Austrália

1 Capítulo 1: Depois da guerra


Amanheceu e junto com a manhã veio a paz. Lord Voldemort se fora e tudo estava quieto. Os corredores de Hogwarts estavam vazios, só havia destroços espalhados no chão. Definitivamente havia sido a maior noite na vida de Harry, Rony e Hermione. Agora, sentados no sofá do salão comunal.

— Eu não acredito que ele se foi. — Disse Rony olhando para o chão.

Hermione deu um apertão na sua mão, pois sabia que ele estava se referindo a seu irmão mais velho, Fred.

Harry olhava para seus dois melhores amigos de mãos dadas e conseguiu esboçar um pequeno sorriso apesar de todo sofrimento por tantas perdas.

— Acho que eu devo verificar se Gina precisa de alguma coisa. Tudo bem, Ron?

Rony olhou para Harry com uma expressão vazia.

— É, eu acho que sim. — O ruivo assentiu.

Harry deixou o salão comunal deixando Rony e Hermione sozinhos.

O silêncio permaneceu entre os dois por mais cinco minutos até que fosse quebrado pela menina:

— Ron, como as coisas serão agora?

— Como assim? — Ele arregalou os olhos.

— Você sabe. A gente sempre esteve correndo dos bruxos das trevas desde a infância e agora que derrotamos o maior deles será que finalmente as coisas serão normais?

— Ah. — Ele suspirou aliviado. _ Bem, eu acho que nunca vamos conseguir ser normais.

Hermione soltou uma pequena risada.

Era estranho este momento. A guerra tinha acabado mas todos sofriam pelas perdas. Hermione não sabia ao certo o que significava estar de mãos dadas com Rony. O beijo entre eles poderia não significar nada. Afinal, estavam no calor da batalha. Seja lá o que fosse, ele havia perdido o irmão e ela estaria lá para ele assim como tinha certeza que Harry estaria para Gina.

Em certo momento, Rony adormeceu no ombro da garota que por sua vez, não se mexeu por uma hora inteira até que o fogo da lareira estivesse quase no final. Esperava não acordá — lo enquanto reacendia com sua varinha. Sua tentativa foi em vão.

— Hermione?

— Oh, desculpa se eu te acordei.

— Não, está tudo bem. Na verdade, você deveria ter me acordado.

— Você está exausto Ron, merece um descanso.

— Tem razão. Mas você também está. Por que a gente não sobe e tira um cochilo?

Hermione corou ao ouvir o que Rony dissera mas tentou disfarçar com uma resposta boba.

— É, eu acho que vou para o meu dormitório.

— Han? Você não quer vir para o meu? Porque você sabe que não posso ir até o seu sem que acabe deslizando de lá.

Rony se lembrou da última vez que tentou ir até o dormitório das garotas com Harry e as escadas se transformaram numa rampa que os jogou para baixo. Hermione por outro lado suspirou aliviada por Rony não ser dos mais inteligentes.

— Você tem razão, Ronald. Vamos para o seu.

Ambos subiram para o dormitório dos meninos ( ainda de mãos dadas) e ao chegar o ruivo comentou:

— Não mudou nada.

Havia cortinas vermelhas espalhadas por todos os cantos, malões encostados ao lado das camas e alguns produtos da loja dos gêmeos escondidos. Toda a bagunça ainda estava lá, exceto por duas camas vazias respectivamente. A sua e a de Harry.

— Não seja acanhada, Hermione. Anda, pegue a cama de Harry. Tenho certeza que ele não irá se importar. Ou se quiser, pode juntar com a minha.

Ao perceber a situação que havia criado, Rony corou e permaneceu calado. Hermione que estava tão vermelha quanto os cabelos do menino conseguiu gaguejar:

— Vo... vo... você te...tem certeza de que está tu... tu... tudo bem?

Rony assentiu com a cabeça engolindo em seco.

Começaram então a juntar as camas até que ficassem juntas. Quando finalmente deitaram — se exaustos.

Hermione encarava o teto do dormitório com uma sensação estranha no estômago. Imaginava como seria a vida deles sem toda a agitação que os cercava. Vivendo um ano tranquilo em Hogwarts sem ter que quebrar tantas regras para salvar suas vidas ( somente aquelas que todo estudante quebra de vez enquanto).

Hermione adormeceu em meio aos seus pensamentos hipotéticos. Finalmente teria um sono tranquilo. Sem se preocupar em acordar pronta para correr de algum perigo iminente.

Rony estava definitivamente feliz por estar estar ali com Hermione, mas o nervosismo que o cercava era insuportável. O que tinha dado na sua cabeça ao sugerir que se deitassem juntos? O ruivo olhou para menina que havia adormecido ao seu lado, jogado os braços por cima de seu ombro e as pernas por cima das suas. Quase como um abraço.

— Ronald Weasley! — Uma voz aguda entrava no dormitório que fez o ruivo pular de susto juntamente com Hermione que acordara.

_ Mãe! O que está fazendo aqui?! — O coração de Rony pulsava desritmado.

— Eu estava preocupada com vocês dois. Não deram as caras no salão principal. Agora eu entendo o porquê.

— Mãe!

— Hermione, querida, não deixe que esse abusado faça nada com você.

— Eu estou bem, senhora Weasley. — Hermione que achava ser impossível corar mais do que já estava, pensou que estava mais vermelha do que um tomate.

— Mãe! Nós não estávamos fazendo nada. Quer dizer, estávamos tentando dormir. Uma hora a exaustão bate.

— Muito bem, então. Mas não pense que isso será desculpa para eu deixar que vocês dois escapem do meu olhar. Ouvi Harry comentar com a Gina que vocês dois estão finalmente juntos. Eu estou tão feliz!

A mulher de cabelos ruivos correu em direção à Hermione e Rony e os abraçou apertado.

— Mãe! Está nos sufocando!

— Desculpa — Ela disse deixando escapar um lágrima -, é que eu estava precisando de uma notícia boa.

Hermione não podia imaginar a dor que a Sra. Weasley deveria estar sentindo pela perda de Fred. Por essa razão resolveu permanecer abraçada a mulher sem dizer nada.

_ Vocês estão aqui, então!

Harry e Gina entraram correndo no dormitório.

— Será que não é possível descansar nesse castelo?! — Rony berrou indignado.

— Ronald! — Sua mãe chamou atenção. — Não grite com sua irmã.

— Exatamente, Ronald. Peça desculpas. Afinal, eu só queria saber se os boatos eram mesmo verdadeiros. Aparentemente eles são. — A menina esboçou um sorriso malicioso ao final da frase.

— Que boatos você está falando, Gina? — Hermione perguntou com um certo medo na voz.

— Ora, que você e meu caro irmão finalmente se assumiram como um casal.

— Como é?! — Rony disse exasperado. _ Harry, o que você andou colocando na cabeça da minha irmã?

— Eu não fiz nada. — Harry tentava se defender enquanto soltava diversas risadas abafadas.

— Já chega crianças! Temos que descer e nos organizar para voltarmos para à Toca. — Disse a Sra. Weasley.

— Vamos casal. Vocês podem dormir juntinhos quando voltarmos. — Gina continuava a se divertir.

Rony saiu da cama devagar e com a cara emburrada.

Chegando ao salão principal observaram que todos sofriam por suas perdas. Não havia mais mesas que separavam as pessoas em diferentes casas. Todos se misturavam nelas.

No fundo, a família de ruivos encontrava-se reunida e de cabeça baixa. Jorge ainda derramava lágrimas enquanto abraçava seu pai. Era muito estranho ver o menino sozinho e com a tristeza esboçada no rosto.

— Então é mesmo verdade. — Disse Jorge enxugando as lágrimas e olhando para o irmão. _ Vocês estão mesmo juntos.

Hermione não havia notado que ao entrar no grande salão, tinha segurado a mão de Rony. Era quase como um gesto automático para lhe dar segurança em seguir o caminho.

Nenhum dos dois comentou sobre o assunto.

— Molly, estamos prontos? — Perguntou o Sr. Weasley a sua esposa.

— Ainda não, Arthur. Tenho que ver se a Minerva não precisa que ajudemos em algo. Mas eu peço que todos estejam preparados para sair.

Agora que a guerra havia acabado Hermione só tinha um desejo, todavia. Trazer seus pais de volta.

_ Ron, posso falar com você por um minuto. — Pediu a menina.

O ruivo arregalou os olhos mas seguiu a garota.

_ Lembra que eu disse que mandei meus pais para a Austrália e apaguei a memória deles?

Rony assentiu.

_ Eu tenho que ir até lá e trazê-los de volta. — A menina disse olhando para os pés.

Rony lembrou-se de como Hermione ficou quando disse que havia mandado seus pais para longe. Ela devia estar querendo trazer eles de volta o mais rápido possível e ele entendia isso. Só não podia aceitar que a menina corresse o risco de sair pelo mundo sozinha. Haveria muitos comensais refugiados.

_ Hermione, por que você não volta conosco para à Toca? Depois do funeral de Fred eu vou junto com você procurar seus pais. — O menino sugeriu.

A menina ficou estupefata com a ideia do menino e como primeira reação o abraçou.

— Isso é um sim? — O menino perguntou.

— Por hora. — Ela disse com um sorriso tímido.

Olhares curiosos de vários estudantes que estavam presentes no salão se voltaram para os dois.

— É melhor nos prepararmos para voltar, não é mesmo? — Rony tentou disfarçar o afeto com a menina.

— Sim, é claro. — Hermione respondeu tentando parecer séria. _ Antes eu preciso ir a um lugar.

Rony olhou confuso para Hermione.

_ Aonde você vai, Mione? Não me diga que é a biblioteca!

_ Não vou à biblioteca seu bobo. — Respondeu em meio a risadas.

_ Então onde?

_ Vou à ala hospitalar. Visitar Lilá Brown. — Hermione soou o mais séria que pode.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.