Autumn's Roses
3 02:. O torneio "quadribruxo".
Notas iniciais
— Você acha que isso pode acontecer? — perguntou Aurora comendo uma torrada com geleia.
Dove estava meio pálida, assustada com o fato de Autumn ter visto Harry morto no pesadelo. Ela apenas bebia seu café com certo receio, parecendo que tinha um embrulho no estômago. Autumn serviu-se de café e apenas ficou com isso, já que não comia tanto de manhã. Talvez por isso estava mais magra que o normal.
— Não sei. Acho que não. Meus sonhos nunca acontecem.
— Tirando o sonho de Hermione entrando na câmara secreta. — sussurrou Dove e Autumn a olhou. — Mas não tem como, certo? Não foi bem ela que entrou.
— Sim, ela foi petrificada. — disse Autumn. — “Acha que eu me esqueci de você, Autumn Rose?”. Isso me dá calafrios.
Aurora terminou de comer seu pão e serviu Dove, mandando ela comer, e depois fazendo o mesmo para Autumn. Ela olhou Raj chegando perto da mesma e a entregando uma folha.
— O que é isso? — disse vendo Raj colocar a folha dentro de um envelope.
— A Madame Pomfrey mandou a entregar. É só fazer chá disso, funciona como sonífero e ninguém te acorda ou você tem sonhos.
— Obrigada Raj. — Autumn disse colocando dentro de seu livro de poções e sorriu a ele.
— Autumn. — era uma voz masculina que a garota sabia de quem era.
Os rostos de Dove e Aurora ficou com uma feição maliciosa e a garota virou-se, confirmando suas suspeitas. O ruivo com sardas, alto e magrelo. Tinha duas opções: Se não era Jorge Weasley, era o Fred Weasley. Eram gêmeos, às vezes nem sabia que era Jorge ou Fred, mas já tinha se acostumado um pouco com Jorge que sabia quando não era ele, principalmente por ter mais intimidade com um que com o outro.
Com Jorge, ela era mais íntima, eles falam de qualquer coisa e são muito amigos, todos notam isso. Com Fred, ela era mais amiga, mas eles mantinham um certo espaço entre um e o outro quando se trata de intimidade.
—Oi Fred.
— Jorge.
— Ah. — ela falou ajeitando o cabelo, meio desconfiada. — Como vai?
— Fred já está vindo, é que ele está falando com a suposta Angelina Johnson. — disse revirando os olhos e sentando na mesa da Sonserina ao lado dela, recebendo certo desgosto dos outros. — Eu soube que você teve um pesadelo e ficou em pânico. Está melhor?
— Sim.
Ele sorriu e a garota retribuiu o sorriso, ainda um pouco desconfiada. Eles ficaram apenas se olhando por um tempo, sem dizer mais nada, até que o silêncio foi quebrado por outro gêmeo Weasley a agarrando após vir correndo até ela. O outro, que já estava sentado ao seu lado, riu com a cara de susto da garota, apontando para a mesma e ela levantou a varinha, o que o fez abaixar.
— Na realidade, eu sou o Fred. Você acertou.
— Sabia! — disse Autumn sorrindo.
— Mas você é igual ao Jorge! — exclamou Aurora e Dove deu um peteleco em sua cabeça. — Eles são gêmeos, eu sempre esqueço.
Fred e Jorge se entreolharam e depois olharam a garota. Raj deu espaço para Jorge sentar ao lado dela e mudou de lado na mesa, indo para o lado da Aurora reclamando dos dois sempre ocuparem o espaço dele. Autumn riu do garoto e viu que Jorge ainda não tinha a soltando, então ficou o olhando.
— Você está melhor?
— Sim.
— E depois desse abraço cheio de carinho?
— Eu também estou melhor.
Foi a vez de Fred a abraçar junto a Jorge, e a garota parou sua caneca de café na mesa e os ruivos riram juntos.
— Abraço Duplo Weasley. Só faltava essa. — disse Dove olhando a cena dos garotos e a cara de desgosto do povo da Sonserina para cima deles. Podia não parecer, mas a Dove amava uma boa polenta.
Fred e Jorge pararam de a sacudir e a deram um beijo, um em cada bochecha, e logo saíram da mesa.
— Espero termos animado você. — disse Fred. — Foi ideia do Jorge. Você sabe que eu iria, provavelmente, pregar uma peça em você.
— Claro, tinha que ser. — falou Raj bebendo seu suco de laranja e Jorge o olhou como se estivesse querendo usar um feitiço para colar os lábios dele.
— Obrigada, meninos. — ela falou ajeitando o cabelo todo bagunçado. — Agora vão antes que o povo da Sonserina coloque vocês em uma espécie de câmara secreta.
Ela falou e os dois riram, assim indo para a mesa deles. Jorge olhou para trás, sorrindo e acenando a ela e a garota fez o mesmo, ainda com um sorriso bobo nos lábios e o coração palpitando com o sorriso do mesmo.
— Jorge parece tem ciúmes de mim com você, sabia? — disse Raj passando para o outro lado da mesa por baixo, novamente. Parecia uma cobra. Aquela fala fez Autumn ficar levemente envergonhada enquanto ajeitava seu cabelo, e logo Aurora a entregou um pente que sempre levava consigo para esse tipo de caso
— Raj, fica quieto em um lugar, cacete! — disse Dove incomodada com o troca-troca do garoto e ele apenas mandou língua a mesma.
— Como assim, ciúmes? — perguntou Autumn um pouco envergonhada e penteando os cabelos, depois entregando a Aurora.
— Você sabe que ele gosta de você, não é? Mais do que amiga. — disse Raj e ela riu, negando. Ela não queria tomar decisões precipitadas como eles estavam tomando naquele momento. — Bom, então, se eu fosse você…
Ao verem que todos já estavam indo para a primeira aula de poções com Snape, a garota levantou-se assim como as outras olhando Raj. Pegou seu livro, colocando dentro dele um papel que tinha em cima dele com as iniciais de Jorge, e eles foram saindo junto aos outros.
Raj foi até seu lado, a dando os braços.
— Como eu estava dizendo, se eu fosse você, notava logo. Os Weasleys são queridos pela as mulheres, todos gostam de ruivos.
Aurora o olhou jogando o cabelo.
— Ruivos naturais, Aurora.
Ela parou e deu um tapa em sua cabeça, subindo as escadas com rapidez e os outros três, atrás, riram dela e correram atrás da mesma. Assim que chegaram na sala de poções, Autumn foi chamada por Dove enquanto elas sentavam em seu canto para fazer a aula.
— Mas ei! — chamou Dove. Assim que Snape entrou em sala, todos se falaram, e ela sussurrou no ouvido de Autumn: — O Jorge Weasley é um doce de pessoa, não?
***
De tarde, a sala onde estava o cálice de fogo no qual todos os interessados irão colocar seus nomes, Autumn estava folheando o seu livro enquanto Dove fazia trança em seu cabelo e conversava com uma garota de outra escola. Como sempre, Dove borboleta sociável.
Ao ver Hermione sentada em sua frente, ela esperou Aurora terminar a trança que estava fazendo em seu cabelo e foi até a mesma e sorriu, sentando-se ao seu lado. Afinal, não estava entendendo nada do papo de Dove com a Fleur, da Academia de Beauxbatons. A garota olhou a mais velha e retribuiu o sorriso.
— Está lendo o que?
Hermione ia começar a falar quando elas viram Fred e Jorge entrando no local e as pessoas os aplaudindo. Autumn olhou os dois e depois Hermione, que sussurrou:
— Lá vem.
— Weasleys! Vocês acham mesmo que vão conseguir enganar o cálice com a poção do envelhecimento? — perguntou Autumn quando eles pararam atrás delas.
— Sim! — falaram ao mesmo tempo.
— Vocês não vão enganar, estão perdendo o tempo de vocês. — disse Hermione voltando a ler e Autumn concordou.
Eles foram até às duas e sentaram ao lado de ambas.
— Porque vocês acham isso? — perguntou Fred.
Hermione fechou o livro.
— Está vendo essa linha branca em volta do cálice? É uma faixa feita pelo o próprio Dumbledore. Apenas pessoas com 17 anos para cima conseguem entrar nesse espaço e se inscreverem.
Autumn viu os dois apenas reviraram os olhos e beberem o frasco. Ela deu um tapa na própria cabeça e os viu entrar dentro do círculo.
— Vocês sabem que se beber demais vai…
— Vocês duas, sabichonas! — disse Fred apontando para elas. — Xiu!
— XIU? VOCÊ FEZ “XIU” PARA MIM?— gritou Autumn incrédula levantando-se e Hermione a segurou para não ir para cima. Ela sentou-se. — Espero que essa merda dê muito errado.
— Autumn! — exclamou Hermione a dando um puxão de orelha por conta do palavrão.
Eles colocaram os papéis dentro do cálice e comemoraram, mas logo as chamas os cuspiram para longe e os garotos foram voando para fora dali. Quando caíram de costas, levantaram e começaram a envelhecer absurdamente, com os cabelos ficando brancos e barbas grisalhas.
Todo mundo deu uma risada gostosa da cena, e Autumn apenas sussurrou um “eu tentei avisar” enquanto segurava o riso. Os dois levantaram e saíram correndo, no momento em que Viktor Krum entrou na sala.
— Tinha que ser Weasley. — disse Malfoy sentando-se ao lado de Autumn e Hermione levantou, acenando a garota e indo embora.
Era sempre assim. Draco Malfoy tinha algo que fazia todos se afastarem dele, de uma forma ou de outra, mas não é por nenhuma razão, e sim porque ele é um idiota mesmo.
Autumn não considera-se a melhor amiga dele, mas provavelmente é a pessoa mais próxima que tem além de seus pais e seus amigos esquisitos que parece não ter cérebro. Então, quem sabe amiga? Mas é que está: Malfoy não parece ter amigos, ele conquista as pessoas pelo o medo.
Autumn, apenas por ter educação muito bem dada por sua mãe, fala com ele. Porque se sentir ameaçada por um garoto que a paquerou quando usava gel até o último fio de cabelo? Claro que não.
E ainda bem que ele parou de usar gel, ele estava ficando horrível.
— Fred e Jorge são cômicos. — disse abrindo o livro e vendo que ainda não tinha lido o bilhete de Jorge. Ela fechou quando Draco ia o pegar. — Confidencial, mocinho!
Draco a olhou semicerrando os olhos.
— Ok. — suspirou. — Ei, você lembra sobre o seu conselho de ontem a noite?
Ela o olhou e pensou um pouco, lembrando do pequeno diálogo que teve com o loiro platinado, então apenas concordou com a cabeça. Ele mexeu na ponta de seus cabelos.
— Eu… Acho que ele me ajudou bastante.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Cansei de…
Foi então que ela escutou a voz de Ethan a chamando do outro lado, ao lado de um garoto esquisito que ela nunca tinha visto na vida, com as roupas de Corvinal. A mesma pediu desculpas para Malfoy e disse para eles falarem sobre de noite, na sala comunal, como ontem.
— Eu esperarei.
Ela balançou a cabeça e correu até o irmão, bagunçando os cabelos do mesmo e o abraçando. Ele fez cara de nojo, sussurrando que ele já era grandinho demais para aquilo, o que a fez rir:
— Só quando você ficar mais alto que eu, tampinha.
— Não é muito difícil. Só deixa eu ficar mais velho e você verá que me tornarei do tamanho do papai.
— Que não é tão alto, não é mesmo?
O garoto ao lado pigarreou e os irmãos Hughes pararam, olhando o mesmo. Autumn soltou Ethan, que arrumou o cabelo e as vestes.
— Esse é o Jordan. Ele é do sexto ano, da Corvinal. Irmão mais velho da Michelle, aquela garota que pediu a minha ajuda em poções.
Jordan era intimidador, digamos assim. Ele era mais alto que a Autumn, o que não é muito difícil, mas ele era muito mais alto, de pele morena e cabelo cacheado com fios rebeldes e adoráveis. Possuía heterocromia, com o olho esquerdo castanho escuro e o outro, azul. Ele estava nervoso, via pelo o fato dele estar batendo sua perna e mexendo as mãos na frente do corpo.
— Prazer. — ela disse normalmente, sem expressar nenhuma feição no rosto. Autumn gostava de analisar as pessoas quando as conheciam, então ela ficou olhando detalhe por detalhe do garoto.
— Bem, e você?
— Ele gosta da Dove e quer chamá-la para o baile. — Ethan foi direto ao ponto, sem muita enrolação, e Jordan arregalou os olhos. — Ela sempre o ajuda na biblioteca com Herbologia, ele meio que se apaixonou.
— Ela é maravilhosa, de fato. Tinha que ser uma Diggory. — comentou Autumn. — E você quer que eu faça o que? A peça para ir ao baile com você? Pergunte? E é sério que já estão pensando nesse baile?
— Sim. — disse Jordan. — Digo, não. Ethan que deu a ideia, eu apenas queria a chamar para sair. Sei lá, tomar uma cerveja amanteigada.
Autumn respirou fundo e disse:
— Jordan, eu acho que você deveria falar com ela. Tipo, cara a cara. Mandar alguém falar por você é um pouco fora de moda. — disse ajeitando a trança. — Aliás, Dove não gosta disso. E eu, sendo honesta, não sou uma coruja.
Ela sorriu ao mesmo no final da fala e viu Harry saindo do local junto a Ron, então a mesma passou pelo os dois e disse:
— Eu tenho que ir, mas Jordan, não é? — ele confirmou. — Não a chame para tomar cerveja amanteigada e peça. Ela odeia, mas quem sabe biscoitos de caramelo a garota aceita sair com você.
Autumn virou-se e saiu andando atrás de Harry, mas logo o perdeu no meio da multidão. Ficando na ponta do pé para que consiga procurar o Potter, a garota logo sentiu uma tontura enorme e uma dor em sua cabeça, como se estivessem enfiando uma espada em seu crânio. Algumas cenas de cobras e o rosto de Voldermort passou em seu rosto, além da frase: “Eu nunca esquecerei de você. Eu ainda quero o que você tem.”.
Então, quando estava caindo, uma pessoa conseguiu segurá-la e a reerguer um pouco. Depois de um momento, a tontura parou, e ela olhou para o lado vendo a Professora McGonagall.
— Srta. Hughes, está tudo bem? — perguntou a mesma.
Ela equilibrou-se um pouco e se localizou em Hogwarts. Autumn estava começando a achar que, a cada momento que passava mais naquela escola, mais a garota se tornava esquizofrênica.
— Srta. Hughes? — novamente a professora a chamou, e a mais nova voltou a si.
— Sim, eu estou bem. — disse a professora.
— Você está pálida. Deveria ir a enfermaria.
— Eu tenho aula extra agora com o Professor Snape.
— Não se preocupe, Srta. Hughes. Primeiro a sua saúde, depois os estudos. Não vai adiantar de nada você com essa cara pálida chegar querendo aula com o Snape, ele vai mandar você para a enfermaria ou não irá mais dar aula a você fora do horário. — disse McGonagall. — Eu aviso a ele sobre não ter a reunião de sempre.
Ela piscou a mesma e olhou em volta.
— Srta. Lovegood. — chamou uma garota saltitante, que logo parou e olhou a mesma. — Poderia levar Autumn Rose para a enfermaria, já que ela está se sentindo tonta?
Uma garota loira veio saltitando até a mesma, com as roupas de Corvinal. Ela era esquisitinha, mas parecia ser uma boa pessoa mesmo que fosse um pouco pirada. Já dizia sua mãe, Moira: As pessoas loucas são as melhores.
— Claro. Vamos, Autumn Rose. — ela pegou o braço da mesma, a levando no caminho da enfermaria. — Eu gosto de outonos, as folhas caindo.
Autumn sorriu a mesma.
— É um nome bonito. Quando crescer, se eu tiver filhos, irei vos dar o nome de Autumn. — a corvina disse para a loira da Sonserina. — Oh, uma ironia. Uma ironia divina!
— O que?
— Seu nome é uma ironia. — observou Luna. — Rosas normalmente não nascem no outono, as pétalas delas caem porque, após o outono, vem o inverno.
— Mas eu nasci no outono.
Luna a olhou, parando na frente da enfermaria e dando um sorriso encantador em seus lábios, dizendo logo em seguida:
— Então você é uma rosa que sobreviveu ao clima de outono, fora de sua época de nascer? Esse é o nome mais incrível que eu já ouvi! — Luna estava com seus olhos azuis brilhando, mas ao ver que já tinham chegado, ela mudou a expressão novamente. — Chegamos na enfermaria, Autumn Rose. Foi um prazer conhecê-la.
Ela saiu andando como sempre, parecendo estar com a cabeça na lua. Piscou os olhos, sentindo que era muita informação para a sua cabeça, e entrou na enfermaria, dando de cara com Fred e Jorge deitados de braços cruzados recebendo bronca da Madame Pomfrey.
Eles olharam a garota ao mesmo tempo, por isso a enfermeira a olhou cuidadosamente. Ela ajeitou sua roupa e postura.
— Posso ajudá-la?
— Eu estou com dor de cabeça e tontura. A professora McGonagall me pediu para ficar um pouco aqui.
A mulher a acompanhou até uma das camas e disse para chamá-la qualquer coisa. Ela olhou Fred e Jorge, e disse que iria pegar os ingredientes para ver se ajeitava a bosta que eles fizeram. Assim que a mulher deu as costas e saiu do local, Autumn ajeitou-se na cama retirando a capa de Hogwarts e deixando ao seu lado junto ao seu livro, logo vendo um dos gêmeos, agora com aparência de velhos, irem até ela.
— Está doente? — perguntou e a garota o olhou nos olhos. Ele sorriu a mesma. — É o Jorge. Sério.
— É o Fred.
— Pior que não sou eu. — disse Fred, deitado na cama. — Preguiça de levantar e pregar peças.
Ela voltou a olhar Jorge.
— Eu apenas fiquei tonta, só isso. Minerva me mandou para cá, mas creio que depois de algumas horas serei liberada. Foi apenas uma tontura qualquer.
Ele a olhou nos olhos quieto por um momento e a empurrou para o lado, deitando com a garota na cama e ela foi para o lado, deixando o mesmo fazer aquilo. Fred olhou os dois de longe, revirou os olhos e levantou, indo até eles e deitando no outro lado. Ambos ficaram com quase a metade do corpo para fora da cama, mas ao menos a garota parecia confortável — se é que tem como ficar confortável enquanto está totalmente espremida.
— Você viu meu bilhete? — perguntou Jorge.
— Não.
— Nossa, trocando bilhetes. — Fred fez uma cara de malícia aos dois, levando um soco na barriga por Autumn. — Quando vão trocar beijinhos?
— Cuidado, Fred. Nós, da Sonserina, somos grandes amigos de cobras. Você quer acordar com uma na sua cabeça?
— Portanto que eu não vire pedra…
Os três se entreolharam e começaram a rir, dizendo que aquilo era errado. Assim que Madame Pomfrey chegou, ela gritou com os gêmeos por estarem incomodando a garota que, por sua vez, realmente fingiu que estava incomodada e que estava até com mais dor de cabeça.
Fazer o que? Ela podia até ser legal, mas continuava sendo da Sonserina e aprendendo a ser sonsa.
***
Foi liberada para a hora do jantar, onde iriam falar os finalistas do torneio tribruxo. Ela tinha retirado a trança, e agora estava de cabelo solto meio bagunçado, mas dava para andar por aí sem pagar mico. Antes de entrar no salão, Autumn foi até Harry e o garoto disse para os amigos entrarem primeiro. O menino de óculos, um pouco mais alto que ela, olhou a mesma calmamente a escutando sobre o seu sonho e a alucinação que teve enquanto limpava os óculos na blusa.
— Isso é… Louco.
— Acha que eu estou ficando esquizofrênica?
— Acho que nós dois estamos. — Harry disse dando um riso abafado e Autumn pegou o óculos dele, colocando em seu rosto. — O que eu não entendo é: O que ele quer com você?
Autumn fez sinal que não sabia, passando as mãos na cabeça sem sinal de resposta por mais que ela pensasse bastante.
— Eu nem sangue puro eu sou, e talvez seja a melhor na minha sala em defesa contra artes das trevas e adivinhação, mas de resto? Eu não sou alguém notável como você.
Harry passou as mãos no cabelo e depois em sua cicatriz.
— Por acaso… Sua mãe, ela é bruxa, não é?
Autumn afirmou.
— Por acaso ela tem algo de especial?
— Harry! — chamou Hermione longe. — Vem logo, o Ron vai comer a sua comida!
O de óculos olhou para a amiga e Autumn acenou a ele, saindo e o garoto disse:
— Lugar de sempre, horário de sempre?
— Não sei. Acho que irei tentar dormir mais cedo. — ela disse de longe. — Que tal amanhã, na biblioteca?
Harry fez sinal que estava perfeito e os dois foram para as suas respectivas mesas. Ela sentou-se ao lado de Raj, como sempre, e Aurora a olhou:
— Porque você não disse que estava passando mal? Eu saia do treino de Quadribol! Não estava fazendo nada além de reclamar na cabeça do capitão e irritar um povo que ficava tentando me explicar sobre Quadribol como se eu nunca tivesse jogado.
— Homens. — disse Dove ao lado dela mexendo na unha.
— Deveriam todos serem queimados na fogueira pelo os humanos. — disse Aurora,realmente estressada. — Porque tinha que ser as mulheres? Você vê, o “você sabe quem” não é uma mulher. E se fosse, já teria dominado o mundo.
Raj olhou as garotas calmamente e Aurora sorriu a ele.
— Você não, você presta. É o único também, porque o resto… — ela começou a estalar os dedos de raiva e Autumn riu, bebendo um pouco de água que tinha ali.
A janta foi servida em um passe de mágica, e a garota se serviu. Notou que, novamente, Dove parecia contar as calorias em seu prato enquanto se servia, uma mania que ela tinha desde pequena. Ela olhou Aurora que entendeu o recado na hora e então, tirou de sua mão o prato e começou a servir de comida.
— Ei!
— Você não precisa se preocupar de engordar, Dove. Eu já disse isso! — exclamou Autumn. — Para de contar calorias, entendido?
Ela respirou fundo e ficou quieta, concordando e começando a comer aos poucos. Quando se sentia gorda, Dove contava calorias e ia às diminuindo aos poucos, até chegar em um momento que ela só comia duas colheres de uma coisa. Ela teve que fazer terapia para parar com isso, além de precisar muito da ajuda de Aurora e Autumn, fazendo coisas como fez agora.
— Desculpa. — disse Dove.
— Ei, Dove. — Raj a chamou. — Não sei se isso ajuda, mas você é a garota mais bonita que eu já conheci. — a garota riu. — Estou falando sério.
Dove parou e engoliu o que tinha em sua boca, logo dizendo:
— Você é…
Um estrondo foi escutado no final da mesa e Autumn viu que era Malfoy brigando com um de seus amigos, então a garota apenas continuou a comer sem ligar muito. Eles viviam brigando, não era novidade.
— Você é gay, Raj.
Raj arregalou os olhos quando a mesma disse isso e Autumn o olhou calmamente, sem mostrar tanto surpresa ao contrário de Aurora, que arregalou os olhos e ficou totalmente pálida.
— Eu suspeito que sou.
— Você beijou o Simas, e gostou. E não foi só uma vez, foram quatro. — disse Dove.
— O Simas é um cara legal.
— Você não gosta da Pansy Parkinson? Socorro, ela jura que você a amava. — falou Aurora. — Meu Deus, se assume logo para eu poder quebrar a cara da Pansy.
— Eu a acho uma nojenta, isso sim. — disse Raj tomando água. — E eu já disse, não sei se sou.
As três o olharam fixamente e o garoto revirou os olhos.
— Eu posso ser bi, não sei. Me considero muito novo, mas uma coisa eu sei. — ele olhou para Simas na mesa da Grifinória. — Aquele garoto ali? Eu gosto dele.
Autumn olhou Simas junto às outras e o garoto notou que estava sendo observado, então acenou a elas três e encarou Raj, que apenas bebeu a água e virou-se para falar quem fosse que estivesse ao seu lado.
— E eu sendo gay ou não, isso não é argumento que invalide a minha afirmação que você é a garota mais linda que eu já vi, ok Dove? Até porque, Simas não é uma garota. — ele falou a última parte baixo e Autumn riu baixo.
— Mesmo se fosse, ele continuaria com uma carinha amassada esquisita.
Raj educadamente a mandou calar-se e o quarteto riu na hora.
Assim que o tempo foi passando e conversa foi jogada fora, novamente os pratos e tudo que estava em cima da mesa sumiram e eles ficaram um tempo em silêncio, até o diretor Dumbledore começar a retirar os nomes do cálice. Autumn jogou os cabelos para trás enquanto escutava ansiosamente.
— Da academia de Beuxbatons, Fleur Delacour. — Dumbledore anunciou.
Autumn, assim como os outros, bateu palmas e Raj comentou que ela parecia um canguru saltitante, o que a fez rir rápido enquanto olhava a garota. O cálice jogou mais outro nome para fora, e Dumbledore o pegou:
— Da academia de Durmstrang, Viktor Krum.
Os garotos da escola deram um grito como se estivessem em uma guerra, além de começarem a bater pé e palmas. Autumn nem bateu palmas, tinha se assustado com os garotos e, assim que eles pararam, Aurora disse em alto e bom som:
— O castelo é velho, tá? Não bate muito o pé não, vai que cai. Ninguém quer morrer soterrado. — disse Aurora e a Sonserina inteira riu.
Viktor Krum pegou seu papel e foi para o mesmo local que Fleur, sumindo do campo de visão de todos. Por fim, o terceiro e último papel voou das chamas azuis para a mão de Dumbledore, e a garota olhou Dove cruzar os dedos.
— Cedrico, Cedrico! — disse Dove e Raj riu.
— Há uma hora atrás você estava odiando a ideia do irmão ir para o Torneio Tribruxo. — disse Aurora.
— Mas eu quero. Se ele vencer, o que não é difícil, ele pode falar de mim. E eu adoro que falem de mim, principalmente bem. Falar mal de mim eu sei que é inveja. — disse Dove.
— Da academia de Hogwarts, Cedrico Diggory.
Todos de Hogwarts bateram palmas e o garoto se levantou, andando com seu sorriso torto até o diretor e pegando o papel. Quando Dumbledore esfregou as mãos para finalizar com umas palavras bonitas, que até começou a pronunciar, o fogo aumentou e todos tomaram um susto, vendo um quarto nome saindo rapidamente e Dumbledore pegou o pedaço de papel.
Ele leu o papel meio incrédulo, até ajeitou seus óculos para ver se lia direito. Autumn sentiu que algo não estava certo, e foi confirmado quando foi pronunciado o nome:
— Harry Potter.
...O que?
Autumn olhou Harry com uma cara enorme de confusão enquanto Dove estava mais pálida que o próprio Harry. Ela olhou Raj:
— Harry é mais novo que a gente, não? — sussurrou Autumn a Raj. — Ou eu perdi algo?
— Harry Potter! — chamou Dumbledore novamente.
Harry foi empurrado por Hermione para ir até Dumbledore e depois ele seguiu para a sala dos escolhidos. Depois de um enorme silêncio no local, o diretor liberou os outros e todos se levantaram comentando sobre Harry. Autumn olhava para trás enquanto andava para frente com Raj, dizendo que isso estava levemente errado.
— Claro que está errado. — disse Raj. — Ele fez algo para colocar o nome dele lá.
— Não, não, não. — disse Autumn. — Harry nunca faria isso, ele respeita as coisas que Dumbledore diz. Porque ele faria isso?
— Então alguém deve ter colocado, alguém mais velho. — disse Raj. — Então o torneio de tornou quadribruxo? Já que são quatro competidores.
Autumn calou-se. Poderia ser uma opção, afinal. Ela foi andando para a sala comunal da Sonserina no meio da multidão, vendo alguns rostos e pessoas falando mal do Potter, outras perguntando o que ele teria feito.
“Sempre o Harry” já dizia alguns, ou a maior parte. Autumn não julga, porque aliás era sempre com Harry Potter que acontecia as coisas mais esquisitas possíveis.
***
Assim que trocou de roupa e tomou um banho, Autumn Hughes desceu as escadas do dormitório e encontrou Malfoy dormindo na sala comunal, como se estivesse a esperando. Ela sentiu uma pequena culpa e pensou um pouco, pegando sua varinha de dentro de seu bolso da calça larga e dizendo:
— Wingardium Leviosa.
Malfoy começou a flutuar, e a garota o levou deitado pela as escadas do dormitório masculino e entrou no quarto que, ao ver Goyle na porta, já sabia que era de Draco. Ela levou o loiro platinado até a cama do mesmo e acenou a Goyle, dizendo para colocar algo para ele se cobrir. O garoto concordou com a cabeça, e Autumn fechou o quarto e saiu correndo da parte masculina, indo sentar-se na sala.
Ao abrir o exemplar de “Uma história de Azkaban”, escrita por Deodora Green, uma das mulheres que mais prendeu em Azkaban. Ela foi para a página marcada pelo o bilhete de Jorge Weasley, e sorriu o vendo.
— Bilhete do namoradinho? — disse a morena se jogando em sua cama e olhando a garota na janela com o bilhete em mãos.
— Ele não é meu namorado, Dove.
— E a Aurora é ruiva natural. — disse a morena em tom de sarcasmo.
— Talvez, em meus sonhos, ele seja, mas não é. Não que ele saiba. — disse a garota rindo e abrindo o bilhete.
Ela desdobrou outra e outra vez, até ver uma letra meio ruim que dizia:
“Senti saudade sua nas férias e não sabíamos expressar melhor do que fazendo você cair em uma enorme pegadinha.
Esse bilhete irá explodir em 5...4…”
A garota arregalou os olhos e abriu a janela, jogando o bilhete para fora e a fechando novamente. Dove a olhou com uma cara de confusão, até ver o estrondo da explosão vindo de fora da janela e a morena arregalou os olhos.
Aurora entrou no quarto assustada com o barulho, com uma máscara facial no rosto feita com ervas. Ela olhou as duas, que caíram na gargalhada.
— O que foi essa explosão?
— Foi o bilhete-bomba dos Weasleys. Você lê, quando está lendo a parte final, o bilhete explode e deixa todo o ambiente e as pessoas com um cheiro desagradável por semanas. — explicou Autumn vendo Edna toda eufórica em sua gaiola, então foi até ela e fez carinho em suas penas. — E que é isso na sua cara?
Ela olhou as duas e sorriu.
— Creme para melhorar a pele feito com alguns ingredientes. Foi a Professora Sprout e a Madame Pomfrey que me ensinaram, aliás.
Dove levantou-se da cama e cutucou, fazendo cara de nojo e Aurora deu um tapa em sua mão.
— Parece fezes. — ela cheirou o indicador. — Mas é cheiroso.
Autumn chegou mais perto para analisar o rosto de Aurora com a máscara caseira e a ruiva pigarreou:
— Vocês querem passar também?
Autumn e Dove se entreolharam e pensaram um pouco, logo fingindo indiferença e dizendo:
— Já que você insiste tanto, Aurora. — falaram ao mesmo tempo e Aurora riu, puxando as duas para o banheiro do dormitório.
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