Auto Sabotagem
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Auto Sabotagem
Capítulo Único
É mais uma tranquila manhã.
Os nove Hashiras estão no jardim da Mansão Ubuyashiki, esperando que Kagaya apareça para que eles possam começar a reunião.
Enquanto Kagaya não aparece, os Hashiras conversam entre si para passar o tempo.
É uma conversa alegre e animada, onde eles contavam histórias, brincavam e faziam piadas. Estava tudo tranquilo, e todos estavam se divertindo
Bem... Quase todos.
Acontece que alguém estava de fora da conversa. E esse alguém é Giyuu Tomioka, o Pilar da Água.
Giyuu estava junto dos outros Hashiras, apenas um pouco mais afastado deles.
E o Tomioka estava em silêncio, apenas observando os outros Hashiras conversando.
"Poxa, nem os Hashiras falam comigo", pensa Giyuu tristemente. "Será que eu sou chato? Será que eu só reclamo?", ele se perguntava.
O Tomioka então abre a boca, em uma tentativa de dizer algo para entrar na conversa.
Mas, antes que pudesse dizer uma palavra, Giyuu é interrompido por Tengen, que, sem nem ao menos perceber que
Giyuu queria falar, começa a contar sobre uma de suas extravagantes aventuras.
O Tomioka então resolve permanecer em silêncio, apenas deixando o Uzui contar sobre sua aventura.
"Nossa... Se eu ficar quieto e não chamá-los, alguém ao menos irá perceber que eu estou aqui?", o Hashira da Água se perguntava.
- Talvez o mundo fosse bem melhor se eu não estivesse aqui para atrapalhar... — Giyuu sussurra para si mesmo, enquanto os outros Hashiras nem perceberam que ele está se perdendo em seus pensamentos auto destrutivos.
"Ou então tá tudo na minha cabeça", pensa o Tomioka. "Talvez eu mesmo estaja me sabotando".
Giyuu olha levemente esperançoso para os outros Hashiras, que seguem conversando.
Ele tenta entrar na conversa, mas novamente Giyuu é interrompido.
Então o Tomioka apenas segue quieto, deixando os pensamentos negativos sabotando sua mente.
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"Sou ruim em tudo que eu faço, não consigo nem fazer amizade com os outros Hashiras... Eu faço o meu próprio fracasso, é tudo minha culpa!", era o que Giyuu pensava, enquanto observava as gotas de chuva caírem do escuro céu noturno.
O Tomioka estava em seu quarto, olhando a chuva pela janela, enquanto se perdia em mais e mais pensamentos auto destrutivos.
Giyuu estava tão mal que achava que, se desse mais um passo, o mundo inteiro iria explodir. Ele se sentia o próprio desastre...
- A culpa é do universo, afinal, ele quem não me ajuda a fazer amigos, é ele quem me deixa sozinho... — Giyuu murmura para si mesmo, tentando se acalmar e acabar com os malignos pensamentos que constantemente o assombravam e o sabotavam, e tentando culpar alguém por suas falhas.
Mas é óbvio que não dá certo, afinal, quem Tomioka estava querendo enganar? Ele é o único culpado, a culpa de ele ser sozinho é toda dele, sua mente gritava.
- AHHH! — Giyuu bagunça seus cabelos, com lágrimas já escorrendo de seus olhos. — Por quê o mundo me fez tão inseguro?! Meu Deus, eu sou um completo fracassado!
Com pensamentos auto destrutivos girando em sua cabeça, Giyuu começa a passar ferozmente suas unhas em seus próprios braços, fazendo alguns arranhões nos mesmos.
Mas o Tomioka nem se importa com a dor, e, na verdade, até gosta dela, então ele apenas segue chorando e se machucando, enquanto seus pensamentos continuavam o destruindo.
"Tudo dá errado... Eu sou um inútil, eu sou um fracassado, eu sou só um 'emo depressivo e solitário', eu mereço morrer sozinho, eu vou morrer sozinho... eu não quero morrer sozinho! Eu não quero ficar sozinho, eu ODEIO ficar sozinho... Mas eu vou ficar sozinho para sempre, pois todos me odeiam... Todos me odeiam, todos me odeiam, todos me odeiam! Os Hashiras me odeiam, Urokodaki-sensei me odeia, Oyakata-sama e sua família me odeiam, Tsutako-neesan me odeia, Sabito me odeia, eu me odeio! Eu me odeio! Todos me odeiam!!"
A dor dos arranhões que Giyuu estava fazendo em seus braços não era forte o suficiente.
Então o Tomioka vai até o pequeno criado-mudo que tinha ao lado de sua cama. Ele abre a gaveta do topo, e, afastando os remédios para ansiedade, dor de cabeça e insônia, ele pega um canivete, já manchado de sangue.
E Giyuu começa a passar o canivete por seus braços, abrindo vários e vários cortes neles.
Tomioka apenas chora, tentando inutilmente parar os pensamentos cruéis que o faziam tão mal, enquanto ele cortava seus braços, e seu próprio sangue manchava o chão de madeira.
"Seu fracassado... Você sempre ficará sozinho! Todos te odeiam! Odeiam. Odeiam. Odeiam. Odeiam. Odeiam."
Giyuu estava se auto sabotando, e ele nem percebia...
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É mais uma tranquila tarde.
Os Hashiras estavam livres, sendo poucos que tinham missões para aquela noite, considerando que, por algum motivo misterioso, os ataques dos onis diminuíram por esses tempos.
Então os Hashiras estão livres para fazer o que quiserem. E, por isso, eles estão descansando, junto de seus amigos, cada um fazendo o que gosta.
Agora nós iremos falar de uma Hashira em específico: Mitsuri Kanroji, a Pilar do Amor.
Ela está em uma cafeteria, comendo alguns doces e tomando um cafezinho com Obanai Iguro, enquanto ambos tem uma agradável tarde.
Obanai Iguro, o Pilar da Serpente, que também era, secretamente, o grande crush de Mitsuri. A Kanroji era completamente apaixonada pelo Iguro, o amava com todas as suas forças... Mas não tinha coragem de se declarar.
Obanai estava fazendo o pedido (afinal, eles já comeram os doces, e Mitsuri queria mais), enquanto Mitsuri estava em silêncio, com um sorriso no rosto, que escondia o que se passava pela cabeça da Kanroji.
Vários pensamentos ruins se passavam pela cabeça da garota. Eram vários pensamentos diferentes, todos ruins, e eram pensamentos que ela nem sabia explicar.
Mitsuri... Mitsuri se sentia como uma rosa, sozinha em um mundo de espinhos. Mundo esse cujo ela gostaria de tentar melhorar, e viver tranquilamente nele, junto de seu amor... Mas qualquer coisa que ela tentava fazer, ela sentia que estava apenas piorando mais e mais.
Tudo o que a garota de cabelos rosados mais gostaria nesse momento é ter coragem para se declarar para Obanai, mas o medo de rejeição é grande.
A Kanroji já foi rejeitada tantas e tantas vezes, por vários motivos diferentes, mas, ao mesmo tempo, iguais... Então por quê com Iguro seria diferente?
"Eu deveria tentar me declarar para o Iguro-san... Ele... Ele é uma pessoa boa, né? E se ele gostar de mim?", Mitsuri pensa, com um leve brilho de esperança rodando em sua cabeça, mas ela logo o apaga. "Não, não, não... Se todos me rejeitaram, Iguro-san também me rejeitará... Ele só deve me ver como amiga, e nada além disso... Eu não devo arriscar perder a nossa amizade por isso, não quero que Iguro-san me olhe com nojo, pensando que eu sou uma atirada, fácil e esquisitona!"
Mitsuri já havia tentado se declarar várias vezes, mas em todas ela falhava; desistia na hora H.
Só a Kanroji sabe quantas cartas de amor, carinho e declaração ela já escreveu para o Iguro, mas um segundo antes de pensar em entregar para ele, a garota desistiu, jogou fora as cartas e cancelou a missão de declarar seu amor para Obanai.
Qualquer carta que Mitsuri chegava a deixar na porta da casa de Obanai, após alguns minutos ela sentia que estava fazendo algo errado, então ela logo pegava a carta e a queimava antes que Iguro visse, enquanto pensava que seria melhor se ela nem ao menos tivesse levantado da cama naquele dia.
- Kanroji-chan? — A voz de Obanai a tira de seus pensamentos auto destrutivos. — Está tudo bem? Estou te chamando faz um tempo, e você não responde...
- Ah, sim, está tudo bem, Iguro-san! — Mitsuri sorri. — Eu estava só... pensando.
- Entendo... Mas está tudo bem, Kanroji-chan? É algo com que deveria me preocupar? Pode conversar comigo, se quiser. — Ele parece preocupado.
"Oh... Ou talvez tá tudo na minha cabeça, é Talvez eu mesma esteja me sabotando!", Mitsuri pensa, animada.
Talvez... Talvez Obanai também gostasse dela também!
"Que idiotice, Mitsuri! Ele só tá preocupado com você pois vocês são amigos e companheiros de trabalho, nada demais!", ela corta seus pensamentos esperançosos.
- Está tudo bem, Iguro-san. Não precisa se preocupar, tá bom? — Ela mente, dando um leve sorriso.
- Se você diz, então vou deixar quieto... Mas, qualquer coisa, pode conversar comigo, ok? Sempre estarei aqui caso você precise, Kanroji-chan.
"Iguro-san é mesmo um ótimo amigo... espero nunca estragar a nossa amizade.", Mitsuri pensa, tristemente.
Obanai então logo muda de assunto, e os dois começam a ter uma conversa tranquila, enquanto a Kanroji ignora seus pensamentos auto destrutivos.
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Misturi estava no banheiro de sua casa.
A garota se olhava no espelho, com lágrimas já escorrendo de seus olhos verdes, assim como as gotas de chuva que caem lá fora no céu noturno.
Kanroji chorava, com os pensamentos auto destrutivos girando em sua cabeça.
"Sou ruim em tudo que eu faço, não consigo nem me declarar para o Iguro-san... Faço meu próprio fracasso, ninguém me ama e é minha culpa!", sua mente gritava.
A garota de cabelos rosados estava tão mal que sentia que, se desse mais um passo, o mundo inteiro iria explodir.
Cabelos rosados... Esses malditos cabelos rosados...
"Eu sou o próprio desastre... Olha isso! Essa força anormal... Esse apetite monstruoso... E esses cabelos... Esses horríveis, anormais e monstruosos cabelos rosados..."
- Não é minha culpa... Minha genética merda que me fez ser tão comilona e forte, e isso não é ruim... É culpa dos meus pais que me deram tanta sakura mochi para comer, que deixou meus cabelos diferentes... É culpa dos outros... — Kanroji dá um fraco sorriso, tentando culpar os outros para diminuir os pensamentos cruéis em sua cabeça.
Mas... Não dava certo.
"Quem eu quero enganar?! Eu sou um monstro! Um maldito monstro! E é minha culpa! É por minha culpa que ninguém me ama! Eu sou um monstro! Tenho uma força desnecessariamente grande, um apetite vergonhosamente enorme... E tenho esses malditos cabelos rosados...", ela pensava. Sua mente gritava as características que ela considerava defeituosas, e gritava sobre seus cabelos cor-de-rosa.
Mitsuri então abre uma gaveta do armário do banheiro. Do fundo da gaveta, ela tira um pote de tinta preta para cabelo.
A garota se olha no espelho. Ela destampa o pote de tinta. Ela se prepara para pintar seus cabelos... de novo.
Kanroji então se vê no espelho, indo pintar seus cabelos DE NOVO, e desiste no caminho.
Seus joelhos enfraquecem, e ela cai no chão. Mitsuri joga a tinta preta longe, e coloca as mãos em seus olhos, cobrindo seu rosto e chorando desesperadamente.
- AHHH! — Seu grito sai abafado. — Por quê o mundo me fez tão insegura?! Eu sou uma fracassada!
"Você nunca irá ser amada, sua monstra!", sua mente grita. "Monstra. Monstra. Monstra. Monstra. Monstra. Monstra."
Mitsuri estava se auto sabotando, e ele nem percebia...
}•••♡•◇•••{
É uma manhã tranquila.
A noite anterior havia sido chuvosa, então toda a região estava relativamente úmida.
Em uma pequena vila ali perto, dois Hashiras estavam na mesma cafeteria qualquer.
Esses Hashiras são Giyuu Tomioka e Mitsuri Kanroji.
Um não parece perceber a presença do outro, e talvez fosse melhor assim. Ambos pareciam estar se sentindo um lixo, e talvez, mesmo se tivessem percebido o colega ali perto, nem teriam coragem de se aproximar.
Eles claramente estavam acabados. Olheiras debaixo de seus olhos indicavam a insônia, enquanto o fato de seus olhos estarem inchados e avermelhados indicavam o choro de ambos. A Kanroji ainda estava meio descabelada, havia prendido os cabelos em um coque bagunçado qualquer. Já o Tomioka estava com seu haori, com as mangas escondendo os vários cortes recentes, debaixo de faixas mal colocadas em seus braços.
A cabeça de ambos estava perdida em memórias antigas. Memórias de infância, tranquilas, de tempos de paz.
As memórias de quando o mundo era tranquilo, era pacífico, colorido e inocente. Onde o mundo não os fez tão inseguros. Onde eles não eram tão solitários, ou tinham tanto medo de se declarar. Onde o mundo não os faziam se auto sabotarem...
"Foi auto sabotagem
O que aconteceu comigo"
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