta a sua mesa. Ela era tão espontânea que me dava medo, tão esperta que parecia imprevisível.
Após nosso breve contato, apenas tentei continuar o que fazia, lutando por vários segundos para tentar me concentrar de novo.
Eu definitivamente não precisava de mais preocupações.
☆
O almoço havia sido servido no mesmo horário de sempre, Alexander não havia comparecido. Ainda era um pouco estranho estar comendo junto aos Schreave e as Selecionadas, ainda mais sem a presença da única pessoa que eu confiava. Mason estava calado, parecia reservado em pensamentos, sério e ilegível. Por outro lado, o rei parecia menos cansado naquele dia, eu podia ver a rainha América sussurrar algo em seu ouvido ora ou outra, ambos sorriam com certa delicadeza e ternura entre si.
Algumas garotas contemplavam a cena dos monarcas, talvez se perguntando se seriam tão felizes quanto eles. Meus pais nunca haviam sido desse jeito, e eu duvidava muito ceticamente que fosse algo comum a maioria dos casais da nobreza.
Distraí o olhar pela sala de jantar, comendo o resto de minha refeição. Não queria pensar demais em Miranda e Desmond ou nada que tivesse relação com casa.
Alguns minutos depois de satisfeita, vi um mordomo se esgueirar com uma bandeja em minha direção.
— Alteza, um agrado do príncipe para a senhorita. – falou baixinho, posicionando um prato diante de mim.
Contive um sorriso. Alexander parecia se fazer presente mesmo em sua ausência. E havia me mandado um pedaço de torta de moramgo.
— Obrigada! – Suspirei, pronta para pegar o talher.
Antes que eu pudesse notar o olhar atencioso da rainha em minha sobremesa, constatei que havia um pequeno cartão no prato. Eu o peguei sendo o mais discreta possível, antes que mais alguém além do mordomo visse.
Li rapidamente cada palavra.
“Como entramos em contato com Igor Pyetov?
Encontre-me nos estábulos assim que possível.
— A.”
O sorriso que eu continha finalmente desabrochou em meus lábios, mais vívido do que nunca, porém sorrateiro. Não queria chamar a atenção. Maia parecia confiável, afinal de contas. E Alexander muito mais benevolente do que eu podia prever.
— Traga um pouco de torta para mim, por favor. – A rainha insistia com o mordomo, enquanto minha mente vagava por sensações novas. – Um pouco para as Selecionadas também seria perfeito! Elas precisam provar essa sobremesa... Eu tenho uma irmã que quase chorou comendo essa torta pela primeira vez...
O rei sorria de forma gentil para a esposa, enquanto as Selecionadas apenas apreciavam a cena com alguns risinhos. Mason continuava quieto, se divertindo com a situação, mas não se atrevendo a emitir um som sequer.
Esperei impaciente pelo fim do almoço, fazendo uma simples mesura para os monarcas como despedida. Eu não tinha tempo a perder.
Caminhava passos confiantes em direção a área aberta do palácio. O sol não estava tão forte, e eu conseguia me guiar muito bem no caminho até os estábulos.
Quando cheguei mais próxima da estrutura de madeira, observei o mesmo tratador de cavalos de antes, acariciando uma égua pequena e débil. Eu me recordava do dia em que cavalgamos juntos, Alexander já parecia tão decente que era fora de cogitação. Um príncipe que pedia pela minha sinceridade, escutava meus planos e lutava por eles. Tão puro quanto a luz solar, mais uma vez eu me sentia suja quando nos comparava.
— Alteza? – Olhei desconcertada para o homem, que parecia confuso ao me encarar, seu pequeno bigode ainda se remexia conforme as palavras. – Ele está aqui dentro. Pode entrar, por favor. Fique à vontade.
Contraí os lábios, querendo soltar um sorriso divertido, mas me contentando em apenas seguir o tratador. Entramos mais para dentro da estrutura dos estábulos, o que me surpreendeu logo de cara pelo tamanho colossal que aquilo tinha entre tantas vigas de carvalho e feno. Logo atrás dos poucos cavalos, havia uma escada de madeira que levava para um segundo andar, tão escondida que passava despercebida pelos tons escuros da madeira do ambiente. Como haviam apenas alguns animais, era fácil manter o local limpo, não havia odores desagradáveis apesar de tudo, apenas o cheiro nobre da pelagem dos puros-sangues.
Eu quase podia me recordar de Londres, onde os hipódromos viviam lotados e as pessoas apostavam como se tudo não passasse de um esporte. Ao pensar em minha casa, segurei mais firme o corrimão ao lado dos degraus, meus pensamentos automaticamente iam de Edwin para Cam, sem saber ao certo o que Thomas Schmidt estava tramando pelas sombras. Ao menos Alexander e Igor não faziam parte das políticas inglesas, nesse sentido eu os considerava confidentes valiosos.
Respirei fundo, analisando melhor o segundo andar do estábulo. Era uma sala de estar enorme e vasta, decorada de forma tão rústica que meus olhos brilharam ao contemplar os sofás de couro marrom, assim como uma mesa gigante em um canto, cheia de coisas em cima. Alguns galhos de árvores quase entravam pela janela, o vento tornava o ambiente tão fresco que cheguei a me sentir tão confortável quanto em meus aposentos em Buckingham.
Mais ao centro, haviam duas silhuetas, sentadas em um tapete de pele aconchegante, conversando com animação e carinho enquanto tomavam o café servido em uma mesa de centro. O cabelo loiro denunciava o príncipe, mas não reconheci a senhora ao seu lado.
— Aí está ela! – disse a mulher, sorrindo em minha direção.
Alexander se virou no mesmo instante, os olhos encontraram o meu em questão de segundos. Senti cada preocupação sumir de meu corpo quando avistei seu rosto, eu estava imersa na mesma sensação que vinha sentindo há semanas: ajudá-lo.
— Avery – disse, alto o suficiente para sua voz rouca atravessar a sala. Logo ele mesmo já vinha ao meu encontro, estendendo-me sua mão. – Conheça a senhora Marlee Woodwork, a melhor amiga da rainha.
— E também a segunda mãe desse príncipe lindo.
A mulher riu, fazendo-me notar o quão belo seus traços finos eram. O cabelo de fios dourados e um pouco esbranquiçados apenas davam mais suavidade para seu rosto. De fato, não era alguém qualquer.
— É um prazer conhecê-la, senhora. – Aproximei-me para um cumprimento, os braços dela me envolviam em um abraço tão caloroso quanto os da rainha. Sem reverências ou mesuras.
— O prazer é todo meu, querida. – respondeu, os olhos brilhando ao me contemplar. – É uma pena que América ande tão ocupada para tomarmos chás juntos, mas você me parece uma ótima companhia também.
Marlee falava cada frase com tanta felicidade que eu me sentia tonta com a intimidade estabelecida. Meu coração frio e inglês estranhava aquilo. Em compensação, Alexander parecia um pouco sem jeito, sorrindo de canto enquanto suas bochechas pareciam corar. Como um estalo, toda a sua máscara séria e antipática se trincava em mil pedaços.
— Tia, nós vamos ver uma tarde com mais calma. Por favor! – O príncipe interferiu, gesticulando o mais suavemente possível para a senhora tomar um pouco de distância de mim. Ele notava o quanto eu me sentia desconfortável com a proximidade.
— Oh, sim. – Marlee pôs as mãos na cintura, andando até o tratador de cavalos, mudo e ao pé da escada. – Vou deixá-los a sós. Me desculpem. Acho que ando sentindo muita falta de sua mãe, meu bem.
Quando o homem a abraçou, tive certeza de que havia uma outra relação amorosa ali. Diferente do general e sua família, assim como dos monarcas, Marlee e seu marido pareciam nutrir um sentimento intocado pelo tempo, tão forte e vital quanto o bater dos corações.
Suspirei. Minha mãe devia mesmo ter sido muito infeliz em seu casamento.
— Com certeza, tia. Obrigado por estarem nos deixando usar esse lugar. – disse Alexander, antes que ambos descessem os degraus.
Escutei o bater dos pés sumirem em questão de instantes, deixando apenas eu e o príncipe sozinhos em uma conversa silenciosa de olhares. Vi que ele andava de um lado para o outro ajeitando as xícaras de café usadas, talvez nervoso.
— Qual a história dos dois? – questionei curiosa, ainda assimilando a presença de Marlee.
Pude ver Alexander suspirar mais profundamente que o normal, de costas para mim ao arrumar algo na mesa grande que havia ali.
— É complicado. – Tão vagaroso quanto podia, ele se virou para mim com um semblante sério.
— Acho que sou atraída por coisas complicadas. – comentei, fazendo um pequeno sorriso brotar em seu rosto, não o suficiente para eliminar a tensão de seus olhos.
Engoliu em seco, indicando que sentássemos no sofá. Depois de acomodados, notei que ele ainda hesitava em falar, seus lábios pareciam se abrir sem coragem.
— Marlee era uma Selecionada. Mas ela se apaixonou por Carter, o tratador de cavalos. Na época, ele era um só um guarda no castelo e...
Meus olhos se arregalaram um pouco, vendo as emoções não ditas no rosto de Alexander. Era óbvio.
— Eles foram punidos de alguma forma, não foram? – indaguei, a voz quase sumindo.
— Não importa. – O príncipe negou com a cabeça, sério e nervoso. – Não vamos falar disso. É passado.
Suspirei enquanto pensava na torta de maçã do almoço.
— Então me fale sobre August Whitaker e o general Leger – pedi, apressando-me em mudar de assunto. – Pelo visto, eles gostaram da ideia que dei.
Um turbilhão de pensamentos pareceu invadir Alexander, tomado por uma concentração súbita de racionalidade e foco.
— Sim, vamos falar disso. – Concordou, pegando com rapidez a xícara de café ainda cheia sobre a mesa de centro. Outro tique nervoso. – August aprovou seu plano com algumas reflexões em mente. Já o general teceu muitas críticas, mas achou uma estratégia válida e competente.
Minhas mãos suavam de ansiedade.
— Quais críticas e reflexões?
Alexander fitou meus olhos, o mesmo olhar sincero e receosa que eu já contemplara algumas vezes. Se antes ele era um mistério, agora eu pressentia seu sentimento de incerteza.
— August foi bem claro ao me dizer que caso os russos proponham o acordo, as chances de meu pai aceitar são melhores. – disse, parando por alguns segundos para analisar bem minha expressão. Eu não sabia ao certo o que sentir, meu coração pulsava em mil e uma emoções. – E... Algo me faz acreditar que você conseguiria entrar em contato com Igor Pyetov para pedir algo do tipo.
Um redemoinho de intensidade abalou minha postura, coloquei as mãos ao rosto para não encarar Alexander, que parecia ainda mais desconfortável que eu.
Queria morrer. Sumir. Evaporar. Eu havia deixado claro demais minha ligação com Igor. E mal sabia o que aquele russo maluco poderia pedir em troca por um favor tão grandioso.
Minhas mãos suavam mais, nem me dei ao trabalho de secá-las na roupa. Tentei analisar a situação, mas mal conseguia respirar direito.
Por que tinha que ser tão difícil confiar em alguém no meio de tanta política?
— Sinto muito, talvez devamos deixar isso para lá, Avery. – Vi Alexander se remexer impaciente, arrependido pelo que havia dito. – De qualquer forma, saiba que você pode voltar para a Nova Inglaterra assim que quiser, e nunca mais precisa pisar em Illéa. Já fez o suficiente pelo meu país. Estou tentando negociar com príncipe Cameron há alguns dias sobre isso, mas ele não atende...
— Não vou voltar! – gritei as palavras de medo e fúria, levantando-me em um sobressalto para buscar ar fresco em uma janela.
Desmond martelava em minha cabeça, eu não podia voltar ao meu país sem Cameron ser coroado. Aquilo havia sido uma enrascada perfeita para mim, talvez tenha sido por isso que meus irmãos pareciam tão distantes sem atender minhas ligações ou as tentativas de contato de Alexander: queriam que eu ficasse ali.
Arfei, sentindo o vento fustigar alguns de meus fios negros. Queria vomitar. Sentia-me tão presa e livre ao mesmo tempo. E só me restava um único aliado elegível além do príncipe preocupado atrás de mim.
Precisava usar as peças que tinha no tabuleiro.
— Pelo amor de deus, Avery. Você está bem? – perguntou Alexander. Eu podia sentir seus olhos doces me encarando vividamente, tão apreensivo quanto sua voz rouca.
Após tomar um último fôlego, me virei na direção do príncipe. Talvez ele se importasse comigo mais do que eu tinha imaginado, a sinceridade e gentileza de suas ações provavam-se tão dignas que meu coração doía sem acreditar que aquilo era real.
Senti a coragem tomar meu corpo por alguns momentos. Queria tirar mais um fardo das costas.
— Se eu conseguir esse acordo com Igor para Illéa... – as palavras saiam pesadas e relutantes. – Você poderia me deixar ficar em seu país mesmo com nosso casamento desfeito?
Os olhos de Alexander brilharam, seus lábios entreabertos parecerem levar uma eternidade para se mexerem.
— Claro que pode. – Ele se aproximou de mim, um sorriso sem jeito, porém autêntico, florescia em seu rosto. – Estou em eterna dívida, lembra?
Desviei o olhar, mordendo os lábios nervosa. Sim, eu tinha Alexander ao meu lado. E eu duvidava que o príncipe seria concebível de fazer algum mal a mim.
— Há um telefone aqui? – indaguei, a ansiedade corroendo minhas veias.
— À sua direita.
Olhei ao meu lado, havia um móvel de madeira com alguns livros e um telefone velho no meio deles. Como eu não havia notado aquilo antes? Parecia ser quase um refúgio para o príncipe, havia mais canecas de café e várias anotações com sua caligrafia. Ele devia se sentir a salvo do mundo naquele cantinho.
Um calafrio percorreu minha espinha ao pegar o gancho do telefone, Alexander se aproximou de mim no mesmo instante. O calor de sua presença me acalmava, mas ainda não era o suficiente.
Disquei os números vagarosamente, com o olhar atento e esperançoso do príncipe vigiando cada movimento que eu cogitava fazer. Os segundos de espera pareciam o próprio inferno, até que escutei uma respiração densa do outro lado da linha.
— Igor? – chamei, o suor escorrendo pelas têmporas.
— Printsessa. – O timbre áspero do russo ecoou pelos meus ouvidos como uma nota dissonante, sempre debochado demais para que eu pudesse assimilá-lo de primeira.
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