Notas iniciais
Oi! Como passaram a semana? Espero que bem! Boa leitura queridos!

You led my way, then disappear

(Você guiou o meu caminho, em seguida, desapareceu)

How could you just walk away and leave me here?

(Como você pode simplesmente ir embora e me deixar aqui?)

Dark on me — Starset

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Ouviu os amigos chegando no barco, no horário de sempre. Rose, Juleka, Ivan e Mylene foram os primeiros. Seguidos de Zoé, Alix, Alya e Nino. Esse era o grupo que, geralmente, ia para os ensaios da banda.

Bom, agora eles tinham mais uma convidada, Sabrina também havia acabado de chegar. Ela estava participando de várias das reuniões deles, depois que Chloé foi embora. E até fazia parte da Resistência, a convite de Nino.

Marinette sabia que Max estava fazendo um estágio com a mãe, e Kim tinha treino. Nathaniel e Marc não curtiam muito as músicas, indo só raramente, preferindo sair com o pessoal do clube de artes. Mas, todos os outros estavam lá.

Bom, com exceção de Kagami, que agora ia para Londres em toda oportunidade que tinha.

Estava cumprimentando todos que chegaram, porém, quando viu Adrien subir na embarcação, foi como se todos os outros desaparecessem. Sentiu o coração disparar, ansioso e alegre. Como era possível que ele ainda causasse esse efeito nela?

Era como se seus problemas fossem uma cacofonia de vozes, fazendo barulho em sua cabeça. Mas ao colocar os olhos em Adrien, era como se ela fosse arrebatada para um local de completa paz e silêncio.

No entanto, a conversa com Luka ainda estava muito fresca em sua mente, e também quando ele foi akumatizado como Verdade. Lembrou-se do olho senti-ser que o acompanhava.

Sabendo o que sabia agora, não tinha como se questionar como aquele senti-ser era. Parecia inevitável, não sentir uma enorme compaixão por todos eles agora.

Então, os olhos verdes a encontraram, como ímãs sendo puxados para sua direção. E afastou esses pensamentos, quando o namorado aproximou, a puxando para um abraço.

— Senti sua falta hoje de manhã. — Adrien disse com carinho, e Marinette se permitiu afundar naqueles braços.

Percebeu que estava precisando daquilo, mais do que imaginava.

— Também senti a sua. — Então ele afastou, olhando fundo em seus olhos, a mão dele se encontrando com a sua, antes de a levar para a lateral do barco, ao lado das cabines, onde podiam ficar sozinhos.

Adrien recostou na lateral, puxando Marinette pela cintura. Sentiu borboletas no estômago em antecipação.

Assim que ela se aproximou mais, ele colou os lábios nos dela. Marinette jurou que ele poderia sentir seu coração, de tão forte que batia no peito.

A língua dele encontrou seus lábios, e abriu a boca para recebê-la, sentindo arrepios enquanto ele aprofundava o beijo.

Arfou em sua boca, ao sentir a pegada dele apertando mais sua cintura, e a outra mão segurar firme sua nuca. A sensação da língua quente dele rodando com a sua, a maciez de seus lábios acariciando os seus, era como provar o céu. Sentiu seu fôlego acabando, mas para continuar beijando Adrien, ela desmaiaria sem ar com prazer.

Mais cedo do que gostaria, o namorado cessou o beijo e encostou a testa na dela.

— Oi. — Ele disse, após um longo suspiro, a respiração acelerada em busca de ar.

Era bom saber que não era a única afetada.

— Oi. — Respondeu, igualmente ofegante, mas tentando parecer calma, apesar de sentir o calor ainda presente em suas bochechas.

Adrien então abriu um sorriso, deu um beijo em sua testa e os levou de volta para o resto dos amigos, no pátio do barco.

Obviamente, sentiu vários olhares travessos das amigas, o que não ajudou em nada com a cor do seu rosto. Mas apenas sorriu e revirou os olhos e mostrou a língua, de forma divertida, para elas. Elas que haviam a ajudado a namorar Adrien, que aguentassem os dois agora.

Eles ainda foram muito educados em ir para um lugar mais reservado antes.

— Vou arrumar o teclado. — Adrien avisou, antes de soltar sua mão e ir cumprimentar o resto da banda.

— Ok! — Estava se preparando para sentar e esperá-los, mas logo seus ombros foram puxados, com Alya a guiando para a sala.

— Anda, pode contar. — A amiga apenas comunicou, se jogando no sofá e esperando que ela fizesse o mesmo.

— Queria saber como você faz isso. — Disse, derrotada. Alya como repórter seria um sucesso ou o maior perigo da sociedade. Nenhum segredo estaria a salvo com ela no ramo investigativo.

Soltou um suspiro deprimido. Tinha, finalmente, conseguido esquecer aquela situação, e sua dor, por alguns minutos. Mas sabia que esquecer momentaneamente, ou fingir que ela não estava acontecendo, não iria adiantar de nada.

Pois, ao pôr do sol, ela estaria sozinha novamente na Torre Eiffel.

— O que foi, amiga? — Marinette não conseguiria contar tudo novamente.

A ferida da noite anterior ainda estava muito aberta, e muito recente. Reviver as memórias com Luka foi doloroso, mas necessário. Então, ela apenas abriu sua bolsinha, antes de pegar o anel preto e mostrar à Alya, disfarçadamente.

Os olhos da amiga pareceram dobrar de tamanho, e seu queixo foi ao chão, em total choque.

— Chat Noir me abandonou. — Sussurrou rápido. Era a versão resumida, e o que conseguiria revelar agora.

A sala estava vazia, mas a maioria de seus amigos estava no barco. Depois que Kagami a descobriu, por ter falado com Alya coisas demais neste mesmo barco, ela estava sendo mais cuidadosa.

Pelo menos, de onde estava sentada, conseguia vigiar a porta, caso alguém entrasse.

Guardou o Miraculous novamente. E o movimento pareceu despertar Trixx, que surgiu, erguendo a cabeça da pochete de Alya.

— O quê?! — Perguntou a pequena kwami, igualmente surpresa.

— Oi, Trixx. — Ela cumprimentou a pequena raposa. — Plagg e Tikki estão lá dentro com Sass. Pode ir. — Gostava de deixar os kwamis juntos, sempre que possível. Além do mais, eles sempre davam um jeito de voltar para sua bolsa, discretamente, depois.

Era triste pensar que, reuniões como essas com seus colegas, a maioria deles estava presente, mas não podiam socializar, devido às identidades secretas de seus portadores. Mas, de qualquer forma, teriam que continuar assim, jamais arriscaria a segurança de seus amigos, por mais triste que isso fosse.

— Meu Deus! Mas como? Por quê? Quando? — Alya balbuciou, acordando de seu torpor após a saída da kwami, e misturando o que pareciam ser todas as perguntas que queria fazer.

— Ontem à noite. — Marinette se limitou em balançar a cabeça, em negação. — Mas isso não importa, o que importa é Luka sabe quem ele é.

Foi como se pudesse ver as engrenagens da mente de Alya funcionando.

— Por isso você não foi à aula hoje. — Concluiu de forma perfeita.

— Sim, vim pedir ajuda. Ele é minha última esperança.

Então viu seu semblante apático ser correspondido pelo de Alya.

— Mas, por que ele fez isso? — Ela insistiu, e Marinette sabia que a amiga precisava de respostas, assim como os humanos precisavam de ar.

Só não estava pronta para dá-las a ela ainda, mas daria alguma coisa.

— Longa história, Alya. E pior, ele não está totalmente errado. — Reconheceu a contragosto, fazendo careta com o sabor amargo dessas palavras. — Luka conseguiu me convencer que os motivos dele são válidos. — Mas só a ideia de estar cedendo a isso a fez cerrar os punhos. — Mas eu não consigo aceitar isso! Mesmo que seja o certo, mesmo que seja para o bem, eu não consigo me imaginar sem ele. — O mero pensamento disso lhe causava uma dor física. Marinette jogou o corpo para trás, no encosto do sofá, com as mãos sobre os olhos. — Se o Luka não conseguir convencê-lo, não sei o que vou fazer!

Sentiu a mão da amiga tocar seu ombro, e retirou uma das mãos para olhá-la.

— Amiga, ei! Não fica nessa bad, você é a Ladybug! Não precisa dele. — Sabia que Alya só estava tentando animá-la, mas ouvir aquilo foi ainda pior.

— Preciso, Alya. — Admitiu em voz alta. — Mas também não é só isso. — Respirou fundo, desviando o olhar, para o teto do barco, antes de finalmente revelar o que estava no fundo do seu coração. — Eu não quero não ter ele.

Sentiu os olhos ardendo, mas precisou se recuperar rápido ao ouvir seu nome sendo chamado.

— Alya, Marinette? — Sentou-se ereta e viu Adrien na porta, com um olhar preocupado em direção às duas. — Oi, a banda já vai começar o ensaio. — Ele terminou o chamado, a voz dele parecendo meio insegura, por talvez tê-las interrompido.

— Ah, obrigada Adrien, eu já vou indo então. — Alya se levantou, trocou um olhar rápido com ela, como se dissesse “Foi mal e boa sorte” antes de sair rápido da sala.

“Traidora” — Marinette pensou.

Agora sozinhos, Adrien se aproximou do sofá em que ela estava, notando logo sua expressão, pois perguntou.

— O que foi, amor? — Ele sentou ao seu lado, sendo amável e sensível como sempre.

O que tornava o trabalho de mentir para ele ainda mais difícil.

— Não tive uma boa noite. — Explicou de forma rápida, abrindo um sorrisinho. Odiava que os lábios que o beijavam, fossem os mesmos que proferiram tantas mentiras para ele. Mas não havia outra escolha.

Sabia, ao aceitar namorar, que teria de fazer isso. Mas saber isso, não significava que tornava as mentiras mais fáceis.

— Conseguiu resolver o que precisava, hoje de manhã?

Mal percebeu que havia desviado o olhar, apenas quando Adrien, de forma delicada, levou a mão ao queixo dela, e virou seu rosto em direção a ele.

— Eu espero que sim. — A resposta foi sincera, e saiu, diretamente, do fundo de seu coração, enquanto encarava o fundo dos olhos verdes.

— O que houve? Seus olhos estão inchados de choro. — Ver o rosto de Adrien tão perto lhe roubou o fôlego.

Precisou se esforçar muito para colocar o cérebro para funcionar, e obter uma resposta que fosse coerente. A beleza desse menino devia ser ilegal, ainda mais quando atrapalhava as pessoas a raciocinar desse jeito.

— E-eu tive um pesadelo essa noite. — Disse, torcendo para parecer plausível. Os olhos esmeralda continuaram a sondando, então Marinette continuou sua justificativa. — Sonhei que perdi alguém que eu amava. — Porém, falar dessa maneira parecia tornar tudo pior, sentiu os olhos, já sensíveis, marejando novamente. — Droga, só de lembrar fico com vontade de chorar de novo.

Disse rindo, sem humor, tampando os olhos, querendo esconder as lágrimas. Não queria deixar Adrien preocupado.

Contudo, os braços dele a puxaram para seu ombro, em um meio abraço, protetor.

— Tá tudo bem, pode chorar se quiser. — Falou com carinho, os dedos indo em direção às mechas dela em uma carícia acalentadora.

E ela se permitiu chorar em seus braços. E chorou ainda mais ao lembrar que do último abraço que recebeu na noite anterior, fora do motivo da sua dor.

— Você deve me achar uma boba. — Disse, fungando, em meio aos soluços. — Por chorar por isso.

— Não, minha linda, jamais. Eu seria a última pessoa a te julgar por isso. — Ele continuou a carícia, mas ela sentiu quando o peito dele subiu e desceu, em um suspiro profundo, antes dele continuar a falar. — Acredite, sei bem o que você está passando.

Isso tirou os pensamentos dela de si mesma.

— O pesadelo de novo? — Marinette sabia que isso o vinha atormentando há algumas semanas, mas ele não queria contar o conteúdo do sonho. Ela respeitou essa decisão, claro, mas queria ter uma forma de ajudá-lo.

Adrien já estava passando por tanta coisa.

— Sim. Mas acho que vou ficar melhor agora. Sinto que consegui resolver. — Ela ergueu o tronco para poder olhá-lo nos olhos.

— Fico feliz, então. — Foi a vez dela de fazer uma carícia, de leve, no rosto dele. — Sabe que, qualquer coisa, pode contar comigo. Eu estou aqui por você.

Foi então que Adrien fez uma das coisas mais adoráveis que ela já viu. Ele deitou com o rosto na palma dela, cobrindo a mão dela com a sua, e virando o rosto um pouco, depositou um casto beijo na lateral de sua mão.

— E eu por você, meu amor. — Respondeu, com os olhos brilhantes em direção a ela.

Sentiu seu peito se aquecer com a sensação do amor que a inundou naquele momento.

Já podia sentir o coração um pouco mais leve, e não estava pronta para abandonar a sensação. Por isso, recostou no corpo dele novamente, e Adrien retornou o cafuné nos cabelos dela, sem fazer mais perguntas. Compreendeu, silenciosamente, que ela precisava daquilo por mais alguns minutos.

Estavam apenas curtindo a presença um do outro nessa hora. E por mais que Adrien não soubesse dos seus problemas, muito menos pudesse resolvê-los, ela tinha que admitir: ele era um ótimo anestésico para a dor. E só queria absorver essa sensação, o máximo que pudesse.

A outra mão dele começou segurou a sua, brincando com seus dedos. Foi então que ela percebeu a falta de um anel familiar no dedo dele.

— Adrien, cadê aquele anel que você usava? — Perguntou, se sentando rápido e sentindo o coração falhar uma batida.

“Não poderia ser ele… poderia?” Sentiu o sangue fugir de seu rosto com o pensamento, e o ar lhe faltar.

Mas Adrien, simplesmente ergueu a mão com calma, e analisou o dedo, agora, sem o anel.

— Ah, era um presente do meu pai. — Respondeu de forma tranquila, sem nenhum sinal da urgência que um ex-portador teria. — Decidi substituir pelas alianças gêmeas na outra mão. Não queria usar tantos anéis assim.

— Ah, sim, claro. — Respondeu com decepção.

O que ela estava esperando? Que ele fosse o Chat Noir? Iria começar a analisar todos os garotos que conhecia agora, que usavam anéis, e agora não os tinham mais? Isso a enlouqueceria. Não, não podia fazer isso.

Luka conversaria com ele, e depois, tudo voltaria ao normal. Era o seu plano.

— Mas está tudo bem, guardei com carinho o anel que meu pai me deu. — Adrien continuou sua narração, alheio à tempestade emocional dentro dela. — Não era porque me deixava triste nem nada disso.

— Não, sim… quero dizer, tudo bem. — Embolou as palavras. Então parou e respirou fundo antes de abrir a boca novamente. — Devia ser difícil usá-lo depois que tudo aconteceu.

“Tudo” que ele tinha conhecimento.

Apenas mais um, da grande teia de segredos, que ela mantinha escondido dele.

— Sim e não. — Adrien respondeu, agora, analisando as alianças gêmeas na mão esquerda. — Agora, parece que tenho um presente dos dois comigo.

— Isso é bom. — Ela sorriu. Ele ter aquelas alianças era bom, de maneiras que Adrien nem podia imaginar.

Então de repente, Nino apareceu na porta.

— Ei galera, a Alya falou que vocês precisavam de um tempo, mas já tocaram duas músicas, e agora estão te esperando, cara.

— Valeu, Nino, já estamos indo. — O amigo se deu por satisfeito e saiu. Adrien então levantou, com ela o seguindo, e de mãos dadas, saíram da sala. — A propósito, você perdeu uma reunião da Resistência hoje. — Ele revelou, enquanto subiam as escadas.

Isso a fez choramingar de forma dramática.

— Nossa, o Nino não vai me deixar esquecer disso. — Gostava de Nino, mas o Agente Ketchup podia ser um pouco rigoroso demais.

— Não vai mesmo. — Adrien riu, compartilhando de seu pensamento. — E, ele também me deu um aviso: para tomarmos cuidado com a nova vilã, porque sabemos as identidades dele e da Alya. Mas, na verdade, acho que ele tá com medo da Ladybug tirar o Miraculous deles, se ela descobrir que ele os revelou.

Marinette achou aquele aviso engraçado, mas faz uma cara séria antes de responder.

— Ah, claro. Isso, sim, seria muito perigoso.

Chegaram no palco e Adrien subiu para tocar, sussurrando desculpas aos amigos de banda pelo atraso. Marinette sentou no caixote ao lado de Alya, e ficou aliviada por conseguir se divertir e distrair, mesmo que por pouco tempo.

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— En garde*. — O professor Armand falou, iniciando a luta. Adrien rapidamente, atacou o oponente com seu florete, realizando um battement* e depois um flèche*. — Redoublement*! Muito bem, Adrien.

O duelo terminou após mais um ataque. Adrien retirou a máscara, completamente ofegante.

— Excelente trabalho, senhor Agreste. — O professor elogiou seu desempenho, novamente.

— Obrigado, Sr. D’Argencourt.

Adrien, então, cumprimentou seu oponente, e depois foi em direção ao vestiário.

Estava suado e cansado, mas não havia ido nada mal, após cinco partidas seguidas.

Seus dias estavam indo bem, na medida do possível. Havia parado de vez com o chinês e diminuído a frequência das aulas de piano. Tinha pensado em fazer o mesmo com a esgrima, mas, além de Marinette gostar muito da roupa, o esporte ajudava um pouco com a sua ansiedade.

Sentia que estava com energia acumulada, e que necessitava de liberação. Agora que estava sem seu Miraculous, só lhe sobrava aplicar nas aulas.

Sem contar que seu novo desempenho estava sendo alvo de vários elogios.

— Está indo muito bem, Adrien. — Kagami apareceu no vestiário, após trocar seu traje de esgrima pelo seu uniforme habitual.

— Obrigado, Kagami. — Sorriu, sem graça. Pelo elogio, não por ela. Agora que a amiga estava namorando seu primo, nunca a tinha visto mais feliz, o que era bom. Adrien já não precisava sentir culpa por seu namoro machucar os sentimentos dela. — E como está o Félix?

— Está bem. — Ela estava terminado de arrumar sua bolsa de treino, quando endireitou a coluna de repente, e se virou para ele. — Na verdade, ele queria conversar com você. Talvez, marcar uma visita.

Aquilo pegou o loiro de surpresa, mas não conseguiu conter um sorriso de alegria.

— Eu adoraria. — E estava sendo sincero.

Os dois haviam resolvido suas diferenças, durante as férias de verão. Se a Ladybug havia o perdoando, por tudo que ele havia feito contra ela, então Adrien também o perdoou. Mesmo que ainda não soubesse o motivo dele ter feito aquilo. Ou qual a razão do primo sempre ter o tratado de forma tão dura durante a infância, mesmo que isso já houvesse mudado recentemente.

De qualquer forma, gostaria de passar mais tempo com Félix.

Ainda sentia falta do Plagg, por isso começou a passar mais tempo com Nino e os meninos. Convidou o amigo para jogar vídeo game em sua casa naquela semana, assistiu, junto com a turma, uma competição Kim x Alix no parque. Também participou de um jogo de futebol na escola, agora que havia aprendido as regras, conseguiu até se divertir no jogo, e jogar bem.

Mas não era a mesma coisa, Adrien sabia disso, nada mais seria como antes.

Porém, estava tudo ficando bem, pelo menos, naqueles primeiros dias.

Ainda sentia uma saudade lhe apertando o coração. Contudo, se havia aprendido algo com a perda de seus pais, é que o tempo era muito bom para curar as feridas da saudade.

Exceto, que seus pais estavam mortos. Ladybug não.

E se dependesse dele, ela não morreria tão cedo.

Mas o fato dela ainda estar por aí, poderia causar um grande estrago em suas emoções.

Como agora, estava saindo da aula de esgrima após se despedir de Kagami, e estava pronto para ligar para Marinette, quando um alerta de Akuma apareceu em seu celular.

Sentiu o coração disparar e apertar, de uma forma nova. Ele não iria salvar a cidade dessa vez. Não precisava mais sair correndo para se transformar, nada de luta, nada de capturar um akumatizado. Não havia nada que pudesse fazer, além de ficar em segurança e não ser uma vítima para Ladybug, e os outros heróis, salvarem.

Gorila, protetor como era, logo começou a gesticular para que ele entrasse rápido no carro. Sabia que o homem o levaria direto para a mansão e só o deixaria sair quando o ataque tivesse terminado.

Já estava caminhando para entrar no veículo, quando notou uma movimentação nos prédios do outro lado da rua. E quando ergueu o olhar, ele a viu.

Sua Ladybug.

Era a primeira vez que a via pessoalmente, desde aquele dia.

Sentiu o corpo inteiro congelar.

Ela estava correndo pelos telhados, com Ryuko, Pegasus e Rooster Bold.

Mas, nenhum portador da Destruição por perto.

— Vamos, Gorila. — Disse, já entrando no carro e ligando o tablet que tinha lá, para acompanhar a luta. Sentiu as mãos geladas com o nervosismo.

Nadja percebeu que conseguiria aumentar bastante sua audiência se conseguisse transmitir as lutas. Por isso, agora deixava sempre reservado um helicóptero para acompanhar Ladybug e os demais heróis.

Algo ótimo para Adrien. Se ele não iria mais participar, gostaria de, pelo menos, saber o que estava acontecendo.

— O akumatizado da vez parece ser um jovem garoto, talvez na fase da adolescência. — Ouviu a voz da repórter, Clara Contard, narrar os relatos, de dentro do helicóptero. — Ele tem aparência de um anjo, e seus poderes o fizeram ter asas que estão lançando cera quente, derretendo vários dos prédios de Paris e transformando as pessoas em estátuas de cera! — Em seguida, a câmera apontou para os heróis, e mostrou Ryuko se transformando em vento, derrubando o akumatizado.

Pegasus estava no telhado os aguardando, e abriu um portal no momento que caíram. A imagem, então, cortou para outra câmera, que já estava voltada para Ladybug com Rooster Bold no meio da rua, onde uma enorme fonte de água, vermelha de bolinhas pretas, aguardava o akumatizado. Rooster Bold que era capaz de criar outras habilidades, com sua sublimação, estava congelando a água aos poucos.

— Uau, parece que vão dar um banho frio nele! — Clara comentou na transmissão.

O portal se abriu ali, e o akumatizado caiu na fonte e seu corpo inteiro endureceu. Ladybug foi rápida em pegar o objeto akumatizado no colar do garoto e liberar o akuma.

Adrien só conseguiu sorrir com orgulho ao final, vendo as joaninhas dela se dispersando e consertando tudo.

Mesmo que doesse em seu coração não estar lá com ela, a alegria de saber que ela ficaria bem por isso, compensava tudo.

— Incrível, mais uma grande vitória para Ladybug e seu grupo de heróis! — Clara continuou, a imagem agora mostrando Ladybug e os outros fazendo o típico toque do “Zerou” juntos. — Mas o que os espectadores estão se perguntando é, onde estava o Chat Noir hoje? Ele…

Desligou o tablet. Não precisava mais ouvir aquela parte.

Jogou a cabeça para trás, em direção ao banco, e fechou os olhos.

— Muito bem, M’lady. — Sussurrou sozinho, um sorriso se abrindo em seu rosto.

Notas finais
Antes que comecem os ataques chamando a Mari e o Adrien de lerdos, lembrem-se que, se não fosse assim, não seria Miraculous! hahah Mas falando sério agora, eu gosto muito de respeitar o poder dos Miraculous, principalmente, o de disfarçar as jóias e os heróis. Ou vocês acham que a Marinette não teria já reconhecido o anel no Adrien? Ela já pegou, e até USOU esse anel, várias vezes. Também acredito que é por isso que eles não conseguem reconhecer um ao outro, mas reconhecem os amigos akumatizados, quando eles estão completamente diferentes. Então, não é lerdeza galera, é magia. Fim de papo. Sei que esse cap foi mais curtinho, mas animação! Teremos Lukadrien no próximo. E sabemos que esses dois tem muito o que conversar. *Glossário: En guarde, termo em francês para "Em guarda", posição que os esgrimistas assumem antes do início de uma luta. Battement: Batida violenta na lâmina de um oponente para iniciar ou ameaçar um ataque. Flèche: É um dos mais arriscados movimentos da esgrima. É um golpe ultraofensivo. Redoublement: Atacar o oponente uma segunda vez, depois que o oponente falhou ao contra-atacar. (Fanfic também é conhecimento!) Beijos doces e até a próxima! Boa semana a todos, bebam água e se cuidem. A mamãe aqui ama vocês!