Autodidata
1 único
Francisco parecia ter vivido mais de mil anos, mas ele apenas tinha 17. O motivo de muitas pessoas pensarem isso, era porque ele tinha o dom das palavras, uma boa oratória que deixavam as ondas sonoras serem tateáveis aos seus receptores, tocava lá no fundo. E tais receptores se tornavam seus seguidores.
Era um menino com ar de homem, seus olhos já haviam visto de tudo. Morava num país pobre e num tempo turbulento, sua família não tinha dinheiro e era constante passar fome. Deixou a escola para trabalhar, mas se envolveu em gangues por conseguir mais grana até se tornar líder de uma.
Seus dedos eram calejados, seu rosto bruto, os olhos fundos. O coração... imenso.
Tinha vivência.
Quando esteve preso num reformatório, leu um livro pela primeira vez. Se emocionou, assim como seus seguidores se emocionavam com sua sabedoria. Ele pensou que podia escrever um romance se quisesse, mas lembrou que não estudou o suficiente para isso.
Riu por ser tolo.
Suas ideias nunca seriam registradas por não ter cultura, dependia dos outros para mandar sua mensagem adiante de forma oral até que se perdesse e ninguém soubesse quem teria dito aquilo.
Queria trazer paz para aquelas famílias que temiam o futuro num país em que a política era tão imprevisível e violenta. Onde mais Franciscos deixavam a escola, alguns nem sequer voltavam pra casa, porque simplesmente sumiam e os pais não tinham a quem recorrer.
Ele queria que todos lessem para enxergar o mundo com mais clareza, porque foi lendo que ele sentiu que finalmente alguém o conhecia, e era tão íntimo, suas indignações e suas admirações, sabia tudo. Definitivamente não haveria violência ou tristeza se todos tivessem uma experiência profunda com um livro e quisessem também escrever um.
Francisco só não sabia que ele podia sim registrar suas ideias, apenas não se importasse com os erros, assim como ele não se importou por não entender certas palavras daquele livro e continuou lendo. Era cansativo, requeria muita energia, mas valeria a pena.
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