Ausência
9 Desequilíbrio
Notas iniciais
Gave you every piece of me.
(Te dei cada pedaço de mim.)
No wonder it's missing
(Não é à toa que está faltando)
Don't know how to be so close to someone so distant
(Não sei como ficar tão perto de alguém tão distante)
Thought we built a dynasty
(Achei que tínhamos construído uma dinastia)
forever couldn't break up
(que o para sempre não pudesse separar)
Dynasty — MIIA
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Quebrado a costela.
Ela havia, mesmo, quebrado a própria costela.
Marinette ainda não conseguia acreditar.
Depois da ida completamente dramática, em sua opinião, de ambulância para o hospital, Adrien e Alya ficaram com ela a todo momento, até seus pais chegarem.
E dessa vez, seu pai havia ficado histérico, e dito algo sobre como não devia ter deixado a própria mãe ter dado à Marinette algo tão perigoso.
Por fim, ele confiscou sua mini scooter. Sua linda, vermelha, e perfeita scooter. A pobre motocicleta não merecia isso.
Marinette estava chateadíssima. E com dor, muita dor.
O incômodo do tornozelo era apenas uma mera lembrança agora, comparado com a estrondosa dor em sua lateral.
Sem falar nos novos ralados e hematomas que surgiram nos cotovelos, joelhos e na parte esquerda do abdômen, logo agora que o antigo hematoma no quadril havia sumido completamente.
Adrien ficou louco de preocupação quando descobriu, pelo raio-x, sua mais nova proeza. Tentou acalmá-lo, dizendo que devia parecer pior do que era, mas, na verdade, doía muito mesmo. Viu nos olhos do namorado, que ele queria fazer algo para ajudá-la.
Mas os pais não permitiriam que ele cuidasse dela à noite, obviamente, então sugeriu para ficar com ela à tarde, depois que fizesse suas aulas.
Viu quando ele cancelou a esgrima do próximo mês ao descobrir que o tempo de recuperação dela seria de, mais ou menos, quatro semanas. Tentou convencê-lo a não fazer isso, mas claro, foi um esforço inútil. Pelo menos ele prometeu que continuaria praticando piano. Era uma vitória.
Agora ela já estava em casa, após esse final de tarde turbulento no pronto-socorro.
Mas essa situação a fez perder outra patrulha ao pôr do sol. E mesmo que ficasse sozinha pelos telhados todas as noites, ainda se sentia mal por não ir.
Pediu aos pais para deixar Alya dormir ali naquela noite. Sabia que a amiga queria ajudá-la, e que também ansiava por algumas respostas.
Sentiu nostalgia com isso. Foi igual como fizeram quando o Monarch pegou os Miraculous e ela não queria ficar sozinha em seu quarto, sem seus kwamis. Alya passou semanas indo dormir em sua casa.
Colocaram o colchão dela na parte de baixo do quarto, pois estava sem condições de subir mais escadas do que o necessário.
E seu quarto tinha muitas, e muitas, escadas.
— O que está fazendo? — Já deitada, perguntou à amiga, quando ela se jogou no colchão ao seu lado, mexendo freneticamente no celular. Trixx já estava com Tikki e Plagg em algum lugar do quarto.
— Mandando mensagem no nosso grupo. — A ruiva disse, antes de terminar alguma mensagem e lhe lançar um sorriso. — Avisei todos o que houve, mas que você já está aqui na sua casa, comigo, e bem.
— Que bom, obrigada por fazer isso, Alya. Acho que assustei todo mundo hoje. — Não estava com ânimo nenhum para mexer no celular no momento. Até levantar o braço esquerdo doía, que era o lado da costela fraturada.
— E se assustou! — Então uma mensagem apitou e a amiga olhou para a tela novamente. — Ah, Alix disse que podemos comemorar sua recuperação mês que vem, com uma festa.
— Acho legal. — Respondeu, enquanto tentava se ajeitar no colchão, mas parecia impossível achar uma posição confortável, quando o desconforto era algo dentro de seu próprio corpo.
Até que ouviu Alya continuar.
— Ela disse que quer fazer um jantar… e o prato principal vai ser costela ao molho barbecue.
Marinette virou o rosto rapidamente, em sua direção, chocada com a audácia.
— Retiro o que disse.
Então as duas se olharam e riram juntas, o que fez Marinette soltar um sibilo de dor em seguida e parar a risada instantaneamente, levando a mão à sua lateral esquerda. Precisava se lembrar de não fazer movimentos bruscos nesses primeiros dias.
Esperou a amiga terminar de mandar as mensagens, e enquanto a piada se assentou em sua mente, sentiu os músculos do rosto tensionando.
— Amiga, você tá bem mesmo? — Mal notou que Alya a estava analisando. Só lhe restou responder à verdade, para onde sua mente havia divagado.
— Tá sim, eu só… — Respirou fundo, ou o quão fundo se podia respirar sem que sua costela espetasse seu pulmão, e respondeu. — Eu pensei no Chat Noir, fazendo piadas como essa.
Seus pensamentos estavam sendo predominados por ele, já não era quase surpresa nenhuma.
Viu quando Alya soltou o aparelho celular, se virando para ela com o semblante sério, dando-lhe a ela toda sua atenção.
— Ainda sem notícias dele? — A amiga deitou de lado, apoiando a cabeça no punho para olhá-la.
Marinette apenas negou com a cabeça.
— Nada. — Nada vindo diretamente dele, pelo menos. Só sabia que o parceiro estava vivo, devido às atualizações de Luka.
— Você ao menos conversou com o Luka, de novo? — Alya indagou.
— Foi justamente por isso que eu fui de scooter para o barco hoje. — Confessou, envergonhada. — Encontrei com ele após a luta, e acabei me atrasando para voltar à escola.
Lembrou de quando se destransformou perto da entrada da escola, e atendeu à ligação de Adrien. Não tinha como ela entrar lá sem que ele visse que ela estava do lado de fora, então, acabou inventando uma desculpa boba, e se transformando de volta para buscar sua scooter em casa.
Que má ideia havia sido.
Por fim, explicou então seu plano à Alya. Mesmo que o Chat Noir não pudesse fazer as aulas, talvez Luka fosse dar dicas para ele, já seria um enorme avanço.
— E amiga, o que está acontecendo com você? — Marinette conhecia sua amiga bem demais para saber que ela estava soltando a pergunta que, provavelmente, estava segurando a tarde toda. — Sei que você é desastrada, mas isso tá demais.
Alya estava lhe lançando um olhar muito preocupado.
Marinette mirou o teto, já que só podia deitar de barriga para cima devido à sua nova lesão, e refletiu sobre a pergunta.
— Eu também não sei, Alya. — Soltou de forma sincera, seguido de um suspiro cansado. Ela de fato, estava se machucando mais que o normal ultimamente.
Talvez, sua mente estivesse mais desconectada do seu corpo do que aparentava. Estava ela causando isso a si própria? Se sim, então sua situação com o Chat Noir estava pior do que imaginava.
— Se aparecer outro vilão, não vou deixar você ir, Marinette. Olha o seu estado! — Ela fez um movimento com a mão, apontando para todo o corpo dela.
Marinette virou o rosto em direção à amiga, abrindo um sorriso tímido em relação ao seu aviso.
— Não liga para isso. Quando eu me transformo a dor vai embora, e não afeta em nada na luta.
— Mas Marinette… — Alya franziu os olhos, e Marinette desviou o olhar.
— É minha responsabilidade, Alya. — Cortou as advertências da amiga.
Sabia que ela estava só preocupada, por isso, tentou tatear o colchão até segurar sua mão, para transmitir confiança. Mas como Alya estava ao seu lado esquerdo, ao mexer o braço para ir ao seu encontro, sentiu um puxão nada agradável e, soltando um sibilo de dor, precisou recuar o movimento. Alya percebeu sua intenção e levou a própria mão até a dela.
— E tá tudo bem. — Marinette assegurou, suavizando mais a voz desta vez, apertando os dedos da amiga com os seus. — Se ficar difícil demais para mim, eu prometo que te aviso, e te entrego meu miraculous. — Viu a ruiva erguer a sobrancelha em sua direção, em desconfiança. Isso a fez rir, com dificuldade, e continuar a falar. — Temporariamente, claro.
— Certo, certo. Só espero que você fique inteira até lá.
Então Alya apagou as luzes, e as duas foram dormir.
Mas sua mente não estava a permitindo ficar em paz. Olhando para seu teto escuro, ela sussurrou.
— Eu só penso… — Começou devagar, a voz falhando. Precisou engolir o bolo que começou a se formar em sua garganta, para conseguir continuar. — Aquela noite no telhado, não pode ter sido a última vez que nos vimos. Pode?
Ela não precisava explicar mais para que a amiga entendesse.
Era sempre sobre ele, ultimamente.
Um silêncio se estendeu antes que Alya respondesse de volta.
— Eu não sei, amiga. — Tentou não dar importância para o tom de desânimo dela. Sabia que Alya só não queria lhe dar falsas esperanças.
Era um sentimento estranho esse, a falta de alguém que, aparentemente, não existia mais. Ela podia ver as fotos dele, agora devidamente baixadas e na galeria de seu celular. Ela podia ligar para seu bastão, apenas para ouvir a voz dele, ainda em sua caixa postal.
Mas essas coisas eram apenas remediação, não havia cura. Ela não podia pedir para encontrá-lo e abraçá-lo, ou ao menos vê-lo, novamente.
E isso doía, mais do que qualquer lesão um dia poderia doer.
Ao fechar os olhos, desejou poder sonhar com algum lugar onde pudesse encontrá-lo, e estar em seus braços.
"Faz tanto tempo. Para onde você foi? Eu sinto tanto a sua falta."
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Essa primeira noite, após seu acidente, foi bastante desconfortável. Ela acordou várias vezes porque mexia no colchão e acabava sentindo dor. A amiga acordou com ela algumas vezes, e ofereceu remédio para dor, que ela aceitou de bom grado.
Como era sábado, decidiu que poderia dormir até mais tarde, mas acordou com Alya se levantando e dizendo que precisava ir para casa olhar suas irmãs. Então as duas levantaram, a amiga trocou de roupa, mas Marinette optou por continuar de pijama. Era muito trabalhoso e dolorido tirar e colocar as blusas, e não era como se ela fosse sair para algum lugar agora, deixaria essa tortura para mais tarde. Alya ajudou a lavar o rosto, escovar os dentes e também auxiliou a pentear seus cabelos. Preferiu deixá-los soltos por enquanto, já que só ela conseguia arrumar suas chiquinhas do jeito que gostava.
Recebeu a ajuda dela para encontrar seus pais para o café da manhã. E estavam descendo as escadas com cuidado, até notar uma movimentação na cozinha.
— Bom dia, minha linda. — Ela ergueu os olhos surpresa, ao sair do quarto, e ver Adrien já ali em sua casa, fazendo o café com Tom, na cozinha.
— Adrien! Já está aqui tão cedo. — Sabia que o namorado viria passar o dia com ela, só não imaginou que ele viria tão rápido.
— Bom dia, querida. — Seu pai também a cumprimentou, sem parar de mexer na panela de café da manhã.
Chegou ao final das escadas com Alya, e Sabine se aproxima dela, dando um beijo de bom dia em sua testa.
— Ele estava preocupado com você, querida. — Ela sussurrou para as duas, fazendo um carinho em seus cabelos soltos. Então a mãe se virou para Alya. — Como passaram a noite?
— Bem. — Marinette respondeu antes, e recebeu uma olhada feia de Alya, que bufou antes de falar.
— Alguns contratempos, mas eu cuidei bem dela, tia. — Sabine apenas acenou com a cabeça, em agradecimento. — Então eu vou indo.
— Mas já, Alya? Tome alguns croissants. — Tom ofereceu, saindo da cozinha, com um pacote na mão.
— Obrigada, Sr. Dupain. — Marinette nem sabia de onde o pai tirou uma sacola já pronta, cheia de croissants. Ele deixava essas coisas preparadas, no caso de alguma emergência? E que emergência era resolvida com um pacote cheio de croissants? Enquanto rodava esses pensamentos na cabeça, Alya apenas a pegou, agradecendo com um sorriso. — Tchau pessoal!
Ela acenou, e sua família acenou de volta, Adrien e o pai voltaram para o preparo do café, enquanto a mãe estava arrumando a mesa.
Mari voltou para a amiga, dando um meio abraço bem leve e cuidadoso, de despedida, usando apenas o braço direito.
— Tchau, Alya. Obrigada por ficar comigo ontem.
A garota soltou uma risadinha, revirando os olhos e negando com a cabeça.
— Sabe que não foi nada, amiga. — Então ela pegou a própria mochila, sua sacola com seu novo café da manhã. — Me liga se quiser que eu volte aqui a noite.
— Eu gostaria sim. — Respondeu. Não só pela ajuda com tudo, mas porque Marinette preferia não ficar sozinha ultimamente.
Sua mente estava a levando para pensamentos ruins demais.
— Melhoras e juízo para você. — Alya comunicou, indo em direção à porta.
Isso a fez arregalar os olhos, em indignação.
— Sabe que eu tenho juízo! — Rebateu com falsa irritação.
— E eu sei que você é teimosa. — A amiga riu, ambas sabiam que ela estava certa. — Beijos, e se cuida!
Então Alya saiu pela porta, e Mari se virou para a cozinha, se preparando para caminhar até lá, mas Adrien já estava vindo ao seu encontro, para ajudá-la. Ele passou o braço por entre o seu e caminhou a passos lentos ao seu lado.
— Você está linda, meu amor. — Sussurrou ao pé de seu ouvido, e os pelos de todo seu lado direito arrepiaram com a aproximação dele.
Não sabia como responder, além de abrir um sorriso sem graça. Dizer que ele era lindo de volta? Adrien já sabia disso.
— Como foi sua noite? — Ele perguntou quando chegaram à mesa, ajudando-a a sentar na cadeira que puxou para ela.
Se abaixou devagar ao assentar. Todos os seus movimentos precisavam ser milimetricamente calculados, para não levar uma pontada puramente dolorosa.
— Obrigada. — Respondeu com carinho. — Acho que foi melhor que o esperado. E a sua?
— Péssima. — Ela arregalou os olhos em sua direção, com essa revelação. Adrien apoio a mão em sua cadeira, debruçando o corpo sobre ela, antes de dizer baixinho. — Fiquei o tempo todo pensando em você, e custei a dormir.
— Oh amor… — Levou a mão direita até o rosto dele.
— Tá tudo bem. — Ele cortou suas desculpas, e deu um beijinho em sua têmpora. — Pedi atualizações suas com a Alya, e isso me acalmou.
Ela nem sabia que a amiga e ele também estavam conversando na noite passada. Precisava lembrar de agradecer a amiga depois.
— Ela até me mandou uma foto sua, dormindo. — Antes que pudesse absorver essa informação, Adrien mostrou o aparelho, e lá estava ela, jogada no colchão, dormindo serenamente.
Esqueceu os agradecimentos depois disso. Alya não os merecia.
— Não acredito que ela fez isso!
Mas sua raiva apenas fez o namorado rir alto.
— Eu amei. — Ele disse, com um enorme sorriso no rosto.
Então ele se ergueu e afastou da mesa, e ela nem podia ir atrás dele para roubar seu celular e deletar aquela foto. Apenas se conformou com a derrota.
Adrien pegou as comidas para tomar o café na cozinha, vindo se sentar ao seu lado, em seguida.
— Obrigada. — Ela disse, enquanto ele colocava os pratos à mesa.
— Disponha, mademoiselle. — Adrien não ligava para quem pudesse ouvi-lo, ele gostava de ser carinhoso, e ela sabia disso. Só queria não ficar com tanta vergonha quando ele dizia essas coisas, na frente de outras pessoas.
Os pais se juntaram a eles, e todos tomaram café juntos. Disposto na mesa, havia uma cesta de croissants, pain au chocolat* e geleias de frutas, para acompanhar os pães chaussons aux pommes*.
Para beber, café, seu chocolate quente favorito e os chás de sua mãe.
— Você e meu pai fizeram tudo isso? — Não era surpresa ter um ou dois tipos diferentes de pães em suas manhãs. Mas hoje, seu pai havia preparado um banquete.
Era a forma dele de dizer que queria cuidar mais dela.
— Foi mais o seu pai, eu só dei uma ajuda. — Adrien respondeu, sem jeito.
— Que nada. O Adrien aqui leva jeito para ser padeiro. — Tom interviu. — Vai ser ótimo para a padaria quando crescer.
Marinette deixou seu pãozinho cair de tanta surpresa!
— Pai! — Repreendeu, enquanto Adrien se abaixava para pegar seu pão. Um movimento impossível para ela, no momento.
Viu Tom levantar as mãos em rendição.
— Só se ele quiser. Não é, Adrien?
— Sim, senhor Dupain. — Viu Adrien passar a mão na própria nuca. Um movimento que ele fazia quando estava desconfortável em alguma situação. — Obrigado pela oferta.
Ela abriu um sorriso. Mesmo em momentos assim, Adrien sabia a coisa certa a falar. Sempre bem-educado e polido.
Triste era saber que esse era o resultado de anos de uma criação tão rígida. Antes, Adrien precisava estar preparado para qualquer situação, seja uma reunião de sócios da empresa, um desfile com nomes importantes da moda, ou nesse caso, um café da manhã com os sogros.
Ao final, seus pais lavaram a louça, se despediram dos dois e desceram para a padaria, deixando-a aos cuidados de Adrien. Gostava que eles confiassem nele o bastante para isso, ou então o pai nem teria aberto a Boulangerie patisserie hoje, protetor e cuidadoso como ele era.
— Então, o que quer fazer hoje? — Ele disse, a ajudando a chegar ao sofá da sala, onde eles, provavelmente, passariam o resto do dia. — Já que nossos planos de sair falharam.
Ela sentou com cuidado, e Adrien ajudou a colocar uma almofada em suas costas, para ficar mais confortável.
Marinette sentiu o peso da culpa cair sobre si.
— Desculpa por isso, arruinei nosso final de semana de encontros. — Eles haviam feito planos para os dois dias. Bom, Adrien havia planejado tudo.
Primeiro iriam ao André, depois um passeio no parque de diversões. Seguido de um jantar romântico no restaurante Le Ciel de Paris, localizado no alto do Tour Montparnasse, com vista para a Torre Eiffel.
No domingo, fariam um piquenique e depois, iriam ao cinema. Mas agora, Adrien teria que ficar preso ali, cuidando dela.
“Quanta diversão.” Pensou ironicamente.
— Sabe que não precisa pedir desculpas, linda. — O namorado respondeu com tranquilidade, e de fato, ele não parecia nada chateado. — Podemos fazer isso depois. Além do mais, eu não me importo de ficar preso aqui, com uma namorada como você.
Corou ao lembrar dele dizendo essa mesma frase para ela, em Nova York. Bom, não a mesma, já que agora, ela não era mais uma amiga dele.
Suspirou aliviada, até perceber os olhos de Adrien estreitos em sua direção. Ele estava aprontando alguma coisa, percebeu rápido, aprontando algo que ela não iria gostar, e o namorado sabia disso.
— Mas, eu já sei como você pode me recompensar pelos nossos encontros perdidos.
Marinette o olhou desconfiada para o garoto sentado ao seu lado, com divertimento estampado em todo o rosto.
— O que você quer?
Ele abriu um largo sorriso antes de responder.
— Me chame de lindo.
Ela sentiu o rosto pegar fogo.
— O quê? Não. — Começou a negar veemente com a cabeça. — Sabe que aquilo foi um acidente.
Ela queria fugir daquele sofá, mas Adrien era mal, e sabia que ela estava encurralada, e sem escape.
Afinal, não conseguia nem levantar dali sem a ajuda dele.
Ela caiu em uma armadilha, foi atraída por um loiro bonito, e agora estava nessa situação.
— Um acidente… que você repetiu na hora de desligar o celular. — Ele provocou mais, se aproximando ainda mais dela no sofá, colocando uma mão sobre a sua.
Ela respirou fundo, trancando a respiração com a dor que sentiu, antes de lançar um olhar bem ameaçador na direção dele. Talvez, isso o fizesse mudar de ideia.
Mas Adrien apenas continuou encarando, com um ar superior de alguém que já havia vencido.
E ele havia. Afinal, não havia para onde correr, e ele não desistiria até que ela cedesse.
— Tá bom! Você venceu. — Ela se rendeu, preferindo poupar suas energias.
O viu ajeitar a postura, como se preparando para receber o elogio. Passou a língua para umedecer os lábios, e respirou com cuidado, antes de falar.
— Oi, meu… lindo.
Antes que pudesse pensar, Adrien avançou para capturar os lábios dela com os seus.
Ficou surpresa, principalmente com o cuidado que ele estava tendo em não a machucar. Uma mão dele estava em sua nuca, e a outra apoiada no estofado, para que seu corpo não fizesse nenhum peso sobre ela, com ela presa entre ele e o encosto do sofá.
Logo o beijo a tirou de qualquer pensamento externo. Se concentrando apenas os lábios dele mexendo sobre os seus, a língua dele acariciando a sua, o hálito quente e doce dele se misturando com o seu.
Os beijos com Adrien eram sempre uma delícia. E se sentia sortuda por poder aproveitá-los com frequência.
Não sabia que poderia fazê-lo tão feliz com apenas algumas palavras. Mesmo que essas palavras fossem tão vergonhosas para ela.
Mas, se ele fosse ficar feliz assim, valeria a pena.
A língua de Adrien passeou por seus lábios, e não conseguiu conter o sorriso ao senti-lo fazendo isso. Abriu a boca para sugá-la junto à sua, passando sua língua nos lábios dele de volta.
O namorado logo finalizou o beijo, dando vários selinhos, antes de parar completamente. O viu levantar, os olhos brilhando em direção a ela, mas depois seus olhos se apertaram, enquanto ele a fitava, a mão que estava em sua nuca, agora acariciando a lateral de seu rosto.
— Fiquei tão assustado ontem. — Ele proferiu, e ela viu a sinceridade e o assombro em suas palavras e olhar. — Ver você caindo quase fez o meu coração parar.
Antes que ela pudesse dizer algo, ele pegou sua mão direita, e levou ao próprio peito.
— Lembre que meu coração bate pelo seu, Marinette. Se algo acontecer com você, eu não sei o que eu faço.
Marinette precisou de alguns segundos para se lembrar como respirar. Havia perdido todo o fôlego com as palavras dele. Ela sabia o quão profundo eram os sentimentos dele, mas quando Adrien os reafirmava dessa forma, era como se fosse a primeira declaração de novo.
Segurou a mão dele de volta, e tentou transmitir o máximo de carinho em seu olhar.
— Nada vai acontecer, meu lindo. — Respondeu com a voz suave. Colocou sua mão no rosto dele, e sentiu seus músculos relaxando com seu toque. — Além do mais, você estaria lá para me pegar, não é?
Então o rosto de Adrien escureceu com a tristeza em seu olhar.
— Não pude te pegar ontem. Não consegui te proteger.
Marinette abriu a boca para responder, mas a fechou logo em seguida.
Pois pensou que só alguém com poderes seria capaz de tê-la salvo daquela situação. E às vezes nem mesmo assim.
— Acidentes acontecem, Adrien. — Foi o que resolveu dizer, antes de entrar em assuntos que preferia evitar pensar, ainda mais na presença do namorado.
— Mesmo assim, fiquei com muito medo ao te ver caída.
— O que importa, foi que você estava lá, para me ajudar a levantar. — Assegurou, apertando a mão dele em sinal de conforto.
— Claro, minha linda. Sempre estarei aqui por você. — Adrien pegou suas mãos que estavam unidas, e depositou um beijo em seu dorso.
E ela acreditava nisso, com todo seu coração. Mas sentiu um sentimento amargo lhe invadir, uma emoção ruim que estava apodrecendo todo seu ser.
Pois a primeira coisa que pensou, é que Chat Noir também sempre esteve lá por ela, quando ela mais precisou.
Até não estar mais. Até ele achar que apenas isso não bastava. Até ele se ausentar para salvá-la, mesmo que isso a machucasse mais.
E pensar nele depois de receber uma declaração de Adrien, rachou um pouco mais seu dolorido coração.
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A semana seguiu normalmente. Bom, ou o mais normal que poderia ser quando a sua namorada estava se recuperando de uma fratura grave. E Adrien estava ficando cada vez mais preocupado com ela, não apenas por causa da lesão, mas pelas emoções dela.
Marinette ficava triste de repente, e isso era algo visível em seu rosto, na falta do brilho em seus olhos. Não sabia se era apenas devido ao machucado, ou o fato de estar enfurnada dentro de casa a semana toda, mesmo tendo recebido visita de todos os amigos no decorrer dos dias.
Ele continuou a ajudar o máximo que podia. Ficava com ela todas as tardes, levava os livros que eram relacionados ao curso dela, a distraía jogando videogames. E a beijava.
Ele havia a beijado muito naquela semana.
Pois às vezes, era apenas após o beijo que via os sorrisos dela.
Estava pensando em fazer algo especial em breve. Queria alegrá-la. Mesmo quando ela estava feliz, ainda parecia triste. Era como se uma melancolia tivesse se agarrado a ela, e não soltasse mais.
Pensou em como a terapia na escola poderia ajudá-la, isso apenas quando ela pudesse voltar a frequentar as aulas.
Lembrou de uma conversa que teve com ela naquela semana.
“— E como estão suas aulas? — Ela perguntou em uma tarde, após terminarem um filme e decidirem estudar um pouco.
— Ainda estou variando. — Ele foi em direção à mochila, e tirou um livro de química, e viu a sombra de um sorriso passar pelo rosto dela, mas não surgir de fato. Foi quando ele decidiu tocar no assunto. — E também comecei a fazer as novas aulas de controle emocional. Nino pediu a todos da resistência para fazermos.
— Que legal! — Suas palavras tinham um ânimo que não existia em seu tom. — Elas são boas?
— São sim. — E de fato, eram. — Mas estou gostando mais da terapia. É bom poder falar com alguém sobre nossos problemas. — Mesmo que ele não pudesse falar abertamente sobre a maioria deles.
Apenas conversava com o terapeuta sobre seu pai e o recente luto, e também sobre seu futuro acadêmico. Ainda não havia encontrado aquilo que o motivava, mas o terapeuta estava certo de que, depois de algumas questões relacionadas aos seus pais serem resolvidas, ele acharia sua vocação.
— É, deve ser. — Mas então o humor dela caiu, e Marinette não quis mais falar sobre o assunto.
E ele respeitou isso, mesmo não gostando.”
Não sabia mais o que poderia fazer para ajudar, não poderia aconselhá-la melhor que um profissional qualificado.
Também gostaria de saber quais seriam os conselhos do terapeuta para seus reais problemas. Seria bom alguém, com preparo para isso, lhe afirmando que ele havia feito o certo ao renunciar ao Miraculous para proteger aqueles que ama. E quais seriam as sugestões para ajudá-lo a conviver com essa escolha.
Pois cada vez que via Ladybug lutando sozinha, doía não poder se juntar a ela. Era como ter uma parte sua arrancada, e a outra metade ansiava por ficar completa.
Luka havia ligado para ele, alguns dias depois, também para falar sobre as aulas. O amigo sabia delas, pois estava acompanhando alguns alunos como assistente do monge Su Han.
Sugeriu que elas poderiam ser de grande ajuda para sua situação como Chat Noir, se seu medo fosse ser akumatizado. Pois com controle emocional, poderia ficar livre disso.
Adrien até pensou que talvez isso poderia, de fato, ajudar, mas logo percebeu que não devia criar muita esperança, mesmo as frequentando.
Não era mais apenas sobre ele ser, ou não, akumatizado. Era a vida da Marinette, e da Ladybug, em risco.
E se a morte de uma delas fosse o gatilho para a akumatização? Essas aulas eram boas a ponto de conseguir manter o controle das emoções a esse nível?
Tinha que pensar nos piores cenários. E por enquanto, eles venciam, não as aulas. Não iria arriscar ter aquele anel de volta até que tivesse convicção de que era seguro.
Querendo afastar a mente dessa situação, Adrien finalizou sua lição de piano, a uma hora de prática que Marinette insistiu para ele continuar, mesmo que preferisse estar com ela nesse tempo. Estava prestes a sair para vê-la, como fazia todos os dias, quando recebeu o alerta de akuma em seu celular.
Seu coração acelerou, e se apressou para ligar a TV, vendo a notícia de Clara, já ao vivo, indo com o helicóptero em direção ao local do confronto.
E estava acontecendo no centro de Paris, por sorte, bem longe da casa da namorada. O akumatizado era forte, e controlava metal, o que não era muito bom para os heróis, já que ele estava perto de uma construção, e estava utilizando várias das vigas de ferro para atacá-los.
Sem contar a bagunça que ele havia feito em seu caminho. Clara estava mostrando com a câmera, todos os locais já destruídos por ele. Havia desmoronado a Ponte Alexandre III e vários dos prédios ao redor do Rio Sena, em direção ao centro.
— Esse akumatizado violento parece estar querendo causar a maior destruição possível! Até os nossos heróis estão demonstrando dificuldade em detê-lo. — Clara narrou, voltando a câmera novamente para o confronto.
Só então Adrien percebeu a quantidade de heróis que Ladybug convocou. Estavam, praticamente, todos ali, com exceção de seu primo e Alix.
E de um portador do Miraculous da Destruição.
À medida que acompanhava a luta, percebeu que toda a equipe estava uma bagunça! Até mesmo a repórter Clara estava com dificuldades para acompanhar.
— E lá vai o Minotaurox, junto da Purple Tigress… ah, na verdade, o plano mudou para o Rooster Bold com Ryoko. Ah, esperem um pouco. — A câmera mudou para o outro lado. — Aquela é a Pigella junto do Caprikid e da Polymouse. Eles estão tentando avançar…
Todos os comandos que a Ladybug dava, não estavam sendo bem atendidos, e os planos dando errado, com heróis quase sendo atingidos pelas vigas.
Parecia que a equipe não estava sintonizada, como se estivessem sem equilíbrio.
A Ladybug usou seu poder, e recebeu uma jaula para pará-lo, mas logo percebeu seu erro que, mesmo sendo vermelha de bolinhas pretas, a jaula ainda era feita de metal. Então ela mudou o talismã em seguida, por algemas.
Também de metal.
— Ladybug, que está acontecendo com você? — Sussurrou para si mesmo, enquanto a via pela câmera, correndo e gritando ordens para os outros. Ela parecia desesperada.
Adrien sabia que ela não era assim. Algo estava errado.
Após quase uma hora de combate, percebeu que vários dos heróis estavam saindo da luta alternadamente, reaparecendo alguns minutos depois. Ele sabia que eles estavam tendo que recarregar os miraculous e alimentar os kwamis, pois estavam usando seus poderes e a luta ainda não havia sido finalizada, precisando retornar logo em seguida para continuar.
Mas sentiu um verdadeiro medo, quando Viperion saiu de cena.
O akumatizado estava perto de destruir mais um prédio, quando Ladybug correu para imobilizá-lo com o ioiô. Ela não conseguiu. E se desvencilhando com facilidade, o vilão a puxou pela corda e rebateu o corpo dela com violência, usando uma das vigas de ferro.
Ela voou metros de distância, colidindo contra um muro, que rachou. E então, caiu no chão.
E não levantou mais.
Adrien ficou de pé imediatamente, segurando fortemente os cabelos, a boca aberta em choque, enquanto Rena foi correndo até ela.
Seu coração estava batendo tão forte e tão rápido que parecia querer sair de seu peito, para se encontrar com o dela, para checar se o coração da heroína ainda batia também.
Nesse meio tempo, o vilão foi rapidamente paralisado pela Vesperia e Minotaurox, e Monkey King quebrou o objeto, liberando o akuma que Carapace rapidamente prendeu.
Porém, Viperion, que havia retornado de algum lugar, e Rena, ainda tentavam levantar a Ladybug.
— Parece que houve um acidente! A Ladybug se machucou mesmo? — Ouviu a voz assustada de Clara na televisão, mas mal a registrou.
Adrien não conseguia focar em mais nada.
Apenas em sua Lady ali, ainda caída no chão.
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Atingiu a parede com força. Muita força.
Dor.
Dor em todos os lugares. Na parte de trás da cabeça, nas costas, mas principalmente, no abdômen.
Ela mal conseguia respirar, pensar, que dirá falar.
— Ladybug! Ai meu Deus. — A voz desesperada de Rena Rouge chegou em seus ouvidos. — Viperion! Algo deu errado! Acho que ela se machucou!
E sentiu ele se aproximar, mas não conseguia reagir. Sabia que estava caída no chão, mas estava com os olhos fechados, concentrada apenas em tentar fazer o oxigênio entrar no seu corpo, e não sucumbir pela dor.
— Não, não! — A voz do garoto, sempre calma, estava inundada em pânico. — Meu tempo de segunda chance acabou antes dela ser atingida! Estávamos nessa luta a tempo demais! Eu precisei encerrar!
Ouviu um arquejo assustador de Rena, seguido da voz desesperada de Viperion.
— Vou tirar ela daqui! — O herói disse, apressado. — Ela precisa de ajuda!
Sentiu os braços dele tentando erguê-la, e não conseguiu conter um grito de dor ao tentar ser suspensa do chão. O que foi suficiente para pará-lo, imediatamente.
— Não! Se ela jogar o Miraculous Ladybug, vai ser curada. — Rena sugeriu rapidamente, para em seguida, agachar ao seu lado. — Anda Ladybug, você consegue!
Sentiu a confiança que a amiga tinha nela. E precisou apertar os olhos, em busca de uma força que não possuía no momento.
— Vi-perion, me ajuda a le-vantar. — Então ele fez, e ela precisou morder o próprio lábio para não soltar outro grito, com a dor que reverberou em todo seu corpo.
Com dificuldade, conseguiu se manter em suas pernas, com o apoio dele em sua cintura. Ela finalmente abriu os olhos para o caos que estava, mas sua visão estava oscilante, e forçá-la fez sua cabeça doer ainda mais.
Pegasus levou a borboleta até ela, Ladybug a purificou e libertou rapidamente
Em seguida, agarrou a chave de fenda vermelha com bolinhas pretas, preso em sua cintura. Outro objeto de metal. Mesmo que tentasse muito, só havia obtido eles hoje. Seu ioiô parecia estar com defeito, ou havia criado vida própria e escolhido os piores objetos possíveis.
Jogou a chave, pateticamente, para cima.
— Miraculous Ladybug. — Se forçou a falar com a voz estável, recebendo um golpe de dor em seu abdômen pelo fôlego que usou. Tombou para frente, com Viperion a pegando instantaneamente, mas onde quer que ele tocasse, doía.
Tudo doía.
Então suas joaninhas voaram em seu brilho rosa.
E não fizeram nada.
— Ai não, não! — Rena exclamou, e estava assustada. E obviamente não era a única.
Ainda sendo amparada por Viperion, com muito esforço ela conseguiu levantar a cabeça e fitou todos os heróis, e seus amigos, intercalando olhares espantados entre ela e os escombros da cidade ao redor. Não pode deixar de reparar em Carapace indo em direção a Rena Rouge, segurando o braço ferido. Rooster Bold estava mancando, sendo apoiado por Caprikid, para conseguir andar.
Eles também não haviam sido curados.
— Ladybug, o que aconteceu? — Minotaurox também questionou, medo derramando de sua voz.
— O que faremos agora? — Miss Hound perguntou.
— Fizemos algo errado? — Registrou a voz apavorada de Pigella, que estava ao lado de uma Polymouse bem assustada.
Rena a olhou e a compreensão surgiu em seus olhos.
— O que precisamos fazer? — Ryuko perguntou firme, com a postura ereta, uma das únicas a manter a calma.
Mas foi Rena quem tomou a frente, por ela.
— Vamos todos nos separar e destransformar. Nos encontraremos depois, e daremos um jeito nisso.
O fracasso a açoitou como um chicote, com ferrões nas pontas. Não conseguia encarar nenhum deles naquele momento.
Com uma nova onda de dor, Ladybug tombou a cabeça em direção à Viperion, fechando os olhos novamente. Estava difícil mantê-los abertos.
— Me ti-re daqui. — Suplicou, em um sussurro sôfrego, em seu pescoço.
Não foi necessário mais nada. Ela soltou outro grito ao ser erguida em seus braços, mas logo os dois já estavam longe de todos.
Correndo entre as ruas e telhados, o herói estava com a respiração acelerada, ela reparou. E sabia que não era pelo cansaço.
— Marinette, estou com medo. — Viperion confessou, com uma voz estremecida. — Você precisa ir a um hospital. — Ele informou, indicando para onde a estava levando.
Mas ela já sabia disso. Estava começando a sentir um frio, nada agradável, no local em que havia sido atingida. Precisava de cuidados médicos. Mas precisava de fazer algo antes. Forçou a abrir os olhos para ver onde estavam.
— D-desça n-naquela ponte, entre o-os escombros. — Seus lábios estavam custando a lhe obedecer, o frio já se alastrando por todo seu corpo. Precisavam fazer isso rápido.
Viperion a olhou incerto, e ela sabia que não porque não havia entendido, mas porque não concordava.
— Você preci-sa, L-Luka. — O viu torcer uma careta em desagrado, mas já estava vendo pontos pretos em sua visão, e sabia que ela não tinha muito tempo, talvez só alguns segundos.
Reuniu o máximo de força que conseguiu para rogar um último pedido.
— Pro-teja minha identi-dade, p-por favor. — Enfatizou o máximo que era possível, em seu deplorável estado.
Antes de ceder àquela sensação, e a inconsciência arrastá-la para baixo.
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Adrien caiu em choque em seu sofá. Coração tão acelerado que chegava a doer, as mãos suando frio. O que estava acontecendo?
Não saber, estava quase o matando.
Viu que Viperion a ajudou a levantar. E com muita dificuldade, ela pegou o akuma e o purificou. Mas ao jogar o Miraculous Ladybug, nada aconteceu.
Após o herói sumir com a Ladybug, todos os outros se dispersaram, e o noticiário continuou a mostrar os locais ainda destruídos. Após alguns minutos, a polícia e os bombeiros apareceram para tomar conta dos locais e resgatar os civis feridos.
Tudo estava um caos.
Um Miraculous Ladybug não funcionou. Não estava com um bom pressentimento sobre isso.
O noticiário terminou após alguns minutos, mas para Adrien pareciam horas.
Ele se levantou, nervoso, e começou a ligar para Nino e Alya, mas ninguém atendia. Os amigos já deviam ter se transformado de volta.
Quando finalmente cansou de esperar, e decidiu sair da mansão em busca de respostas, seu celular tocou.
Mas não era Nino ou Alya o retornando. Era Luka.
Ele não poderia estar ligando, para dar notícias sobre a Ladybug, poderia? Pois mesmo que Adrien quisesse, muito, saber o que houve com ela, não podia. Não com o risco de descobrir a identidade da heroína.
Talvez ele fosse pedir, novamente, para ele repensar sua decisão e voltar a ser o Chat Noir, após esse desastre.
— Luka, o…
— Adrien, é a Marinette, — Ouviu o assombro e desespero, algo tão incomum na voz do amigo, e seu coração gelou instantaneamente. — Estou com ela no hospital.
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