Auschwitz
2 Capítulo 1
— Psii! — Dimitri fez de onde estava — Hey!
O som baixou rompendo a noite capturou os ouvidos da menina e fez com que ela levantasse os olhos. Os soldados, que mantinham uma conversa entre eles, a empurraram para continuar andando, mas mesmo assim ela lançou um olhar rapidamente naquela direção.
Forçou seus olhos para enxergarem na escuridão e finalmente viu a silhueta de uma pessoa. Este deu alguns passos à frente lentamente e um pouco abaixado, como um gato calculando seu próximo movimento. Ele acenou para ela, como se quisesse chamá-la. Rose arregalou seus olhos. Como alguém poderia chamá-la quando os nazistas estavam levando-a para algum lugar?
Piscou deixando que as lágrimas saíssem e então pode olhar com mais perfeição. Era um garoto, não deveria ter mais que doze anos. Ele acenou novamente.
— Wandern¹! — um homem disse, dando um chute em suas costas fazendo com que a menina caísse sobre a terra fria. Seus olhos nunca deixando os do menino.
O menino tornou a fazer um gesto com as mãos para ela. Era um gesto como se fosse para segui-lo.
Não há como! — foi a resposta que ela tentou dar com os olhos.
E então o menino fez algo inesperado. Ele saiu de perto das árvores que o escondiam. E gritou alto. Rose assemelhou aquilo a gritos de guerra que homens davam.
Ele chamou a atenção e no mesmo instante os soldados viraram seus rostos para ele.
— Corre! — o garoto gritou em alemão, enquanto disparava para dentro floresta e a maioria dos soldados o perseguiam. Rose o escutou. Aproveitando-se da distração quase incomum dos soldados, como se estivessem surpresos com a atitude corajosa e levemente estupida do garoto, Rose se levantou e também correu. Olhou brevemente para trás, como se estivesse se despedindo de sua mãe, e então voltou seu olhar para frente, correndo tão rápido como nunca havia feito antes.
Atrás dela ouvia ordens a mandando parar, mas ela não ouvia. O rosto infantil recebia alguns cortes quando batia contra os galhos das árvores. Pequenos arranhões já sangravam, mas isso não a impediu. Corria com todas as suas forças. Ela era rápida. Tão rápida que quando se deu conta de que não ouvia mais passos atrás dela, parou, tentando ouvir melhor, mas era difícil quando o som de sua própria pulsação atrapalhava isso.
Quase gritou quando sentiu um aperto forte em seu braço. Era o garoto. Ele colocou um dedo sobre seus lábios pedindo silêncio e olhando ao redor por um longo tempo. Notou que ele tinha uma espécie de adaga em sua mão, e sentiu medo. Talvez ele pudesse lhe fazer mal...
Ele voltou o olhar para a menina que estava ofegante. O vestido que uma vez fora de um tom rosa claro encontrava-se um pouco manchado de sangue. Sangue inocente. Ele abaixou seus olhos castanhos escuros, tentando mostrar respeito pelo que havia acontecido. A lua iluminava parcialmente seus rostos.
— Sinto muito por sua mãe — ele disse e então ergueu a cabeça, passando um dedo pela face da menina. Logo em seguida se arrependeu, quando notou que suas mãos estavam sujas de terra.
— Tudo bem — a voz era baixa, não passava de um sussurro. As lágrimas continuavam correndo pelo seu rosto, passando sobre as feridas causadas pelas arvores e provocando ardência.
— Vamos. Temos que sair daqui. Eles vão voltar com cães de caça daqui a pouco. — Rose esqueceu o medo quando ele enfiou a adaga debaixo da roupa e começou a puxá-la para algum lugar. Abraçou a menina um pouco quando percebeu que ela parecia mole, a ponto de cair a qualquer momento — Não podemos parar até que encontremos um lugar seguro. Está machucada?
Ela negou brevemente com a cabeça. A queda de sua mãe passava em sua cabeça lenta e repetidas vezes.
— Babam² — ela soluçou.
Dimitri não conseguiu entender o que ela disse, mas ainda sim a apertou levemente contra seu corpo. A diferença de altura era algo engraçado para se observar.
— Você está segura agora, eu não vou deixar nada te acontecer. Prometo.
Glossário:
1 — Wandern –Andando.
2 — Babam — Meu pai.
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