Avalanche.
5 Capítulo 5 - No Waiting.
Notas iniciais
O rádio amador descia montanha abaixo, deslizava com velocidade pela neve.
–Droga ! -Emma gritou quase já perdendo o rádio de vista. Então olhou para Regina que estava imóvel, de boca aberta e com uma expressão desesperada.
–Eu sou ... -a morena começou baixinho e logo gritou: -... uma idiota !
Emma a olhou confusa, assim que Regina começou a chorar e veio pra cima da loira lhe batendo. A Xerife não sabia se segurava Regina para que ela parasse, se a abraçava e dizia que ela não era uma idiota, ou se corria atrás do rádio. Então segurou forte os braços de Regina, a olhou nos olhos e falou:
–A única idiota aqui sou eu. -e então soltou a morena e desceu correndo atrás do rádio. Regina parou de chorar e começou a respirar fundo tentando entender a frase de Emma, então pegou a mochila da loira que estava jogada no chão e desceu correndo a montanha atrás de Emma.
Estavam perto, mas já haviam perdido o rádio de vista. Um ponto constante da montanha chegava e nele haviam muitos pinheiros, se o rádio havia caído alí, seria praticamente impossível encontrá-lo. Emma escorregava, se levantava e continuava correndo, com Regina logo mais atrás.
–A culpa é minha, sempre é. -Regina gritou quando chegaram na superfície plana e Emma revirava os pinheiros sem sucesso, enquanto a morena voltava a chorar. -Eu sou uma egoísta, eu deveria ter pensado no Henry antes de qualquer outra coisa, mas não, eu não fiz isso. Deve ser por esse motivo que o Henry não me queria como mãe antigamente. -ela falou a última frase como um sussurro e se deixou cair na neve.
Emma veio correndo até ela e se abaixou para olhar nos olhos da morena: -Regina, a culpa não é sua, você sabe que não. Eu fiz você ficar nervosa, eu fui uma idiota por ter agido daquele maneira. Sou eu que faço as coisas erradas sempre, começando pelo fato de que eu abandonei o Henry quando ele nasceu, mas você Regina, você não, você nunca faria isso com ele, eu sei que não. Você sempre cuidou dele tão bem, e ele te ama, ele sempre te amou, não duvide disso. Eu não duvido disso. -a loira completou com os olhos marejados, enquanto Regina chorava sem parar.
–Mas você foi a única aqui que teve coragem de ir atrás dele em todos os momentos de perigo. Você foi a única que se arriscou pra salvar a vida do nosso filho. Enquanto eu ... -Regina falava em meio as lágrimas, e de repente olhou para o nada desesperada e parou por um momento, então voltou seu olhar pra Emma e completou: -... eu tô aqui chorando. Assistindo você quase morrer pelo Henry. Isso é o que uma mãe de verdade faria.
Emma já tinha algumas lágrimas em seu rosto também, então soltou um leve sorriso e falou: -Quando a avalanche começou, quem quis ir atrás dele foi você. Aquele foi o momento mais perigoso de todos, e era você que ia se arriscar. Quando eu caí naquele abismo foi você que teve coragem de ir atrás de mim sozinha sem nem saber como chegar lá. Quando o lobo me atacou foi você que teve coragem de chamar o perigo pra você. -Emma falava por entre as lágrimas, que Regina também já havia voltado a deixar cair. -Sim, eu posso ter me arriscado e por isso eu seja uma boa mãe. Mas o que você fez Regina, foi mais do que qualquer outra mãe de verdade faria, você arriscou a sua vida não só pra salvar o seu filho, mas pra me salvar também, porque você sabia que se alguma coisa acontecesse comigo, o Henry sofreria. Você depositou toda sua confiança em mim, porque você sabia que se algo acontecesse com você, eu iria atrás do Henry de qualquer jeito. Então se tem alguém aqui que merecesse o título de mãe de verdade, esse alguém é você. -a loira completou e então voltou seu olhar para o lado tentando parar de chorar, mas foi em vão. Regina também chorava sem parar, então puxou o braço de Emma fazendo a loira olhar pra ela. Alguns segundos se passaram, segundos que elas usaram para só chorar. Então Emma continuou: -Todas as noites em claro foi você quem passou, todas as fraldas foi você que trocou, as primeiras roupinhas, a mamadeira, o quarto, o nome, foi tudo você que escolheu. É isso o que uma mãe faz. -a loira voltou seu olhar para a morena: -Então Regina, se algo acontecer com você, fique sabendo que o Henry vai sofrer muito também.
–Você é uma ótima mãe Emma. Não se sinta mal por ter abandonado o Henry, você não tinha escolha, ou melhor, você tinha, e foi ele que você escolheu. -Regina falou olhando nos olhos cheios de lágrimas de Emma que a ouvia atentamente. -Mesmo depois de tantos anos, você apareceu e ele te amou desde o primeiro minuto, como eu sei que você também o amou como se tivesse o segurado nos braços desde pequeno. Então não se culpe, porque não era isso que você queria, eu sei que não. E sim, eu me arrisquei pra te salvar, porque eu sei que se no fim acontecer alguma coisa comigo, você vai encontrar o nosso filho. Na verdade eu sei que se a gente o encontrar, não vai ser a gente, vai ser você. Sempre foi você. -Regina completou e Emma segurou em sua mão pelos minutos seguintes em que elas ficaram em silêncio, apenas terminando de chorar tudo o que queriam. -Eu quero o meu filho ! -Regina enfim falou se jogando nos braços da loira, que a abraçou.
–Eu também quero. E logo ele vai estar nos nossos braços de novo, e nós duas vamos niná-lo juntas como se ele fosse uma criança de novo. -Emma falou com a cabeça de Regina apoiada em seu peito. A morena soltou um riso e Emma beijou sua cabeça. Regina então se levantou e elas se olharam por um longo minuto até Regina falar:
–Você já esqueceu noite passada ? -ela perguntou fazendo Emma ficar inquieta. -Emma por favor, eu quero saber se não significou nada pra você, se você se arrependeu.
–Regina por favor ... -Emma falou, mas Regina continuou esperando uma resposta. Então a loira se levantou de uma vez e falou enquanto ia até os pinheiros de novo. -Nós precisamos encontrar aquele rádio, pra saber onde o Henry está. -Emma então falou e voltou a mexer nos pinheiros, ela jogava, chutava as folhas nervosa.
Regina se levantou e gritou em desespero: -Emma ! Por favor, não me ignore de novo, eu não mereço isso.
Emma então se virou de uma vez e gritou: -Eu estou com medo ta bom. É isso que você quer saber ? Eu estou com medo.
–Medo ? -Regina perguntou confusa, soltando um riso quase que irônico. -Medo de que ? De mim ?
–Medo do que eu estou sentindo Regina. Porque eu estou sentindo algo muito forte, que nem eu mesma sei explicar. Eu só sei que é muito forte. -Emma falou ofegante, e as duas ficaram apenas se olhando por alguns instantes. Então a loira se aproximou lentamente da morena e falou: -Me perdoa ? Eu agi feito uma idiota depois de tudo o que aconteceu entre a gente. Você não merecia aquilo, mas eu não sabia como fugir disso. Eu não sei se eu quero fugir.
Regina soltou um sorriso tímido, que Emma logo retribuiu, então as duas ficaram paradas frente a frente, tão próximas. -Eu também não quero fugir. -a morena falou e as duas apenas continuaram se olhando, até suas respirações voltarem ao normal, quase que em sincronia. -E pra mim também é algo forte. -Regina completou, então as duas apenas sorriram, mas o momento foi interrompido por um barulho que parecia vir de longe.
"Mãe, mãe." Elas ouviram chamá-las, olharam em sua volta mas não havia nada.
–É o Henry ! -Emma falou, enquanto as duas olhavam em todos os lugares.
Então a voz chamou "mãe" mais uma vez só que de uma maneira falhada.
–O rádio. -Regina falou voltando seu olhar assustado para Emma, que também estava assustada. Então passaram a revirar tudo em desespero, até que enfim Regina o encontrou. –Henry ? Henry, está me ouvindo ? -ela gritou assim que pegou o rádio, Emma logo se colocou ao lado dela.
–Mãe ... -Henry chamou do outro lado, mas a conexão estava ruim e as falas pareciam cortadas. — ... mães. -ele falou de novo fazendo elas rirem.
–Henry, você esta bem ? Onde você está ? -Emma perguntou agora com o rádio.
–Eu ... bem. -ele respondeu e elas sorriram olhando uma a outra. -... caí ... em ... -ele falou mas o rádio começou a falhar de novo.
–Nós vamos te encontrar. -Regina gritou enquanto ambas sorriam felizes por terem conseguido o que tanto queriam, falar com o filho.
–Já estamos indo Henry. -Emma falou e então ouviram.
–... confio ... vocês. -Henry respondeu e então o rádio parou de vez de novo. Tentaram refazer a conexão, mas não conseguiram.
–Ele ta bem. -Emma suspirou aliviada, e então ela saiu andando para um lado e olhando para o céu como se agradecesse por isso, enquanto Regina tentava não chorar, dessa vez de alegria, ainda parada no mesmo lugar.
Então as duas pararam se olhando, se aproximaram lentamente, fixaram seus olhares e então se jogaram uma nos braços da outra e se beijaram. Um beijo diferente do primeiro e dos que aconteceram na noite passada. Era um beijo urgente, mas ao mesmo tempo cheio de carinho. O peito das duas se aqueceu no mesmo instante, se aqueceu da mesma maneira que havia se aquecido na noite anterior, enquanto elas cuidaram e se entregaram uma a outra com tanto carinho, e por que não, com amor ?
Elas se separaram e ambas tinham um sorriso no rosto, Emma olhou para o lado envergonhada, mas ainda sorria.
–Nós vamos com calma, se é isso que você quer. Ta bom ? -Regina perguntou olhando para Emma e sorrindo, a loira assentiu com a cabeça e então a abraçou.
Logo as duas já haviam voltado para sua trilha normal, elas sabiam que estavam no caminho certo. Henry não havia dado nenhuma pista, mas elas sentiam que estavam perto de encontrá-lo. Caminharam em silêncio, mas dessa vez era um silêncio acolhedor, porque sempre que elas se olhavam, sorriam uma para a outra, com aquela sensação que as aquecia por dentro.
A tristeza já não estava mais presente, pois elas sabiam que Henry estava bem e que logo o teriam junto delas de novo, mas isso não tirava a preocupação, que se estenderia até elas realmente o encontrarem. Vez ou outra conversavam sobre o filho, ou sobre qualquer coisa. Conseguiram rir por boa parte do caminho. Uma ajudava a outra quando precisavam, até que pararam para descansar. Estavam sentadas lado a lado, então Emma fez uma pequena bola de neve com a mão e chamou Regina, que assim que se virou levou a bolada de neve no rosto fazendo a loira gargalhar.
Ela abriu a boca e riu, tirou a neve do rosto e atirou neve em Emma também. As duas se levantaram e saíram correndo uma atrás da outra, como duas crianças brincando de guerra de neve e dando risada. Aquele momento não passou de simples brincadeiras, pois elas respeitaram o momento que haviam estabelecido para irem com calma. Mas depois disso, ambas tiveram a certeza do que queriam, do que sempre quiseram.
Logo voltaram a caminhar de novo, e assim fizeram até a noite chegar. Arrumaram a barraca e então entraram nela. Emma estava sentada em silêncio em um canto, e Regina estava encostada do outro lado. As duas se olhavam, mas não diziam nada. Elas queriam respeitar uma o tempo da outra, mas no fundo queriam se atirar uma nos braços da outra de novo. Então depois de algum tempo, Emma caminhou lentamente ajoelhada até Regina, colocou cada um de seus braços de um dos lados do corpo de Regina e a olhou nos olhos, para então aproximar seus lábios dos da morena, mas Regina não deixou o beijo acontecer, ela se revirou e então falou:
–Emma, eu não quero apressar as coisas. Eu sei que você precisa de um tempo, precisa pensar. -ela falou, mas Emma continuava no mesmo lugar a olhando.
–Eu consegui te aquecer noite passada ? -Emma perguntou.
–Eu nunca me senti tão quente como naquele momento. -Regina falou soltando um riso tímido logo seguida por Emma que também riu.
–Sabe, eu falei que eu errei abandonando o Henry quando ele nasceu, mas eu errei foi quando eu disse isso. Porque se eu não tivesse o abandonado, ele não teria chegado até você, e então eu não teria te encontrado. -a loira falou enquanto Regina a olhava fixamente nos olhos. -Eu não preciso mais pensar, eu nunca precisei. -Emma continuou aproximando seus lábios dos de Regina que dessa vez não recuou, mas antes de se tocarem, a loira completou: -Agora quem precisa do calor do seu corpo essa noite, sou eu. -e então se beijaram.
Regina envolveu seus braços no pescoço de Emma, que a deitou lentamente sem parar de beijá-la, só pararam quando precisaram de ar e então se olharam e sorriram. Emma passou então a beijar o pescoço de Regina, que fechou os olhos e segurou na nuca da loira enquanto sorria. Então Emma a beijou de novo, se sentou, mas o beijo não foi quebrado. Regina foi se levantando junto com Emma sem parar de beijá-la. Aos poucos e lentamente foram tirando suas roupas, e enquanto faziam isso iam se beijando, beijos longos e lentos, sem pressa nenhuma, apesar do desejo enorme que sentiam, queriam apenas desfrutar dos pequenos detalhes e daquele momento em que ambas estavam de novo uma nos braços da outra. As duas já estavam nuas, então Regina se sentou com Emma em suas pernas, e começou a beijar o pescoço da loira, descendo seus beijos até os ombros de Emma que sorria ao sentir o toque da morena. Então a loira deitou Regina de novo, mas continuou sentada sobre ela. Então pegou um dos seios da morena e começou a massageá-lo, enquanto sugava e beijava o outro. Logo desceu seus beijos pelo abdômen de Regina e desceu junto do corpo da morena, para enfim levar a língua ao sexo da Prefeita e começar a sugá-la alternando entre movimentos lentos e rápidos que fizeram Regina arquear as costas e soltar um gemido. Emma aumentou os movimentos com a língua até que Regina atingiu o orgasmo, então ela se deitou ao lado da morena e começou a beijar seu ombro enquanto a morena controlava sua respiração de novo, e assim que conseguiu, virou-se e se colocou em cima da loira de uma vez, que sorriu para Regina, antes dela começar a brincar com um de seus seios. Ela percorria-o com sua língua e depois o sugava, seguiu com seus beijos por todo o corpo de Emma até chegar ao sexo da loira, onde ela sem hesitar também começou a sugar, fazendo Emma soltar um gemido alto. Ela intensificou seus movimentos com a língua, até a loira atingir o orgasmo.
Se deitaram lado a lado, não foi preciso dizer nada, pois seus sorrisos falavam por elas. Então se beijaram de novo, até se deitarem olhando uma para a outra. Emma então pegou a mão de Regina com a sua e entrelaçou seus dedos, se levantou um pouquinho para alcançar o rosto de Regina e lhe dar vários beijos, beijos delicados na bochecha da morena, no nariz e por fim em seus lábios, até fixar seu olhar no dela e Regina dizer:
–Eu não quero mais sair do seu lado Emma. Nunca mais. -a morena falou olhando fixamente para Emma, mas séria, como se tivesse medo da resposta que a loira daria. Mas Emma apenas sorriu e selou seus lábios nos dela rapidamente para então falar:
–Eu não quero que você saia do meu lado nunca mais. Nós vamos encontrar o Henry, e enfim seremos uma família. -Emma falou sorrindo e fazendo Regina sorrir também. -Eu não quero perder mais nenhum segundo com vocês.
–Nenhum. -Regina sussurrou aproximando novamente seu rosto do de Emma, mas antes de beijá-la, ela falou olhando nos olhos da loira: -Uma família. Nós.
E Emma aproximando mais ainda seus lábios, também sussurrou: -Sim, nós três, uma família. -as duas abriram um sorriso enorme e então enfim se beijaram mais uma vez.
Mais uma vez, das outras muitas vezes em que se beijaram e se amaram, até dormirem juntas de novo.
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