Ausência

11 Desunião


Notas iniciais
To com saudade de Adrinette. Na verdade, de MariChat, mas como é impossível isso aqui, a gente se contenta com o que tem. "Ai, que saudades do Chat! Autora, trás o Chat de volta. Queremos o Chat Noir!" Gente kkk pq vocês acham que eu coloquei justamente ELE na capa? Foi para vocês matarem a saudade dele ali na ilustração mesmo, pq dentro da história ele não vai estar mais kk achei que o título fosse autoexplicativo. Beijos! Boa leitura.

Hurt myself again today

(Machuquei a mim mesma de novo hoje)

And, the worst part is there's no-one else to blame

(E, a pior parte é que não há mais ninguém para culpar)

Breathe me — SIA

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Após escapar da colega no laboratório, Adrien passou o resto do tempo na Biblioteca, e as horas se arrastaram. Então ele resolveu dar uma passada na ala de Artes e Criatividade, até que enfim, o horário da escola havia acabado, e ele saiu apressado para o carro, em direção à casa de Marinette.

— Pode me buscar mais tarde hoje, Gorila? Te mando uma mensagem avisando a hora. — Perguntou, quando estacionaram o carro na frente da padaria. O homem concordou com a cabeça, e Adrien abriu um pequeno sorriso. — Obrigado. Então, nos vemos depois.

Saindo do carro, andou em direção à entrada lateral que levava as escadas da casa dela. Chegando lá em cima, bateu à porta, e foi rapidamente atendido por Sabine.

— Oi, Adrien. Estávamos te esperando. — A mulher o recebeu com um sorriso.

— Como está, Sabine? — Adrien a cumprimentou com carinho, fazendo uma pequena saudação chinesa.

Sabine havia admitido, uma vez, que gostava do fato de Adrien saber tanto de sua cultura, e ser quase fluente em sua língua.

E ele se sentia bem em vê-la tão feliz quando fazia pequenos gestos, como esse.

— Eu estou bem, a Marinette…

— Eu estou bem também! — Ouviu a namorada responder alto do meio da sala, interrompendo a mãe.

Adrien sentiu um sorriso se abrir em seus lábios, balançando a cabeça, enquanto Sabine revirou os olhos com diversão.

— Ela está com dor, mas não admite. — A mulher cochichou apenas para ele. — Mas está quieta, pelo menos.

— Fico feliz. — Confessou de volta, baixinho. Entrando na casa e depositando sua mochila na mesa. Antes de se dirigir para a namorada, deitada no colchão, no chão da sala.

Ele soube que Tom havia tentado levá-la até o quarto na noite passada, a carregando no colo, como ele havia feito nas últimas vezes. Mas ao tentar pegá-la, Marinette sentiu muita dor, pois qualquer movimento ou toque era muito para o corpo dela agora.

Então, como solução, ele buscou o colchão dela e o colocou no meio da sala, tirando a mesinha de centro e o depositando na frente do sofá. E ficaria ali, pelo menos por duas semanas, ou até que Marinette conseguisse voltar ao quarto sozinha.

Marinette estava escorada, usando o sofá como cabeceira, com um travesseiro em suas costas e o resto do corpo no colchão. De pijama e cabelos soltos, ela parecia bem, e confortável, apesar de ainda estar meio pálida.

— Oi, minha linda. — Disse, com carinho, se agachando próximo a ela e depositando um beijo em sua testa.

A viu abrir um largo sorriso, os olhos brilhando em sua direção.

— Oi, meu lindo. — Ela disse de volta, e Adrien sentiu o coração se aquecer com ela o chamando desse modo.

Não por ele se achar lindo ou algo do tipo, mas porque isso se tornou um apelido carinhoso entre os dois, e Marinette ainda tinha dificuldade com eles. Então se ela conseguiu chamá-lo, sem ele pedir, era porque conseguiu avançar um passo, além de querer deixá-lo feliz com o gesto.

E ele ficava, verdadeiramente, feliz,

— A Marinette já almoçou, e o horário das medicações dela estão no balcão. — Sabine informou, saindo de dentro da cozinha, e os dois se viraram para ela. — Eu vou lá para baixo agora, ajudar Tom com os clientes da tarde. Tem certeza que não se importa de cuidar dela, Adrien?

Precisou controlar um sorriso quando viu Marinette fazer beicinho para a mãe, ao seu lado.

— Claro que não, pode ficar tranquila. — Assegurou para a sogra.

Sabine deu um breve olhar para Marinette, antes de se aproximar dela pela lateral do sofá e fazer um carinho em seus cabelos.

— Ok, qualquer coisa, podem me chamar. — Então ela se despediu, e saiu pela porta em seguida, deixando os dois sozinhos.

Foi só então que Adrien escorou o braço no sofá para analisá-la melhor.

— Me diga como está, de verdade.

Viu Marinette soltar um suspiro. A namorada gostava de manter suas dores para si mesma, mas em situações graves como essa, isso poderia ser perigoso, e ela sabia disso.

— A dor de cabeça está bem melhor, o ruim mesmo são minhas costas e abdômen. — Ela conseguiu admitir, mesmo a contragosto. Adrien ficou aliviado por isso.

Mesmo que a angústia por vê-la assim sufocasse qualquer tipo de alívio.

Então a viu se remexendo um pouco, como se lembrar das dores a fizesse senti-las mais.

— Precisa de ajuda? — Ofereceu, mas só recebeu um olhar de compadecimento.

— Não, tudo bem. Não existe nenhuma posição boa de verdade para mim agora. — Ela tentou fazer graça, mas Adrien não conseguia encontrar nada de humor no sofrimento dela.

Ela deve ter percebido a agonia em seu rosto, pois mudou de assunto.

— Então, o que quer fazer agora? Pensei que poderíamos estudar um pouco e depois jogar. — Ela sugeriu.

E aquilo o fez lembrar de algo. Algo que poderia animá-la.

— Ah, quase me esqueci. — Adrien se levantou, e foi até a própria mochila, pegando uma grande pasta lá de dentro, antes de voltar para ela. Tirou os sapatos para sentar ao seu lado, no colchão. — Passei na área de design antes de vir, e avisei seus colegas o que havia acontecido com você. Eles ficaram preocupados, todos desejaram melhoras, para que você possa voltar logo. E também, te mandaram isso.

Ele então abriu a pasta no próprio colo para que ela pudesse ver, já que sabia que Marinette não podia apoiá-la no próprio corpo, nem estava com força suficiente para ficar com ela erguida nos braços

Era um portfólio, que os alunos de design de moda juntaram rapidamente, para mandar para ela.

— Que lindos! — Marinette expirou, passando os finos dedos por cima de alguns dos desenhos, enquanto ele folheava o portfólio à sua frente.

Adrien ainda achava que, o mais lindo ali, era a paixão dela.

Estava decidindo se ele mesmo não participaria de algumas dessas aulas, durante aquela semana. Se sentiria mais perto de Marinette, se estivesse rodeado das coisas que ela amava?

— Disseram que esses foram os designs que os mentores deles aprovaram, nas últimas semanas. — Contou, lembrando da breve conversa que teve com eles mais cedo. — E que estarão organizando um desfile em breve, quando todos os projetos ficarem prontos. — O portfólio chegou ao fim, e Adrien o fechou, se virando para a namorada. — Mas nenhum deles quer que você fique de fora, então mandaram essa pasta, para que você possa ver os projetos aprovados, e depois mandar os seus desenhos também, quando estiver melhor.

Foi então que Marinette soltou um suspiro de desânimo, recolhendo a mão que antes estava na pasta.

— Já estou sem ir para escola há tanto tempo… — A ouviu divagar. E Adrien não conseguiu impedir seu olhar de ir para a lateral do abdômen dela, onde havia o hematoma da hemorragia interna, e também, onde uma costela ainda estava fraturada.

Parecia absurdo, tantas coisas ruins terem acontecido a uma só pessoa. A sua pessoa. Sua Marinette.

Ela deve tê-lo pegado olhando para o corpo dela, pois uma de suas mãos foi ao queixo dele, erguendo sua cabeça e seu olhar, de volta para o rosto dela.

— Adrien, está tudo bem. — Ela colocou uma mão sobre sua bochecha, fazendo carinho em sua pele com o polegar, tentando transmitir conforto. — Está doendo, mas não tanto quanto você deve acreditar que está. Está com a cara péssima.

— Você não merecia isso. — Expressou seus pensamentos em voz alta, aflito pela situação de sua amada. — Se importa se eu ver?

Desde que ela estava no hospital, ainda não havia tido coragem de fazer esse pedido. Também não sabia se Marinette estava à vontade para mostrar a ele. Mas, em parte, era ele quem não havia se sentido pronto ainda, para ver o corpo dela tão machucado.

A namorada apenas negou com a cabeça, demonstrando que não se importava. Lentamente, e com muito cuidado, começou a subir a barra da blusa de pijama para cima, e Adrien prendeu a própria respiração, à medida que ela foi expondo sua barriga.

O hematoma enorme estava lá. Uma grande mancha preta, rodeada de vários tons de verde e roxo, em toda parte frontal e lateral esquerda de seu abdômen.

Era terrível. Bruto. Não combinava nada, com o lindo e delicado corpo de Marinette.

— O Miraculous Ladybug devia ter consertado isso. — Pensou alto, e viu a Marinette estremecer com o comentário. Ou talvez, fosse outra coisa. — Te machuquei?

Estava com medo de tantas coisas ultimamente, mas principalmente de tocá-la e de feri-la mais, sem querer.

— Não, amor. — Então ela abaixou a blusa novamente, e estendeu a mão para tocar seu rosto. O que ele amou, deitando em sua palma, recebendo um carinho com o polegar dela, enquanto a olhava com tristeza. — Estou bem, na verdade, melhor agora com você aqui. — Ela admitiu, os olhos brilhantes em sua direção, antes de recolher a mão devagar, desviando o olhar para baixo. — Só pensei no azar eu tive, de me machucar justo no dia em que algo deu errado com ela.

Talvez Adrien não estivesse tão sozinho em seus sentimentos quanto achava que estava. Marinette parecia decepcionada com Ladybug também.

Ansiando pelo toque dela, ele buscou sua mão por cima do cobertor, levando os dedos finos até os lábios, depositando vários beijos em seus dedos.

— Me diga o que eu puder fazer para te ajudar.

Marinette tombou a cabeça para o lado, enquanto o fitava.

Os lindos olhos azuis estavam ligados aos seus, quando ela disse.

— Só a sua presença, Adrien, já me basta. — Finalizou com um pequeno sorriso, que não chegou aos olhos.

E Adrien sentiu que apenas isso, não seria mais o suficiente.

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A tarde foi calma, jogando e vendo filmes, Adrien foi embora após o jantar, dando mil e um beijos por todo seu rosto, tomando todo o cuidado para não encostar o corpo no seu, e prometendo voltar no mesmo horário dia seguinte.

Ela esperou, pacientemente, seus pais irem dormir. Precisou assegurar várias vezes que estava bem, e só queria uma boa noite de sono, já que no hospital não dormiu nenhuma noite completa, com enfermeiras entrando em seu quarto toda hora, para aplicar as medicações e checar se ela estava bem, não apresentando alguma febre ou piora no quadro geral.

Apenas depois disso, eles foram descansar, parecendo mais tranquilos.

E assim que eles foram para o quarto, ainda deitada no colchão, chamou por Tikki.

— Preparada? — Perguntou, assim que a pequena kwami flutuou até seu rosto.

— Tem mesmo certeza disso, Marinette? — A kwami perguntou de volta, com aflição em sua voz fina.

Na verdade, ela não tinha certeza, mas precisava fazer aquilo.

— Eu tenho, Tikki. — Garantiu, acenando com a cabeça, e viu a kwami vermelha acenar de volta, mesmo que incerta.

— Onde está o Plagg? — Lembrou de perguntar.

Por estar sempre rodeada de pessoas, mal havia tido tempo de ficar com os dois kwamis naqueles últimos três dias. Eles tinham um ao outro, mas ela e Tikki ainda estavam preocupadas com o kwami preto.

— O Meia Fedida está lá em cima, com os queijos dele. — Respondeu simplesmente. Quase revirando os olhos.

Marinette reparou de perto a dinâmica entre os dois nessas últimas semanas, e achava engraçado. Sabia que kwamis não podiam se apaixonar, mas Tikki e Plagg possuíam uma relação única, algo que só milênios de convivência podiam criar, ao passo que ainda inventavam apelidos “carinhosos” um para o outro. Não era algo que um ser humano pudesse compreender.

— Tudo bem, não vamos demorar. — Assegurou.

— Tenha cuidado. — Tikki pediu, sua voz fina transmitindo seriedade.

Sorriu para o aviso da kwami. Tikki estava mais cuidadosa com ela desde o incidente, como se estivesse se sentindo culpada por isso. O que era absurdo, já que ambas sabiam que foi Marinette quem causou esse infortúnio às duas.

— Eu vou. Tikki, transformar. — Ela precisou fazer isso no meio da sala, e ainda deitada no colchão, pois jamais conseguiria se levantar dali sozinha, em sua forma civil, muito menos ir até outro cômodo para se esconder antes.

O brilho rosa da transformação iluminou a noite. Agora em seu traje vermelho e bolinhas pretas, agachou colocando a mão sobre o abdômen, enquanto amontoava alguns travesseiros no colchão, e com cuidado, os cobriu com o cobertor. Era o melhor que podia fazer no momento.

Depois, foi em direção à janela, abrindo seu ioiô e mandando uma mensagem para todos os heróis, marcando uma reunião de última hora.

Estava com medo do que uma transformação poderia causar em seu corpo agora, mas já havia esperado três dias, durante todo o tempo que ficou no hospital, e não podia deixá-los sem explicações por muito mais tempo. Eles mereciam respostas.

Na verdade, toda Paris merecia.

Tudo que Nadja falou na mídia nos últimos dias, foi como a população estava assustada, com medo de um próximo ataque do novo vilão, já que Ladybug não havia conseguido usar seus poderes e aparentemente, ainda estava ferida, já que saiu carregada da última luta e não apareceu novamente depois.

Especularam se Chat Noir apareceria na próxima luta, se esse fosse o caso.

Precisaria pedir ao Alya para atualizar o Ladyblog em breve, com notícias suas.

Fechou seu ioiô e se preparou para sair, passando a mão em seu abdômen novamente. Ela estava pior do que imaginou que ficaria, ainda sentindo muita dor, mesmo transformada. Era menor do que quando estava em sua forma civil, mas ainda era um grande incômodo.

Então saltou na noite. Levou quase o triplo do tempo que levaria normalmente, para ir até o telhado que marcou com os heróis, mais se arrastando com o ioiô, do que se balançando com ele. Preferiu andar pela maioria dos telhados ao invés disso, saltando apenas quando era necessário.

Ao finalmente chegar lá, precisou aguardar apenas alguns segundos, usando esse tempo para respirar fundo e se recompor. Logo, ao horário marcado, todos os heróis estavam lá.

Estava disfarçando a agonia que estava sentindo em seu abdômen e costas, enquanto estava de pé ali, firme, na frente deles. Após seu último fracasso, precisava passar a imagem de uma líder forte e digna de ser seguida. Precisava passar confiança.

Mesmo que estivesse recebendo olhares feios de Rena Rouge e Viperion no momento, por estar fazendo isso.

— Sinto muito por chamá-los quando não há nenhum ataque, mas precisamos conversar. — Expressou de forma séria, se demorando para olhar no rosto de todos.

Carapace, Rena Rouge, Viperion, Pegasus, Monkey King, Vesperia, Pigella, Purple Tigress, Miss Hound, Rooster Bold, Caprikid, Polymouse, Minotaurox, Bunnyx, Ryuko e Argos.

Todos os heróis. Todos os seus amigos.

— Ladybug, o que houve com você na última luta? — Vesperia foi a primeira que perguntou.

— Você está bem? — Polymouse continuou, com preocupação, antes que Ladybug pudesse responder.

— Achei que era para sermos invulneráveis com os trajes! — Rooster Bold informou, assustado, e tentou não olhar em direção à perna dele, que estava ferida, da última vez que o viu.

— Por que o Miraculous Ladybug não funcionou? — Caprikid continuou, fechando o interrogatório que essa reunião estava se tornando.

Sentiu o olhar de Viperion queimando através dela, mas se manteve firme, diante de todas as indagações.

— Devem ter reparado na ausência do meu parceiro, nas últimas semanas. — Ela os deteve, começando sua explicação. Ainda não acreditando que estava fazendo isso, mas sabendo que não tinha mais como esconder. Ela respirou fundo, reunindo coragem em seu corpo junto com o ar, e continuou. — A verdade, é que Chat Noir renunciou ao Miraculous dele. — Contou, então abriu o ioiô e mostrou a eles o anel preto, com uma pata de gato verde no centro. O Miraculous da Destruição.

Esperou passar os arquejos de espanto antes de continuar.

— O meu Miraculous da Criação ficou em desequilíbrio por causa disso, e foi a perda da minha sorte, que causou os meus erros na última luta. — Informou, guardando o anel dele de volta.

Ladybug imaginou que eles já deviam estar suspeitando de algo como isso, com a falta da participação do parceiro nas últimas lutas. Mas confirmar essas suspeitas, e ainda revelar que era algo permanente, era algo completamente diferente.

— Por que ele fez isso? — Foi Minotaurox quem questionou.

— As probabilidades de Chat Noir renunciar nunca foram nulas, mas precisaria, sim, de um forte motivo para isso. — Ouviu Pegasus murmurar, mas parecia ser mais para si mesmo do que para o grupo.

— Isso não importa agora. — Enunciou de forma sucinta, antes de morder o lábio, pensativa. — Eu sei que isso complicou as coisas, mas encontrarei uma solução para essa situação.

Foi quando viu Bunnyx dar um passo à frente.

— Precisa da minha ajuda? — Sentiu o sangue correr mais rápido em suas veias com a proposta dela.

Era tentador, muito tentador, usar o poder do tempo para trazer Chat Noir de volta. E precisou apertar os punhos, como forma de reunir coragem, antes de negá-la.

— Manipular o tempo dessa forma não é certo, Bunnyx. Mas agradeço por se oferecer. — A heroína do Coelho aceitou com um aceno, voltando ao seu lugar junto aos outros.

— Então o que podemos fazer para te ajudar? — Foi a vez de Rena perguntar.

E por alguma razão, Ladybug sabia que seria ela, a fazer essa pergunta. O que não facilitou em nada para ela, na hora de dar a resposta para eles.

— Nada. — Várias exclamações e reclamações surgiram de uma vez só. Mas ela apenas se manteve firme e continuou, elevando a voz para ser ouvida em meio aos burburinhos. — É perigoso demais. Caso se machuquem, não poderei curar ninguém! — Eles foram se calando aos poucos, ela franziu os olhos na direção de cada um. — Vocês estão sob minha responsabilidade. Ficarei melhor, e lutarei melhor, sabendo que vocês estão a salvo.

— Mas como você vai lutar sozinha? — Carapace disse, parecendo indignado com suas ordens.

— Eu já tenho um plano, não se preocupem. — Os heróis da equipe voltaram a protestando.

Os únicos em silêncio mesmo eram Viperion, Ryuko e Argos. Esses dois últimos ainda trocaram um olhar, como se tivesse uma conversa particular no meio de todos, e ela não queria nem pensar no que o casal devia estar comunicando telepaticamente. Tirando a atenção deles, ela precisou erguer a mão, em um pedido de “pare” para todos.

— Se quiserem me ajudar mesmo, ajudem a cidade e os cidadãos de Paris após cada luta, até que meu Miraculous volte ao normal, e meu poder funcione novamente. — Articulou, mesmo que soubesse que eles não aceitariam tão facilmente.

— Não podemos deixar você lutar sozinha! — Rena reclamou, tomando a voz pelo grupo, com várias cabeças balançando em concordância com ela.

— Não vou arriscar a vida de vocês, isso não é uma negociação! — Disse firme, talvez até um pouco ríspida, antes de soltar um suspiro, e suavizar sua voz. — Eu sinto muito. Mas confiscarei os Miraculous de vocês, se lutarem.

Após esperar a confirmação de todos, mesmo que relutante de alguns, ela expirou com tranquilidade.

— Obrigada por virem, a reunião está encerrada.

Após trocarem alguns olhares, a maioria se dissipou rapidamente, mas Viperion, Carapace e Rena continuaram lá. Ladybug fez um gesto para que a heroína raposa se aproximasse, e quando ela fez, a puxou para um cuidadoso abraço com o braço direito, cochichando em seu ouvido.

— Faça uma postagem amanhã. Diga que Ladybug foi vista hoje.

Rena Rouge afastou o rosto, e apenas a encarou. Logo em seguida, ela abriu a boca, mas a fechou em segundos, parecendo engolir o que quer que fosse que gostaria de dizer naquele momento, mas ainda não podia.

Não tiveram tempo de conversar antes, não de forma franca pelo menos. Quando Alya a visitou no hospital, ela nunca estava sozinha: ou Adrien estava lá, ou um de seus pais, sem falar no entra e sai de enfermeiras e médicos. Sabia que agora, estava encurralado a amiga, mas também suspeitava que Alya não a ouviria, se não fosse dessa forma.

Por fim, com as sobrancelhas franzidas, Rena concordou com a cabeça, antes de se juntar à Carapace, e juntos, saltarem do prédio.

Agora, ela e Viperion estavam sozinhos.

Ladybug sentiu seu corpo relaxar, e por Deus, ela precisava se sentar. Se virou em direção ao herói, colocando a mão sobre o abdômen, mas antes que desse um passo em direção a ele, Viperion já estava ao seu lado, a amparando.

— Obrigada. — Agradeceu, enquanto ele a ajudava a ir até a beirada do telhado, e a se sentar ali, escorada na lateral pela mureta da chaminé, tomando cuidado também, com suas costas doloridas

Viperion logo se sentou ao seu lado, ainda em reflexão interna.

Ladybug apreciou o silêncio para massagear por cima de seu estômago. Precisava descansar um pouco, antes de tentar voltar para casa.

Mas, também queria conversar com o herói. Mas ele apenas estava ao seu lado, olhando em direção às luzes da cidade abaixo.

— Pode continuar a usar seu Miraculous, Viperion? Por favor. — Perguntou, deixando suas palavras vagarem em meio ao vento, olhando para o horizonte noturno. Ao perceber que ele não iria dizer nada, ela continuou. — De forma remota, claro, não vou pedir para arriscar sua vida. — Explicou, dando um pequeno riso, mas que morreu quando olhou na direção do herói, e viu que não houve nenhuma reação. Ela deu um pequeno suspiro, desviando o olhar para o próprio corpo. — Sinto que precisarei de todas as chances que puder.

O silêncio dele não costumava incomodá-la, mas este estava pesado, de alguma forma.

Foi apenas quando ouviu Viperion soltar um ruído entre os lábios.

— Subestimei você, Ladybug. — A voz rouca dele quebrou o silêncio da noite, ainda não encontrando os olhos dela.

— O que quer dizer? — Perguntou, analisando o rosto dele de perfil.

— Achei que já teria o substituído, a essa altura.

Foi a vez dela de desviar o olhar para as luzes, para conseguir absorver o absurdo que ele havia dito.

— Eu jamais faria isso. — Concluiu, voltando o rosto na direção dele. — Nem sei como você chegou a pensar nessa ideia.

— Nem mesmo quando isso a faz mal? — Foi apenas nesse momento em que Viperion virou os olhos para ela. Mas ela pode apenas respondê-lo com silêncio.

Luka soltou uma risada nasalada, completamente sem humor. Ele parecia incrédulo, balançando a cabeça para os lados, em negação.

— Isso não está certo. — Ele declarou, de forma inquieta.

— Você soube logo que o problema era a falta do Chat Noir, que eu estava em desequilíbrio por causa disso, então agora, eu vou equilibrar essa luta. — Ela retrucou, tentando fazê-lo entender.

— Marinette, o que você precisa agora não é ficar sozinha, e sim de mais ajuda! — Ele discutiu, ambas as mãos em punho sobre seu colo. — Você não está bem, e já está machucada! É perigoso demais.

— O que eu preciso é da ajuda do Chat Noir! — Ela jogou de volta. — Mas, já que ele não está aqui, então vou dar meu jeito.

— E vai continuar a se ferir assim até quando? — Ela apertou os lábios, se negando a responder. — Isso é loucura! — Viperion continuou, passando a mão de forma cansada sobre os olhos. — Dê o Miraculous do Gato para Plagg, ele vai escolher um bom portador.

Mas aquilo apenas a deixou com mais raiva.

— Um “bom” portador não me importa, Viperion! — Respondeu, aumentando a voz, socando o telhado abaixo de si. — Se o Chat Noir ver alguém usando o Miraculous dele, aí sim que ele nunca mais vai voltar! Vai achar que o substituí para sempre. Não posso fazer isso. — A garganta se apertando, terminou sua confissão com um fio de voz. — Não consigo fazer isso.

Virou os olhos, não querendo que ele visse a dor neles, a queimação já conhecida por ela os atingindo com a formação das lágrimas.

— Você está me matando aqui, Ladybug. — Viu quando Viperion virou a cabeça, se inclinando para frente, e dobrando-se sobre o próprio corpo, os cotovelos apoiados nas pernas, afundando os dedos da mão direita em seus cabelos bicolores. — Sabe o quanto me importo com você, e mesmo assim, me faz assistir enquanto você se destrói. — Ele estava com os olhos fechados, mas o que mais a assustou foi o som de sua voz quebrada.

Ladybug jamais imaginou vê-lo dessa forma.

Se apoiou na mão direita, e com a outra, se inclinou para ele, tirando a franja da frente de seus olhos, antes de tocar seu rosto.

Precisou usar o braço esquerdo para puxá-lo para ela, e doeu fazer aquele movimento. Mas por Luka, valia a pena.

Ao sentir seu toque, Viperion ergueu o rosto, virando os olhos, agora em tom verde-lima, em direção aos seus.

— Nunca quis que ninguém, muito menos você, sofresse com isso. — Revelou, em um sussurro agoniado.

O herói inclinou o rosto em sua direção, se aninhando em sua mão.

— Eu sei. — Ele então ergueu a cabeça, a fazendo se endireitar, antes de tomar sua mão entre as dele. — Então apenas me diga o que posso fazer, para acabar com isso.

Ladybug só pode encará-lo antes de revelar sua resposta.

— Já está fazendo mais do que o suficiente, Viperion, de verdade. Mas acho que isso não é algo que você possa resolver. — Enxergou a forma como os olhos dele franziram, reconhecia o sentimento de impotência que estava causando nele. Mas não podia negar a verdade. — Você já conversou com ele, e tentou convencê-lo a fazer aquelas aulas. — Ela soltou de suas mãos, se virando para frente e encarando os próprios pés. — Minha última esperança, é que essa situação o faça mudar de ideia.

— Me prometa. — Viperion a assustou, quebrando o silêncio que se formou, e voltou a encará-lo

— O quê?

— Se essa é mesmo sua última esperança, me prometa que vai dar o anel a Plagg, se isso não funcionar. — O que ele queria dizer, em outras palavras, se ele não voltar.

Ele puxou novamente sua mão para ele, e só conseguiu olhar para as duas juntas. Unidas.

A mão com traje vermelho e a mão com traje verde água.

Nenhum traje preto.

Pensar em nunca mais vê-lo. Em desistir dele, lhe doía fisicamente.

Mas Viperion estava certo. Essa situação estava virando uma loucura. Além de estar se ferindo, também estava machucando as pessoas ao seu redor. Civis inocentes, que eram sua responsabilidade, além de Luka, Alya, Adrien e seus pais. E para quê? Para continuar com uma esperança tola?

Mas enquanto uma chama de esperança estivesse viva dentro dela, ela continuaria. Porque não conseguia nem ao menos pensar em desistir. Era inimaginável.

Porém, precisava dar algo em troca, para aqueles que não podiam mais continuar a acreditar.

— Se isso vai te fazer sentir melhor… — Começou a dizer, sendo respondida logo em seguida.

— Vai. — A voz dele foi cortante, direta, sem margem para dúvida.

Mirou nos olhos verdes e penetrantes, conectados aos seus.

— Então eu prometo, Luka. — Engoliu em seco, ao finalizar, fechando a promessa com seu verdadeiro nome.

Então, agora estava em sua última tentativa. E não podia errar mais.

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Tikki só podia observar Marinette nos últimos dias. A acompanhar de perto a luta diária que ela precisava travar contra seu corpo ferido.

Após aquela reunião com os heróis, ela foi levada para casa por Viperion, que se recusou a deixá-la fazer isso sozinha. Ela se transformou de volta quando chegou, e Tikki a ajudou a tomar seus remédios contra a dor, antes de Marinette tirar as almofadas no meio do colchão, e deitar nele com cautela. Tikki colocou o cobertor sobre o corpo dela, ambas sussurrando um “boa noite” uma para a outra.

Agora, sua portadora estava finalmente dormindo, e recebendo o descanso que precisava.

Depois de conferir que estava tudo bem com ela, flutuou em direção à Plagg, no andar de cima. Precisava conversar com ele.

— Não aguento mais ver ela sofrendo. — Comunicou, assim que o encontrou na escrivaninha do quarto de Marinette, dentro de uma vasilha de queijos.

Tikki não suportava o odor, e por isso ficava longe dali. Mas o assunto era urgente, ela aguentaria por alguns minutos.

— Talvez se ela souber que é ele, vai mudar de ideia e entregar o miraculous para outro. Isso resolveria tudo. — A kwami vermelha sugeriu.

Plagg pacientemente, colocou mais um pedaço de queijo em sua boca, antes de responder.

— Acha mesmo que ela vai desistir dele assim? O mais provável é ela insistir ainda mais para ele voltar quando descobrir.

Então ele se levantou, flutuando até a janela com Tikki atrás dele. Sabia o que o kwami estava fazendo, e agradeceu internamente por se livrar daquele mau cheiro.

— Precisa lembrar o que aconteceu no Egito? — Plagg advertiu sério, desviando seus pensamentos.

A menção daquele país a fez recordar de memórias, antes muito bem enterradas, de sua antiga portadora.

— Nossos portadores não estavam juntos no Egito, Plagg. — Ela reforçou, afastando as lembranças, como areias ao vento. — Eles se odiavam, mesmo trabalhando bem em equipe.

— Sim, eles não namoraram, mas descobriram as identidades um do outro. — Plagg rebateu. — E não demorou muito pro meu portador acabar sendo preso em uma tumba por isso.

Tikki tentou não estremecer com aquela memória, o horror daquela noite.

— Sim, eu lembro disso. — Ela respondeu, com desânimo, não conseguindo deter a lembrança dos guardas do faraó invadindo o quarto de sua portadora no meio da noite, e a arrastando com violência para fora. Chegando lá, encontrou o portador de Plagg, também detido pelos homens, já todo sujo de sangue. — Ele foi levado, mas não contaram à minha portadora o que fizeram com ele.

E depois sua portadora, que antes era tratada como uma deusa pelos egípcios, foi destituída de seu Miraculous também.

Viu quando Plagg desviou sua atenção para o céu noturno, também parecendo reviver aquela noite.

— Não vi o que aconteceu depois de arrancarem o anel. — Então ele virou os olhos verdes em direção a ela, e continuou, com a voz séria. — Mas a Esfinge ainda está lá, não é?

Aquela informação a fez tremer por dentro. Sempre foi um grande risco portar um Miraculous. Esses não foram os únicos portadores deles que foram mortos, nem os últimos.

— Eu sei que saber as identidades é perigoso. — Ela manifestou, tentando manter o otimismo. — Mas nunca tivemos dois portadores que se gostavam tanto! E além do mais, eles já estão juntos!

Mas Plagg apenas balançou a cabeça.

— Melhor juntos e sofrendo, do que mortos, Tikki.

Ele estava começando a flutuar para longe, quando a Joaninha flutuou até sua frente, o impedindo de sair.

— Se ela fizer o que está planejando, você sabe muito bem o que vai acontecer! — Bradou com raiva.

Não era obrigação de um kwami se intrometer na vida de seu portador. Eles estavam acostumados a conviver com eles, mas apenas para observar suas vidas, sendo como telespectadores reservados. Sem causar interferências no curso de seus destinos.

Tikki não queria mais ser assim, não com Marinette.

Além disso, a kwami sentia que precisava recompensar a portadora, pelo seu erro.

— Sei. Mas você também sabe, que não podemos fazer mais nada agora. Mas quando Adrien a vir…

Plagg parou sua fala de forma repentina, deixando Tikki confusa.

— O que foi?

— É a primeira vez que digo o nome dele para outra pessoa. — Plagg revelou parecendo atordoado com essa observação.

— Porque ele não é mais seu portador. — Ela concluiu por ele. — Oh, sinto muito, Plagg.

A renúncia de Adrien não era algo que o kwami preto se permitia conversar muito.

— Tudo bem, Docinho, não é como se fosse a primeira vez que desistem de mim. — Mas Tikki sabia que essa pose era apenas uma fachada.

— Eu sei o quanto você gostava dele. — Ela insistiu. — Pois é o que eu sinto pela minha portadora. — Plagg apenas a observou, antes de ignorá-la e flutuar de volta para seu canto na escrivaninha, querendo privacidade.

Dessa vez, Tikki o permitiu ir.

Ele fingia que isso não era nada de mais, preferindo fugir a ouvir quando ela falava sobre o assunto. Mas ela era a única que sabia o quanto Plagg estava realmente sofrendo, tendo que estar tão perto de Adrien todos os dias, e ser invisível a ele.

"Não existem estrelas negras, apenas buracos negros"

Notas finais
Kwamis também sofrem! E se eles sofrem, todos sofremos juntos Oh gente, essa história do Egito foi tudo vozes da minha cabeça, tá? Agora, se o titio Thomas aparecer com essa mesma ideia na série, EU VOU COM MEU PROCESSINHO LÁ SIM! Senão é palhaçada já, slk. Pra quem não entendeu, fizeram a Esfinge como uma tumba pro portador do Gato egípcio, e o mataram lá dentro (na minha imaginação). E eita, essa Maribug sempre aprontando. Não sei se perceberam, mas a Mari ta mais se machucando onde teve o cataclismo do Chat que estranho. kkk só uma pequena observação. Adrien cuidado da Mari, ai que amor. Beijos docinhos! E até lá.